Monday, November 7, 2011
A outra face do espelho
Viver em isolamento, seja em que área da vida for, é raramente fácil. Permanecer convicto das nossas perspectivas quando não somos respaldados por mundivisões semelhantes roça muitas vezes a teimosia, a irmã afastada da persistência. Como tal, é muito bom constatar de vez em quando que outros existem no mundo que partilham algumas características, nem que seja uma paixão assolapada por um desporto de onze contra onze, com uma bola no meio. Para quem tiver paciência, aqui deixo um artigo sobre Guardiola e Bielsa, dois camaradas loucos.
Tuesday, September 6, 2011
Uma forma de estar diferente
Embora não goste de me juntar ao senso comum de forma arbitrária, sou forçado a render-me a uma nova forma de estar e de jogar que este Barça representa. Em vez de me alongar nas minhas palavras, deixo mais abaixo excertos da entrevista de Fàbregas, esta semana.
"P. ¿Resultó más triste dejar al Arsenal o, en su día, al Barça?
R. Yo creo que era más inconsciente cuando dejé el Barça. Era pequeño. Yo no pensaba que llegaría nunca al primer equipo del Barça porque en aquella época no era como ahora. Mire el caso de Andrés [Iniesta]. Tenía 23 años y no fue titular en la final de París, pero hasta que salió él no empezaron a jugar... Yo pensé: "Si Andrés no juega, ¿dónde estaría yo?". Era juvenil, así que estaría en el juvenil. Al irme ahora de Londres lo he hecho viviendo mucho más lo que estaba sucediendo, consciente de lo que dejaba y de adonde iba. Un poco más triste, es verdad.
P.¿Ya se intuía que Messi sería tan bueno?
R. Era el mejor, pero eso nunca lo sabes. Si alguien llegaba, era él, eso es evidente. Era el más desequilibrante. Técnicamente, siempre ha sido el mejor. Físicamente, le ves ahora y no le tumbas. Antes era el más pequeño y, como jugábamos contra gente mayor, todavía se notaba más. Es muy listo. Lo pilla todo y a veces parece que no está o que no tiene carácter, pero por dentro es un ganador nato que lo procesa absolutamente todo.
P. ¿Que dejan futbolísticamente seis años en la Premier?
R. Lecciones. El espíritu de competitividad. Su fútbol es más alocado que el de la Liga española, más disciplinada y táctica, de toque, de jugar. Allí no se piensa en las posiciones. Se ataca incluso cuando no lo necesitas. ¡La afición te aprieta tanto! A la gente no le gusta que te repliegues. Aquí necesitas más posición, control para romper... Allí vas y vas y, al final, de tanto ir... Y los árbitros son más condescendientes, permiten más. Aquí me amonestaron por no guardar la distancia en la barrera y allí, en Inglaterra, me habrían dicho: "¡Va, Cesc, échese para atrás, vamos!".
P. ¿Su ventaja es que llega enseñado por su paso por el fútbol base azulgrana?
R. No. Tengo la sensación de que aún me falta mucho por aprender. Este equipo está muy mecanizado y hay cosas que debo pillar. La gente se queda con los goles, pero yo veo otras cosas. En especial, a nivel defensivo. No he visto nunca a un equipo que esté tan concentrado en la transición ataque-defensa. Jugar contra el Barça es muy complicado, pero jugar en el Barça tampoco es tan fácil. Ese es el reto. Yo, sinceramente, tengo la sensación de que les estorbo un poco todavía, pero que son tan buenos que lo arreglan y lo disimulan. Intento interpretar sus pases, trato de aprovecharme de eso en el ataque. Debo adaptarme a ellos. Defensivamente, tengo mucho que aprender.
P. ¿Qué es lo primero que ha aprendido en el Barça?
R. Que lo más difícil es jugar muy fácil. Ves a Messi, a Iniesta, a Xavi. ¡Es tan difícil jugar tan fácil! Y también, que presionar como lo hace este equipo es realmente difícil.
P. El cuerpo técnico está convencido de que incluso defensivamente puede aportar mucho.
R. Yo también. Tengo una suerte: durante cuatro o cinco años fui uno de los jugadores que más corrían por partido en la Champions. Eso garantiza mucho dinamismo por mis condiciones. Y lo aprovecho. Pero tengo la sensación de que me queda un mundo por aprender. Tengo 24 años y a menudo se me valora como si tuviera 30.
