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Friday, April 10, 2015

FC Porto x Bayern de Munique: Antevisão

O confronto que oporá FC Porto e Bayern de Munique será interessante pelos mais diversos motivos, não sendo de todo descabido imaginar mesmo adeptos de outras equipas portuguesas colados aos ecrãs das suas televisões na próxima quarta-feira, seja para verem a aniquilação dos seus rivais, uma equipa portuguesa a tentar contrariar o favoritismo de um clube de outro porte ou apenas uma entusiasmante partida de futebol num quente serão de Primavera - afinal de contas, a quintessência da Liga dos Campeões.


  • Ser ou não ser

Julen Lopetegui começou a trabalhar no seu modelo de jogo no início do passado mês de Julho. Passou as primeiras semanas da época a implementar o núcleo das suas ideias e tirou proveito da pausa de Inverno da Liga dos Campeões para fazer algo mais do que apenas permitir que a sua equipa jogasse e recuperasse para o encontro seguinte.

As suas ideias de privilégio da posse de bola são bem conhecidas de todos, com todas as suas virtudes e defeitos. E é precisamente neste entroncamento que o jogo contra o Bayern de Munique coloca um sério dilema: os alemães serão porventura uma das equipas menos aconselháveis de defrontar neste momento com um modelo de jogo baseado na posse de bola e, por outro lado, o Bayern de Munique tem demonstrado que as suas maiores vulnerabilidades surgem quando o adversário opta por recuar as suas linhas (ainda que sem "estacionar o autocarro"), fechar o centro e apostar em rápidas transições, em particular dos flancos para o centro. O Wolfsburgo executou esse plano na perfeição em finais de Janeiro e foi devidamente recompensado com uma impressionante vitória por 4-1.

A chave residirá nesta questão que se coloca ao leitor: manter-se fiel às suas ideias embora estes possam ser precisamente os únicos jogos em que essas mesmas ideias poderão ser prejudiciais ou mudar radicalmente de abordagem e arriscar o surgimento da dúvida na mente dos jogadores antes ainda do primeiro toque na bola? A resposta será certamente um dos aspectos mais interessantes do encontro.


  • Frinchas na armadura

Se fosse um homem dado ao jogo, apostaria que Lopetegui permanecerá fiel aos princípios que tem vindo a tentar transmitir aos seus comandados. Partamos do pressuposto por um momento de que esse será o caso e analisemos em maior pormenor as potenciais vulnerabilidades do FC Porto.

A primeira tem necessariamente que ver com a primeira fase de construção. Os dragões gostam de sair a jogar desde trás, mas têm deixado algo a desejar nas partidas contra adversários mais fortes, com os defesas centrais e o guarda-redes Fabiano como principais vítimas. Na eliminatória anterior contra o Basileia, por exemplo, embora a equipa suíça tenha acabado por ser engolida pelo maior poderio futebolístico portista, o FC Porto patenteou enormes dificuldades em sair a jogar ao longo dos primeiros 15 minutos, vendo-se obrigado a recorrer a passes longos para contornar a pressão.

Muito embora o Bayern de Munique não esteja neste momento tão implacável como chegou a ser, por exemplo, quando demoliram a Roma no Stadio Olimpico no passado outono, Pep Guardiola terá certamente constatado esse facto e poderá efectivamente basear a sua estratégia no ataque à defesa do FC Porto nos primeiros minutos no sentido de tentar marcar um golo e reter o controlo ao longo das duas mãos.

Por outro lado, embora seja verdade que Lopetegui logrou melhorar a reacção da sua equipa à perda da bola, a equipa parece ainda algo frágil quando forçada a assumir-se em organização defensiva, com Casemiro a mostrar-se por vezes incapaz de tomar a melhor decisão e tanto Óliver Torres como Herrera a demorarem aqui e ali demasiado tempo a adoptarem as devidas posições de cobertura, especialmente para uma equipa do calibre do Bayern de Munique.

Partindo do princípio de que a equipa alemã jogará muito provavelmente com Robert Lewandowski como ponta-de-lança e Mario Götze e Thomas Müller actuando como avançados interiores, os espaços à frente da defesa do FC Porto e especialmente à volta de Casemiro serão de primordial importância.


  • A abordagem do Bayern de Munique

Apesar da sua representação em pelo menos parte da imprensa, Guardiola está longe de ser uma figura dogmática. O espanhol afirmou detestar o tiki-taka (uma expressão cunhada por Javier Clemente para descrever os incessantes passes sem objectivo derradeiro) enquanto fim em si mesmo e, ao leme do Bayern de Munique, tem provado ser muito mais pragmático do que lhe era reconhecido.

Na última época, por exemplo, lançou Javi Martínez - que actua geralmente a defesa-central nas equipas de Guardiola - como segundo avançado para contornar a pressão avançada do Borussia de Dortmund e dispor assim de um alvo para os passes longos que se adivinhavam. No passado fim-de-semana, contra o mesmo adversário, o treinador catalão optou por uma abordagem mais igualitária da posse de bola e não teve qualquer pejo em recuar as suas linhas. Na última quarta-feira, contra o Bayer Leverkusen, Guardiola seguiu uma abordagem mista, privilegiando a posse, mas com um risco significativamente menor do que o habitual.

Com tudo isto em mente, restam por conseguinte algumas dúvidas sobre qual será a abordagem do treinador do Bayern de Munique, não falando sequer na disposição táctica em permanente mudança - particularmente dada a recente lesão de Mehdi Benatia.

Fazendo uso do mesmo princípio utilizado mais acima no caso do FC Porto, inclinar-me-ia para crer que os campeões alemães virão ao Porto para tentar elucidar a última equipa invicta da competição de que está a entrar nos ares mais rarefeitos da Europa, em vez de lhe demonstrar demasiado respeito. Um golo marcado cedo ofereceria aos homens de Guardiola a possibilidade de descansar com bola e tempo precioso para uma recuperação menos apressada dos jogadores lesionados.


  • Onde tudo se ganhará e perderá

A derradeira secção abvorda os pontos de vantagem de ambas as equipas, começando pela equipa anfitriã, o FC Porto. Os dragões sofreram um enorme revés quando Jackson Martínez saiu lesionado na retumbante vitória frente ao Basileia e quando Cristian Tello se lesionou na coxa na passada semana instantes antes do encontro frente ao Estoril. Com efeito, o ponta-de-lança colombiano seria extremamente útil para ligar o jogo portista e incomodar os defesas centrais do Bayern de Munique, ao passo que Tello seria o jogador ideal para tirar proveito do muito espaço que o Bayern de Munique deixa com frequência sempre que não consegue abafar o adversário no momento que se segue imediatamente à perda da bola.

Ainda assim, Vincent Aboubakar tem deixado indícios promissores nas últimas partidas e a sua imponente presença física está em linha com algumas das principais dificuldades de Dante e Jérôme Boateng. O vigor do camaronês será certamente necessário para que o FC Porto seja capaz de resistir à iminente pressão germânica.

Por outro lado, esta poderá ser a noite em que ÓIiver Torres mostra de uma vez por todas a uma Europa atenta aquilo de que é efectivamente capaz. O mago espanhol será o homem chave quando o FC Porto recuperar a bola, uma vez que o Bayern de Munique é quase irrepreensível nos segundos imediatos após a perda da mesma. Óliver tem de fornecer consistentemente uma linha de passe no início da transição ofensiva para que os dragões tenham tempo de respirar e oportunidade de ligar o seu jogo. Terá com certeza mais liberdade para encontrar o talentoso Yacine Brahimi (cuja capacidade de jogar em espaços reduzidos será mais necessária do que nunca) se tombar para os espaços ao lado da posição habitual de Xabi Alonso ou Phillip Lahm.

Quanto ao Bayern de Munique, apesar da recente onda de lesões, a ameaça que constituem é evidente. Lewandowski sente-se confortável a jogar de costas para a baliza para abrir espaço às entradas dos seus companheiros de equipa - nada mais, nada menos do que o perigoso Mario Götze e o autointitulado "intérprete de espaço" Thomas Mülller. Embora nenhum deles tenha a mesma capacidade de drible de Arjen Robben ou Franck Ribéry, cuja ausência deixa com certeza o Bayern de Munique mais embotado, ambos demonstram enorme competência para encontrar o mais pequeno rasgo de espaço para se colocarem em posições ideais.

