O FC Porto fez na passada terça-feira uma das suas melhores exibições de sempre na Europa. É justo prestar uma homenagem a Jesualdo Ferreira - não só pelo jogo contra o Manchester United, mas, acima de tudo, pelo período que distou entre a sua contratação e o dia de hoje.
Na verdade, o jogo em Manchester foi para mim o apogeu de uma linha cronológica que começou quando Jesualdo foi contratado para colmatar a vaga deixada em aberto pelo errático Co Adriaanse. Pegando numa equipa que não tinha sido montada à sua imagem, o treinador portista foi capaz de ser campeão nessa época, não logrando convencer a tradicionalmente exigente massa associativa portista. Na época seguinte, mais do mesmo, incluindo exibições muito pouco convincentes frente a adversário do mesmo gabarito, excepção feita à exibição produzida na Luz a seguir a mais uma derrota europeia.
No entanto, foi neste ano - depois de perder Quaresma, Bosingwa e Paulo Assunção - que Jesualdo mostrou os seus verdadeiros dotes, quanto a mim. Ao ver-se forçado a reconstruir uma equipa (por muito que alguns jogadores importantes tenham ficado, a forma de jogar de equipa teve de ser radicalmente alterada, o que muda muitos processos) e a contornar o constante apagamento de Lucho González, o treinador azul e branco mostrou a sua verdadeira fibra e terá, digo eu, convencido de vez os adeptos portistas. Ser capaz de, em pouco tempo, passar da equipa frágil e sem identidade que perdeu contra Leixões e Dínamo de Kiev em poucos dias (não esquecendo a copiosa derrota contra o Arsenal) para a equipa que mostrou aos excessivamente confiantes adeptos ingleses que também se pode jogar bom futebol fora da sua ilha não está ao alcance de muitos. Pelo facto, tiro o meu chapéu.
Gostaria no entanto de fazer uma pequena ressalva. Não obstante todos os méritos apontados a Jesualdo, continuo firme nas minhas convicções (que creio serem validadas pelas mais recentes exibições dos dragões) segundo as quais o melhor caminho para o sucesso passa por uma identificação clara dos nossos objectivos e não nos encolhermos perante nomes teoricamente mais sonantes, como o técnico portista fez não raras vezes frente a clubes mais cotados. Talvez o maior mérito de Jesualdo seja o facto de ter conseguido aprender com os seus próprios erros. Acima de tudo, interessa sermos melhores hoje do que éramos ontem. Esse é para mim o principal indicador de sucesso.
Showing posts with label Jesualdo. Show all posts
Showing posts with label Jesualdo. Show all posts
Thursday, April 9, 2009
O clímax de uma época
Monday, March 2, 2009
A ruptura na continuidade
Na minha perspectiva, um dos maiores desafios (seja em que parte da nossa vida for) consiste em conseguir promover uma mudança no decurso normal do dia-a-dia. Num clube de futebol - ou numa empresa -, creio que essa mudança é ainda mais difícil, pois estamos inseridos numa teia de relações socioprofissionais que, não raramente, nos desmotiva ou nos leva para sítios para onde não desejávamos ir.
Vem isto a propósito da continuidade ou não de Paulo Bento e Jesualdo Ferreira à frente de Sporting e FC Porto, respectivamente. Começando pelo técnico sportinguista, parece-me que a qualidade do seu trabalho é inatacável. O clube leonino conseguiu transformar as eternas promessas de títulos (as esperanças dos adeptos sportinguistas eram já quase lendárias) em vitórias efectivas. Custa-me compreender alguns adeptos verde e brancos quando dizem que Paulo Bento deveria sair por já não ter condições de continuar a desempenhar a sua função. Mas que condições são essas? Tem vitórias a mais? Joga quase sempre para ganhar? Não promove o futebol ofensivo de que os adeptos do clube de Alvalade tanto gostam e que tantas vezes lhes trouxe dissabores? Se tivermos em consideração o facto de o orçamento do Sporting ser aproximadamente um terço do de FC Porto e Benfica, o esforço do técnico deveria sair reforçado, na minha opinião. Não obstante o resultado da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o trabalho desenvolvido tem sido progressivamente melhor. Há maus resultados pelo caminho? Claro que sim, mas nenhum treinador está livre de os ter. O que importa é perceber o que se aprende com esses contratempos.
