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Thursday, April 4, 2013

Quartos-de-final da Liga dos Campeões - os gráficos


As partidas desta semana a contar para os quartos-de-final da Liga dos Campeões ofereceram-nos grandes jogos, repletos de acção. São apresentados mais abaixo alguns gráficos interessantes sobre os encontros.

Mandzukic foi fundamental para a constante pressão do Bayern e a sua capacidade de trabalho é de realçar.

O Borussia de Dortmund apenas poderá queixar-se de si próprio por não ter conseguido conquistar a vitória.
Na segunda metade, os comandados de Jürgen Klopp foram mais incisivos na sua pressão e assumiram o controlo.

A pressão incessante do Bayern de Munique trouxe à tona as limitações técnicas de Barzagli, Bonucci e Chiellini.
Note-se como a maioria dos desarmes e roubos de bola não tiveram lugar na zona dos defesas-centrais.

David Beckham foi a surpresa que Carlo Ancelotti decidiu lançar frente ao Barcelona.
Embora não haja muito a apontar ao médio inglês, o seu contributo foi bastante limitado.

Zlatan Ibrahimovic fez um jogo discreto, de acordo com os seus padrões,
mas conseguiu ainda assim apontar um importante golo.


Wednesday, December 5, 2012

Barcelona 0-0 Benfica - Águias eliminadas


Após não conseguir marcar ao Barcelona e a magra vitória do Celtic frente ao Spartak de Moscovo, o Benfica está fora da Liga dos Campeões. Os encarnados foram penalizados pelo desperdício na hora da finalização e terão de continuar a lutar pela conquista de um troféu europeu na Liga Europa.

Com as probabilidades contra si e com uma difícil batalha entre mãos, o Benfica estava obrigado a conseguir pelo menos o mesmo resultado do Celtic contra o Spartak de Moscovo. A sua tarefa foi facilitada em parte por Tito Vilanova, o qual optou por fazer descansar vários jogadores-chave (incluindo Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Dani Alves e Piqué) permitiu que os jogadores da segunda linha acumulassem importantes minutos na Liga dos Campeões sem a inerente pressão do resultado.

A noção de que tal seria proveitoso para a equipa lisboeta foi confirmada assim que o encontro teve o seu início. Ao contrário do que haviam (estranhamente) feito no seu reduto, a equipa portuguesa apresentou-se com uma abordagem de pressão intensa desde os primeiros momentos, encostando o Barcelona às cordas. Com Pinto na baliza no lugar de Vítor Valdés e com uma linha defensiva improvisada, os catalães denotavam dificuldades em sair a jogar, especialmente dada a pressão de Rodrigo, Lima, Ola John e Nolito. Até o jovem André Almeida pressionava alto, acompanhando Alex Song quando este (ou outro centrocampista) recuava para pegar no jogo.

O Benfica pressionou o Barcelona de forma intensa durante toda a primeira parte.

O Benfica mostrava-se sólido e agressivo a nível defensivo, recuperando inúmeras bolas, devido à sua intensidade. A equipa secundária dos vice-campeões espanhóis não tem evidentemente a mesma qualidade das principais figuras e falhava passes com frequência. Para além disso, o Benfica explorava inteligentemente o espaço nas costas dos defesas-centrais, os quais, mantendo-se fiéis aos princípios de jogo da equipa, mantinham uma linha defensiva subida - mas com pouca pressão do seu meio-campo, muitas das vezes.

A primeira oportunidade de golo clara a favor do Benfica surgiu ao minuto 11, com Rodrigo a desmarcar-se nas costas da defesa adversária e a optar de forma egoísta por rematar em vez de encaminhar a bola para Nolito, o qual ficou furioso com o seu companheiro de equipa. O mesmo Nolito tirou um belo cruzamento para o cabeceamento de Lima ao lado, dez minutos volvidos. O Barcelona começava a mostrar os dentes pouco depois ao conseguirem sair do espartilho defensivo que Jorge Jesus havia criado: Matic marcava o médio mais avançado, André Gomes seguia o centrocampista mais recuado, mas o terceiro médio (geralmente Sergi Roberto) ficava sempre livre para recolher a bola e passar pelo meio-campo benfiquista, conforme ficou patente nas oportunidades aos minutos 23 e 24.

O Barcelona conseguiu muitas vezes libertar-se
com simples triangulações,
particularmente durante a segunda parte.
O Barcelona encontrou muito espaço atrás de Matic e André Gomes.

