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Friday, April 10, 2015

FC Porto x Bayern de Munique: Antevisão

O confronto que oporá FC Porto e Bayern de Munique será interessante pelos mais diversos motivos, não sendo de todo descabido imaginar mesmo adeptos de outras equipas portuguesas colados aos ecrãs das suas televisões na próxima quarta-feira, seja para verem a aniquilação dos seus rivais, uma equipa portuguesa a tentar contrariar o favoritismo de um clube de outro porte ou apenas uma entusiasmante partida de futebol num quente serão de Primavera - afinal de contas, a quintessência da Liga dos Campeões.


  • Ser ou não ser

Julen Lopetegui começou a trabalhar no seu modelo de jogo no início do passado mês de Julho. Passou as primeiras semanas da época a implementar o núcleo das suas ideias e tirou proveito da pausa de Inverno da Liga dos Campeões para fazer algo mais do que apenas permitir que a sua equipa jogasse e recuperasse para o encontro seguinte.

As suas ideias de privilégio da posse de bola são bem conhecidas de todos, com todas as suas virtudes e defeitos. E é precisamente neste entroncamento que o jogo contra o Bayern de Munique coloca um sério dilema: os alemães serão porventura uma das equipas menos aconselháveis de defrontar neste momento com um modelo de jogo baseado na posse de bola e, por outro lado, o Bayern de Munique tem demonstrado que as suas maiores vulnerabilidades surgem quando o adversário opta por recuar as suas linhas (ainda que sem "estacionar o autocarro"), fechar o centro e apostar em rápidas transições, em particular dos flancos para o centro. O Wolfsburgo executou esse plano na perfeição em finais de Janeiro e foi devidamente recompensado com uma impressionante vitória por 4-1.

A chave residirá nesta questão que se coloca ao leitor: manter-se fiel às suas ideias embora estes possam ser precisamente os únicos jogos em que essas mesmas ideias poderão ser prejudiciais ou mudar radicalmente de abordagem e arriscar o surgimento da dúvida na mente dos jogadores antes ainda do primeiro toque na bola? A resposta será certamente um dos aspectos mais interessantes do encontro.


  • Frinchas na armadura

Se fosse um homem dado ao jogo, apostaria que Lopetegui permanecerá fiel aos princípios que tem vindo a tentar transmitir aos seus comandados. Partamos do pressuposto por um momento de que esse será o caso e analisemos em maior pormenor as potenciais vulnerabilidades do FC Porto.

A primeira tem necessariamente que ver com a primeira fase de construção. Os dragões gostam de sair a jogar desde trás, mas têm deixado algo a desejar nas partidas contra adversários mais fortes, com os defesas centrais e o guarda-redes Fabiano como principais vítimas. Na eliminatória anterior contra o Basileia, por exemplo, embora a equipa suíça tenha acabado por ser engolida pelo maior poderio futebolístico portista, o FC Porto patenteou enormes dificuldades em sair a jogar ao longo dos primeiros 15 minutos, vendo-se obrigado a recorrer a passes longos para contornar a pressão.

Muito embora o Bayern de Munique não esteja neste momento tão implacável como chegou a ser, por exemplo, quando demoliram a Roma no Stadio Olimpico no passado outono, Pep Guardiola terá certamente constatado esse facto e poderá efectivamente basear a sua estratégia no ataque à defesa do FC Porto nos primeiros minutos no sentido de tentar marcar um golo e reter o controlo ao longo das duas mãos.

Por outro lado, embora seja verdade que Lopetegui logrou melhorar a reacção da sua equipa à perda da bola, a equipa parece ainda algo frágil quando forçada a assumir-se em organização defensiva, com Casemiro a mostrar-se por vezes incapaz de tomar a melhor decisão e tanto Óliver Torres como Herrera a demorarem aqui e ali demasiado tempo a adoptarem as devidas posições de cobertura, especialmente para uma equipa do calibre do Bayern de Munique.

Partindo do princípio de que a equipa alemã jogará muito provavelmente com Robert Lewandowski como ponta-de-lança e Mario Götze e Thomas Müller actuando como avançados interiores, os espaços à frente da defesa do FC Porto e especialmente à volta de Casemiro serão de primordial importância.


  • A abordagem do Bayern de Munique

Apesar da sua representação em pelo menos parte da imprensa, Guardiola está longe de ser uma figura dogmática. O espanhol afirmou detestar o tiki-taka (uma expressão cunhada por Javier Clemente para descrever os incessantes passes sem objectivo derradeiro) enquanto fim em si mesmo e, ao leme do Bayern de Munique, tem provado ser muito mais pragmático do que lhe era reconhecido.

Na última época, por exemplo, lançou Javi Martínez - que actua geralmente a defesa-central nas equipas de Guardiola - como segundo avançado para contornar a pressão avançada do Borussia de Dortmund e dispor assim de um alvo para os passes longos que se adivinhavam. No passado fim-de-semana, contra o mesmo adversário, o treinador catalão optou por uma abordagem mais igualitária da posse de bola e não teve qualquer pejo em recuar as suas linhas. Na última quarta-feira, contra o Bayer Leverkusen, Guardiola seguiu uma abordagem mista, privilegiando a posse, mas com um risco significativamente menor do que o habitual.

Com tudo isto em mente, restam por conseguinte algumas dúvidas sobre qual será a abordagem do treinador do Bayern de Munique, não falando sequer na disposição táctica em permanente mudança - particularmente dada a recente lesão de Mehdi Benatia.

Fazendo uso do mesmo princípio utilizado mais acima no caso do FC Porto, inclinar-me-ia para crer que os campeões alemães virão ao Porto para tentar elucidar a última equipa invicta da competição de que está a entrar nos ares mais rarefeitos da Europa, em vez de lhe demonstrar demasiado respeito. Um golo marcado cedo ofereceria aos homens de Guardiola a possibilidade de descansar com bola e tempo precioso para uma recuperação menos apressada dos jogadores lesionados.


  • Onde tudo se ganhará e perderá

A derradeira secção abvorda os pontos de vantagem de ambas as equipas, começando pela equipa anfitriã, o FC Porto. Os dragões sofreram um enorme revés quando Jackson Martínez saiu lesionado na retumbante vitória frente ao Basileia e quando Cristian Tello se lesionou na coxa na passada semana instantes antes do encontro frente ao Estoril. Com efeito, o ponta-de-lança colombiano seria extremamente útil para ligar o jogo portista e incomodar os defesas centrais do Bayern de Munique, ao passo que Tello seria o jogador ideal para tirar proveito do muito espaço que o Bayern de Munique deixa com frequência sempre que não consegue abafar o adversário no momento que se segue imediatamente à perda da bola.

Ainda assim, Vincent Aboubakar tem deixado indícios promissores nas últimas partidas e a sua imponente presença física está em linha com algumas das principais dificuldades de Dante e Jérôme Boateng. O vigor do camaronês será certamente necessário para que o FC Porto seja capaz de resistir à iminente pressão germânica.