Xabi Alonso é o maestro da equipa e peça fundamental da máquina alemã. O espanhol é mestre nomeadamente em passes longos e precisos, sendo essencial para o futebol fluído que o Bayern de Munique apresenta habitualmente. Boateng, por seu turno, estará provavelmente a desfrutar da melhor época da sua carreira e melhorou drasticamente a sua capacidade de passe, sendo agora capaz de dividir uma equipa adversária em dois com uma simples entrega pelo centro - algo a que os médios do FC Porto terão de prestar atenção.
No entanto, o maior trunfo dos campeões alemães é o colectivo que representam, uma ideia partilhada de jogo segundo os princípios do seu treinador e a capacidade de interpretarem e alternarem entre diferentes organizações táctica num piscar de olhos. O momento da equipa de Guardiola poderá não ser o melhor, mas continua a haver um fio condutor - e o carácter implacável da equipa permite-lhes tirar o máximo proveito de quaisquer fragilidades.


  • Conclusão

O FC Porto tem o hábito de se mostrar à altura das mais exigentes ocasiões – e haverá poucas ocasiões mais exigentes do que esta. Contudo, os dragões também demonstraram por vezes uma tendência para se deixarem deslumbrar quando crêem que um adversário forte está vulnerável, tal como acontece neste momento com o Bayern de Munique.

Se os dragões almejam realmente derrotar esta imponente equipa e passar à eliminatória seguinte, terão de imaginar que Robben, Ribéry, Schweinsteiger, Badstuber, Benatia, Javi Martínez e todos os melhores jogadores do Bayern de Munique estão em campo quando entrarem no impecável Estádio do Dragão. Tudo menos do que isso resultará com probabilidade numa catástrofe. Quanto ao Bayern, os seus jogadores estarão certamente avisados da potencial ameaça que o FC Porto constitui e quererá deixar a sua marca na Europa e vingar a única e inescapável vez que uma equipa portuguesa derrotou o Bayern de Munique - 27 de Maio de 1987, a noite de Rabat Madjer.

Wednesday, February 20, 2013

FC Porto vence, mas não resolve eliminatória

Equipas e movimentações iniciais


FC Porto e Málaga disputaram um duelo ibérico muito aguardado para decidir qual das equipas seguiria para a fase seguinte da Liga dos Campeões.

Com James Rodríguez sem os índices físicos necessários para iniciar a partida a titular, Vítor Pereira manteve Izmailov no lugar da jovem estrela colombiana e Varela recuperou o seu lugar no onze titular após a boa exibição de Atsu frente ao Beira-Mar. Por seu turno, o técnico do Málaga, Manuel Pellegrini optou por alinhar com Roque Santa Cruz mais adiantado, com Joaquín na sua posição habitual de extremo-direito e Isco à esquerda. Ao centro, Toulalan e Iturra, ex-União de Leiria, travaram uma batalha desigual contra o trio de médios dos visitados - Fernando, Lucho González e João Moutinho.

Os comandados de Vítor Pereira optaram por uma pressão acentuada desde o primeiro apito, tentando sufocar o adversário e fazer passar uma mensagem de domínio. Moutinho ou Lucho eram os primeiros a liderar a pressão assim que Willy Caballero colocava a bola nos pés de um dos centrais, uma vez que os quatro elementos da linha mais recuada do Málaga mostravam sinais de desconforto em posse.

Pellegrini preferiu estranhamente fazer uso de Júlio Baptista ao invés de um terceiro médio, o que acabaria por se revelar relevante. Com Isco a partir da esquerda (embora nunca se tivesse encostado à linha lateral), uma boa parte da ameaça malaguenha foi eliminada, com o treinador argentino a depositar aparentemente a sua confiança numa abordagem mais directa.

Encostado ao flanco esquerdo, Isco deveria acompanhar as investidas de Danilo - algo que não parecia muito interessado em fazer e que viria a abrir enormes buracos, tanto para Danilo como também para Lucho González. Com Izmailov a funcionar com frequência como quarto médio (com uma posição inicial ligeiramente mais aberta), Toulalan e Iturra deram muitas vezes por si assoberbados no centro, com demasiado espaço para cobrir.

Com efeito, ao contrário da maioria dos 4x2x3x1 e 4x4x2, o Málaga apresentou-se de forma surpreendentemente diferente na sua fase defensiva, optando por não formar duas linhas de quatro jogadores, o que ofereceu uma enorme liberdade de movimentos a Moutinho e Lucho e permitiu que os dois médios portistas ditassem o ritmo da partida. O FC Porto dava início às suas movimentações num dos flancos, fazia a bola entrar rapidamente no centro e rodava-a de súbito para a ala contrária, onde se verificaram inúmeras situações de superioridade numérica.

O FC Porto encontrou muito espaço pelo centro contra Toulalan e Iturra

Contudo, apesar de todo o espaço de que os campeões nacionais desfrutaram, não se mostraram capazes de o converter em oportunidades claras de golo, sentindo falta de alguma criatividade ou intensidade pelas alas. Danilo, em particular, pareceu retroceder e não constituiu qualquer ameaça no seu flanco, afunilando ainda mais o jogo portista.

À medida que os minutos iam passando, o Málaga parecia começar a prejudicar-se a si mesmo, mostrando-se um conjunto ainda mais desconjuntado, especialmente nas transições defensivas, com Toulalan e Iturra forçados - ainda e sempre - a cobrir tanto terreno quanto possível, com pouca ajuda dos jogadores mais adiantados do Málaga (quando questionado por este colunista sobre isso mesmo na conferência de imprensa, Pellegrini negou que essa desprotecção tivesse sido decisiva).

A segunda parte não parecia trazer grandes novidades, com o Málaga aparentemente satisfeito com o resultado e pouco interessado em atacar com muitos homens - algo irónico, uma vez que os seus avançados pouco contribuíram na fase ofensiva e ainda menos ofereceram em termos defensivos. James Rodríguez começou a aquecer e, no momento em que foi chamado para entrar em campo, João Moutinho marcou o único golo da partida no seguimento de uma assistência precisa de Alex Sandro. Era praticamente a primeira vez que um médio azul e branco tentava penetrar na grande área e confundir as marcações adversárias.



Os dragões foram mais rápidos e precisos nos dez minutos que se seguiram ao golo, mas a presença em simultâneo de James Rodríguez e Izmailov aniquilou o flanqueamento do jogo portista. A equipa da casa viria a mostrar-se mais perigosa após a entrada de Atsu para o lugar do extremo russo, esticando o jogo e punindo a lentidão de Sérgio Sánchez e De Michelis.

Em resumo, os espanhóis lograram defender-se da maioria dos ensaios do FC Porto pelo centro, mas foram quase inexistentes no ataque. Se pretenderem assumir uma candidatura séria à fase seguinte, terão de elevar a fasquia de forma considerável. Contudo, subsiste a questão: irá o FC Porto recorrer a uma postura mais cautelosa e permitir que o Málaga domine (abrindo desse modo brechas nas suas costas) ou irão os campeões nacionais insistir em sufocar a potencial ameaça ofensiva adversária?

Friday, January 18, 2013

Benfica x FC Porto: o clássico à lupa


O encontro do passado Domingo que opôs Benfica e FC Porto já foi aqui analisado em termos gerais, mas partiremos agora para uma análise mais detalhada dos diferentes aspectos de ambas as equipas. Cada uma terá uma secção própria, dividida entre defesa e ataque.

  • Benfica - Defesa

  • O Benfica começou por não pressionar o guarda-redes do FC Porto. Os dois avançados encarnados, Cardozo e Lima, tinham pelo contrário instruções para prestarem atenção aos defesas-centrais do FC Porto, com Enzo Pérez a seguir o médio azul e branco que recuasse (geralmente Fernando).


  • As águias foram também menos pressionantes do que o habitual, optando com frequência por recuar em bloco, permitindo aos portistas mais tempo em posse do que o esperado, especialmente durante a primeira metade.


    • Ainda assim, a equipa da capital denotou dificuldades em ganhar as segundas bolas - nos duelos pelo ar, por exemplo. Neste caso em particular, Jackson Martínez (amarelo) está prestes a disputar o esférico com Jardel. Devido à presença de Defour, Matic não pode aproximar-se de João Moutinho (laranja) tanto quanto desejável. O médio português viria a recolher a bola.




