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Friday, January 18, 2013

Uma simples questão




Como é possível que um lançamento lateral a nosso favor termine como jogada de golo na nossa própria baliza?

Friday, September 21, 2012

Uma história de dois avançados

Equipas e movimentações iniciais


Apesar do resultado final, a partida da noite passada ofereceu inúmeros motivos de interesse. Com efeito, poucas vezes um encontro ofereceu um contraste tão vincado entre dois estilos opostos de abordar um jogo de futebol.

O treinador do Newcastle, Alan Pardew, permaneceu fiel às suas convicções e rodou a maior parte da sua equipa (lançando inclusivamente o seu terceiro guarda-redes), mantendo contudo a sua linha defensiva intacta. O onze inglês foi significativamente diferente do que defrontou o Everton na passada segunda-feira. No que diz respeito ao Marítimo, Pedro Martins escalou os mesmos jogadores, excepção feita a Luís Olim no lugar do castigado Ruben Ferreira.

Este encontro constituiu um exemplo perfeito de duas filosofias futebolísticas diametralmente opostas. Por um lado, os Magpies jogaram no seu habitual 4x4x2, com Vuckic a actuar atrás de Shola Ameobi, e optaram pelo que se pode denominar de típico estilo britânico: bolas longas na direcção do avançado mais possante, o qual tentava encaminhar as jogadas para um avançado mais pequeno e rápido. Os madeirenses, por outro lado, optaram pelo típico 4x3x3 português, mais dinâmico e com maior movimento.

Não obstante, os jogadores mais avançados das duas equipas (uma vez que Danilo Dias não pode ser classificado como um verdadeiro ponta-de-lança) constituem os exemplos mais paradigmáticos de cada equipa, resumindo as respectivas abordagens na perfeição.

  • Newcastle

Conforme referido anteriormente, Newcastle optou por lançar bolas longas e directas na direcção de Ameobi. Sem Demba Ba, Papis Cissé, mas, acima de tudo, sem Yohann Cabayé nem Hatem Ben Arfa, os comandados de Pardew não demonstravam qualquer pejo em despejar a bola na frente e aguardar o desfecho. Com Vuckic longe da sua melhor forma, as tabelas e cabeçadas ganhas por Ameobi não se revelavam particularmente úteis, especialmente porque tanto Obertan como Amalfitano permaneciam estáticos e muito distantes das melhores posições para recuperarem as segundas bolas.

Gosling e Bigirimana acabaram por tentar compensar esse facto e oferecer um seguimento adequado aos esforços de Ameobi, o que conferia ao Marítimo ainda mais espaço de manobra. Com ambos os médios-ala longe do jogo e ambos os médios-centro tentando encurtar distâncias para a frente, a linha mais recuada do Newcastle ficava frequentemente exposta, permitindo que os avançados insulares se movimentassem a seu bel-prazer.

Bigirimana, em particular, pareceu muitas vezes não saber que tarefa desempenhar a nível defensivo, durante a primeira parte. À medida que foi ficando aparentemente cada vez mais frustrado pela paciente primeira fase de construção da equipa portuguesa, tentou pressionar um dos defesas-centrais contrários, fazendo com que Gosling se visse rodeado de médios adversários. A situação foi agravada pela incerteza sobre quem deveria marcar Danilo Dias, o irrequieto avançado do Marítimo.

Bigirimana e Gosling deixaram muitas vezes a defesa do Newcastle exposta.


A segunda parte foi melhor para os Magpies, assumindo o controlo do encontro, nomeadamente após a entrada de Sammy Ameobi para o lugar de Vuckic e os defesas-centrais do Marítimo começarem a acusar a fadiga. Na verdade, se é verdade que o Newcastle teve grandes dificuldades para entrar na grande área maritimista durante a primeira parte, não é menos verdade que tiveram maiores facilidades na segunda metade da partida, uma vez que tanto Roberge como João Guilherme começaram a perder o posicionamento adequado com maior frequência. O Newcastle forçou ainda mais o jogo directo e os seus jogadores e treinador poderão sentir-se algo azarados por não terem logrado marcar na segunda parte.