Por outro lado, esta poderá ser a noite em que ÓIiver Torres mostra de uma vez por todas a uma Europa atenta aquilo de que é efectivamente capaz. O mago espanhol será o homem chave quando o FC Porto recuperar a bola, uma vez que o Bayern de Munique é quase irrepreensível nos segundos imediatos após a perda da mesma. Óliver tem de fornecer consistentemente uma linha de passe no início da transição ofensiva para que os dragões tenham tempo de respirar e oportunidade de ligar o seu jogo. Terá com certeza mais liberdade para encontrar o talentoso Yacine Brahimi (cuja capacidade de jogar em espaços reduzidos será mais necessária do que nunca) se tombar para os espaços ao lado da posição habitual de Xabi Alonso ou Phillip Lahm.

Quanto ao Bayern de Munique, apesar da recente onda de lesões, a ameaça que constituem é evidente. Lewandowski sente-se confortável a jogar de costas para a baliza para abrir espaço às entradas dos seus companheiros de equipa - nada mais, nada menos do que o perigoso Mario Götze e o autointitulado "intérprete de espaço" Thomas Mülller. Embora nenhum deles tenha a mesma capacidade de drible de Arjen Robben ou Franck Ribéry, cuja ausência deixa com certeza o Bayern de Munique mais embotado, ambos demonstram enorme competência para encontrar o mais pequeno rasgo de espaço para se colocarem em posições ideais.

Xabi Alonso é o maestro da equipa e peça fundamental da máquina alemã. O espanhol é mestre nomeadamente em passes longos e precisos, sendo essencial para o futebol fluído que o Bayern de Munique apresenta habitualmente. Boateng, por seu turno, estará provavelmente a desfrutar da melhor época da sua carreira e melhorou drasticamente a sua capacidade de passe, sendo agora capaz de dividir uma equipa adversária em dois com uma simples entrega pelo centro - algo a que os médios do FC Porto terão de prestar atenção.
No entanto, o maior trunfo dos campeões alemães é o colectivo que representam, uma ideia partilhada de jogo segundo os princípios do seu treinador e a capacidade de interpretarem e alternarem entre diferentes organizações táctica num piscar de olhos. O momento da equipa de Guardiola poderá não ser o melhor, mas continua a haver um fio condutor - e o carácter implacável da equipa permite-lhes tirar o máximo proveito de quaisquer fragilidades.


  • Conclusão

O FC Porto tem o hábito de se mostrar à altura das mais exigentes ocasiões – e haverá poucas ocasiões mais exigentes do que esta. Contudo, os dragões também demonstraram por vezes uma tendência para se deixarem deslumbrar quando crêem que um adversário forte está vulnerável, tal como acontece neste momento com o Bayern de Munique.

Se os dragões almejam realmente derrotar esta imponente equipa e passar à eliminatória seguinte, terão de imaginar que Robben, Ribéry, Schweinsteiger, Badstuber, Benatia, Javi Martínez e todos os melhores jogadores do Bayern de Munique estão em campo quando entrarem no impecável Estádio do Dragão. Tudo menos do que isso resultará com probabilidade numa catástrofe. Quanto ao Bayern, os seus jogadores estarão certamente avisados da potencial ameaça que o FC Porto constitui e quererá deixar a sua marca na Europa e vingar a única e inescapável vez que uma equipa portuguesa derrotou o Bayern de Munique - 27 de Maio de 1987, a noite de Rabat Madjer.

Thursday, April 4, 2013

Quartos-de-final da Liga dos Campeões - os gráficos


As partidas desta semana a contar para os quartos-de-final da Liga dos Campeões ofereceram-nos grandes jogos, repletos de acção. São apresentados mais abaixo alguns gráficos interessantes sobre os encontros.

Mandzukic foi fundamental para a constante pressão do Bayern e a sua capacidade de trabalho é de realçar.

O Borussia de Dortmund apenas poderá queixar-se de si próprio por não ter conseguido conquistar a vitória.
Na segunda metade, os comandados de Jürgen Klopp foram mais incisivos na sua pressão e assumiram o controlo.

A pressão incessante do Bayern de Munique trouxe à tona as limitações técnicas de Barzagli, Bonucci e Chiellini.
Note-se como a maioria dos desarmes e roubos de bola não tiveram lugar na zona dos defesas-centrais.

David Beckham foi a surpresa que Carlo Ancelotti decidiu lançar frente ao Barcelona.
Embora não haja muito a apontar ao médio inglês, o seu contributo foi bastante limitado.

Zlatan Ibrahimovic fez um jogo discreto, de acordo com os seus padrões,
mas conseguiu ainda assim apontar um importante golo.


Wednesday, February 20, 2013

FC Porto vence, mas não resolve eliminatória

Equipas e movimentações iniciais


FC Porto e Málaga disputaram um duelo ibérico muito aguardado para decidir qual das equipas seguiria para a fase seguinte da Liga dos Campeões.

Com James Rodríguez sem os índices físicos necessários para iniciar a partida a titular, Vítor Pereira manteve Izmailov no lugar da jovem estrela colombiana e Varela recuperou o seu lugar no onze titular após a boa exibição de Atsu frente ao Beira-Mar. Por seu turno, o técnico do Málaga, Manuel Pellegrini optou por alinhar com Roque Santa Cruz mais adiantado, com Joaquín na sua posição habitual de extremo-direito e Isco à esquerda. Ao centro, Toulalan e Iturra, ex-União de Leiria, travaram uma batalha desigual contra o trio de médios dos visitados - Fernando, Lucho González e João Moutinho.

Os comandados de Vítor Pereira optaram por uma pressão acentuada desde o primeiro apito, tentando sufocar o adversário e fazer passar uma mensagem de domínio. Moutinho ou Lucho eram os primeiros a liderar a pressão assim que Willy Caballero colocava a bola nos pés de um dos centrais, uma vez que os quatro elementos da linha mais recuada do Málaga mostravam sinais de desconforto em posse.

Pellegrini preferiu estranhamente fazer uso de Júlio Baptista ao invés de um terceiro médio, o que acabaria por se revelar relevante. Com Isco a partir da esquerda (embora nunca se tivesse encostado à linha lateral), uma boa parte da ameaça malaguenha foi eliminada, com o treinador argentino a depositar aparentemente a sua confiança numa abordagem mais directa.

Encostado ao flanco esquerdo, Isco deveria acompanhar as investidas de Danilo - algo que não parecia muito interessado em fazer e que viria a abrir enormes buracos, tanto para Danilo como também para Lucho González. Com Izmailov a funcionar com frequência como quarto médio (com uma posição inicial ligeiramente mais aberta), Toulalan e Iturra deram muitas vezes por si assoberbados no centro, com demasiado espaço para cobrir.