E é precisamente na questão dos obstáculos que surgem a meio do caminho que o tema da continuidade de Jesualdo entronca no de Paulo Bento. Se é verdade que não fui um dos principais entustiastas do técnico portista, não é menos verdade que me parecia uma solução bem mais adequada para o cargo do que o seu predecessor (Co Adriaanse). No entanto, Jesualdo tem-me surpreendido pela positiva ao mostrar ser capaz de aprender com os erros (os resultados e, principalmente, as exibições do FC Porto nos jogos grandes dos dois primeiros anos são estranhamente confrangedores) e, durante o processo, manter a equipa num nível mais do que aceitável, apesar da perda de jogadores como Quaresma, Paulo Assunção, Bosingwa, Pepe ou Anderson. Apesar do constante movimento da porta giratória de entradas e saídas do Dragão, a equipa portista tem conseguido equilibrar a embarcação, tropeçando aqui e ali, é certo, mas parecendo sempre ter um rumo definido. E ter um rumo (mesmo que errado) é para mim bem mais relevante do que não ter rumo nenhum.
PS: Escrevo este texto antes de qualquer uma das equipas ter ganho ou perdido qualquer título, porque acho que o trabalho tem de ser avaliado não só mediante os resultados, mas, acima de tudo, pelo ponto de partida e de chegada. Como tal, defenderei a minha posição mesmo que um dos treinadores (ou ambos) não vença qualquer troféu.
Vem isto a propósito da continuidade ou não de Paulo Bento e Jesualdo Ferreira à frente de Sporting e FC Porto, respectivamente. Começando pelo técnico sportinguista, parece-me que a qualidade do seu trabalho é inatacável. O clube leonino conseguiu transformar as eternas promessas de títulos (as esperanças dos adeptos sportinguistas eram já quase lendárias) em vitórias efectivas. Custa-me compreender alguns adeptos verde e brancos quando dizem que Paulo Bento deveria sair por já não ter condições de continuar a desempenhar a sua função. Mas que condições são essas? Tem vitórias a mais? Joga quase sempre para ganhar? Não promove o futebol ofensivo de que os adeptos do clube de Alvalade tanto gostam e que tantas vezes lhes trouxe dissabores? Se tivermos em consideração o facto de o orçamento do Sporting ser aproximadamente um terço do de FC Porto e Benfica, o esforço do técnico deveria sair reforçado, na minha opinião. Não obstante o resultado da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o trabalho desenvolvido tem sido progressivamente melhor. Há maus resultados pelo caminho? Claro que sim, mas nenhum treinador está livre de os ter. O que importa é perceber o que se aprende com esses contratempos.
E é precisamente na questão dos obstáculos que surgem a meio do caminho que o tema da continuidade de Jesualdo entronca no de Paulo Bento. Se é verdade que não fui um dos principais entustiastas do técnico portista, não é menos verdade que me parecia uma solução bem mais adequada para o cargo do que o seu predecessor (Co Adriaanse). No entanto, Jesualdo tem-me surpreendido pela positiva ao mostrar ser capaz de aprender com os erros (os resultados e, principalmente, as exibições do FC Porto nos jogos grandes dos dois primeiros anos são estranhamente confrangedores) e, durante o processo, manter a equipa num nível mais do que aceitável, apesar da perda de jogadores como Quaresma, Paulo Assunção, Bosingwa, Pepe ou Anderson. Apesar do constante movimento da porta giratória de entradas e saídas do Dragão, a equipa portista tem conseguido equilibrar a embarcação, tropeçando aqui e ali, é certo, mas parecendo sempre ter um rumo definido. E ter um rumo (mesmo que errado) é para mim bem mais relevante do que não ter rumo nenhum.
PS: Escrevo este texto antes de qualquer uma das equipas ter ganho ou perdido qualquer título, porque acho que o trabalho tem de ser avaliado não só mediante os resultados, mas, acima de tudo, pelo ponto de partida e de chegada. Como tal, defenderei a minha posição mesmo que um dos treinadores (ou ambos) não vença qualquer troféu.
Etiquetas:
Jesualdo,
Paulo Bento
Saturday, November 29, 2008
"Nem tão maus antes, nem tão bons agora"
Acabei agora mesmo de ler esta frase de Jesualdo Ferreira. Mesmo não sendo um dos maiores defensores do treinador do FC Porto, reconheço sem qualquer problema que era um homem com quem gostaria de ter uma conversa franca e aberta, sem os subterfúrgios de quem o quer apanhar num qualquer mal-entendido ou de quem não quer deixar entrever nada do que de menos bom se possa passar na sua casa. A sua frase de hoje serve-me de leitmotiv para escrever sobre o momento do FC Porto. Depois de um início de época algo tremido (as famosas três derrotas consecutivas com Dinamo de Kiev, Naval e Leixões, para além da copiosa derrota no terreno do Arsenal), a equipa azul e branca conseguiu por fim encontrar o seu rumo. Ainda longe de encantar os espectadores com o seu futebol (como aconteceu em alguns momentos da época passada), o plantel do Dragão já começa a dar sinais de outra atitude, acima de tudo.