Em resumo, a defesa do Newcastle não esteve segura e mostrou-se demasiado vulnerável a jogadas rápidas nas suas costas, mas contrapuseram um tipo de futebol a que a equipa da casa não está habituada. Ameobi provou que ainda pode ser útil, seja em jogos menos importantes (para aliviar a carga de Papis Cissé e Demba Ba) ou como plano B.

  • Marítimo

A exibição maritimista resumiu o futebol português na perfeição. Inúmeras movimentações inteligentes, extremos a procurarem zonas mais centrais para permitir que os médios interiores e os laterais explorassem os flancos, várias oportunidades durante a primeira fase do encontro e uma derrota quase certa no final, após sofrer imenso às mãos de avançados poderosos.

Ainda que a sua naturalidade seja brasileira, Danilo Dias personifica o avançado português. Exímio a recuar para abrir espaços para os seus companheiros e (sejamos honestos) para evitar o confronto físico com defesas-centrais agressivos e intensos, é o homem que põe toda a equipa a jogar. Ao recuar, funciona frequentemente como jogador extra no meio-campo para oferecer a saída de bola, levando os defesas-centrais contrários a pensar que não têm ninguém para marcar, descobrindo pouco depois que estão a ser atacados por Heldon ou Sami.

O Marítimo teve uma excelente primeira parte, saindo a jogar de forma paciente e aguardando pelo momento certo para encontrar o buraco na defesa contrária - criando três oportunidades claras de golo nos primeiros 12 minutos, todas elas com origem no lado esquerdo, em parte graças ao completo alheamento de Obertan das suas tarefas defensivas.

No que diz respeito à defesa, a equipa insular esteve praticamente irrepreensível durante os 30 minutos iniciais, mantendo a distância correcta para os restantes sectores e fazendo dobras bem feitas para os duelos aéreos com Ameobi. Ambos os extremos colaboraram defensivamente para formar um 4x1x4x1 no momento defensivo, o que contribuiu para uns 30 minutos de bom nível. Contudo, este encontro foi um bom exemplo de que a) os jogadores que actuam no campeonato português não estão habituados a semelhantes confrontos físicos, uma vez que não há avançados com o estilo de Ameobi, e b) ao apitarem ao mais pequeno contacto a favor dos defesas, a arbitragem portuguesa não está a ajudar as equipas portuguesas, as quais denotam grandes dificuldades em manter o mesmo nível de intensidade que as equipas inglesas ao longo do encontro. O melhor exemplo é mesmo a crescente incapacidade de Roberge e João Guilherme de conter os avançados do Newcastle, à medida que o jogo se aproximava do fim.

Em resumo, o Marítimo mostrou que tem condições para lutar com as equipas de maior dimensão, mas terá forçosamente de se concentrar em manter os índices físicos ao longo de toda a partida e em capitalizar  as oportunidades criadas. Caso contrário, esta história terá um fim já familiar para as equipas portuguesas.

Monday, May 7, 2012

O derradeiro confronto de estilos


Equipas e movimentações iniciais

Na passada segunda-feira, Newcastle e Manchester City encontraram-se em nome das suas ambições. O City jogava para o título, após derrotar o Manchester United há uma semana atrás e o Newcastle pretendia continuar a aspirar a um lugar na Liga dos Campeões do próximo ano. Embora tenha sido um jogo interessante, debruçar-nos-emos sobre aspectos específicos e na forma como traduzem uma visão diferente sobre o futebol.

Com efeito, esta partida foi um dos melhores exemplos do confronto entre o futebol inglês e o continental. Tal como Roberto Mancini, o treinador do Newcastle, Alan Pardew, optou por manter o mesmo onze que vencera em Stamford Bridge há alguns dias - um 4x4x2 híbrido, dado que Gutiérrez colabora defensivamente e actua em terrenos mais interiores do que Ben Arfa. Para além disso, Ba ficava atrás de Cissé, descaindo para a esquerda.

Por seu turno, o Manchester City também manteve a mesma equipa e abordagem, embora Yaya Touré tivesse actuado de forma mais contida do que o habitual - antes de se deslocar para zonas mais avançadas, no decorrer da segunda parte. Com Nasri, Tévez e Silva, os forasteiros mostravam-se extremamente móveis e, devido à baixa estatura dos seus avançados, insistiam em atacar pela ala.