Com efeito, ao contrário da maioria dos 4x2x3x1 e 4x4x2, o Málaga apresentou-se de forma surpreendentemente diferente na sua fase defensiva, optando por não formar duas linhas de quatro jogadores, o que ofereceu uma enorme liberdade de movimentos a Moutinho e Lucho e permitiu que os dois médios portistas ditassem o ritmo da partida. O FC Porto dava início às suas movimentações num dos flancos, fazia a bola entrar rapidamente no centro e rodava-a de súbito para a ala contrária, onde se verificaram inúmeras situações de superioridade numérica.

O FC Porto encontrou muito espaço pelo centro contra Toulalan e Iturra

Contudo, apesar de todo o espaço de que os campeões nacionais desfrutaram, não se mostraram capazes de o converter em oportunidades claras de golo, sentindo falta de alguma criatividade ou intensidade pelas alas. Danilo, em particular, pareceu retroceder e não constituiu qualquer ameaça no seu flanco, afunilando ainda mais o jogo portista.

À medida que os minutos iam passando, o Málaga parecia começar a prejudicar-se a si mesmo, mostrando-se um conjunto ainda mais desconjuntado, especialmente nas transições defensivas, com Toulalan e Iturra forçados - ainda e sempre - a cobrir tanto terreno quanto possível, com pouca ajuda dos jogadores mais adiantados do Málaga (quando questionado por este colunista sobre isso mesmo na conferência de imprensa, Pellegrini negou que essa desprotecção tivesse sido decisiva).

A segunda parte não parecia trazer grandes novidades, com o Málaga aparentemente satisfeito com o resultado e pouco interessado em atacar com muitos homens - algo irónico, uma vez que os seus avançados pouco contribuíram na fase ofensiva e ainda menos ofereceram em termos defensivos. James Rodríguez começou a aquecer e, no momento em que foi chamado para entrar em campo, João Moutinho marcou o único golo da partida no seguimento de uma assistência precisa de Alex Sandro. Era praticamente a primeira vez que um médio azul e branco tentava penetrar na grande área e confundir as marcações adversárias.



Os dragões foram mais rápidos e precisos nos dez minutos que se seguiram ao golo, mas a presença em simultâneo de James Rodríguez e Izmailov aniquilou o flanqueamento do jogo portista. A equipa da casa viria a mostrar-se mais perigosa após a entrada de Atsu para o lugar do extremo russo, esticando o jogo e punindo a lentidão de Sérgio Sánchez e De Michelis.

Em resumo, os espanhóis lograram defender-se da maioria dos ensaios do FC Porto pelo centro, mas foram quase inexistentes no ataque. Se pretenderem assumir uma candidatura séria à fase seguinte, terão de elevar a fasquia de forma considerável. Contudo, subsiste a questão: irá o FC Porto recorrer a uma postura mais cautelosa e permitir que o Málaga domine (abrindo desse modo brechas nas suas costas) ou irão os campeões nacionais insistir em sufocar a potencial ameaça ofensiva adversária?

Wednesday, December 5, 2012

Barcelona 0-0 Benfica - Águias eliminadas


Após não conseguir marcar ao Barcelona e a magra vitória do Celtic frente ao Spartak de Moscovo, o Benfica está fora da Liga dos Campeões. Os encarnados foram penalizados pelo desperdício na hora da finalização e terão de continuar a lutar pela conquista de um troféu europeu na Liga Europa.

Com as probabilidades contra si e com uma difícil batalha entre mãos, o Benfica estava obrigado a conseguir pelo menos o mesmo resultado do Celtic contra o Spartak de Moscovo. A sua tarefa foi facilitada em parte por Tito Vilanova, o qual optou por fazer descansar vários jogadores-chave (incluindo Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Dani Alves e Piqué) permitiu que os jogadores da segunda linha acumulassem importantes minutos na Liga dos Campeões sem a inerente pressão do resultado.

A noção de que tal seria proveitoso para a equipa lisboeta foi confirmada assim que o encontro teve o seu início. Ao contrário do que haviam (estranhamente) feito no seu reduto, a equipa portuguesa apresentou-se com uma abordagem de pressão intensa desde os primeiros momentos, encostando o Barcelona às cordas. Com Pinto na baliza no lugar de Vítor Valdés e com uma linha defensiva improvisada, os catalães denotavam dificuldades em sair a jogar, especialmente dada a pressão de Rodrigo, Lima, Ola John e Nolito. Até o jovem André Almeida pressionava alto, acompanhando Alex Song quando este (ou outro centrocampista) recuava para pegar no jogo.

O Benfica pressionou o Barcelona de forma intensa durante toda a primeira parte.

O Benfica mostrava-se sólido e agressivo a nível defensivo, recuperando inúmeras bolas, devido à sua intensidade. A equipa secundária dos vice-campeões espanhóis não tem evidentemente a mesma qualidade das principais figuras e falhava passes com frequência. Para além disso, o Benfica explorava inteligentemente o espaço nas costas dos defesas-centrais, os quais, mantendo-se fiéis aos princípios de jogo da equipa, mantinham uma linha defensiva subida - mas com pouca pressão do seu meio-campo, muitas das vezes.

A primeira oportunidade de golo clara a favor do Benfica surgiu ao minuto 11, com Rodrigo a desmarcar-se nas costas da defesa adversária e a optar de forma egoísta por rematar em vez de encaminhar a bola para Nolito, o qual ficou furioso com o seu companheiro de equipa. O mesmo Nolito tirou um belo cruzamento para o cabeceamento de Lima ao lado, dez minutos volvidos. O Barcelona começava a mostrar os dentes pouco depois ao conseguirem sair do espartilho defensivo que Jorge Jesus havia criado: Matic marcava o médio mais avançado, André Gomes seguia o centrocampista mais recuado, mas o terceiro médio (geralmente Sergi Roberto) ficava sempre livre para recolher a bola e passar pelo meio-campo benfiquista, conforme ficou patente nas oportunidades aos minutos 23 e 24.

O Barcelona conseguiu muitas vezes libertar-se
com simples triangulações,
particularmente durante a segunda parte.
O Barcelona encontrou muito espaço atrás de Matic e André Gomes.

No entanto, o Benfica manteve o pé no acelerador e insistiu em atirar-se para a frente - quase recolhendo a recompensa do seu arrojo, com Lima a acertar no poste ao 31º minuto, após o ressalto do bom carrinho de Adriano ter ido parar fortuitamente aos pés do avançado brasileiro. Alguns minutos mais tarde, Lima faria um excelente passe longo a toda a largura do terreno na direcção de Ola John, o qual venceu a oposição do seu adversário, permitindo contudo mais uma boa defesa de Pinto. Sempre que os comandados de Jorge Jesus orientavam a bola para as alas, os adversários soçobravam.