Creio que uma justificação (forçosamente simplista) incluirá dois pontos fundamentais: o tempo e a estabilização. O primeiro ponto é algo que raramente existe no futebol, especialmente o português, pois esperamos sempre que o nosso clube, seja ele qual for, seja capaz de espezinhar todos os adversários - nacionais e europeus - em menos de um fósforo. Não queremos esperar por uma melhoria constante, pela integração de novos jogadores (muitas vezes, jovens), pela eventual alteração do modelo de jogo no caso da partida de um jogador fundamental na época anterior. Em contraponto, tenho de louvar os dirigentes das SAD dos três "grandes", pois todos eles foram capazes de resistir à tentação face a resultados extremamente pesados que todos eles sofreram ao longo dos últimos dois meses.
O segundo ponto terá necessariamente a ver, na minha opinião, com a estabilização do onze titular. Jesualdo conseguiu por fim reencontrar o seu caminho (parecendo estar muito tempo, talvez demasiado, transviado em relação aos seus princípios fundamentais), assentando cada vez mais numa equipa-tipo, com uma ou outra hesitação. Seja como for, a equipa parece agora muito mais identificada com o modelo de jogo que o treinador pretende implementar e já nem a saída de Lucho é capaz de impedir uma das melhores exibições da época do FC Porto, em pleno inferno turco.
Gostaria no entanto de alertar para algumas fragilidades dos dragões:
Creio que uma justificação (forçosamente simplista) incluirá dois pontos fundamentais: o tempo e a estabilização. O primeiro ponto é algo que raramente existe no futebol, especialmente o português, pois esperamos sempre que o nosso clube, seja ele qual for, seja capaz de espezinhar todos os adversários - nacionais e europeus - em menos de um fósforo. Não queremos esperar por uma melhoria constante, pela integração de novos jogadores (muitas vezes, jovens), pela eventual alteração do modelo de jogo no caso da partida de um jogador fundamental na época anterior. Em contraponto, tenho de louvar os dirigentes das SAD dos três "grandes", pois todos eles foram capazes de resistir à tentação face a resultados extremamente pesados que todos eles sofreram ao longo dos últimos dois meses.
O segundo ponto terá necessariamente a ver, na minha opinião, com a estabilização do onze titular. Jesualdo conseguiu por fim reencontrar o seu caminho (parecendo estar muito tempo, talvez demasiado, transviado em relação aos seus princípios fundamentais), assentando cada vez mais numa equipa-tipo, com uma ou outra hesitação. Seja como for, a equipa parece agora muito mais identificada com o modelo de jogo que o treinador pretende implementar e já nem a saída de Lucho é capaz de impedir uma das melhores exibições da época do FC Porto, em pleno inferno turco.
Gostaria no entanto de alertar para algumas fragilidades dos dragões:
- Rodríguez continua a não conseguir mostrar todos os argumentos que o notabilizaram na Luz. O jogador uruguaio, com efeito, continua a debater-se com enormes dificuldades para mostrar todo o seu potencial, em grande parte por jogar demasiado encostado à linha e por raramente ter liberdade de aparecer de frente para os seus opositores, dificultando em grande medida o seu arranque.
- Hulk continua a ser o exemplo mais paradigmático de "besta/bestial". Tanto é capaz de reduzir os seus adversários a pó com a sua força e velocidade, como demonstra como é possível desperdiçar óptimas oportunidades de finalização ou de contra-ataque com o seu individualismo. Se o jogo na Turquia era à medida para as suas características, poucos jogos daqui para a frente contarão com um adversário tão voltado para a frente e tão desprotegido nas suas costas, o que nos leva ao terceiro ponto.
- Sim, as famosas transições rápidas de Jesualdo têm funcionado melhor, sem dúvida. No entanto, o FC Porto raramente irá encontrar, ao longo do que resta da época, adversários tão adequados ao seu modelo de jogo. Na sua maioria, os azuis e brancos vão enfrentar equipas muito mais resguardadas, à espera do erro portista (que não tem sido raro, nesta temporada). As fragilidades do ataque continuado continuam à vista e por resolver. A ver vamos o que nos mostrará o jogo frente à Académica.