No entanto, o Benfica manteve o pé no acelerador e insistiu em atirar-se para a frente - quase recolhendo a recompensa do seu arrojo, com Lima a acertar no poste ao 31º minuto, após o ressalto do bom carrinho de Adriano ter ido parar fortuitamente aos pés do avançado brasileiro. Alguns minutos mais tarde, Lima faria um excelente passe longo a toda a largura do terreno na direcção de Ola John, o qual venceu a oposição do seu adversário, permitindo contudo mais uma boa defesa de Pinto. Sempre que os comandados de Jorge Jesus orientavam a bola para as alas, os adversários soçobravam.


  • Segunda parte


A segunda metade do encontro foi bastante diferente. A equipa da Luz começou a acusar o cansaço e a sua pressão foi menos eficaz. Como tal, o Barcelona teve maiores facilidades em fazer vingar o seu jogo de posse e encontrar as fragilidades benfiquistas. Com Ola John e Nolito a oferecerem cada vez menos protecção aos seus laterais, Tello teve imenso espaço para ultrapassar Máxi Pereira, o qual pareceu perder a calma por uma ou duas vezes, mas acabou por conseguir manter a compostura. Por outro lado, Lima e Rodrigo permaneciam em zonas avançadas do campo, o que permitia que o trio composto por Song, Sergi Robert e Thiago Alcântara tivesse o espaço e tempo necessários para escolher o melhor destino para os seus passes. Felizmente para o Benfica, o timing do último passe deste grupo de jogadores é menos preciso do que o habitual, permitindo ao Benfica fazer uso do fora-de-jogo com sucesso.

Messi entrou aos 58 minutos (com David Villa a deslocar-se para a direita) e arrancou imediatamente várias faltas à entrada da área - encontrando igualmente espaço para desmarcar Villa e Tello. O próprio Messi viria a ter uma excelente oportunidade para marcar, mas a corajosa saída de Artur evitou o pior para o Benfica, com o mago argentino a sair lesionado após esse duelo. Por essa altura, já o Benfica havia mudado para um 4x3x3, com Matic atrás de André Almeida e André Gomes, e Bruno César e Ola John nas alas no apoio a Cardozo.

O Benfica desperdiçou uma extraordinária oportunidade não só de vencer em Nou Camp, mas também de progredir para a fase seguinte da competição. A equipa portuguesa beneficiou de uma tempestade perfeita, com o Barcelona a apresentar uma equipa recheada de jogadores jovens e segundas linhas. Os encarnados apenas poderão queixar-se de si mesmos por não marcarem pelo menos umas das diversas oportunidades de que dispuseram. Espera-os a Liga Europa - e nova possibilidade de conquistar um troféu europeu.

Friday, October 19, 2012

Barcelona - um modelo diferente

Este texto será porventura tardio, mas permanece pertinente, uma vez que iremos analisar processos (defensivos) consolidados. Tito Vilanova foi nomeado como sucessor de Pep Guardiola no sentido de dar continuidade a uma determinada filosofia, a qual se revelou frutífera ao longo dos últimos anos. Embora seja verdade que a maioria das linhas gerais se mantém, não é menos verdade que Vilanova abandonou quase por completo a defesa a três (excepto em situações de desvantagem) e que a pressão defensiva é actualmente menos intensa e eficaz. Deitemos um olhar rápido à partida contra o Real Madrid de 7 de Outubro.


  • Golo n.º 1 do Real Madrid
O Real Madrid estava a lograr rodar a bola de flanco para flanco, nomeadamente através dos passes longos de Xabi Alonso. Aqui, a bola acabara de ir da esquerda para a direita, com Özil a devolvê-la ao centro. Com uma pressão defensiva muito menos intensa, os extremos do Barcelona parecem ter dúvidas quanto ao que deverão fazer sem a bola e esquecem-se frequentemente de defender. Neste caso em particular, existem cinco jogadores do Real Madrid na grande área, contra igual número de adversários. Note-se como Ronaldo (azul) é deixado numa situação de 1x1 contra Dani Alves, com imenso espaço para todas as habilidades (área sombreada).