  • Segunda parte


A segunda metade do encontro foi bastante diferente. A equipa da Luz começou a acusar o cansaço e a sua pressão foi menos eficaz. Como tal, o Barcelona teve maiores facilidades em fazer vingar o seu jogo de posse e encontrar as fragilidades benfiquistas. Com Ola John e Nolito a oferecerem cada vez menos protecção aos seus laterais, Tello teve imenso espaço para ultrapassar Máxi Pereira, o qual pareceu perder a calma por uma ou duas vezes, mas acabou por conseguir manter a compostura. Por outro lado, Lima e Rodrigo permaneciam em zonas avançadas do campo, o que permitia que o trio composto por Song, Sergi Robert e Thiago Alcântara tivesse o espaço e tempo necessários para escolher o melhor destino para os seus passes. Felizmente para o Benfica, o timing do último passe deste grupo de jogadores é menos preciso do que o habitual, permitindo ao Benfica fazer uso do fora-de-jogo com sucesso.

Messi entrou aos 58 minutos (com David Villa a deslocar-se para a direita) e arrancou imediatamente várias faltas à entrada da área - encontrando igualmente espaço para desmarcar Villa e Tello. O próprio Messi viria a ter uma excelente oportunidade para marcar, mas a corajosa saída de Artur evitou o pior para o Benfica, com o mago argentino a sair lesionado após esse duelo. Por essa altura, já o Benfica havia mudado para um 4x3x3, com Matic atrás de André Almeida e André Gomes, e Bruno César e Ola John nas alas no apoio a Cardozo.

O Benfica desperdiçou uma extraordinária oportunidade não só de vencer em Nou Camp, mas também de progredir para a fase seguinte da competição. A equipa portuguesa beneficiou de uma tempestade perfeita, com o Barcelona a apresentar uma equipa recheada de jogadores jovens e segundas linhas. Os encarnados apenas poderão queixar-se de si mesmos por não marcarem pelo menos umas das diversas oportunidades de que dispuseram. Espera-os a Liga Europa - e nova possibilidade de conquistar um troféu europeu.

Friday, October 5, 2012

FC Porto conquista vitória com exibição dominadora


Equipas e movimentações iniciais

No primeiro jogo no seu estádio a contar para a Liga dos Campeões, o FC Porto apresentou-se de forma dominante contra o principal adversário do seu grupo. Vítor Pereira optou por Danilo, Fernando e Varela em detrimento de Miguel Lopes, Defour e Atsu, respectivamente. O treinador do Paris Saint-Germain, Carlo Ancelotti, não efectuou grandes alterações no seu onze, com Ménez junto a Ibrahimovic e Nenê por trás dos dois jogadores mais avançados.

Não é todos os dias que se vê uma equipa portuguesa a assumir o papel de favorita, particularmente na Liga dos Campeões e contra um conjunto recheado de estrelas, como o Paris Saint-Germain. Aparentemente nada impressionados com os valores financeiros patentes em toda a imprensa ao longo dos dias anteriores, os comandados de Vítor Pereira mostraram-se decididos a colocar os parisienses em dificuldades e comprovaram a sua evolução desde a temporada transacta (e desde o último encontro contra o Rio Ave).

Os dragões apresentaram uma linha defensiva bastante subida, muito provavelmente com o intuito de impedir que Ibrahimovic jogasse demasiado próximo da grande área do FC Porto, acreditando que nem Ménez nem Nenê constituiriam grande perigo em penetrações vindas de trás. Quanto ao Paris Saint-Germain, a ordem passava por assumir um bloco baixo e aguardar que a pressão portista inicial acabasse por desvanecer com o tempo.

Frente ao 4x3x1x2 do adversário (com Nenê a actuar por trás de Ibrahimovic e Ménez), os campeões portugueses acentuaram ainda mais as suas habituais características ofensivas, explorando e criando situações de superioridade numérica nas alas - nomeadamente (e de forma quase exclusiva) a esquerda. Com James a vaguear entre o centro e a direita e com Varela na esquerda, o FC Porto insistiu no seu lado esquerdo com Alex Sandro, Moutinho e Varela. Com a largura natural oferecida por este último, o meio-campo em losango de Ancelotti ficava demasiado aberto para conseguir dar resposta às ofensivas.

O desenho da jogada era simples e prolongou-se durante quase todo o encontro. Alex Sandro iniciava a movimentação em zonas mais avançadas (próximo da linha do meio-campo), ocupando mediatamente  Chantôme (o qual, verdade seja dita, raramente jogou em áreas mais interiores, como deveria ter feito). Varela era marcado por Van der Wiel e Verratti surgia a marcar Moutinho, receoso que o médio português tomasse conta do centro - acabando por abrir o meio do campo a James ou Lucho. Com a mesma movimentação e algumas triangulações, a equipa portuguesa criou uma chuva de oportunidades de golo.

O típico movimento do FC Porto pela esquerda.
Verratti foi desposicionado de forma demasiado fácil.

Com o contributo defensivo diminuto de Ibrahimovic e Ménez e com Nenê a actuar de forma intermitente, o FC Porto teve frequentemente liberdade de jogar a seu bel-prazer no flanco esquerdo ou pelo centro, uma vez que a ajuda de Matuidi ou dos defesas-centrais chegava sempre (muito) tarde. Como tal, não será um grande risco dizer que os mais de 20 remates à baliza de Sirigu davam muitas vezes origem 'a oportunidades claras. No que diz respeito ao plano de ataque do Paris Saint-Germain, na maioria dos casos, não parecia haver nenhum, para além de esperar que o rebelde atacante sueco sacasse um dos seus coelhos da cartola (o que quase resultou à passagem do 11º minuto, após um toque de calcanhar em estilo).

O único momento em que os parisienses se assumiram como uma ameaça efectiva foram os primeiros 10 minutos da segunda parte, altura em que os médios do FC Porto perderam as suas coordenadas e se mostravam demasiado sôfregos em chegar ao golo, quase sendo castigados pelo atrevimento. Contudo, a calma de Lucho e a resistência de Moutinho devolveram a ordem aos dragões e estes puderam retomar as suas intenções.

Não obstante todas as oportunidades desperdiçadas, o FC Porto foi um justo vencedor - de tal forma que poderá vir a arrepender-se de não ter marcado mais. O golo de James Rodríguez poderá ter chegado tardiamente para os adeptos portistas, mas significou que os três pontos permaneceriam no Dragão. Após as últimas vitórias sucessivas, esperava-se muito mais do Paris Saint-Germain, equipa que apenas poderá queixar-se de si própria. Na verdade, dar-se-ão por satisfeitos por regressarem a Paris apenas com um golo sofrido. Por outro lado, é difícil entender por que motivo Ancelotti, geralmente exímio na sua leitura de jogo, não contrapôs qualquer solução para contrariar a vantagem natural do seu adversário nas alas.

Friday, April 6, 2012

Benfica - o que melhorar para a próxima época?


É sempre difícil, arriscado e talvez injusto analisar os pontos a melhorar numa equipa que alinhou sem nenhum dos seus defesas-centrais e que estava com dois golos de desvantagem (no conjunto das duas mãos da eliminatória) quando um dos seus melhores jogadores foi expulso. Ainda assim, embora os encarnados tenham saído de Stamford Bridge de cabeça erguida, é precisamente isso que vamos fazer - porque há pormenores que podem - e devem - ser corrigidos, apesar da atitude guerreira do onze benfiquista.

