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Friday, June 11, 2010

It's good to be back

Ao fim de uns quantos meses de silêncio, nada como um Campeonato do Mundo para regressar em beleza. Dadas todas as palavras que já foram ditas sobre o significado deste Mundial em terras africanas, aproveito a "boleia" e salto imediatamente para a parte seguinte: o futebol em si.

Na verdade, no fim do primeiro dia, que nos presenteou com dois jogos, não posso deixar de constatar a surpresa que ainda é ver jogar equipas que não as europeias. Infelizmente, incluo-me na grande maioria dos europeus cujo umbigo é demasiado grande para lhes permitir inteirarem-se das competições fora do Velho Continente.

Lia eu ainda esta semana uma coluna de um escritor das andanças do futebol, de seu nome Jonathan Wilson, que se queixava precisamente da ausência de surpresas nos actuais Mundiais, nos dias que corriam (por oposição às maravilhas do 4x2x4 de Brasil de 1958 ou do Futebol Total holandês da década de '70), em grande parte por culpa das competições de clubes. Por certo que os dois jogos de hoje não nos trouxeram novidades dessa monta, mas pormenores houve a reter. Vamos por partes, pois então.

O jogo inaugural trouxe-nos um embate entre a nação anfitriã, África do Sul, e o México. Os primeiros 20 minutos caracterizaram-se por uma intensa pressão da equipa mexicana, com o onze sul-africano a demonstrar imensas dificuldades para suster o bom jogo entre linhas do adversário. A primeira surpresa veio, com efeito, da equipa azteca. Partindo de um 4x3x3 no papel, o lateral-direito disparava para o ataque, chegando quase a funcionar como médio-ala, tão só. Como compensação, Rafa Márquez, partindo da posição 6, recuava para o centro do terreno, fazendo com que a equipa assumisse uma configuração mais próxima de um 3x4x3, com dois extremos abertos e o eterno Guille Franco na frente.

No entanto, a segunda parte trouxe uma África do Sul mais serena e foi sem surpresa que surgiu o primeiro golo da competição (de execução fantástica, conforme poderão ver mais abaixo), da autoria de Tshalalaba. A partir daí, o México demonstrou grandes« dificuldade em recuperar o controlo da partida, tendo contudo conseguido chegar à igualdade. Não obstante, tudo poderia ter sido bem diferente se a bola que Modise atirou ao poste no último minuto tivesse entrado.

Gostaria de destacar por último o jovem guarda-redes sul-africano, Kühne, que demonstrou segurança entre os postes e uma excelente capacidade de colocação de bolas longas com o pé, isolando companheiros de equipa em venenosos contra-ataques.



A segunda partida do dia opôs a França ao Uruguai. Também aqui pudemos ver um onze escalonado num tradicional 4x3x3 (surpreendente a ausência de Malouda) contra uma equipa assente num claro 3x5x2. Na verdade, o Uruguai apostou sem hesitações numa linha recuada de três centrais, com Maxi e Álvaro Pereira a ocuparem as laterais (do meio-campo, note-se). Contudo, tal como tantas vezes acontece neste sistema, notou-se muito espaço entre os defesas-centrais e as alas, tendo a equipa azul-celeste demonstrado algumas dificuldades na organização ofensiva.

Num jogo tacticamente entretido, mas sem grandes oportunidades de golo, o principal destaque vai, como não poderia deixar de ser, para Diego Forlán, o enorme avançado uruguaio. Com efeito, este autêntico dínamo está sempre disponível para proporcionar um apoio frontal aos seus companheiros, demonstrando sempre que possível o seu potente remate sempre que consegue enquadrar-se com a baliza. Ressalve-se também a capacidade de luta de Ríos, um dois dois médios de contenção que jogavam à frente da defesa.

Thursday, July 3, 2008

Os altos e baixos do Euro 2008

Em jeito de balanço, gostaria de destacar três pontos altos e três aspectos menos positivos do Euro que findou no último Domingo. Com efeito, creio que existirá uma unanimidade relativamente à boa qualidade do futebol praticado, competitivade do torneio e vencedor inesperado, dado o seu historial. Não obstante, nem só de coisas boas se fez este Europeu. Comecemos então pelas questões menos positivas:

  • Grécia. Teria sempre de se esperar muito mais dos campeões europeus em 2004. Creio que Otto Rehagel não foi lesto a retirar as devidas ilações do apuramento para o Mundial de 2006. O futebol que lhe permitiu levar de vencida o campeonato organizado em Portugal foi perdendo os seus encantos e necessitava de evoluir. Ao recusar fazê-lo, Rehagel acabou por cavar um buraco na areia para si e para os seus jogadores. Grande parte das selecções sabia perfeitamente o que fazer para vencer a Grécia. Notou-se.
  • França e Itália. Pessoalmente, creio que a desilusão francesa é incomparavelmente maior, uma vez que parece decididamente uma embarcação completamente à deriva, sem rumo nem timoneiro. Quanto à Itália, apesar dos meus progonósticos, acabou eliminada nos penalties às mãos dos futuros campeões europeus, revelando falta de eficácia tanto a atacar como a defender e a ausência de desequilibradores para além de Pirlo.
  • A estrutura da competição. Muito já se falou, antes do Europeu, sobre a esquematização do mesmo. Emparelhar dois grupos até à final poderia ter-se relevado complicado, causando repetições de jogos de duas partidas após o final dessa fase. Creio que não haveria essa necessidade.