- Lisandro. Creio que não faltará muito para podermos dar resposta a uma questão importante: custará mais dinheiro ao FC Porto aumentar o salário de Lisandro ou não o aumentar?
Tuesday, October 28, 2008
Um Porto em lume brando
Desde a época de 2004/05 (a de del Neri, Fernandez e Couceiro, de má memória para os portistas) que o FC Porto não tinha tão poucos pontos para o campeonato. Estranhamente, tal não se deveu às deslocações que teve de fazer aos terrenos de Sporting e Benfica, onde por sinal até conseguiu empatar uma partida e vencer a outra. Pelo contrário, o resultado inclui um empate no terreno do Rio Ave e uma derrota em casa contra o Leixões. Pelo meio, vitória em Alvalade, empate na Luz, derrota estrondosa em Londres e em casa contra o Dínamo de Kiev. Em todos estes jogos, o FC Porto foi capaz de conciliar o melhor (a exibição na Luz foi muito bem conseguida, por exemplo) com o pior (a exibição de Londres é muito má e os sinais deixados nalguns outros campos não apontam para o melhor sentido).
É difícil, a tarefa de Jesualdo? Sem dúvida. Conseguir fazer uma equipa este ano terá sido das tarefas mais árduas da carreira do treinador portista. Ficar sem Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma no mesmo ano não é propriamente "pera doce", particularmente quando os substitutos são jogadores senão com menos valor, com um estatuto incomparavelmente menor.
Sapunaru está a atravessar um momento difícil, hesitando a atacar (logo, não dando profundidade a um sector já de si muito manco) e complicando a defender. A meio, quando se pensava que o substituto estava encontrado, e já depois de alguns elogios da praça pública e consequente renovação de contrato, eis que Fernando perde a titularidade. Paulo Assunção faz falta para dar ordem à equipa, algo que ninguém tem conseguido fazer melhor do que Fernando, para já. Na frente, alguns equívocos. Rodríguez virá ainda a dar frutos. É um jogador jovem, inteligente, mas a quem ainda falta alguma liberdade de movimentos e compreensão dos 4x3x3. Não obstante, tem sido por aí que o FC Porto tem canalizado o seu jogo, especialmente porque no lado direito não mora ninguém. Se, nos jogos grandes, Tomás Costa (uma excelente contratação) consegue fazer o lugar de extremo-direito para ajudar Sapunaru nas tarefas defensivas, nos jogos em que a iniciativa ofensiva pertence aos dragões, não há alternativas credíveis para o lado direito, um fenómeno tanto mais estranho quando essa foi a posição em que o FC Porto mais "despachou" jogadores.
Compreende-se mal que Farías nunca seja opção para Jesualdo, mas que Adriano, por exemplo, um jogador que já se relevou muito útil, não esteja sequer inscrito. Compreende-se mal que Tarik faça quase um jogo inteiro e desapareça da lista de convocados no seguinte. Compreende-se mal que se contrate Benítez, se mantenha Lino e se venda Cech, um jogador muito mais evoluído e inteligente. Por último, compreende-se mal que Hulk, ainda que dotado de uma força física notável, entre de supetão na equipa, quando é tão óbvio que está ainda muito longe de estar preparado, mental e tacticamente, para jogar no futebol europeu. Isto não significa que não possa vir a ser um bom jogador, num futuro próximo, mas, neste momento, contribui muito mais para a desorganização da equipa (ofensiva e defensiva) do que para bons resultados. Provas? Pense-se nos dois últimos jogos que o FC Porto efectuou, nos respectivos resultados e manobras ofensivas. Pessoalmente, vem-me um exemplo claro à memória. A partir do momento em que Jesualdo Ferreira tirou Rodríguez, não mais o FC Porto conseguiu criar espaços no lado esquerdo, lado pelo qual surgiram os dois últimos golos do Leixões (um dos quais mal anulado). Coincidência, porventura...?
É difícil, a tarefa de Jesualdo? Sem dúvida. Conseguir fazer uma equipa este ano terá sido das tarefas mais árduas da carreira do treinador portista. Ficar sem Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma no mesmo ano não é propriamente "pera doce", particularmente quando os substitutos são jogadores senão com menos valor, com um estatuto incomparavelmente menor.