Chelsea e Benfica ofereceram um espectáculo palpitante na passada quarta-feira, num encontro que apuraria o próximo adversário do Barcelona nas meias-finais da Liga dos Campeões. À imagem do que tinha acontecido na partida contra o Sporting de Braga, as águias não se importaram de partir o jogo ao meio, de modo a tirar proveito da lentidão da defensiva contrária. Como tal, ninguém terá sido surpreendido ao assistir, tal como no jogo contra os bracarenses, a um encontro recheado de oportunidades de golo, grandes defesas dos guarda-redes e um público da casa com os nervos à flor da pele.

No presente texto, iremos debruçar-nos sobre 3 questões particulares: posicionamento defensivo, situações defensivas de bola parada e transições defensivas. É justo dizer que o Benfica não teve a sorte do seu lado nos dois jogos, mas não é menos verdade que as equipas mais fortes da Liga dos Campeões tendem a castigar adversários com menor potencial precisamente nesses "detalhes" de menor importância, à primeira vista. Se as águias têm como objectivo capitalizar a experiência adquirida ao longo desta época, deverão ser suficientemente humildes para reconhecer que existe uma diferença considerável entre o futebol português e a prova mais importante a nível europeu - quanto mais depressa o admitirem, mais rapidamente se tornarão um clube a ter em conta por mérito próprio.

1. Posicionamento defensivo. O Benfica é muitas vezes louvado pelo seu implacável futebol de ataque, uma abordagem que quase teve a sua recompensa na passada quarta-feira. No entanto, uma boa cobertura e posicionamento defensivos constituem uma base em que qualquer clube com aspirações de grandeza deve assentar. Independentemente dos danos que tanto Bruno César como Maxi Pereira possam infligir no campo do seu adversário, é igualmente importante que sejam capazes de dominar as suas tarefas defensivas - algo em que nem sempre têm sido bem sucedidos ao longo desta temporada.

Maxi Pereira sobe para marcar Kalou, acabando por ficar lado a lado com Bruno César.
Note-se o espaço nas costas dos dois jogadores, com uma cobertura reduzida por parte de Javi García.

Kalou desmarca-se com uma simples "tabela". Javi García já vai atrasado para fazer a cobertura.


2. Situações defensivas de bola parada. É do conhecimento público que o Benfica semeia o caos com os seus lances de bola parada na zona ofensiva, mas é menos consesual que os comandados de Jorge Jesus são extremamente vulneráveis quando no outro lado da barricada. Recentemente, os vice-campeões nacionais sofreram golos neste tipo de jogada contra o FC Porto e Sporting de Braga (referindo apenas os jogos de maior dimensão) e, no último encontro, foram felizes ao não verem o Chelsea a marcar a partir de cantos, em particular. Apesar das recentes alterações promovidas por Jesus ao nível da marcação zonal, subsistem ajustes a fazer no sentido de vencer equipas mais fortes.

O Benfica insistiu em concentrar um grande número de jogadores na zona do primeiro poste.
Como resultado, David Luiz acaba por ficar sozinho, sem qualquer marcação. Note-se o espaço no segundo poste.

Após um mau alívio, Luiz recebe a bola sem marcação e quase sem oposição.
Capdevila acabou por evitar males maiores, nesta ocasião.

3. Transições defensivas. Muito provavelmente, o aspectomais importante no futebol moderno. A maioria das equipas sabe que é necessário retirar a bola da zona de pressão a seguir à sua recuperação, uma vez que não é expectável que os adversários tenham o mesmo número de jogadores no lado fraco (longe da bola). Os jogadores estão cada vez mais cientes de que a bola tem de rodar de um lado para o outro - de preferência de forma rápida -, no sentido de encontrar uma brecha. A questão que tende a separar as equipas nos dias que correm é a reacção ao momento em que perdem a bola. É verdade que não se trata de algo que apareça nos resumos, mas veja com os seus próprios olhos e analise com mais atenção. O facto de as melhores equipas serem geralmente as mais eficazes nas transições defensivas não pode ser coincidência - ou acha mesmo que o mérito do Barcelona (por exemplo) se baseia apenas no ataque?

Bruno César e Maxi em zonas avançadas do terreno. Nenhum deles faz falta para parar o contra-ataque.
O Benfica está prestes a ter sete jogadores à frente da linha da bola.
 
Javi García (o pêndulo da equipa, de punho fechado) faz a intercepção segundos mais tarde
e diz aos seus colegas que deveriam ter "matado a jogada" quando tiveram a oportunidade.

Note-se a diferença em situação inversa. Artur acaba de entregar a bola para um rápido contra-ataque.
Apercebendo-se de quantos jogadores do Chelsea estão à frente da bola,
Lampard faz rapidamente falta para parar a jogada.

Conclusão. Tudo isto que aqui foi escrito pode ser encarado como algaraviada táctica, mas, muitas das vezes, estes momentos são decisivos para o resultado de um determinado jogo. Embora o Benfica seja capaz de contornar a sua desatenção defensiva na maioria dos jogos do campeonato português, a Liga dos Campeões é muito mais competitiva - e os "tubarões" não se importam de esperar pelas suas presas.

Monday, March 26, 2012

Benfica-Chelsea: antevisão



Benfica e Chelsea defrontam-se amanhã na primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, num embate que poderá revelar-se extremamente interessante e imprevisível. São apresentados mais abaixo alguns motivos que poderão explicar por que motivo uma destas equipas passará à fase seguinte.


3 motivos para a vitória do Chelsea

1) Resiliência. Se a partida contra o Nápoles nos ensinou algo, foi que esta equipa não é tão fraca quanto a maioria de nós parece pensar e que ainda tem algo a mostrar. Os jogadores do núcleo duro do Chelsea são vencedores de outras batalhas, capazes de reunir as suas forças quando necessário – os encontros contra o Valência e o Nápoles deverão ser um aviso às hostes encarnadas.

2) Uma tendência para atacar pelo centro. Apesar da mais recente (e ligeira) mudança de ideias de Roberto Di Matteo, Sturridge ocupa habitualmente o lado direito, com tendência para flectir para dentro (ou na esquerda, onde é claramente menos eficaz). Mata, partindo tradicionalmente da asa esquerda, tem igualmente tendência para procurar zonas mais interiores e Drogba é um monstro competitivo que prospera com bolas longas – a alternativa escolhida pelo Chelsea nos últimos jogos. Dado que as águias tendem a deixar o centro do terreno para Javi García de forma quase exclusiva, esta poderá ser uma boa opção para o onze inglês.