    • A primeira imagem mostra a vulnerabilidade do Benfica a penetrações pelo centro. Sem Cardozo ou Lima a recuarem para ajudar no meio-campo, Fernando e os dois centrais azuis e brancos - neste caso case, Mangala (amarelo) - tinham frequentemente a possibilidade de progredir sem problemas de maior. A linha amarela representa o passe simples na direcção de Martínez que abriu a defesa do Benfica (conforme se vê na segunda imagem).



    • Benfica - Ataque

    • Como resultado da pressão exercida pelos campeões nacionais, nomeadamente durante os primeiros 60 minutos da partida, o Benfica viu-se obrigado a lançar bolas longas na direcção de Cardozo. Contudo, sempre que as águias conseguiram jogar à flor da relva, procuravam ir ao encontro dos seus pontos fortes - as alas. Enquanto Gaitán insistia em flectir para o centro, o flanco direito foi a origem da maioria das ameaças ofensivas do clube da Luz. A primeira imagem ilustra uma situação ofensiva típica da equipa de Jorge Jesus, com cinco jogadores a criarem superioridade numérica na ala. A segunda imagem mostra como Sálvio (azul) procura que Máxi (amarelo) dê largura, enquanto Cardozo (laranja) ocupa o centro. A terceira figura apresenta uma situação semelhante, na qual Lima (amarelo) desposiciona o seu marcador para que Sálvio (laranja) possa entrar pelo centro.

    • FC Porto - Defesa




    • A equipa visitante não teve receio em defender mais à frente e impedir que o seu adversário saísse a jogar a partir de trás. As primeiras duas imagens são do 5.º minuto e são apresentadas para exemplificar a típica pressão exercida pelo FC Porto. Jackson Martínez prestava especial atenção ao central benfiquista do lado direito, ao passo que Lucho se aproximava do central do lado esquerdo (primeira imagem) e/ou do guarda-redes (segunda imagem). A terceira imagem refere-se ao segundo golo do FC Porto. Embora Artur tenha recebido (correctamente) a maior dose de culpa, não é menos verdade que isso apenas produziu resultados para os dragões porque o guarda-redes estava a ser pressionado. Note-se o adiantamento da pressão portista e como Jackson está próximo de Artur quando a bola chega aos seus pés.


    • Sempre que o FC Porto não era capaz de impedir a primeira fase de construção do seu adversário, a equipa encurtava as suas linhas, tentando fechar a maioria das linhas de passe ao Benfica. Neste caso em concreto, Garay tem a bola em seu poder, mas não tem qualquer opção de passe à disposição. O defesa-central acabaria por falhar o passe aéreo.



    • Ao contrário do Benfica, o FC Porto mostrou-se empenhado em defender pelo centro, embora o seu arqui-rival ataque geralmente pelas alas. Na primeira imagem, Gaitán tenta progredir pelo centro, deparando-se com a oposição dos três médios portistas (vermelho). Note-se como Otamendi (amarelo) está preparado para o caso de Gaitán lograr ultrapassar os seus marcadores directos (conforme viria a acontecer). A segunda imagem mostra o bom posicionamento e timing de Otamendi de modo a impedir a progressão do médio argentino.

    • FC Porto - Ataque

    • Com a ausência de James Rodríguez, havia alguma curiosidade relativamente ao posicionamento e movimentação de Defour. Quaisquer dúvidas sobre se Defour replicaria as manobras do mago colombiano dissiparam-se logo no primeiro minuto. A primeira imagem mostra a posição central de Defour (amarelo) enquanto a bola se encontra no flanco esquerdo. A segunda mostra como um simples passe atrasado de Varela para Fernando despoletou a desmarcação do belga nas costas da defesa encarnada.




    • Com a tendência de Defour de flectir para dentro, o FC Porto assemelhava-se com frequência a um 4x4x2 em losango, conforme se pode ver nas imagens mais acima, com Fernando mais recuado, Moutinho à esquerda, Lucho González à direita e Defour por trás de Jackson Martínez, enquanto o extremo Varela oferecia largura à esquerda e o lateral Danilo fazia o mesmo no flanco oposto.


    • Esta imagem em particular ilustra o combate desigual entre os dois meios-campos, com Matic e Enzo Pérez a braços com Fernando (azul), Moutinho (amarelo) e Lucho González (vermelho) - o que significava que um destes três estava livre na maioria das vezes. Note-se como Cardozo e Lima não se envolvem na batalha travada a meio-campo.




    • Fernando foi efectivamente decisivo para inclinar a balança a favor do FC Porto no que diz respeito à luta no centro do terreno. Na primeira imagem, é possível ver Enzo Pérez a tentar pressionar Fernando (amarelo). Lucho apenas tinha de se desmarcar para receber o passe, o que fez de imediato. Na segunda imagem, Fernando (amarelo) ocupa ambos os médios do Benfica, com Lucho a ficar livre para escolher a melhor opção de passe na ala direita. Na terceira figura, é possível ver a liberdade concedida a Danilo - tudo isto uns meros dois segundos após Enzo Pérez tentar pressionar Fernando.


    • Por fim, a importância do recuo de Jackson Martínez (amarelo). A sua predisposição para se mostrar aos seus companheiros de equipa não só abria uma linha de passe adicional, como arrastava consigo um defesa-central, o que significava que o FC Porto tinha espaço para explorar nas costas desse mesmo defesa-central. Note-se como Lucho González passa pelo meio-campo encarnado, quase de perfil com o seu companheiro.

    Monday, January 14, 2013

    Uma celebração do futebol português

    Equipas e movimentações iniciais


    Numa luta cada vez mais acesa entre FC Porto e Benfica, a partida do passado Domingo assumia contornos de grande relevância. Com os dois clubes travando uma batalha pela mais pequena vantagem, havia uma enorme curiosidade à volta deste confronto.

    De quando em vez, é-nos permitido assistir a um encontro que reúne todos os ingredientes - muitos golos, emoção, nuances tácticas, incerteza no resultado. O mais recente Clássico foi um desses momentos. Os forasteiros colocaram-se em vantagem no marcador por duas vezes, com os visitados a igualarem imediatamente dois minutos volvidos em ambas as circunstâncias. As exibições manchadas dos dois guarda-redes poderão ter tido algo a ver com os acontecimentos.

    Com excepção dos erros dos dois guardiões e dos dois outros golos na sequência de lances de bola parada, não houve muitas oportunidades claras de golo - sendo o remate de Cardozo ao poste a poucos minutos do fim a mais clara de todas. O jogo desenrolou-se primordialmente na zona do meio-campo, com ambas as equipas a denotarem dificuldades em encontrar o espaço e competência necessários para fazer o último passe nas melhores condições.


    • FC Porto controla

    Conforme esperado, foi um jogo de pressão alta - pese embora o FC Porto tenha sido estranhamente a equipa que mais pressionou e de forma mais eficaz. Com efeito, o jogador suplementar dos dragões (Fernando e, com maior frequência, Defour) foi decisivo para contornar a tímida pressão benfiquista. Na verdade, o médio belga foi crucial para a supremacia nortenha no centro do terreno, aparecendo muitas vezes em áreas geralmente interditas a um extremo-direito (ainda que nominal).

    Enquanto Matic mantinha Lucho González debaixo de olho, Enzo Pérez jogava mais adiantado com o intuito de impedir que João Moutinho iniciasse os ataques portistas - conforme habitualmente - e, por conseguinte, perturbar o ritmo do FC Porto. No entanto, Lima raras vezes conseguiu ocupar Fernando, com o "trinco" brasileiro a funcionar assiduamente como ponto de apoio para as tabelas dos seus colegas.

    Por seu turno, o Benfica teve grandes dificuldades em sair a jogar, com Jackson Martínez a marcar um defesa-central e Lucho a liderar a pressão da sua equipa, apressando-se a apertar o guarda-redes e/ou o outro defesa-central. Com essa abordagem, os comandados de Vítor Pereira tentavam impedir o Benfica de ter o tempo necessário para tomar a melhor opção ao criar superioridade numérica nas alas e atacar com muitos elementos, como é seu timbre. Sujeitos a essa pressão, os comandados de Jorge Jesus viram-se frequentemente forçados a recorrer a bolas longas, lances em que Cardozo foi muitas vezes superado por Otamendi e Mangala.