Sapunaru está a atravessar um momento difícil, hesitando a atacar (logo, não dando profundidade a um sector já de si muito manco) e complicando a defender. A meio, quando se pensava que o substituto estava encontrado, e já depois de alguns elogios da praça pública e consequente renovação de contrato, eis que Fernando perde a titularidade. Paulo Assunção faz falta para dar ordem à equipa, algo que ninguém tem conseguido fazer melhor do que Fernando, para já. Na frente, alguns equívocos. Rodríguez virá ainda a dar frutos. É um jogador jovem, inteligente, mas a quem ainda falta alguma liberdade de movimentos e compreensão dos 4x3x3. Não obstante, tem sido por aí que o FC Porto tem canalizado o seu jogo, especialmente porque no lado direito não mora ninguém. Se, nos jogos grandes, Tomás Costa (uma excelente contratação) consegue fazer o lugar de extremo-direito para ajudar Sapunaru nas tarefas defensivas, nos jogos em que a iniciativa ofensiva pertence aos dragões, não há alternativas credíveis para o lado direito, um fenómeno tanto mais estranho quando essa foi a posição em que o FC Porto mais "despachou" jogadores.
Compreende-se mal que Farías nunca seja opção para Jesualdo, mas que Adriano, por exemplo, um jogador que já se relevou muito útil, não esteja sequer inscrito. Compreende-se mal que Tarik faça quase um jogo inteiro e desapareça da lista de convocados no seguinte. Compreende-se mal que se contrate Benítez, se mantenha Lino e se venda Cech, um jogador muito mais evoluído e inteligente. Por último, compreende-se mal que Hulk, ainda que dotado de uma força física notável, entre de supetão na equipa, quando é tão óbvio que está ainda muito longe de estar preparado, mental e tacticamente, para jogar no futebol europeu. Isto não significa que não possa vir a ser um bom jogador, num futuro próximo, mas, neste momento, contribui muito mais para a desorganização da equipa (ofensiva e defensiva) do que para bons resultados. Provas? Pense-se nos dois últimos jogos que o FC Porto efectuou, nos respectivos resultados e manobras ofensivas. Pessoalmente, vem-me um exemplo claro à memória. A partir do momento em que Jesualdo Ferreira tirou Rodríguez, não mais o FC Porto conseguiu criar espaços no lado esquerdo, lado pelo qual surgiram os dois últimos golos do Leixões (um dos quais mal anulado). Coincidência, porventura...?
Monday, September 8, 2008
Porque os grandes também se enganam...
...quanto mais eu. Sou razoavelmente conhecido no meu meio por não ser um dos maiores defensores de Jesualdo Ferreira, especialmente quando defronta equipas de valia igual ou superior, especialmente fora de casa, altura em que quase sempre opta por apresentar revoluções não só no onze titular como na forma de jogar da sua equipa. Não obstante, tenho de tirar o chapéu à estratégia que adoptou no último clássico entre FC Porto e Benfica. Mostrando conhecer de antemão o sistema táctico de Quique Flores (quanto a mim, estranhamente inflexível), o treinador portista foi inteligente ao colocar os seus jogadores em campo, comprovando perante milhares de (tele)espectadores que o Benfica tem ainda um longo caminho a percorrer.
Com efeito, o 4x3x3 foi colocado de lado em detrimento de um 4x4x2 extremamente moldável, consoante a equipa estivesse em posse de bola ou a defender. Com Fucile na esquerda para travar Di María ou Reyes, Fernando à frente da defesa para encurtar o espaço de acção de Aimar (tarefa que, neste momento parece impossível de executar por Guarín e que retiraria Raúl Meireles das transições rápidas que o treinador portista tanto aprecia), Tomás Costa imbuído de travar as subidas de Leo para que Sapunaru tivesse apenas de se preocupar com Reyes, o combate a meio-campo estava ganho, em termos práticos, uma vez que ainda sobrava Lucho e Meireles para a luta directa, tanto ofensiva como defensiva, com Carlos Martins e Yebda, ainda demasiado "verdes", na minha opinião, para conseguir dar seguimento ao sistema que Quique pretende impor.
É indiscutível que o penalty marcado aos 10 minutos deu ao FC Porto uma margem de manobra e um conforto que não teria tido, possivelmente, se não tivesse logrado colocar-se em vantagem tão cedo. Seja como for, tenho de admitir que Rodríguez foi quase sempre uma dor de cabeça para a defesa benfiquista, com as suas constantes diagonais para o centro do terreno e/ou subidas pelo flanco, sendo que Lisandro fez mais uma exibição muito bem conseguida, dando trabalho de sobra aos centrais benfiquistas e Lucho deambulou por todo o terreno, ofereceu boas combinações aos seus companheiros, deu uma ajuda a defender, sofreu e marcou o penalty e mostrou que qualquer dependência de Quaresma era mera fantasia. Confesso-me curiosíssimo por saber até que ponto a estratégia de Jesualdo frente ao Arsenal daqui por três semanas se revelará acertada. Todos nós acertamos uma vez. Os bons acertam mais do que erram.