3) Um meio-campo mais compacto. Se é verdade que o Chelsea ataca pelo centro, não é menos verdade que defendem melhor nessa zona. Embora ainda esteja distante do que já foi, Essien está cada vez mais próximo dos seus níveis físicos de outrora. Por seu turno, Lampard tem jogado mais recuado do que costumava fazer, mas ainda é capaz de distribuir longas bolas diagonais por cima da última linha contrária, algo a que o Benfica é por vezes vulnerável.


3 motivos para a vitória do Benfica

1) Movimento ofensivo. A abordagem do Benfica passa sempre por lançar vários homens da frente de ataque, mesmo quando essa opção não é necessariamente a mais aconselhável. Nesse aspecto, Gaitán, Bruno César, Nolito e Maxi Pereira são exímios a criar situações de superioridade numérica nas alas e realizar penetrações em "tabelas". Embora alguns membros do plantel do Chelsea ainda se lembrem de como defender devidamente, a fluidez do Benfica poderá ser uma tarefa demasiado hercúlea para os londrinos.

2) Marcação individual do Chelsea. A opção preferencial dos blues em situações defensivas de bolas paradas passa pela marcação individual, podendo revelar-se um ponto fulcral de ataque para as águias. A obsessão de Jesus com os esquemas tácticos poderá ser decisiva para desfazer o impasse.

3) Rápidas transições ofensivas. Um dos principais atributos do Benfica reside na sua velocidade vertical, ou seja, a rapidez com que consegue transformar uma situação defensiva numa clara oportunidade de golo para a sua equipa. Ao invés, as transições defensivas são um dos pontos mais fracos do Chelsea, dado que Mata e Sturridge desprezam com frequência as suas tarefas defensivas e apenas Ramires recua. Com Maxi, Witsel e Gaitán, entre outros, a intensidade do Benfica poderá ser o ponto de partida para a qualificação para as meias-finais.

Wednesday, March 7, 2012

Uma estrada de sentido único


O encontro de ontem entre Benfica e Zenit de São Petersburgo assemelhou-se a um déjà vu. Tal como tinha acontecido na partida frente ao FC Porto na fase de grupos, a equipa russa cedeu por completo a iniciativa ao seu adversário, originando uma estrada de sentido único. Mesmo quando se viram a perder e foram forçados a alargar a frente de ataque, os russos não foram capazes de fazer mais de um remate à baliza. Como tal, a análise desta partida abordará algumas questões sobre o Benfica - a única que quis efectivamente jogar futebol - e um pouco sobre o Zenit. Seguem-se cinco pontos sobre o jogo de ontem.

  1. Ao contrário do jogo contra o FC Porto da passada sexta-feira, Jorge Jesus permitiu que Witsel jogasse mais adiantado. Embora isso tenha deixado Javi García em inferioridade numérica na batalha do meio-campo, permitiu que as águias pressionassem em zonas mais adiantadas ao defender e que criassem desequilíbrios nas alas ao atacar. Não foi por acaso que o Benfica passou toda a primeira parte a massacrar o lado esquerdo do Zenit.
  2. Maxi Pereira merece maior reconhecimento. Maxi não o merece pelo golo decisivo que marcou ontem. O uruguaio é capaz de percorrer todo o seu flanco durante o jogo, fazer a sobreposição ao seu extremo, rematar à baliza e, acima de tudo, estar no sítio certo para interceptar uma bola alguns segundos depois. Maxi é definitivamente o motor deste Benfica.
  3. Nélson Oliveira é claramente jogador para este Benfica. Ao tomar notas sobre o jogo durante a primeira parte, dei por mim a rabiscar algo do género "Porque não Nélson Oliveira no lugar do Rodrigo?". Não é minha intenção arrogar-me em profundo conhecedor de tudo o que é futebol, mas o avançado português mostrou no último Campeonato do Mundo de sub-20 que é capaz de batalhar sozinho contra uma defesa inteira, se necessário for. Embora seja tecnicamente menos evoluído do que Rodrigo, é muito mais combativo e intenso, características de que o Benfica necessitava ontem, especialmente quando as atenções estavam concentradas em Cardozo.
  4. Jorge Jesus parece ter finalmente compreendido a necessidade de fechar o jogo, por vezes. Após marcar o primeiro golo, a equipa não pareceu ansiosa por marcar o segundo, o terceiro e o quarto, abrindo com isso brechas nas suas costas. Aliás, os encarnados terão porventura recuado em demasia, mas controlar o jogo é essencial, particularmente na Liga dos Campeões. A entrada de Matic para o lugar de Gaitán foi a prova de que o treinador português é capaz de aprender com os seus erros.
  5. Apesar dos inúmeros jogadores russos na sua equipa, o Zenit é claramente uma equipa italiana. Luciano Spalletti logrou implementar os típicos valores transalpinos na sua equipa, levando-nos de volta aos anos '90, o apogeu do catenaccio. O único problema dessa abordagem reside no facto de, depois de nos vermos a correr atrás da eliminatória, termos em mãos uma equipa planeada e escalada para um empate. Tal como muitos treinadores descobrem mais cedo do que tarde, mudar o chip de uma equipa durante um jogo é uma das tarefas mais difíceis de uma carreira.

Friday, February 24, 2012

Bayern ameaça, mas é o Basileia a concretizar




Basileia e Bayern ofereceram na passada quarta-feira um bom espectáculo, com diversas oportunidades de golo (especialmente na primeira parte), conforme esperado. De inesperado apenas o facto de o marcador não ter sofrido alterações até aos 86 minutos. Os primeiros minutos foram efectivamente intensos, com situações de perigo para ambos os lados.

O duelo táctico correspondeu ao previsto. Sem Schweinsteiger, o Bayern é algo previsível nas suas movimentações a partir do centro do terreno, dependendo em demasia das iniciativas de Ribéry e Robben. Tymoschuk e Alaba iniciaram o jogo sem problemas em assumir uma postura mais defensiva e anular os contra-ataques adversários. Com o seu 4x4x2 estreito, o Basileia não parecia importar-se de ceder a iniciativa de jogo, uma vez que tal ia de encontro à sua estratégia e aos seus trunfos, esperando tirar proveito das costas desguardadas da linha defensiva dos alemães - Streller foi, como sempre, o foco das bolas longas, encaminhando-as a propósito para Sharqiri e Frei.

A equipa suíça pareceu inicialmente surpreendida e os bávaros criaram oportunidades nos primeiros minutos, especialmente através das diagonais curtas de Gomez e Ribéry. Contudo, assim que os defesas-centrais se encontraram, o problema foi sendo resolvido. Na verdade, o encontro chegou a um ponto em que se assemelhou a um jogo de pares, com extremos contra laterais, avançados contra defesas-centrais e médios contra médios. Nenhuma das equipas queria disponibilizar demasiados jogadores para o ataque, com receio de expor as costas.