Quando a bola chega a Benzema, um dos defesas-centrais vai ao seu encontro, conforme esperado, e Dani Alves (laranja) hesita entre oferecer cobertura ao seu companheiro de equipa e marcar Ronaldo. Uma vez mais, o extremo direito dos catalães não está minimamente próximo da zona de acção e nem Xavi nem Fàbregas (os médios neste encontro) oferecem qualquer contributo defensivo junto à grande área.


Essa simples hesitação é suficiente para Ronaldo ultrapassar Dani Alves (laranja) e introduzir a bola na baliza  com um potente remate de pé esquerdo.


  • Golo n.º 2 do Real Madrid

No segundo golo da equipa madrilena, houve outra questão pertinente. O Barcelona tem sido esta época menos preciso no capítulo do passe e tem cedido a bola de forma menos criteriosa, especialmente em jogos com maior grau de dificuldade. Aqui, os catalães perdem novamente a bola e a equipa demora mais do que o devido a reencontrar a sua disposição (defensiva). O centro do terreno está totalmente desprotegido (área sombreada) e Dani Alves não está entre a baliza e o seu adversário directo, conforme deveria. Para além do mais, não há ninguém entre a baliza e Özil (no interior da área sombreada).


Com ninguém a sair ao encontro de Özil, Ronaldo passa em sprint pelo lateral-direito do Barcelona. Sem qualquer pressão no meio-campo (os dois interiores catalães estão muito longe da zona de acção), o internacional alemão pode escolher o passe ideal e a tentativa de fora-de-jogo não constituiu qualquer obstáculo para a velocidade e inteligente movimentação de Ronaldo.

  • Conclusão
Não obstante o começo exemplar até este encontro (com 6 vitórias em outros tantos jogos), as exibições do Barcelona têm sido tudo menos perfeitas. A posse de bola tem sido por vezes mais descontinuada, mas, acima de tudo, a abordagem defensiva parece estar a mudar, propositadamente ou não. A pressão imediata que a equipa catalã costumava exercer após o momento de perda da bola está longe do que era, mas a sua abordagem e posicionamento defensivos não mudaram em conformidade, o que ajuda a explicar em parte o súbito aumento de golos sofridos.

Thursday, January 19, 2012

A maldição continua

Equipas e movimentações iniciais
O quinto encontro entre Real Madrid e Barcelona contava desta feita para os quartos-de-final da Taça do Rei e José Mourinho, treinador da equipa da capital espanhola, depositava nesta competição a esperança de eliminar a equipa de Pep Guardiola. Como seria de esperar, o técnico português implementou diversas alterações na procura de uma estratégia que surtisse efeito contra a sua bête noire.

Com efeito, o Real pareceu menos apostado nas suas já famosas transições rápidas durante os primeiros 15 minutos, mostrando-se mais propenso a trocar a bola e, com isso, ganhar tempo para respirar. Não obstante, os contra-ataques mostravam-se venenosos e foi precisamente num contragolpe que Ronaldo enterrou o machado com os adeptos de Madrid e marcou aos catalães. Nessa jogada, o português aproveitou muito bem as costas de Dani Alves (sempre muito mais subido do que Abidal) e, no duelo individual com Piqué, levou a melhor. Pensou-se que seria desta feita que a equipa liderada por Mourinho mataria o borrego, especialmente porque o Barça permanecia bastante estático quando em posse (ao contrário do costume), com igualdade numérica a meio-campo e Messi pouco interventivo.

Com um triângulo muito pressionante no centro do terreno, a intenção do onze madridista passava claramente por abafar a organização de jogo blaugrana, objectivo que foi conseguido durante boa parte da primeira metade do encontro. Embora fossem notórias as instruções no sentido de Ronaldo e Benzema fecharem os seus flancos em organização defensiva, ambos demoravam eternidades a chegar às suas posições mais recuadas, o que deixava os dois laterais blancos constantemente desprotegidos, com Altintop (o improvisado lateral-direito) em particular destaque. Durante a primeira parte, esse factor foi menos notório, uma vez que a bola demorava a chegar a Iniesta, sempre brilhante a criar desequilíbrios ofensivos.

À medida que os minutos iam decorrendo, o Real Madrid foi cedendo a posse da bola cada vez mais rapidamente e recuando progressivamente, permitindo que o Barça se instalasse. Contudo, faltavam aos vistantes as habituais diagonais curtas de desmarcação nas costas da linha defensiva contrária, o que levava a que Xavi perdesse mais bolas do que o habitual.