Com efeito, o 4x3x3 foi colocado de lado em detrimento de um 4x4x2 extremamente moldável, consoante a equipa estivesse em posse de bola ou a defender. Com Fucile na esquerda para travar Di María ou Reyes, Fernando à frente da defesa para encurtar o espaço de acção de Aimar (tarefa que, neste momento parece impossível de executar por Guarín e que retiraria Raúl Meireles das transições rápidas que o treinador portista tanto aprecia), Tomás Costa imbuído de travar as subidas de Leo para que Sapunaru tivesse apenas de se preocupar com Reyes, o combate a meio-campo estava ganho, em termos práticos, uma vez que ainda sobrava Lucho e Meireles para a luta directa, tanto ofensiva como defensiva, com Carlos Martins e Yebda, ainda demasiado "verdes", na minha opinião, para conseguir dar seguimento ao sistema que Quique pretende impor.
É indiscutível que o penalty marcado aos 10 minutos deu ao FC Porto uma margem de manobra e um conforto que não teria tido, possivelmente, se não tivesse logrado colocar-se em vantagem tão cedo. Seja como for, tenho de admitir que Rodríguez foi quase sempre uma dor de cabeça para a defesa benfiquista, com as suas constantes diagonais para o centro do terreno e/ou subidas pelo flanco, sendo que Lisandro fez mais uma exibição muito bem conseguida, dando trabalho de sobra aos centrais benfiquistas e Lucho deambulou por todo o terreno, ofereceu boas combinações aos seus companheiros, deu uma ajuda a defender, sofreu e marcou o penalty e mostrou que qualquer dependência de Quaresma era mera fantasia. Confesso-me curiosíssimo por saber até que ponto a estratégia de Jesualdo frente ao Arsenal daqui por três semanas se revelará acertada. Todos nós acertamos uma vez. Os bons acertam mais do que erram.
Monday, May 19, 2008
Um Porto de férias e um treinador ausente
Não, o primeiro post deste blog não será para maldizer as equipas que jogam para o resultado nem para afirmar verdades balofas sobre como o futebol deveria ser espectáculo, especialmente em jogos de Taça. Por mais que me agrade a componente dos golos, no futebol, não é ela que me mantém constantemente colado ao ecrã da televisão (para mal dos pecados das várias pessoas que coabitam comigo).
Antes de mais, a ressalva fundamental: é sempre muito mais fácil falar de fora do que estar no banco ou em campo. Dito isto, há algumas questões que me parecem fundamentais no jogo de ontem. Comecemos então pela primeira:
1) O onze titular. Se é verdade que os jogadores sozinhos não ganham jogos, poderemos depreender que os onzes escalados de início tão pouco levarão às vitórias. No entanto, há alguns aspectos que me parecem aplicar-se vezes sem conta. Com efeito (e nisso Jesualdo Ferreira parece ter algumas dificuldades), um onze pode esconder tanto quanto pode revelar. Regra geral, o FC Porto das últimas duas épocas tende a alterar não só a sua forma de jogar, como também o seu onze titular, dando logo a entender uma adaptação (a meu ver) exagerada ao adversário, quase como se fosse mais importante não perder do que ganhar. Por melhor que qualquer táctica seja no papel, são os jogadores que a têm de sentir e intepretar; esse sentimento e interpretação são influenciados, entre outros, por factores motivacionais. Como tal, é mais do que natural que tanto os adversários como os próprios jogadores do FC Porto retirem as suas ilacções. Enquanto que o Sporting se apresentava com o seu onze na máxima força, o FC Porto mostrava-se preocupado com as incursões de Abel (colocando João Paulo à esquerda, uma adaptação que dificilmente funcionará satisfatoriamente) e lançava Mariano González, um jogador voluntarioso mas que não poderá nunca fazer parte dade uma equipa titular que queira ganhar finais, no lugar de Tarik, esse sim, bastante mais fadado para os grandes momentos.