Tal como aconteceu com o Chelsea no dia anterior, o Bayern deixou demasiado espaço atrás do lateral-direito, o que levou a que Streller tivesse tendência para cair para esse mesmo lado, arrastando um dos defesas-centrais e abrindo espaço para Fabian Frei (excelente no aproveitamento do espaço entre os defesas) ou Alexander Frei. Na verdade, não é fácil compreender por que motivo o clube helvético não insistiu mais nesses lances, uma vez que essa situação incomodava manifestamente a improvisada parceria de Boateng e Badstuber. Por outro lado, tal como o jogo em casa contra o Benfica provou, a forma mais fácil de contrariar este estreito 4x4x2 passa por criar situações de superioridade numérica nas alas, arrastando um dos médios-centro e deixando o centro exposto. Estranhamente, Kroos hesitou em tirar proveito dessa movimentação, o que impedia a libertação de espaços.

Com o Basileia a perder fôlego durante a 2ª parte, o Bayern foi tirando o pé do acelerador, dado que um empate era um resultado satisfatório. Infelizmente para os germânicos, Heiko Vögel acertou em cheio nas substituições, substituindo os exaustos médios-ala por Stocker e Zoua. Estes dois jogadores foram decisivos para o resultado final (não só porque um marcou o golo e o outro fez a assistência) ao trazerem um suplemento de energia e movimentações mais incisivas.

Em última análise, o Bayern arrepender-se-á de não ter marcado qualquer golo e necessitará de algo mais que nem Tymoschuk nem Alaba são capazes de oferecer. Por seu turno, o Basileia, embora tenha marcado em todos os jogos fora na presente edição da Liga dos Campeões, terá de resistir a uma intensa pressão inicial, se pretender passar.

PS: O guarda-redes Yann Sommer  e o lateral-esquerdo Park Joo Hoo deixaram bons indícios que poderão deixar antever voos mais altos.

Wednesday, February 22, 2012

De rastos

O Nápoles venceu ontem o Chelsea por 3-1 e praticamente carimbou a passagem à eliminatória seguinte. Na verdade, dada a situação em que o Chelsea se encontra, é difícil imaginar a equipa inglesa a marcar dois golos sem resposta.


Por vezes, é difícil crer que André Villas-Boas foi durante anos um observador de adversários (e na equipa técnica de José Mourinho). Confrontado com um oponente bastante específico - disposto num 3x4x3 -, o técnico português optou pelo seu mais recente 4x2x3x1, com Meireles e Ramires como duplo-pivô, Mata por trás de Drogba, e Sturridge e Malouda nas alas. Como tal, tanto Sturridge como Malouda se demitiram das suas tarefas defensivas com demasiada frequência e o Nápoles procedeu à sua rotina de criar superioridade numérica nas alas.

Com as subidas de Maggio e Zuñiga e com Hamsik e Lavezzi a não se restringirem às alas, foi difícil entender a abordagem defensiva do Chelsea. Dado que Sturridge e Malouda se mostravam renitentes em assumir uma postura defensiva, Meireles e Ramires eram arrastados para as alas no sentido de tentar estancar a hemorragia e marcar o ala (Zuñiga ou Maggio) ou o extremo (Lavezzi ou Hamsik). Com os dois médios defensivos quase anulados, Cavani e Lavezzi tiveram toda a liberdade de receber a bola e semear o caos na defesa londrina. Como é fácil de concluir, os dois atacantes napolitanos marcaram os três golos e estiveram envolvidos em várias outras jogadas de perigo.

Villas-Boas deveria ter sido fiel ao seu estimado 4x3x3, especialmente se levarmos em conta que nem Ramires nem Meireles constituem necessariamente as melhores escolhas para desempenharem funções num dpulo pivô e que ambos oferecem o seu melhor com a sua llegada à grande área e ao criarem superioridades numéricas a partir do meio-campo. Com esta disposição táctica, não lhes é possível tirar proveito das suas quaildades e Mata é presa fácil para os defesas contrários. Ao optar pelo 4x2x3x1, Villas-Boas ficou impossibilitado de tirar proveito da superioridade numérica que teria no meio do terrno com o seu 4x3x3, o que não deixa de ser estranho.

O Chelsea continua a dar uma imagem de uma equipa à procura de um remédio para todas as panaceias, mas continuam renitentes em fazer coisas simples, desde a formação de uma unidade defensiva coesa a um simples passe de 5 metros. Enquanto jogadores e treinador não aceitarem esse facto, é difícil imaginar os londrinos a manterem o quarto lugar e, com isso, garantirem a presença na próxima edição da Liga dos Campeões.

Thursday, April 2, 2009

Onde reside a força?

Numa declaração proferida esta semana, Carlo Ancelotti, treinador do AC Milan, afirmou algo que reflecte a minha opinião pessoal. Segundo o técnico transalpino, o Liverpool é a equipa mais difícil de defrontar. Ancelotti admitiu que o Manchester United era mais forte, mas que era uma equipa que deixava jogar o adversário, ao contrário dos de Liverpool, que defendem muito bem e têm um contra-ataque quase perfeito, nas palavras do técnico rossonero.

Esta afirmação vem de encontro à minha perspectiva sobre o sorteio da Liga dos Campeões, pois creio que, apesar de o Manchester United ser um adversário temível, tem algumas características que poderão vir a revelar-se favoráveis ao FC Porto ao longo da eliminatória. De todas as equipas presentes no sorteio dos quartos-de-final, o Liverpool parecia-me a mais problemática - por defender muito bem e por apostar num tipo de jogo frequentemente semelhante ao que o FC Porto irá previsivelmente adoptar nesta eliminatória.

Tuesday, September 16, 2008

The Champions

Tem hoje início mais uma edição da Liga dos Campeões. Por mais que os campeonatos nacionais se possam assumir como barómetros das equipas a nível interno, é no cenário europeu que todas as equipas participantes na prova máxima da UEFA querem provar o seu valor. Pessoalmente, para mim começa hoje a época propriamente dita. Acabaram-se as desculpas do pouco tempo do treinador à frente da equipa, o período de adaptação das novas contratações - tudo. A partir de hoje, todos querem saber de resultados. O que nos ditará o futuro?

Espero honestamente que as equipas portuguesas consigam fazer melhor figura do que no ano passado e que seja desta feita que o Sporting consegue transitar para os oitavos-de-final, para que o prestígio do futebol português continue a aumentar e, em última análise, para que as equipas portuguesas sejam cada vez mais colocadas em xeque, de modo a que alguns dos corpos mais estranhos e nocivos do nosso futebol sejam removidos (de forma permanente, esperamos).

Saturday, May 24, 2008

A noite de Ronaldo

A Liga dos Campeões chegou ao fim na noite de quarte-feira, depois de um jogo empolgante e muito bom. Foram quase três horas de incerteza, emoção e oscilações tácticas e não só. As equipas apresentaram-se como se esperava (pessoalmente, fiquei surpreendido com Alex Ferguson, pois não imaginava que se arriscasse a jogar com Rooney e Tévez): o Chelsea no seu habitual 4x3x3, Joe Cole na direita do ataque, Malouda na esquerda e o melhor trio do meio-campo à disposição de Avram Grant - Makelele, Lampard e Ballack. O Manchester United apresentava por seu lado um 4x4x2 (até há pouco tempo, a imagem de marca de Alex Ferguson), com Ronaldo e Hargreaves na esquerda e direita do ataque, respectivamente, e um meio-campo constituído por Scholes e Carrick.