A segunda parte começou com o golo do empate, inusitadamente resultante de um canto - algo pouco habitual na equipa de Guardiola. Contudo, mais importante do que o golo será a jogada que deu origem ao golo, a qual demonstrou a tendência que o jogo teria durante a etapa complementar. Mais uma vez (tal como tinha acontecido na partida para o campeonato), Guardiola foi capaz de promover adaptações durante o jogo às quais Mourinho demorou a responder. Tendo observado a falta de empenho defensivo de Benzema e a adaptação de Altintop, foi perceptível a inclinação do Barça para a esquerda, onde Iniesta se via constantemente em duelo individual com o turco.

O treinador português tentou reagir com a entrada de Özil e Callejón, passando para um 4x2x3x1, o que levou a que a equipa ficasse sem o controlo do meio-campo. Por conseguinte, o Barcelona tomou definitivamente conta do jogo e o segundo golo surgiu com naturalidade. Com Özil em campo, as tarefas defensivas do meio-campo sobravam apenas para Pepe e Xabi Alonso, que assim permitiram mais tempo a Messi sobre a bola, levando a que este tivesse todo o tempo do mundo para descobrir Abidal absolutamente livre no lado esquerdo - mais uma vez.

Em suma, em mais uma batalha táctica entre dois grandes mestres, o aniversariante Guardiola voltou a levar a melhor sobre Mourinho, não obstante a enésima tentativa do treinador setubalense de tentar encontrar o antídoto para a máquina de futebol catalã.

Sunday, December 11, 2011

A vitória de uma visão


Equipas e movimentações iniciais

O tão aguardado (primeiro) clássico da época espanhola trouxe consigo tudo o que se esperava: golos, duelos tácticos, incerteza no resultado e um Real Madrid muito mais próximo do seu adversário. Sem Ricardo Carvalho, Mourinho foi forçado a desviar Sérgio Ramos para o centro da defesa e adaptar Fábio Coentrão ao lado direito. Do lado do Barcelona, nem Pedro nem Villa tiveram lugar no onze, dando lugar a Fàbregas e Aléxis Sánchez.

O jogo teve início de acordo com os sonhos mais optimistas da equipa madrilena: aos 21 segundos, já a bola estava dentro da baliza de Valdés, depois de um erro deste na colocação de bola com os pés, em grande parte graças à pressão que o Real fez (e viria a fazer) sempre que o guarda-redes se predispunha a movimentar a bola como jogador de campo adicional - tarefa fundamental para a organização ofensiva dos catalães.

Momento imediatamente anterior ao golo do Real Madrid

Mostrando ter aprendido as diversas lições da época passada, Mourinho montou um esquema defensivo de pressão intensa, evitando o erro do primeiro clássico do ano transacto de dar demasiado espaço à primeira fase de construção de jogo ofensivo do adversário. Com efeito, Özil encarregava-se de marcar Busquets, ao passo que Xabi Alonso encostava em Xavi e Lass em Fàbregas ou Iniesta (os quais iam trocando regularmente de posição).

Organização defensiva do Real Madrid

Com isso, o treinador dos blancos ocupava desde logo espaços fundamentais para a manobra do Barça, obrigando a que os médios baixassem para que a equipa saísse a jogar, deixando um enorme espaço entre a linha média e os três avançados. Como se pode ver pela imagem mais acima, o Barça vai tendo cada vez mais dificuldades em jogos mais importantes, pois os seus oponentes vão compreendendo o carácter fundamental de defender em bloco no corredor central. Com efeito, o onze catalão mostrou imensas dificuldades para impor o seu jogo durante a primeira meia-hora, dada a intensidade da pressão madridista, excepção feita ao remate de Messi aos 6', para uma grande defesa de Casillas.

Mostrando mais uma vez ter a lição bem estudada, a equipa da capital tirava enorme proveito dos cantos da equipa contrária (a qual, estranhamente, apostava em cantos longos), provando ser a equipa mais mortífera do momento em contra-ataque. Aliás, o contra-ataque do adversário poderá ter sido o factor que inibiu a habitual intensidade defensiva do Barcelona e costumeira pressão alta.