Em relação aos pontos altos, havendo muitos a destacar, gostaria de realçar três, começando pelo óbvio:

  • Espanha. Boa organização de jogo, boa forma de encapotar as falhas da sua própria equipa, um guarda-redes que não comprometeu e dois avançados muito bons (embora Torres tenha estado um pouco aquém das suas prestações em Inglaterra, o que nos poderia levar para a questão da qualidade dos defesas em terras de Sua Majestade). Xavi e Marcos Senna foram duas peças fundamentais, mas convém não esquecer Fabregas, Iniesta ou Villa.
  • Alemanha. Terceiro lugar no último mundial e finalista vencida no último Europeu. Se levarmos em conta as prestações anteriores a essas competições, poderemos ver que a Mannschaft foi capaz de dar a volta a uma tendência negativa que se vinha desenhando há alguns anos a esta parte, provando que uma boa mentalidade e eficiência são capazes de disfarçar falhas aparantemente muito importantes.
  • Turquia. Bem sei que, quando se fala na equipa de Ancara, se fala especialmente do seu "coração", fazendo referência à sua capacidade de luta. No entanto, por mais importante que seja, os turcos demonstraram algo mais do que isso - boa qualidade de jogo, boas movimentações, excelente leitura do jogo adversário e uma invulgar capacidade de sofrimento e entreajuda. Ao contrário do que o próprio afirmara anteriormente, o seleccionador Fatih Terim continuará até 2012.

Wednesday, June 18, 2008

A Europa às voltas

A segunda semana do Europeu já vai a meio e já há equipas inteiras a fazerem as malas para voltarem a casa, mais ou menos vergadas ao peso da derrota. Portugal conseguiu, como já se sabia, passar aos quartos-de-final, jogando contra a Alemanha, conforme se previa.

Começando pelo tema que tanto deixou os portugueses irritados, creio que Scolari fez o que tinha a fazer. Os seus actos viriam a virar-se contra si num futuro próximo, fosse como fosse (a menos que vença o Europeu), e, como tal, optou por "viver e morrer" pela sua cabeça. Rodou a equipa, premiou os habituais suplentes com 90 minutos de jogo, dando-lhes ritmo e passando uma mensagem de confiança. Infelizmente, a derrota veio a acontecer, mas não creio que venha a ser tão dramática quanto isso. O apuramento e o primeiro lugar do grupo estavam garantidos: que mal poderia fazer uma derrota, inclusivamente?

A Suíça demonstrou um outro aspecto que me parece importante e que já foi demonstrado não raramente por Scolari: por vezes, parece não compreender que substituir 8 jogadores por outros 8 jogadores para as mesmas posições nunca dá o mesmo resultado, pois os equilíbrios, movimentações (com e sem bola) são completamente diferentes. Espero sinceramente que o seleccionador tenha compreendido que Meira nunca pode ser trinco a menos que seja para defender o resultado, que Miguel está absolutamente fora de forma, que Quaresma é o que é e que Miguel Veloso não pode jogar na posição 8. Mas isso sou eu.

De resto, a grande notícia surgiu ontem - a França foi eliminada do Europeu. Creio que não haveria muita gente a prever este final, mas foi efectivamente o que aconteceu. Pessoalmente, penso que foi mais do que justo. A França pareceu sempre uma equipa sem ideias, sem forma de marcar golos ou dominar qualquer jogo (embora tivesse bons momentos contra a Holanda), demonstrando que Domenech é um treinador falho de ideias e que nem sempre rodear-se dos mesmos veteranos dá bons resultados. Uma vez não é vez, como costuma dizer-se. Caneco, até Humberto Coelho chegou à meia-final de um Europeu! A Itália demonstrou alguns pontos fortes, como sempre, mas mais algumas fraquezas do que seria de esperar. Seja como for, jogar contra a Espanha sem Pirlo e Gattuso vai ser uma tarefa extremamente complicada, porque não há ninguém com características semelhantes ao génio do AC Milan. A ver vamos que solução apresenta Donadoni.

Quanto ao jogo de amanhã de Portugal frente à Alemanha, terei de discordar de Big Phil (para nos irmos habituando alcunha colocada pelos ingleses), pois, pelo que vi até agora, a Alemanha está longe de me parecer uma selecção imbatível, quanto mais a melhor selecção do Europeu. Fritz é lento e não desequilibra ofensivamente (embora seja um bom equilíbrio para Lahm), Jansen é o elo mais fraco da equipa, enquanto que os dois pontas-de-lança (sendo Klose o melhor deles, de longe) retiram alguma profundidade aos flancos da equipa. Se a Alemanha jogar da mesma forma contra Portugal, apenas com Ballack e Frings a fazerem o trabalho de sapa, creio que Portugal vai ter a tarefa facilitada para controlar o jogo, graças às boas acções de Petit, Moutinho e Deco. Creio que Portugal tem tudo para ganhar o jogo, até porque Podolski terá a opção de ficar nos terrenos de Bosingwa ou imiscuir-se nos de Ricardo Carvalho, Pepe e Petit. Vamos lá ver o que faz a suposta melhor equipa do Europeu. Cá estaremos para falar disso!