  • Ataque
Conforme explicitado mais atrás, as duas equipas denotavam abordagens bastante diversas. O Newcastle dava ares de uma típica equipa britânica dos anos 90. Com Ba e Cissé, a equipa da casa não tinha pejo em lançar bolas longas (especialmente o guarda-redes Tim Krull), geralmente com Ba a tentar lançar Cissé. Quando não resultava, Ben Arfa era o escolhido, na esperança de uma acção mais individualista.

Por outro lado, os homens de Mancini mantiveram-se fiéis ao seu futebol de passe e movimentação. Tal como referido, Touré preocupou-se mais com as suas tarefas defensivas, mas os Citizens continuaram a carregar pelo flanco direito. Ao contrário do seu adversário, criaram superioridade numérica nas alas, particularmente quando Tévez descaía para esse lado, juntamente com Nasri e Zabaleta. Com Cabaye mais adiantado, Tioté tinha de optar por cobrir essa ala e deixar o centro aberto ou deixar Santon e Gutiérrez à sua sorte. Na maioria das vezes, decidiu-se pela segunda opção.

  • Defesa
A partida de ontem foi o exemplo acabado de como desconstruir a estratégia das duas linhas de quatro homens. O Newcastle utilizou esta aparentemente redescoberta abordagem e sofreu muito à custa disso. Ao dar-se ao luxo de deixar pelo menos dois homens na frente (Ba e Cissé e, por vezes, Ben Arfa), o meio-campo dos visitados foi constantemente ultrapassado com simples triangulações, embora se trate de uma equipa bem trabalhada ao nível defensivo. Ainda assim, foi estranho não ver o habitualmente perfeccionista Pardew efectuar os ajustes necessários ao intervalo.

Foi evidente que Mancini estudou o seu oponente, tendo colocado Touré sobre a direita do seu meio-campo para ajudar Kompany e Zabaleta nos duelos aéreos com Ba e Cissé. Ao fazê-lo, os homens de Mancini foram capazes de suster a ameaça do Newcastle, uma vez que a sua bola de saída preferencial não surtia efeito. Com este aspecto em particular, Mancini demonstrou uma vez mais preferir uma abordagem cerebral (continental) ao invés de emocional (britânica). O único erro do City ao longo da partida residiu na liberdade conferida a Ben Arfa, jogador que poderia ter sido decisivo, mas o seu líder técnico foi suficientemente inteligente para introduzir Nigel de Jong, de modo a que Barry pudesse prestar mais atenção a Ben Arfa.

  • Transições
Um outro aspecto relevante foi a reacção de ambas as equipas à perda da bola. Com o seu 4x4x2, os jogadores do Newcastle foram apanhados por diversas vezes em contrapé por não conseguirem recuperar as suas posições de forma suficientemente rápida ou porque Cabaye não tinha pernas para recuar. Ao invés, Barry e Touré mantiveram-se sempre sóbrios e os dois defesas-centrais (especialmente Kompany) não hesitaram em avançar para quebrar os movimentos ofensivos do Newcastle.

Com dois avançados possantes como Ba e Cissé, é estranho que o lado por onde os Magpies optam por atacar - a esquerda - seja ocupado por dois jogadores incapazes de cruzar com o pé esquerdo e com tendência natural para flectir para dentro. Quando o jogo começou a ficar partido (Silva raramente recua nas segundas partes), a equipa da casa poderia ter causado danos, mas nem Santon nem Gutiérrez foram capazes de fazer um cruzamento com conta, peso e medida.

  • Conclusão
No cômputo geral, foi um interessante e evidente confronto de estilos entre duas filosofias futebolísticas vincadamente distintas. O City ficou mais próximo do seu potencial máximo, ao passo que as fragilidades do Newcastle e a ausência de um plano B ficaram à vista, muito embora se trate de uma equipa que conta com algumas pérolas - o caso de Cabaye vem imediatamente à memória, juntamente com Cissé, como não poderia deixar de ser.