    Durante a primeira parte, o FC Porto foi melhor ao nível da pressão e da circulação de bola, ao passo que o Benfica era mais perigoso quando conseguia fazer a bola chegar às alas (particularmente o flanco direito). Apesar do seu sólido registo defensivo até então, os campeões nacionais nem sempre pareceram confortáveis ao lidar com as penetrações de Sálvio. Por outro lado, foi-lhes fácil atacar o seu arqui-rival pelo corredor central - com Matic e Enzo Pérez atraídos por Lucho e Moutinho, Jackson e Defour deram por si em boas posições para fugir aos seus marcadores. O FC Porto terminaria a primeira parte com uns impressionantes 57% de posse de bola.

    Os primeiros 15 minutos do segundo tempo não diferiram em muito da primeira metade. O Benfica continuava a patentear dificuldades em jogar a bola pelo chão - cedendo a posse da mesma com demasiada facilidade - e o FC Porto deu seguimento à sua abordagem pressionante, embora Lucho fosse recuando à medida que os minutos passavam.


    • Benfica melhora progressivamente

    Contudo, com a saída de Enzo Pérez para a entrada de Carlos Martins, o Benfica tornou-se mais batalhador, enquanto o FC Porto começou simultaneamente a acusar o cansaço (a falta de opções no banco foi então evidente, com Izmailov a ser o primeiro a entrar, aos 75 minutos) e deixou de ser capaz de manter a mesma pressão. Após a entrada de Aimar para o lugar de Lima (talvez a maior desilusão da noite) alguns minutos mais tarde, as águias foram encontrando gradualmente o seu ritmo e tornaram-se incómodas para a linha mais recuada dos azuis e brancos.

    Com a sua equipa incapaz de pressionar tanto e tão alto como vinha fazendo até então, Vítor Pereira estava satisfeito com o resultado e menos disposto a correr riscos, instruindo a sua equipa para que recuasse. Animados pela abordagem mais combativa de Carlos Martins e o melhor movimento de Aimar, os jogadores encarnados terminaram o jogo de forma mais eficiente do que no início da partida - e poderiam inclusivamente ter vencido o encontro, caso Cardozo tivesse conseguido dar o melhor seguimento à melhor oportunidade de golo do jogo para além dos golos. No final, a divisão da estatística da posse de bola não poderia ser mais reveladora: 50% para cada equipa.


    • Destaques

    Muito embora não seja hábito deste blog atribuir semelhantes honras individuais, as exibições de dois jogadores merecem um realce particular pelo seu brilho e trabalho árduo. Por um lado, Matic foi fundamental em todos os aspectos do jogo do Benfica. Para além de dificultar as manobras de Lucho González, o sérvio não só esteve irrepreensível nas dobras aos seus companheiros, como teve igualmente forças para se disponibilizar como opção de passe e encontrar avenidas para mostrar o caminho aos seus colegas. Por outro lado, Defour poderá ter passado pela partida quase despercebido, mas a sua combatividade e movimento constante estiveram na base da supremacia portista no centro do terreno - e, por fim, da sua exaustão.

    Thursday, January 10, 2013

    Benfica x FC Porto: antevisão táctica


    Benfica e FC Porto têm estado envolvidos ao longo da presente temporada numa corrida a dois, deixando todas as restantes equipas para trás. Com o Sporting afastado em definitivo destas andanças e com um Braga menos consistente do que em épocas passadas, águias e dragões defrontam-se no Domingo bem cientes da importância da partida.

    De forma algo semelhante à liga espanhola (embora em menor grau), ambas as equipas estão enredadas numa luta entre si - com os empates a tornarem-se nas novas derrotas. Na verdade, encarnados e azuis e brancos entrarão em campo invencíveis - apenas com dois empates no seu registo -, como se estivessem totalmente fora do alcance das restantes equipas da Liga Zon Sagres. O duelo entre estas duas facções é neste momento tão feroz, que algumas das suas características tácticas estão a tornar-se cada vez mais similares. Ao longo dos próximos parágrafos, iremos analisar as batalhas chave.

    • Pressão alta

    Esta é uma abordagem que o Benfica tem assumido desde que Jorge Jesus tomou o comando do clube da Segunda Circular, um treinador determinado a atacar implacavelmente, oferecer um bom espectáculo e sufocar os seus adversários. Por seu turno, os nortenhos eram por hábito uma equipa mais reservada. Contudo, apesar dos contratempos da época transacta, Vítor Pereira foi capaz de melhorar a pressão exercida pela sua equipa (e, acima de tudo, o respectivo timing). Nesse aspecto, ambas as equipas chegam a este encontro decisivo habituadas a exercer pressão sobre os seus adversários e a ocupar terrenos mais avançados. Irá alguma das equipas optar por uma perspectiva mais conservadora? Caso contrário, irá o FC Porto incomodar o Benfica conforme aconteceu na última temporada ou, ao invés, irá o Benfica retirar o máximo proveito do factor casa e sufocar o FC Porto desde o apito inicial?

    Em segundo lugar, as duas equipas sofrem do mesmo mal no que diz respeito à pressão alta. Embora sejam geralmente eficazes a esse nível, ficam com frequência vulneráveis quando os seus adversários logram evitar a primeira zona de pressão. Nessas ocasiões, tanto portistas como benfiquistas são obrigados a defender com três ou quatro jogadores, no máximo, com imenso espaço para proteger. Contra equipas inferiores, essa questão não é um problema na maioria dos casos, mas, face a equipas superiores, poderá tornar-se fatal.

    • Matic

    Quando o Benfica vendeu Javi García ao Manchester City, os adeptos temeram o pior. O espanhol havia sido até então o pêndulo defensivo de que toda a abordagem eminentemente ofensiva dependia. Apesar dos seus diversos golos em situações de bola parada, Javi García não tinha qualquer problema em ficar em segundo plano, pronto para entrar em acção quando a equipa perdia a bola. A sua intensidade e excelente leitura de jogo permitia-lhe destruir muitos das iniciativas ofensivas adversárias, muitas das vezes em inferioridade numérica. A sua partida não parecia promissora.

    Contudo, segundo as palavras do próprio Jorge Jesus, a venda de Javi García apenas foi em frente porque o treinador acreditava ter um jogador mais completo à espera do seu momento. Esse jogador era Nemanja Matic. O sérvio teve por fim a oportunidade de mostrar o seu valor e entrou na equipa de forma quase imperceptível.

    Não obstante, Javi García e Matic são jogadores muito diferentes entre si. O antigo médio do Real Madrid era na sua essência um jogador voltado para a fase defensiva do jogo, fazendo valer todas as suas competências ao frustrar as transições ofensivas adversárias. Por outro lado, era menos proficiente na vertente mais ofensiva (com excepção dos já citados esquemas tácticos).

    Matic é o oposto. A sua excelente capacidade técnica permite-lhe estar mais à vontade com a bola nos pés e, acima de tudo, transformar imediatamente uma situação defensiva numa oportunidade de golo para a sua equipa devido a uma melhor capacidade de passe. Ao invés, o antigo jogador do Chelsea é mais lento a regressar à sua posição original e fica muito vezes exposto (juntamente com a sua defesa) em contra-ataques rápidos. Se o FC Porto conseguir superar a pressão imediata do Benfica após a perda da bola, as águias poderão vir a sofrer com isso.

    • Defour

    A ausência de James Rodríguez é um enorme contratempo para o FC Porto. Sem Hulk na equipa, o jovem colombiano tem levado a equipa às costas e assumiu-se como um dos jogadores mais importantes na manobra dos dragões. A sua tendência de partir da direito para o centro do terreno (trocando frequentemente de posição com Lucho González) permite que o FC Porto disponha efectivamente de quatro jogadores no centro - zona em que o Benfica tende a jogar com dois homens. A adaptação progressiva de Danilo ao futebol europeu e às instruções do seu treinador têm-no tornado mais perigoso na ala, evitando que James Rodríguez seja obrigado a dar largura no seu flanco.

    De acordo com a maioria dos relatos, Steven Defour irá provavelmente ocupar o lugar do jovem número 10. O belga já jogou noutras ocasiões na direita, mas quase sempre quando o FC Porto tentava desesperadamente chegar à vitória e se transformava num 4x2x3x1. Enquanto jogador semelhante a João Moutinho, Defour é suficientemente inteligente para ocupar quase todas as posições do campo, o que não quer dizer que venha daí a retirar o seu melhor rendimento. Se acabar por jogar como extremo direito, terá igualmente tendência a flectir para o centro, à imagem de James.