P. ¿Es cierto, como dice Xavi, que en este Barça lo mejor son los entrenamientos?
R. Sí. Es la cosa más bonita que he visto en mi vida. Solo se oye la pelota. Tac, tac, tac... La presión de cuatro al tiempo... Jamás vi entrenamientos de tanto nivel. El día a día de entrenamientos es mucho mejor que los partidos; no vi nada parecido.
P. ¿Está preparado para jugar los minutos que le toquen, para chupar banquillo?
R. Es evidente que solo los futbolistas como Xavi, Iniesta o Messi podrían quejarse por falta de minutos. Y si ellos no se quejan... Les debo un respeto, así que jugaré cuando me toque."
Tuesday, August 30, 2011
"O que é de mais é erro"
Arsène Wenger será muito provavelmente um dos alvos preferidos de todos quantos comentem o desporto-rei, de forma mais ou menos séria. Com efeito, procurei nos catrapaços deste mesmo blog o que já havia sido escrito sobre o professor francês e deparei-me com estes dois artigos: "Quando uma boa decisão se transforma num erro" e "O princípio da demência II". Se este último poderá ser suspeito por se tratar de um texto deste mesmo ano, o primeiro artigo refere-se a 2009, pasme-se! Ressalvo apenas um par de frases que me deixaram estarrecido ao ver a data da publicação: "Sim, o mister francês granjeou uma reputação de descobrir jovens talentos, mas a equipa londrina parece sempre um onze desgarrado, ainda e sempre sem maturidade táctica e mental para vingar nos momentos decisivos." e "Quando é que este Arsenal deixa de ser uma equipa em constante evolução - especialmente quando está longe de estar coarctada em termos orçamentais".
Vem isto a propósito da mais recente (e copiosa) derrota do Arsenal às mãos do Manchester United. Na verdade, os oito golos sofridos podem até ser considerados uma espécie de benção, dados os inúmeros lances de perigo iminente criados pela equipa de Alex Ferguson. A desculpa de Wenger (de que a sua equipa é constituída por jovens, que necessitam de tempo para despontar), não colhe, pura e simplesmente - especialmente quando, no outro lado, estava uma equipa exactamente com a mesma média de idades que, uma semana antes, tinha aplicado "chapa três" ao Tottenham, uma outra equipa de Londres.
Sendo o primeiro a criticar o extremo do caso de Portugal, onde se despedem treinadores em Agosto (vide o caso de Manuel Machado), não posso deixar de ficar boquiaberto ao ver épocas consecutivas de desculpas esfarrapadas, objectivos falhados e um desfiar de contratações que raramente vêm a materializar-se nas perspectivas que Wenger promete.
Vem isto a propósito da mais recente (e copiosa) derrota do Arsenal às mãos do Manchester United. Na verdade, os oito golos sofridos podem até ser considerados uma espécie de benção, dados os inúmeros lances de perigo iminente criados pela equipa de Alex Ferguson. A desculpa de Wenger (de que a sua equipa é constituída por jovens, que necessitam de tempo para despontar), não colhe, pura e simplesmente - especialmente quando, no outro lado, estava uma equipa exactamente com a mesma média de idades que, uma semana antes, tinha aplicado "chapa três" ao Tottenham, uma outra equipa de Londres.
Sendo o primeiro a criticar o extremo do caso de Portugal, onde se despedem treinadores em Agosto (vide o caso de Manuel Machado), não posso deixar de ficar boquiaberto ao ver épocas consecutivas de desculpas esfarrapadas, objectivos falhados e um desfiar de contratações que raramente vêm a materializar-se nas perspectivas que Wenger promete.
Monday, August 29, 2011
As desventuras da Liga
À hora a que escrevo, está a terminar o encontro do Sporting de Braga e o Benfica prepara-se para entrar em campo. Como se não chegasse, o FC Porto entra amanhã em campo, num dia que coincide com a realização de encontros particulares de selecções.
Ao mesmo tempo, o Barcelona, adversário dos portistas na passada sexta-feira, estão a jogar neste preciso momento. Se considerarmos que os encarnados jogaram em casa e os bracarenses na Suíça (o que não implica mais de duas horas e meia de viagem), que motivo poderá invocar a Liga para continuar a descaracterizar o campeonato e a queixar-se simultaneamente da falta de adeptos nos estádios?