O jogo começou a inclinar-se a favor do Barça a partir dos 30', momento em que marcou o golo do empate, sem ainda ter justificado esse resultado. No entanto, Messi não se compadece com semelhantes racionalizações. Em mais uma das suas arrancadas (na primeira parte, não foram muitas, dado o excelente trabalho defensivo de Lass e Xabi Alonso), foi superior a 4 adversários e assistiu Aléxis Sánchez para uma diagonal curta e remate bem colocado. O astro argentino mostrava mais uma vez ser um jogador mais colectivo do que Ronaldo, sempre mais apostado em iniciativas individuais e menos dado a colaborar com os colegas para uma movimentação harmoniosa da equipa, acabando mesmo o jogo como o jogador com mais remates.

A partir de então, o jogo ficou mais equilibrado, o Real Madrid acusou o toque e pareceu reconhecer ali a primeira evidência da sua falibilidade. Por seu turno, os de Barcelona mostravam-se fiéis aos seus princípios, continuando a jogar com Valdés mesmo quando este era incomodado pelos oponentes, não obstante o primeiro golo.

A segunda parte trouxe consigo algo de diferente. A grande característica diferenciadora dos visionários é - muito mais do que a sua ideia supostamente luminosa - o trabalho anterior à sua colocação em prática. Guardiola revelou ao mundo, num dos jogos mais importantes da época, que o seu 3x4x3, tão criticado nos últimos tempos, era uma arma para os encontros fundamentais, e não apenas mais uma diatribe do técnico de Santpedor. Dessa forma, a defesa blaugrana ficou organizada com Piqué ao centro, Abidal na meia-esquerda e Puyol na meia-direita, com Dani Alves a avançar para uma posição de centrocampista.

Equipas e movimentações da segunda parte

Com esta alteração aparentemente subtil, Guardiola mostrava-se capaz de admitir decisões menos felizes e dono de uma leitura de jogo invejável. Ao invés de assumir uma maior contenção defensiva, em particular no seu lado direito - massacrado pela inversão de papéis entre Benzema e Ronaldo -, o Barça apostou em aproveitar a enorme bolsa de espaço atrás de Ronaldo e a menor competência defensiva de Marcelo.

Foi assim sem surpresa que vimos um Barça mais fiel aos seus princípios, organizado sobre os seus princípios de jogo curto e apoiado, com maior dinâmica das desmarcações no centro do terreno. Com Messi descaído para a meia-direita com o intuito de sobrecarregar esse mesmo lado e abrir espaços para Dani Alves, o Real foi abrindo brechas, mostrando-se incapaz de fechar as linhas de passe, tal como tinha feito na primeira metade. O 1-2 foi um golo com uma boa dose de felicidade, mas resulta de algum cansaço evidenciado pelos madridistas de correr atrás da bola e de um desposicionamento colectivo.

Depois desse momento, os jogadores do Real Madrid baixaram a cabeça e, com isso, deixaram o meio-campo desprotegido, situação em que os comandados de Guardiola são exímios. A sua equipa passou a convergir toda ela para o meio - Xavi, Messi, Iniesta e Fàbregas -, sendo que Özil já não mostrava a mesma predisposição para defender e Lass não podia cobrir todos os centímetros do campo.

Aos 65', contra a corrente do jogo, Ronaldo falha aquilo que seria o golo do empate e, no minuto seguinte, o Barça dá a machadada final no encontro e no resultado. Iniesta consegue fugir à pressão de Coentrão ainda no seu meio-campo, abre para Messi (descaído para a meia-direita, mais uma vez), o qual entrega a Dani Alves para este cruzar para a cabeça de Fàbregas.

Há a retirar deste golo algumas ilações: com o Real inclinado para a frente na procura de um outro resultado, Messi depara-se com a ausência total de meio-campo e apenas três adversários pela sua frente - Pepe, Sérgio Ramos e Marcelo. Com Sánchez a ocupar os centrais, Dani Alves tem o seu correder livre e Coentrão, envolvido na disputa com Iniesta no início da jogada e sem protecção do seu meio-campo, chega atrasado à marcação de Fàbregas.

Em resumo, Mourinho mostrou que o seu Real está a uma distância muito menor do seu eterno rival, com uma equipa mais pressionante, madura e letal, mas Guardiola insiste em permanecer alguns passos à sua frente, revelando antídotos para os problemas que os seus adversários lhe vão lançando nos momentos mais importantes. O treinador português falou da falta de sorte, mas será forçado a admitir que haverá algo (embora não muito) a melhorar para lograr levar de vencida a sua némesis.