    Por um lado, sem o colombiano, os azuis e brancos vêem-se quase desprovidos de qualquer criatividade, característica muitas vezes fundamental em encontros tão renhidos. Por outro lado, a presença de Defour poderá transformar os dragões num sistema semelhante a um 4x4x2 em losango, o que deverá inclinar a batalha do meio-campo a seu favor. Se o Benfica conseguir concentrar a partida nas alas, o FC Porto poderá ter uma tarefa difícil pela frente.

    • Esquemas tácticos

    Apesar de apenas contar com seis golos sofridos, o FC Porto tem denotado algumas dificuldades no que diz respeito a defender livres e cantos - um dos principais pontos fortes do Benfica. O primeiro poste, em particular, fica frequentemente vulnerável, especialmente quando há um ligeiro desvio em direcção ao segundo poste. Numa partida tão disputada, um livre ou canto mal defendido poderá acabar por decidir o resultado.

    • Profundidade da equipa

    Como se sabe, o FC Porto não possui um plantel propriamente vasto. Sem Atsu, James e Kléber, Vítor Pereira apenas pode contar com o verde Kelvin caso o jogo se desenrole de forma desfavorável - motivo pelo qual o momento da contratação de Izmailov poderá vir a revelar-se crucial. Se os dragões sofrerem o primeiro golo, a fadiga poderá instalar-se e a falta de opções do treinador poderá ficar por demais evidente.

    O Benfica, por seu lado, conta com inúmeras opções atacantes, caso surja a necessidade de um plano B e de uma abordagem ainda mais ofensiva. Nolito, Ola John, Rodrigo e Kardec estarão muito provavelmente no banco, à espera da oportunidade de punir os seus adversários quando as suas pernas estiverem menos frescas.

    Wednesday, January 9, 2013

    O negócio Izmailov/Miguel Lopes - quem sai por cima?


    Inconcebíveis em Espanha, normais em Itália ou não tão raras em Inglaterra, as transferências entre os principais clubes são sempre uma questão sensível em Portugal. Marat Izmailov e Miguel Lopes trocaram ontem oficialmente de clube. Embora este tipo de transacção não aconteça todos os dias, estes dois clubes têm conseguido de tempos a tempos encontrar uma linha de comunicação entre si sempre que a necessidade surgiu - da troca Peixe/Costinha por Rui Jorge/Bino até à venda de Hélder Postiga ou João Moutinho. Ainda assim, subsiste uma questão: quem sairá beneficiado do mais recente negócio?

    • Izmailov

    Izmailov era há já algum tempo um espinho cravado no flanco verde e branco. Em conflito com o departamento médico do clube, a estrela russa tornou a sua permanência no clube muito mais difícil ao insurgir-se contra as injustiças cometidas contra si, na sua opinião. Apesar de ser um jogador de elevado calibre quando estava na plena posse das suas capacidades, Izmailov nunca pôde desfrutar desses momentos durante muito tempo, sempre incapaz de se mostrar consistentemente ao nível por que tanto os adeptos e o próprio jogador ansiavam.

    Nas primeiras duas das suas seis épocas no Sporting, o russo foi com frequência a diferença entre a sua equipa e a concorrência, inspirando os seus companheiros com a sua habilidade e servindo de baluarte da equipa. A qualidade das suas movimentações com e sem bola era irrepreensível e Izmailov parecia fadado para voos mais altos. No entanto, as repetidas lesões nos joelhos fizeram do jogador uma sombra de si mesmo, vindo por vezes a público criticar os directores ou o departamento médico do clube através dos jornais.

    Nas temporadas que se seguiram, os seus regressos foram quase sempre abreviados pelos problemas dos joelhos, com Izmailov a desparecer dos convocados durante semanas a fio. Sempre que jogava, era possível vislumbrar um relance do jogador que havia sido e poderia ser, mas esse momento nunca durava muito tempo, com o jogador a lesionar-se uma vez mais.

    Nos últimos tempos, o médio russo parecia estar encurralado no Sporting, incapaz de merecer o respeito dos adeptos, treinadores e companheiros de equipa. A sua fidelidade à causa e a sua capacidade de trabalho começaram a ser colocadas em questão e Izmailov deixou de ser visto como a estrela que poderia virar jogos a favor da sua equipa. Uma mudança poderá ser-lhe útil, particularmente porque, no FC Porto, não é provável que venha a ser considerado o jogador mais dotado da equipa, tendo de se aplicar a fundo para merecer um lugar no onze.

    • Miguel Lopes

    O caso do defesa-lateral Miguel Lopes dificilmente poderia ser mais distinto. Formando nas camadas jovens do Benfica, foi promovido ao Benfica B, com a equipa a ser extinta pouco depois. Descendo uma divisão, começou a jogar pelo Operário. O Rio Ave, na altura na Liga de Honra, reparou no jogador e avançou para a sua contratação. Miguel Lopes foi fundamental para a promoção do clube à divisão principal e começou a atrair as atenções dos três grandes durante a primeira metade da época 2008/09. Acabaria por assinar pelo FC Porto em Janeiro de 2009.

    Embora nunca tenha sido titular absoluto sob as ordens de nenhum treinador portista, Miguel Lopes logrou ainda assim estabelecer-se como alternativa viável em ambos os flancos durante a época e meia em que esteve ao serviço dos azuis e brancos. Em Agosto de 2010, foi emprestado ao Bétis (na altura, na segunda divisão espanhola), contribuindo uma vez mais para a promoção do seu clube ao campeonato principal.

    Na temporada seguinte, acabaria novamente emprestado, mas um erro administrativo da parte do Saragoça (pelo qual o clube acabou por compensar o jogador) obrigou Miguel Lopes a esperar por Janeiro de 2011 por uma oportunidade para mostrar o seu valor noutro local. Esse local foi Braga, onde impressionou em ambos as alas. As suas exibições valeram-lhe a chamada de Paulo Bento à equipa de 23 jogadores que actuou no Euro 2012.

    Na época actual, o internacional português foi titular por diversas vezes no lugar de Danilo (ainda a tentar encontrar o seu ritmo), mas foi descendo gradualmente na ordem de importância, chegando inclusivamente a referir a sua insatisfação antes da quadra natalícia. O seu tempo no FC Porto parecia ter chegado ao fim.

    • Conclusão

    Com a partida de Hulk, a presença de Atsu na CAN e a intermitência de Iturbe, o FC Porto viu-se subitamente com poucas opções nas alas. Considerando que James Rodríguez foi recentemente diagnosticado com uma lesão que o manterá afastado por quatro semanas, Izmailov poderá bem ser uma bela aquisição. Contudo, a contratação do russo é incaracterística face ao que o clube nortenho nos habituou, uma vez que se trata de um jogador de 30 anos com poucos jogos nas últimas épocas, com um problema grave no joelho, e que ostenta um passado duvidoso ao nível da sua fidelidade. Adicionalmente, o russo não tem qualquer valor de revenda. Por outro lado, o FC Porto abre mão de um lateral de 26 anos capaz de jogar em ambos os flancos e que estava a começar a afirmar-se na selecção nacional.

    Para o Sporting, este negócio apenas poderá ser considerado uma vitória, uma vez que descarta um problema que vinha a consumir todo o clube há já algum tempo e encontra algum alívio na folha de salários. Mais importante ainda, os leões recebem em troca um lateral-direito (de preferência) de qualidade capaz de afastar os holofotes do infeliz Cédric e provocar um impacto imediato. Miguel Lopes é um jogador com um futuro brilhante à sua frente e, se continuar a ser convocado para os trabalhos da selecção, o seu valor de mercado disparará em flecha e o Sporting poderá acabar por conseguir um belo lucro.

    Sunday, November 25, 2012

    Golo tardio de James embala FC Porto para a vitória

    Equipas e movimentações iniciais

    No seguimento das últimas épocas do Sporting de Braga, este encontro é já considerado um duelo de titãs. A insistência do clube comandado por António Salvador em intrometer-se emtre FC Porto e Benfica na luta pelos lugares cimeiros significa que o Estádio Axa já não é um porto de abrigo para qualque equipa que o visite. A vitória do Benfica frente ao Olhanense no Sábado estava nas cogitações de ambas as equipas e nenhuma poderia dar-se ao luxo de perder pontos, com particular ênfase para os comandados de José Peseiro, já com um défice de seis pontos face aos seus rivais.

    Vítor Pereira realizou as alterações esperadas, devolvendo Alex Sandro e Fernando ao onze, nos lugares de Abdoulaye e Defour. As suas escolhas nada tiveram de inesperado, particularmente tendo em conta os minutos que ambos os jogadores acumularam a meio da semana contra o Dínamo de Zagreb. A única alteração do treinador arsenalista em relação à pesada derrota às mãos do Cluj foi a troca de Mossoró por Ruben Amorim.