Friday, August 19, 2011
Começar com o pé esquerdo e terminar com o direito
No primeiro jogo no Dragão a contar para o campeonato, o FC Porto defrontou o Gil Vicente. Com as duas equipas a apresentarem os mesmos onzes da primeira jornada, foi sem surpresa que se assistiu à repetição de alguns defeitos e virtudes. Com efeito, os dragões entraram algo nervosos, especialmente na circulação de bola entre defesas e Souza: Foi precisamente num desses momentos, logo aos 2 minutos, que o Gil Vicente pressionou um mau domínio de Sapunaru, conquistando um penalty, cometido por um Otamendi já em desespero de causa.
Se os azuis e brancos já estavam nervosos, o golo adversário não ajudou em nada. Souza continua a demonstrar algumas dificuldades na construção (é raro o passe ao primeiro ou segundo toque) e os de Barcelos traziam a lição bem estudada, jogando em bloco baixo e apostando não só nas transições rápidas, mas também na pressão bem exercida aos alvos azuis identificados como menos fortes em posse de bola.
Ainda assim, o querer atirou o FC Porto para a frente e foi graças a um penalty sobre Hulk - convertido sobre o mesmo - que chegou à igualdade, ao minuto 10. Com a igualdade, os dragões foram-se assenhorando do jogo, afastando os nervos, e foi no seguimento de um desses lances que chegaram ao segundo golo, por intermédio de Sapunaru (num canto bem batido por Hulk), que assim se redimia do lance menos feliz do golo dos gilistas.
Os campeões nacionais pareciam querer acalmar o jogo e exercer finalmente o seu domínio, mas a equipa de Barcelos não se mostrou interessada e continuou a mostrar que vinha para jogar, ainda que com as suas armas. Assim, tiveram uma oportunidade de golo clamorosa, aos 23', que João Vilela falhou perante Helton.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais afoito tanto a defender como a atacar e, com isso, conseguiu aumentar a vantagem para dois golos logo ao terceiro minuto, numa verdadeira bomba de Hulk. 3 minutos depois, Kléber e Hulk construíram uma bela jogada para a nova referência de área azul e branca cabecear ao lado do poste esquerdo.
As substituições serviram para atiçar um pouco um dragão mais interessado em controlar o jogo, após a vantagem. Belluschi e Djalma entraram para os lugares de Guarín e Varela, respectivamente, e essas alterações trouxeram uma maior mobilidade, em particular a de Belluschi, sempre predisposto a fazer passes de ruptura e explorar os espaços.
Até final, assistimos a uma tentativa de reacção da turma de Barcelos, potenciada pela continuação de alguma falta de agressividade defensiva por parte do FC Porto. Apesar de tudo, não houve grandes sustos, mas fica a nota para o próximo jogo, contra um adversário incomparavelmente mais difícil.
Positivo:
- Atitude do Gil Vicente. Se todas as equipas demonstrassem a mesma vontade de discutir o resultado (ainda que com as suas armas, como é óbvio), talvez o campeonato nacional fosse capaz de atrair mais adeptos.
Negativo:
- Momento defensivo do FC Porto. A equipa parece estar ainda algo confusa sobre quando deve ou não fazer pressão. Como tal, criam-se involuntariamente autênticos buracos, partindo a equipa e expondo-a às transições.
Se os azuis e brancos já estavam nervosos, o golo adversário não ajudou em nada. Souza continua a demonstrar algumas dificuldades na construção (é raro o passe ao primeiro ou segundo toque) e os de Barcelos traziam a lição bem estudada, jogando em bloco baixo e apostando não só nas transições rápidas, mas também na pressão bem exercida aos alvos azuis identificados como menos fortes em posse de bola.
Ainda assim, o querer atirou o FC Porto para a frente e foi graças a um penalty sobre Hulk - convertido sobre o mesmo - que chegou à igualdade, ao minuto 10. Com a igualdade, os dragões foram-se assenhorando do jogo, afastando os nervos, e foi no seguimento de um desses lances que chegaram ao segundo golo, por intermédio de Sapunaru (num canto bem batido por Hulk), que assim se redimia do lance menos feliz do golo dos gilistas.