2) Embora Jesualdo Ferreira pareça não compreender, a alteração de uma simples pedra altera equilíbrios e processos numa equipa, especialmente quando essa equipa esteve habituada a iniciar as suas jogadas de ataque pelas alas (por Bosingwa e Fucile) ao longo de toda a época. O mesmo tinha acontecido em Gelsenkirchen e Londres, com os mesmos resultados: uma avalancha ofensiva do adversário, dados os constantes desentendimentos e desequilíbrios provocados por jogadores com características e funções específicas demasiado diferentes dos habituais titulares. Por conseguinte, não surpreendeu ninguém que o FC Porto tivesse passado uma grande parte da primeira metade a encontrar-se defensivamente e a perder-se no ataque.
3) O ataque não existiu, pura e simplesmente, à parte alguns fogachos individuais. Lucho parecia algo deslocado e surpreendido com tudo o que ia acontecendo nas suas costas e Raúl Meireles fazia os possíveis e impossíveis para ajudar João Paulo a defender (uma vez que este tinha tendência ou instruções para se encostar aos dois centrais) e para dar uma "perninha" no ataque, uma vez que Mariano é e será sempre Mariano (um suplente esforçado, no máximo) e Quaresma é... Quaresma. Ou seja, não havia as habituais transições ofensivas rápidas, de que Jesualdo tanto gosta, pois não havia quem as executasse. Fucile tem momentos de caos táctico, para além das constantes perdas de bola supérfluas de Quaresma no meio do campo, com a equipa balanceada para a frente, João Paulo não estava ali para passar a linha do meio-campo e Lisandro estava preso entre os centrais.
4) Quaresma merece uma secção só para si. Não sei o que lhe passa pela cabeça: se são os constantes burburinhos sobre transferências milionárias, se é um egocentrismo desmesurado que ninguém contraria, se é "perrice" por os holofotes penderem actualmente mais sobre Lucho e Lisandro, mas o facto é as suas exibições são de bradar aos céus. Desconcentrado, parecendo viver num universo paralelo (o que tem bastante mais de mau do que de bom), aliena-se constantemente das consequências que as suas acções poderão ter para a sua equipa, havendo pelo menos três situações claras de perigo eminente para Nuno graças às suas perdas de bola infantis. Compreendo com dificuldade o estado de graça de que Quaresma parece usufruir. Com 24 anos, ainda não aprendeu os timings de quando deve passar, fintar, rematar ou simplesmente não perder a bola. Ao contrário de Cristiano Ronaldo (note-se que, quando os dois surgiram, eu afirmei que dava muito mais por Quaresma do que por Ronaldo), parece ter aprendido pouco e com pouca vontade de melhorar o seu jogo para a equipa. E assim se perde um talento potencial... Bem sei que um talento destes pode resolver um jogo, mas, ao fim de mais de 90 minutos de jogo, o que esperava Jesualdo para retirar de campo um ineficiente e aparentemente desalentado Quaresma?
5) Por último, que o texto já vai longo, Raúl Meireles. Um médio que cumpre muito bem as funções de número 8 no 4x3x3 desenhado por Jesualdo, mas que raramente parece aguentar 90 minutos de futebol intenso. Ainda assim, fez várias posições e nem mesmo quando rebentou por completo, gritando de forma sonora ao efectuar um corte em esforço absoluto, teve direito à substituição. É-me difícil entender a razão para tal, pois só vejo duas hipóteses: ou Jesualdo acha que o banco que tem (criado à sua imagem, com "jogadores altos e possantes", como pedira) não é capaz de render o onze titular ou o conceito inicial estava à partida errado, uma vez que uma equipa não pode viver apenas de Bolattis e Kazmierczaks, como ontem se viu. E o Porto acabou a época a jogar sem reforços, à excepção de Mariano González, e sem capacidade de segurar a bola.
Antes de mais, a ressalva fundamental: é sempre muito mais fácil falar de fora do que estar no banco ou em campo. Dito isto, há algumas questões que me parecem fundamentais no jogo de ontem. Comecemos então pela primeira:
1) O onze titular. Se é verdade que os jogadores sozinhos não ganham jogos, poderemos depreender que os onzes escalados de início tão pouco levarão às vitórias. No entanto, há alguns aspectos que me parecem aplicar-se vezes sem conta. Com efeito (e nisso Jesualdo Ferreira parece ter algumas dificuldades), um onze pode esconder tanto quanto pode revelar. Regra geral, o FC Porto das últimas duas épocas tende a alterar não só a sua forma de jogar, como também o seu onze titular, dando logo a entender uma adaptação (a meu ver) exagerada ao adversário, quase como se fosse mais importante não perder do que ganhar. Por melhor que qualquer táctica seja no papel, são os jogadores que a têm de sentir e intepretar; esse sentimento e interpretação são influenciados, entre outros, por factores motivacionais. Como tal, é mais do que natural que tanto os adversários como os próprios jogadores do FC Porto retirem as suas ilacções. Enquanto que o Sporting se apresentava com o seu onze na máxima força, o FC Porto mostrava-se preocupado com as incursões de Abel (colocando João Paulo à esquerda, uma adaptação que dificilmente funcionará satisfatoriamente) e lançava Mariano González, um jogador voluntarioso mas que não poderá nunca fazer parte dade uma equipa titular que queira ganhar finais, no lugar de Tarik, esse sim, bastante mais fadado para os grandes momentos.