    A primeira foi extremamente vibrante e comprovou uma vez mais os méritos e qualidades de ambas as equipas. Quer tenha sido por uma questão estratégica ou pelo peso dos mais recentes resultados, o Sporting de Braga apresentou-se num formato diferente. Com efeito, a atitude da equipa poucas semelhanças teve com o modelo de jogo que José Peseiro mostrou ao longo desta época. Em vez de pressionar, os visitados permaneceram na expectativa; em vez de atacar com muitos homens, optaram por um estilo mais directo. Ao que nos era dado a ver, este Sporting de Braga poderia muito bem ser o de Domingos ou Leonardo Jardim's.

    O FC Porto entrou muito forte no jogo e criou várias oportunidades claras nos minutos iniciais, com Otamendi a dispor de duas boas oportunidades e levando inclusivamente a bola a bater no poste de Beto ao terceiro minuto. A abordagem dos dragões pouco se desviou dos seus mecanismos habituais, com James Rodríguez a flectir para dentro e Lucho (ou Danilo) a ocupar o espaço libertado pelo colombiano. Com Mossoró (habitualmente menos inclinado para defender) estacionado na esquerda e Ruben Micael demasiado próximo de Éder, o FC Porto controlou o encontro a seu bel-prazer durante 20 minutos, dando a impressão de que o golo seria uma mera formalidade.

    No entanto, o Sporting de Braga assentou o seu jogo, começou a mostrar os seus trunfos e efectuou o primeiro remate à passagem do minuto 20 - o FC Porto não mais viria a rematar durante a primeira parte após a primeira tentativa bracarense. Ruben Micael passou a prestar mais atenção a Fernando e estancou o ritmo de jogo azul e branco.

    Por seu turno, José Peseiro interpretou bem o seu adversário. A colocação de Mossoró na esquerda não foi fruto do acaso, tal como a insistência de Éder em descair para esse mesmo flanco. As investidas de James rumo ao centro significam que Danilo (ou os defesas-centrais, sempre que Danilo não regressa a tempo) fica frequentemente exposto. Com Mossoró na ala esquerda, a equipa tinha uma saída de bola clara e tentava tirar proveito da já conhecida vulnerabilidade portista. O Sporting de Braga acabaria por dominar os últimos 25 minutos da primeira metade.

    A segunda parte foi menos entusiasmante, com ambas as equipas a errarem inúmeros passes e aparentemente excessivamente receosas uma da outra. Graças aos ajustes de Peseiro, o FC Porto mostrava-se agora incapaz de fazer passes precisos na zona central para abrir a defesa dos Guerreiros do Minho. Por outro lado, o Sporting de Braga mostrou-se perigoso no contra-ataque por diversas vezes, mas o receio da derrota parecia sobrepor-se à vontade de vencer.

    Como que provando isso mesmo, José Peseiro não implementou alterações destemidas, optando por refrescar o seu meio-campo - Amorim entrou para o lugar de Viana e Djamal para o de Ruben Micael -, mostrando-se ciente que, apesar de jogar com largura, o FC Porto é letal ao centro.

    Ironicamente, seria precisamente a partir dessa área que os campeões nacionais chegariam ao golo tardio. Danilo flectiu para dentro, James recebeu a bola e foi extremamente feliz ao ver o seu remate bater em Douglão (que se apresentou hoje ao seu melhor nível) e enganar Beto. O golo surgia alguns segundos antes do fim do tempo regulamentar. O destino seria ainda mais cruel para os visitados, os quais viriam a sofrer o segundo golo ao minuto 93, após um mau alívio de Leandro Salino e um remate bem colocado de Jackson Martínez.

    Em conclusão, o FC Porto poderá dar-se por feliz pela vitória alcançada, uma vez que o empate parecia ser o resultado mais provável. Analisando a prestação de ambas as equipas e as oportunidades criadas, a igualdade seria porventura o resultado mais justo. Tanto o Sporting de Braga como o FC Porto tentaram chegar à vitória com as suas armas e desfrutaram de oportunidades para o conseguir - nos períodos em que dominaram. Os anfitriões poderão ter dito adeus às perspectivas realistas de vencer o campeonato, mas José Peseiro poderá ter percebido que a abordagem assumida e arriscadamente ofensiva nem sempre será a melhor forma de levar todos os adversários de vencida.

    Monday, October 8, 2012

    FC Porto entra a matar e desacelera em seguida

    Equipas e movimentações iniciais


    FC Porto e Sporting encontraram-se em lados totalmente opostos do espectro futebolístico. Os dragões vinham de uma excelente exibição e correspondente vitória frente ao Paris Saint-Germain, ao passo que os leões haviam sido trucidados pelo Videoton, com a posterior demissão de Ricardo Sá Pinto. Como tal, não foi de todo surpreendente que Vítor Pereira não promovesse qualquer alteração no seu onze. O treinador interino sportinguista, Oceano Cruz, manteve a mesma estrutura base, optando por Schaars e Elias no centro do terreno e Pranjic à frente de Insúa na ala esquerda, previsivelmente para manter Danilo sob controlo e explorar os espaços nas costas de James Rodríguez, uma vez que o colombiano tende a flectir para o meio.

    O plano de Oceano parecia basear-se em restringir os anfitriões e evitar sofrer golos durante o período inicial, instruindo Schaars para que seguisse Lucho quase para todo o lado. Com Elias preocupado com João Moutinho, Fernando ficava frequentemente liberto, uma vez que Izmailov funcionava quase como número 10 e deixava o pivô defensivo portista sem marcação - permitindo aos campeões nacionais desfrutarem de sucessivas situações de superioridade numérica.

    Apesar de todas as críticas que tem recebido das bancadas, há que dar crédito a Vítor Pereira por fazer com que este FC Porto jogue um futebol mais fluido na abertura da presente temporada, com o correspondente adiantamento da linha defensiva. Ao recuperar inúmeras bolas logo na transição ofensiva sportinguista, o FC Porto pôde explorar a ausência de Schaars, desposicionado pela movimentação de Lucho. Por seu turno, essa movimentação abria espaços para James, o qual tentou alvejar a baliza precisamente dessa zona (à frente dos defesas-centrais, onde Schaars deveria estar) momentos antes de Danilo oferecer a assistência para o atrevido calcanhar de Jackson Martínez.

    Os leões pareceram algo abalados durante alguns minutos, com o FC Porto a permanecer compacto, ainda que exercendo menor pressão em zonas mais adiantadas. Com Mangala no lugar do lesionado Maicon, era provável que os azuis e brancos se deparassem com alguns problemas, uma vez que o defesa-central francês não é tão rápido a reagir e denota maior tendência a fazer passes errados. Para além disso, os comandados de Vítor Pereira começaram a descomprimir após o golo, aparentemente confiantes de que poderiam criar perigo assim que quisessem acelerar o jogo.

    Por volta da meia-hora de jogo, o Sporting começou a soltar-se das amarras que havia imposto a si mesmo, percebendo que a defesa subida do FC Porto estava agora vulnerável sem Maicon. Izmailov aproximou-se do seu meio-campo e começou a criar situações de perigo para os seus colegas (e não só), ficando a faltar uma finalização mais apurada. Talvez a intenção de Vítor Pereira tivesse sido sempre essa, pois os jogadores leoninos continuaram a cometer o mesmo erro que cometem há muito tempo, independentemente do nome do treinador: atacar com os dois laterais na perseguição do resultado, abrindo enormes crateras e, por conseguinte, criando situações de inferioridade numérica.

    O Sporting ditou os primeiros 15 minutos do segundo tempo. Com Izmailov a assumir cada vez mais a sua presença (o momento da sua substituição foi infeliz, dado que estava a começar a ser o foco de que a equipa visitante necessitava), o meio-campo do FC Porto perdeu por vezes as suas coordenadas, nomeadamente após as más decisões de Varela no último terço do terreno, partindo a equipa em duas partes em circunstâncias críticas. Contudo, se o Sporting pretender efectivamente lutar por uma classificação mais de acordo com os pergaminhos do clube, Elias terá de se envolver mais e oferecer linhas de passe, em vez de se esconder do jogo, sendo igualmente necessário que haja movimentações ofensivas de maior qualidade. Neste momento, todos parecem estar à espera que Carrillo saque um coelho da cartola.