Tuesday, September 6, 2011

Uma forma de estar diferente

Embora não goste de me juntar ao senso comum de forma arbitrária, sou forçado a render-me a uma nova forma de estar e de jogar que este Barça representa. Em vez de me alongar nas minhas palavras, deixo mais abaixo excertos da entrevista de Fàbregas, esta semana.


"P. ¿Resultó más triste dejar al Arsenal o, en su día, al Barça?

R. Yo creo que era más inconsciente cuando dejé el Barça. Era pequeño. Yo no pensaba que llegaría nunca al primer equipo del Barça porque en aquella época no era como ahora. Mire el caso de Andrés [Iniesta]. Tenía 23 años y no fue titular en la final de París, pero hasta que salió él no empezaron a jugar... Yo pensé: "Si Andrés no juega, ¿dónde estaría yo?". Era juvenil, así que estaría en el juvenil. Al irme ahora de Londres lo he hecho viviendo mucho más lo que estaba sucediendo, consciente de lo que dejaba y de adonde iba. Un poco más triste, es verdad.

P.¿Ya se intuía que Messi sería tan bueno?

R. Era el mejor, pero eso nunca lo sabes. Si alguien llegaba, era él, eso es evidente. Era el más desequilibrante. Técnicamente, siempre ha sido el mejor. Físicamente, le ves ahora y no le tumbas. Antes era el más pequeño y, como jugábamos contra gente mayor, todavía se notaba más. Es muy listo. Lo pilla todo y a veces parece que no está o que no tiene carácter, pero por dentro es un ganador nato que lo procesa absolutamente todo.

P. ¿Que dejan futbolísticamente seis años en la Premier?

R. Lecciones. El espíritu de competitividad. Su fútbol es más alocado que el de la Liga española, más disciplinada y táctica, de toque, de jugar. Allí no se piensa en las posiciones. Se ataca incluso cuando no lo necesitas. ¡La afición te aprieta tanto! A la gente no le gusta que te repliegues. Aquí necesitas más posición, control para romper... Allí vas y vas y, al final, de tanto ir... Y los árbitros son más condescendientes, permiten más. Aquí me amonestaron por no guardar la distancia en la barrera y allí, en Inglaterra, me habrían dicho: "¡Va, Cesc, échese para atrás, vamos!".

P. ¿Su ventaja es que llega enseñado por su paso por el fútbol base azulgrana?

R. No. Tengo la sensación de que aún me falta mucho por aprender. Este equipo está muy mecanizado y hay cosas que debo pillar. La gente se queda con los goles, pero yo veo otras cosas. En especial, a nivel defensivo. No he visto nunca a un equipo que esté tan concentrado en la transición ataque-defensa. Jugar contra el Barça es muy complicado, pero jugar en el Barça tampoco es tan fácil. Ese es el reto. Yo, sinceramente, tengo la sensación de que les estorbo un poco todavía, pero que son tan buenos que lo arreglan y lo disimulan. Intento interpretar sus pases, trato de aprovecharme de eso en el ataque. Debo adaptarme a ellos. Defensivamente, tengo mucho que aprender.

P. ¿Qué es lo primero que ha aprendido en el Barça?

R. Que lo más difícil es jugar muy fácil. Ves a Messi, a Iniesta, a Xavi. ¡Es tan difícil jugar tan fácil! Y también, que presionar como lo hace este equipo es realmente difícil.

P. El cuerpo técnico está convencido de que incluso defensivamente puede aportar mucho.

R. Yo también. Tengo una suerte: durante cuatro o cinco años fui uno de los jugadores que más corrían por partido en la Champions. Eso garantiza mucho dinamismo por mis condiciones. Y lo aprovecho. Pero tengo la sensación de que me queda un mundo por aprender. Tengo 24 años y a menudo se me valora como si tuviera 30.

P. ¿Es cierto, como dice Xavi, que en este Barça lo mejor son los entrenamientos?

R. Sí. Es la cosa más bonita que he visto en mi vida. Solo se oye la pelota. Tac, tac, tac... La presión de cuatro al tiempo... Jamás vi entrenamientos de tanto nivel. El día a día de entrenamientos es mucho mejor que los partidos; no vi nada parecido.

P. ¿Está preparado para jugar los minutos que le toquen, para chupar banquillo?

R. Es evidente que solo los futbolistas como Xavi, Iniesta o Messi podrían quejarse por falta de minutos. Y si ellos no se quejan... Les debo un respeto, así que jugaré cuando me toque."