2) Embora Jesualdo Ferreira pareça não compreender, a alteração de uma simples pedra altera equilíbrios e processos numa equipa, especialmente quando essa equipa esteve habituada a iniciar as suas jogadas de ataque pelas alas (por Bosingwa e Fucile) ao longo de toda a época. O mesmo tinha acontecido em Gelsenkirchen e Londres, com os mesmos resultados: uma avalancha ofensiva do adversário, dados os constantes desentendimentos e desequilíbrios provocados por jogadores com características e funções específicas demasiado diferentes dos habituais titulares. Por conseguinte, não surpreendeu ninguém que o FC Porto tivesse passado uma grande parte da primeira metade a encontrar-se defensivamente e a perder-se no ataque.
3) O ataque não existiu, pura e simplesmente, à parte alguns fogachos individuais. Lucho parecia algo deslocado e surpreendido com tudo o que ia acontecendo nas suas costas e Raúl Meireles fazia os possíveis e impossíveis para ajudar João Paulo a defender (uma vez que este tinha tendência ou instruções para se encostar aos dois centrais) e para dar uma "perninha" no ataque, uma vez que Mariano é e será sempre Mariano (um suplente esforçado, no máximo) e Quaresma é... Quaresma. Ou seja, não havia as habituais transições ofensivas rápidas, de que Jesualdo tanto gosta, pois não havia quem as executasse. Fucile tem momentos de caos táctico, para além das constantes perdas de bola supérfluas de Quaresma no meio do campo, com a equipa balanceada para a frente, João Paulo não estava ali para passar a linha do meio-campo e Lisandro estava preso entre os centrais.
4) Quaresma merece uma secção só para si. Não sei o que lhe passa pela cabeça: se são os constantes burburinhos sobre transferências milionárias, se é um egocentrismo desmesurado que ninguém contraria, se é "perrice" por os holofotes penderem actualmente mais sobre Lucho e Lisandro, mas o facto é as suas exibições são de bradar aos céus. Desconcentrado, parecendo viver num universo paralelo (o que tem bastante mais de mau do que de bom), aliena-se constantemente das consequências que as suas acções poderão ter para a sua equipa, havendo pelo menos três situações claras de perigo eminente para Nuno graças às suas perdas de bola infantis. Compreendo com dificuldade o estado de graça de que Quaresma parece usufruir. Com 24 anos, ainda não aprendeu os timings de quando deve passar, fintar, rematar ou simplesmente não perder a bola. Ao contrário de Cristiano Ronaldo (note-se que, quando os dois surgiram, eu afirmei que dava muito mais por Quaresma do que por Ronaldo), parece ter aprendido pouco e com pouca vontade de melhorar o seu jogo para a equipa. E assim se perde um talento potencial... Bem sei que um talento destes pode resolver um jogo, mas, ao fim de mais de 90 minutos de jogo, o que esperava Jesualdo para retirar de campo um ineficiente e aparentemente desalentado Quaresma?
5) Por último, que o texto já vai longo, Raúl Meireles. Um médio que cumpre muito bem as funções de número 8 no 4x3x3 desenhado por Jesualdo, mas que raramente parece aguentar 90 minutos de futebol intenso. Ainda assim, fez várias posições e nem mesmo quando rebentou por completo, gritando de forma sonora ao efectuar um corte em esforço absoluto, teve direito à substituição. É-me difícil entender a razão para tal, pois só vejo duas hipóteses: ou Jesualdo acha que o banco que tem (criado à sua imagem, com "jogadores altos e possantes", como pedira) não é capaz de render o onze titular ou o conceito inicial estava à partida errado, uma vez que uma equipa não pode viver apenas de Bolattis e Kazmierczaks, como ontem se viu. E o Porto acabou a época a jogar sem reforços, à excepção de Mariano González, e sem capacidade de segurar a bola.
Subscribe to:
Posts (Atom)