    A expulsão de Rojo foi uma consequência natural do maior adiantamento do Sporting (e deveria ter sinalizado o fim do encontro ainda antes da segunda grande penalidade). Embora a abordagem do defesa-central leonino não seja propriamente a ideal, o próximo treinador do Sporting tem de assumir como prioridade a revisão do posicionamento dos laterais em posse, uma vez que deixa a equipa de Alvalada total e desnecessariamente desprotegida.

    Em breves palavras, foi um jogo algo fragmentado. O Sporting mantém a sua evidente falta de opções atacantes e o próximo responsável técnico terá uma tarefa árdua pela frente. No que diz respeito ao FC Porto, embora não se possa apelidar a vitória de injusta, houve momentos de perda de controlo e de más tomadas de decisão (particularmente nas transições ofensivas) que poderiam ter tido consequências desastrosas para as ambições portistas. Não obstante, Vítor Pereira estará por certo feliz no seguimento de duas vitórias importantes sem qualquer golo sofrido.

    Friday, October 5, 2012

    FC Porto conquista vitória com exibição dominadora


    Equipas e movimentações iniciais

    No primeiro jogo no seu estádio a contar para a Liga dos Campeões, o FC Porto apresentou-se de forma dominante contra o principal adversário do seu grupo. Vítor Pereira optou por Danilo, Fernando e Varela em detrimento de Miguel Lopes, Defour e Atsu, respectivamente. O treinador do Paris Saint-Germain, Carlo Ancelotti, não efectuou grandes alterações no seu onze, com Ménez junto a Ibrahimovic e Nenê por trás dos dois jogadores mais avançados.

    Não é todos os dias que se vê uma equipa portuguesa a assumir o papel de favorita, particularmente na Liga dos Campeões e contra um conjunto recheado de estrelas, como o Paris Saint-Germain. Aparentemente nada impressionados com os valores financeiros patentes em toda a imprensa ao longo dos dias anteriores, os comandados de Vítor Pereira mostraram-se decididos a colocar os parisienses em dificuldades e comprovaram a sua evolução desde a temporada transacta (e desde o último encontro contra o Rio Ave).

    Os dragões apresentaram uma linha defensiva bastante subida, muito provavelmente com o intuito de impedir que Ibrahimovic jogasse demasiado próximo da grande área do FC Porto, acreditando que nem Ménez nem Nenê constituiriam grande perigo em penetrações vindas de trás. Quanto ao Paris Saint-Germain, a ordem passava por assumir um bloco baixo e aguardar que a pressão portista inicial acabasse por desvanecer com o tempo.

    Frente ao 4x3x1x2 do adversário (com Nenê a actuar por trás de Ibrahimovic e Ménez), os campeões portugueses acentuaram ainda mais as suas habituais características ofensivas, explorando e criando situações de superioridade numérica nas alas - nomeadamente (e de forma quase exclusiva) a esquerda. Com James a vaguear entre o centro e a direita e com Varela na esquerda, o FC Porto insistiu no seu lado esquerdo com Alex Sandro, Moutinho e Varela. Com a largura natural oferecida por este último, o meio-campo em losango de Ancelotti ficava demasiado aberto para conseguir dar resposta às ofensivas.

    O desenho da jogada era simples e prolongou-se durante quase todo o encontro. Alex Sandro iniciava a movimentação em zonas mais avançadas (próximo da linha do meio-campo), ocupando mediatamente  Chantôme (o qual, verdade seja dita, raramente jogou em áreas mais interiores, como deveria ter feito). Varela era marcado por Van der Wiel e Verratti surgia a marcar Moutinho, receoso que o médio português tomasse conta do centro - acabando por abrir o meio do campo a James ou Lucho. Com a mesma movimentação e algumas triangulações, a equipa portuguesa criou uma chuva de oportunidades de golo.

    O típico movimento do FC Porto pela esquerda.
    Verratti foi desposicionado de forma demasiado fácil.

    Com o contributo defensivo diminuto de Ibrahimovic e Ménez e com Nenê a actuar de forma intermitente, o FC Porto teve frequentemente liberdade de jogar a seu bel-prazer no flanco esquerdo ou pelo centro, uma vez que a ajuda de Matuidi ou dos defesas-centrais chegava sempre (muito) tarde. Como tal, não será um grande risco dizer que os mais de 20 remates à baliza de Sirigu davam muitas vezes origem 'a oportunidades claras. No que diz respeito ao plano de ataque do Paris Saint-Germain, na maioria dos casos, não parecia haver nenhum, para além de esperar que o rebelde atacante sueco sacasse um dos seus coelhos da cartola (o que quase resultou à passagem do 11º minuto, após um toque de calcanhar em estilo).

    O único momento em que os parisienses se assumiram como uma ameaça efectiva foram os primeiros 10 minutos da segunda parte, altura em que os médios do FC Porto perderam as suas coordenadas e se mostravam demasiado sôfregos em chegar ao golo, quase sendo castigados pelo atrevimento. Contudo, a calma de Lucho e a resistência de Moutinho devolveram a ordem aos dragões e estes puderam retomar as suas intenções.

    Não obstante todas as oportunidades desperdiçadas, o FC Porto foi um justo vencedor - de tal forma que poderá vir a arrepender-se de não ter marcado mais. O golo de James Rodríguez poderá ter chegado tardiamente para os adeptos portistas, mas significou que os três pontos permaneceriam no Dragão. Após as últimas vitórias sucessivas, esperava-se muito mais do Paris Saint-Germain, equipa que apenas poderá queixar-se de si própria. Na verdade, dar-se-ão por satisfeitos por regressarem a Paris apenas com um golo sofrido. Por outro lado, é difícil entender por que motivo Ancelotti, geralmente exímio na sua leitura de jogo, não contrapôs qualquer solução para contrariar a vantagem natural do seu adversário nas alas.

    Saturday, September 1, 2012

    FC Porto conquista vitória suada

    Equipas e movimentações iniciais


    Após o encontro da passada semana frente à Académica, a partida de hoje era uma boa oportunidade para aferir a capacidade do Olhanense no seu terreno contra um adversário mais forte e, por outro lado, analisar o FC Porto em maior detalhe. Embora não tenha sido um jogo repleto de oportunidades de golo, tratou-se de uma partida bastante interessante, cuja vitória acabou por sorrir à equipa portuense de forma algo feliz.

    • Os primeiros 15 minutos

    Os campeões nacionais entraram bem em campo e deram mostras de pretender dar seguimento à boa exibição frente ao Vitória de Guimarães. Na verdade, os comandados de Vítor Pereira patentearam um nível consideravelmente superior ao nível da pressão alta em relação à temporada transacta, com todos os jogadores no mesmo comprimento de onda no que diz respeito às zonas e momentos para exercer a pressão. Ofensivamente, os portistas tiravam claramente proveito do ponto fraco facilmente identificável do Olhanense: Babanco. Como tal, o FC Porto insistiu em jogar pelo flanco direito durante o primeiro quarto de hora, com Lucho, Danilo e Hulk a teimarem em capitalizar a fraqueza do seu oponente.

    Ao invés, a equipa liderada por Sérgio Conceição pareceu algo confusa e perdida até ao momento em que lograram por fim executar uma transição ofensiva bem delineada e punir o mau momento da incursão de Alex Sandro (característica habitual nos defesas-laterais sul-americanos). A jogada em questão serviu igualmente para reforçar as insuficiências de Defour na posição de pivô defensivo e o papel fundamental de Fernando na movimentação colectiva da equipa.

    • 15-45 minutos

    Após o tento inicial, os algarvios mostraram-se mais confortáveis em posse e, em simultâneo, o FC Porto ficou defensivamente mais desconjuntado e impaciente na construção das jogadas, com os jogadores a revelarem-se demasiado lentos e previsíveis, aparentemente receosos de se exporem a mais contra-ataques. Vítor Pereira não quis esperar mais e substituiu o ineficaz Atsu por James e o avançado colombiano provocou um impacto imediato ao assistir Moutinho para uma boa oportunidade e ao fazer um delicioso chapéu a Ricardo, o qual demonstrou mais uma vez a sua incapacidade para decidir os melhores momentos de saída a cruzamentos.