Os campeões nacionais pareciam querer acalmar o jogo e exercer finalmente o seu domínio, mas a equipa de Barcelos não se mostrou interessada e continuou a mostrar que vinha para jogar, ainda que com as suas armas. Assim, tiveram uma oportunidade de golo clamorosa, aos 23', que João Vilela falhou perante Helton.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais afoito tanto a defender como a atacar e, com isso, conseguiu aumentar a vantagem para dois golos logo ao terceiro minuto, numa verdadeira bomba de Hulk. 3 minutos depois, Kléber e Hulk construíram uma bela jogada para a nova referência de área azul e branca cabecear ao lado do poste esquerdo.
As substituições serviram para atiçar um pouco um dragão mais interessado em controlar o jogo, após a vantagem. Belluschi e Djalma entraram para os lugares de Guarín e Varela, respectivamente, e essas alterações trouxeram uma maior mobilidade, em particular a de Belluschi, sempre predisposto a fazer passes de ruptura e explorar os espaços.
Até final, assistimos a uma tentativa de reacção da turma de Barcelos, potenciada pela continuação de alguma falta de agressividade defensiva por parte do FC Porto. Apesar de tudo, não houve grandes sustos, mas fica a nota para o próximo jogo, contra um adversário incomparavelmente mais difícil.
Positivo:
- Atitude do Gil Vicente. Se todas as equipas demonstrassem a mesma vontade de discutir o resultado (ainda que com as suas armas, como é óbvio), talvez o campeonato nacional fosse capaz de atrair mais adeptos.
Negativo:
- Momento defensivo do FC Porto. A equipa parece estar ainda algo confusa sobre quando deve ou não fazer pressão. Como tal, criam-se involuntariamente autênticos buracos, partindo a equipa e expondo-a às transições.
Monday, July 4, 2011
O outro lado do jogo
Muitas das vezes, detemo-nos apenas com aquilo que o futebol nos oferece de mais imediato - os golos, as defesas, os carrinhos, entre outros. No entanto, especialmente tomando em consideração as diversas competições internacionais para os escalões mais jovens em curso ou prestes a ter início, seria porventura importante debruçarmo-nos sobre o que acontece aos que não conseguem ser transferidos para paisagens mais verdejantes.Um desses exemplos é abordado na edição de hoje de O JOGO, conforme segue mais abaixo (a identidade do clube não é de todo importante, no caso em questão).
Benfica "fez" vida negra a avançado argentino
Valentín Viola, avançado argentino de 19 anos, viu a sua carreira sofrer um revés a partir do momento em que o Benfica se interessou pela sua contratação. Segundo o diário "Olé", o clube da Luz sondou o Racing Avellaneda (de onde saiu Fernández) pelo jogador, com o emblema do país das pampas a pedir cerca de 1,7 milhões de euros. As águias desistiram e a partir daí tudo se complicou para Viola. O avançado, formado no Racing Avellaneda, exigiu um aumento salarial, o que foi recusado, e ficou agora a saber que não fará parte das opções para a próxima época.
Estaremos dispostos a não olhar a meios à procura de novos Messis?
Tuesday, June 28, 2011
O mundo ao contrário
Infelizmente para o futebol em geral, mas mais ainda para o clube em questão, o Sporting parece continuar a estar a ferro e fogo, dando sinais de que, tal como se suspeitava, os resultados da equipa principal mais não eram do que um reflexo de problemas que corriam mais fundo. Ao ler num jornal a entrevista dada pelos principais "olheiros" do Sporting, é impossível não concluir que, ao contrário do que muitos de nós gostam de fazer crer, o futebol ainda é gerido por caprichos, capelinhas e modas do momento. Não me parece haver outro ponto de chegada face ao que nos foi agora confirmado por quem está por dentro da realidade do clube, ainda que manifestamente incompatibilizado com a actual direcção. Com efeito, muitas das pessoas que rodeiam os clubes (em particular os grandes) parecem muito mais interessadas em querer servir-se a si mesmas do que servir o clube.
Os sinais que o futebol, no seu âmbito global, continua a enviar para o exterior continuam a ser de um amadorismo e de compadrios que apenas parecem encontrar par na política.
Os sinais que o futebol, no seu âmbito global, continua a enviar para o exterior continuam a ser de um amadorismo e de compadrios que apenas parecem encontrar par na política.
Subscribe to:
Posts (Atom)