    • Segunda parte

    Os dragões entraram ainda mais fortes na segunda parte e Jackson enviou uma bola ao posto e marcou o seu segundo golo do campeonato após uma excelente assistência de James. Era difícil antever de que forma os visitados iriam conseguir contornar a organização defensiva do FC Porto, apesar das evidentes brechas que importará abordar o mais rapidamente possível. O jogo desenrolou-se sem grandes motivos de interesse (para além da opção de Vítor Pereira de deslocar James para a posição de Lucho após a substituição deste último, fornecendo eventualmente uma pista sobre as preferências do treinador portista no que diz respeito à posição de James), até Hulk desferir um potente remate e apontar o terceiro golo azul e branco. O resultado parecia decidido, mas o golo de Targino após outra excelente assistência, desta feita de Rui Duarte, abriu novamente o encontro e os forasteiros acabam por sofrer desnecessariamente para conquistar a vitória.

    Em suma, o FC Porto foi dominante após a entrada de James, mas convirá melhorar rapidamente a sua consistência defensiva. Quanto ao Olhanense, mostrou mais uma vez um bom posicionamento defensivo, mas continua a não dispor de saídas de bola e da capacidade de assumir o controlo do encontro. Adicionalmente, Rui Duarte pareceu novamente longe da sua posição ideal, jogando em zonas demasiado avançadas e de costas para a baliza. Um ligeiro ajuste por parte de Sérgio Conceição poderá dar lugar a uma equipa mais equilibrada e perigosa.

    Monday, March 26, 2012

    Como não marcar correctamente Hulk



    O encontro do passado Domingo entre Paços de Ferreira e FC Porto, a contar para o campeonato português, ofereceu-nos um exemplo acabado de como não defender - em particular contra um jogador potente e rápido como Hulk.

    O Paços de Ferreira defende incorrectamente e o FC Porto marca o primeiro golo do jogo.
    Note-se o enorme espaço atrás dos dois jogadores do Paços de  Ferreira (área amarela).
    É certo e sabido que, quando temos dois jogadores a defender um adversário, o primeiro deverá atacar a bola e o segundo deverá fornecer cobertura, para o caso de o primeiro defensor ser batido e/ou para avisar o adversário de que o espaço atrás do primeiro defensor está ocupado. No entanto, há uma vasta diferença entre dizê-lo ou escrevê-lo e fazê-lo em condições de jogo, sendo necessárias para tal horas de treino e coordenação.

    Nesta jogada específica, Hulk enfrenta dois jogadores do Paços. O primeiro (círculo vermelho) toma a atitude correcta ao proteger o corredor central (e, simultaneamente, o pé mais forte de Hulk). No entanto, o segundo defensor deveria fornecer cobertura, com a seta verde a indicar a sua posição correcta, em circunstâncias ideais. Dado o que seu posicionamento não foi o melhor, Hulk pôde acelerar, ultrapassar os dois adversários e cruzar para golo (marcado involuntariamente na própria baliza por um terceiro defensor).

    Wednesday, March 21, 2012

    De bestial a besta a bestial


    Há apenas algumas semanas atrás, o Benfica tinha acabado de perder a liderança do campeonato para o FC Porto, o desfecho da eliminatória da Liga dos Campeões era incerto e parecia forçoso que Jorge Jesus abandonasse o clube. No contexto actual, as águias poderão muito bem conquistar o título nacional, vencer a Taça da Liga e vão lutar com o Chelsea por um lugar nas meias-finais da Liga dos Campeões. No futebol, tudo parece mudar numa questão de minutos, não é verdade?

    O encontro de ontem que opôs Benfica a FC Porto a contar para a Taça da Liga foi interessante, longe do que ambos os treinadores tentaram dar a entender - uma eliminatória que nenhuma das equipas parecia querer vencer. A partida foi em tudo semelhante ao último encontro para o campeonato e, como tal, a análise incidirá sobre questões mais específicas.


    Benfica


    • 1. Semear a lógica no meio do caos. Lembra-se do golo de Maxi Pereira contra o Zenit? Nesse caso, observe mais abaixo o posicionamento do Benfica para o primeiro golo da noite passada e veja se consegue assinalar as diferenças. Uma vez mais, Witsel (rosa), Bruno César (amarelo) e Maxi Pereira (verde) pressionam e criam superioridade numérica no lado esquerdo do adversário.

    • 2. Os encarnados permanecem defensivamente vulneráveis no centro. Se o objectivo das águias passa por chegarem mais longe contra clubes mais fortes, como o Chelsea, é imprescindível que sejam capazes de exercer maior e melhor controlo sobre o seu adversário. Ontem, verificaram-se inúmeros casos em que Javi García e Witsel (um pouco mais adiantado) deram por si sozinhos no centro, o que oferece uma enorme facilidade de contornar o meio-campo benfiquista..
    • 3. Benfica comprova a sua mestria em bolas paradas. Embora seja difícil compreender o motivo pelo qual as outras equipas parecem prestar pouca atenção a este aspecto da equipa da Luz, o Benfica permanece uma máquina de fazer golos a partir de livres e cantos. O jogo de ontem foi apenas mais um exemplo (há que recordar as três bolas nos ferros no seguimento de jogadas desse género), à imagem do que tinha acontecido no confronto entre estas duas equipas para o campeonato ou no jogo contra o Zenit.

    Luisão (amarelo) no segundo poste, libertando Javi García (azul)
    Luisão (amarelo) faz um bloqueio para libertar Javi García (azul). Déjà vu?
    • 4. Benfica mostra uma vez mais que é capaz de promover adaptações no próprio jogo. Após ver a sua defesa batida no golo de Mangala, Jorge Jesus alterou a distribuição da habitual marcação zonal do Benfica.

    A habitual marcação zonal do Benfica, sem cobertura à frente da linha. Mangala acabaria por marcar.

    O Benfica adaptou a sua marcação zonal para a segunda parte.
    O FC Porto não voltaria a criar situações de perigo em lances de bola parada.
    FC Porto

    • 1. A ala esquerda continua a ser uma avenida. Não obstante o valor da sua transferência, Alex Sandro demonstrou estar muito verde para estas andanças e não ser substituto à altura de Álvaro Pereira (pelo menos, por agora). Por sua vez, Álvaro Pereira provou mais uma vez que o seu contributo defensivo pode ser questionável, por vezes. Mesmo com João Moutinho a dar o seu contributo defensivo nessa ala, os encarnados insistiram sempre em invadir o lado esquerdo do FC Porto.
    • 2. FC Porto deita sal na ferida do seu rival. Cientes de que o Benfica apresentava brechas na abordagem defensiva dos lances de bola parada, os dragões não hesitaram. O golo de Mangala, no seguimento do livre de Moutinho, não foi por certo obra do acaso. A bola foi enviada precisamente para o mesmo sítio que James escolheu, no lance do golo do Maicon, na partida a contar para o campeonato.
    O FC Porto voltou a marcar de livre, num lance estranhamente familiar.
    Na imagem, o golo de Maicon na partida para o campeonato.
    • 3. Os azuis e brancos controlaram melhor o jogo. Com Defour, Moutinho e Lucho, o FC Porto foi capaz de ditar o ritmo do jogo e oferecer uma melhor cobertura defensiva à sua linha mais recuada. Ao contrário do Benfica, onde Javi García fica frequentemente abandonado à sua sorte, o FC Porto protege sempre o centro do terreno.
    A equipa nortenha tentou sempre evitar situações de inferioridade numérica e criar diversas linhas de cobertura.
    • 4. O nosso adversário ataca pela direita? Nesse caso, atacamos por esse lado. Embora Hulk tivesse a oposição de Capdevila (uma opção estranha para esta partida, dadas as características dos dois jogadores), o FC Porto tentou explorar as subidas de Maxi Pereira e a menor protecção oferecida por Bruno César. Lucho, geralmente na meia-direita em tarefas defensivas, descaiu muitas vezes para a ala esquerda para criar superioridade numérica.
    Maxi Pereira, Javi García e Witsel são atraídos para o lado direito. Note-se a fraca cobertura nas suas costas.

    Com uma simples "tabela", os três jogadores portistas libertam-se mais uma vez das marcações

    Conclusão

    Em resumo, foi um jogo interessante e equilibrado. Embora se tratasse de uma competição menor, nenhuma equipa queria perder e, com isso, ceder a vantagem psicológica para os jogos que faltam disputar no campeonato (afinal de contas, o que estava efectivamente em disputa). O FC Porto foi melhor em jogo corrido (acusando o desgaste na segunda metade), mas o Benfica foi extremamente forte nas situações de bola parada.