O jogo começou com as coordenadas previsíveis. O Manchester United predispôs-se imediatamente a atacar a baliza do Chelsea, que, por seu turno, se contentava em defender a sua baliza - afinal de contas, uma das suas vocações - e espreitar o contra-ataque de quando em vez. Até marcar o golo, a equipa de Manchester praticou o seu futebol habitual: saídas de bola através dos centrais, com os defesas-laterais a encostarem-se imediatamente à linha do meio-campo, tanto através de passes longos como entregando a bola a Scholes, para que este organizasse o jogo ofensivo da sua equipa. Carrick jogava quase sempre na mesma linha de Scholes (foram várias as vezes em que foi possível ver os dois de perfil, quase), deixando a Ronaldo, na esquerda, as iniciativas ofensivas. Hargreaves cumpria mais uma função neste seu primeiro ano no United, depois de lateral, médio ofensivo e médio de contenção, abrindo espaços na direita tanto para as entradas de Wes Brown, o defesa-direito de serviço, como para as penetrações de Rooney e Tévez. Estes dois atacantes moviam-se na frente do ataque com as características que lhe são conhecidas, deslocando-se tanto para os flancos para servirem de ponto de apoio a Hargreaves ou Ronaldo como recuando no terreno para encararem a baliza de frente. Graças a estas movimentações (e à menor coordenação defensiva de Ballack e Malouda, por exemplo), o Chelsea foi dominado durante 25 minutos, tendo inclusivamente sofrido o primeiro golo de Cristiano Ronaldo, após cruzamento de Wes Brown (de pé esquerdo). Marcado o golo, o Manchester pensou ter o jogo resolvido e deixou de se movimentar conforme o tinha feito até então, passando a apostar mais no trio Ronaldo-Rooney-Tévez, encostando frequentemente Hargreaves ao duo do meio-campo.

Como consequência, o Chelsea foi equilibrando a contenda, com Lampard e Ballack a disporem agora de mais espaço para o seu futebol curto e de variações de flanco. Joe Cole foi continuando a fazer o seu trabalho de sempre, ora progredindo pela ala, ora descaindo para o centro, para que Essien (um mouro de trabalho com uma preparação física impressionante) entrasse em profundidade. Não foi por isso surpreendente que o Chelsea chegasse ao golo, com alguma sorte, diga-se, depois de um remate interceptado de Essien, com Lampard a chegar antes de van der Sar, que havia escorregado. O golo surgiu ao cair do pano da primeira parte, o que alterou radicalmente o que se antevia para a segunda parte.

A segunda parte foi dominada por completo pelo Chelsea, em boa parte graças ao jogo mais próximo do meio-campo do Chelsea e às mais e melhores deambulações de Joe Cole. Drogba, esse, continuava na sua luta incansável no ataque, dando pano para mangas a Ferdinand e Vidic, ao contrário de Malouda, uma absoluta sombra dos seus tempos em Lyon. Assim, e porque Scholes "pedia" a substituição há já algum tempo e porque Carrick se limita a defender, parecendo ter sempre receio de se aventurar em iniciativas ofensivas, o Chelsea foi encostando o Manchester às cordas, criando ocasiões de perigo para a baliza adversária, mas sem conseguir marcar. Drogba conseguiu ainda enviar uma bola ao poste com um remate fantástico, mas insuficiente.

O prolongamento desenrolou-se da mesma forma, mostrando um Chelsea obstinado na sua missão e um Manchester enredado nas suas próprias paredes tácticas, com Rooney e Tévez a perderem fulgor e Hargreaves definitivamente encostado ao meio-campo, dadas as dificuldades em travar Lampard e Ballack. A entrada de Kalou permitiu ao Chelsea ter duas alas durante breves instantes, até à entrada do eternamente inoperante Anelka, um dos maiores bluffs da história do futebol. Lampard teve ainda tempo para enviar nova bola à barra e Drogba conseguiu ser expulso depois de uma escaramuça com Vidic, entre outros, o que teve o condão de despertar a agressividade (a todos os níveis) do Chelsea.

Chegámos assim aos penalties, onde os nervos se revelam e os guarda-redes se podem revelar decisivos. Ronaldo foi o único a falhar, em 9 penalties, e Terry "apenas" tinha de fazer o que lhe competia, o que não conseguiu. Anelka mostrou a sua falta de nervo, ao rematar de forma denunciada e ao vir mostrar-se agastado após o jogo por jogar pouco, fora da sua posição e ainda lhe pedirem para marcar um dos primeiros 5 penalties, o que recusou, por ter entrado há pouco tempo. Com atitudes destas, não admira que alguns marquem e comemorem vitórias, enquanto outros se preocupam com o salário ou minutos de jogo.

Conclusões finais: Avram Grant deverá ter selado em definitivo o seu destino, ao não conseguir ganhar qualquer título, perdendo pelo caminho duas finais que teve na mão (algo impensável até há pouco tempo, para os lados de Stamford Bridge). Abramovich deve estar neste momento arrependido e há algum tempo à procura de um novo timoneiro, depois de ver falhar a sua estratégia (??). Ronaldo conseguiu a sua consagração europeia, apesar de não ter efectuado uma exibição brilhante (não obstante o excelente golo marcado), mostrando todas as suas dificuldades quando marcado por um bom defesa e quando a equipa adversária se mostra inteligente, não lhe oferecendo os espaços de que precisa para se virar para a baliza e embalar. Alex Ferguson ganhou o seu segundo troféu europeu em mais de 20 anos e mostrou que o Manchester esteve este ano uns furos acima do normal, graças também aos muitos milhões de euros dispendidos no defeso.

Creio que, ao fim e ao cabo, este desfecho poderá ser considerado o mais justo, se tivermos em conta as exibições e resultados de ambas as equipas ao longo da época, tendo o Manchester revelado uma maior estabilidade, tanto interna como externa. Veremos dentro de pouco tempo quem será o novo responsável técnico do Chelsea e até que ponto os milhões de Abramovich (que tantos pensavam ser a razão do sucesso de Mourinho) conseguirão fazer novos milagres.

Tuesday, May 20, 2008

Final da Liga dos Campeões: Mourinho continuará ou não a ser o "Special One"?

A Liga dos Campeões tem inúmeros atractivos. É sem dúvida a competição mais apetecível para todos os que têm aspirações a uma conquista gloriosa que deixe o seu nome na história. Pelo lado dos clubes, o prestígio vem acompanhado, em proporção directa, pelo significativo encaixe financeiro, o qual nunca é de todo de desprezar (uma vez que se traduz em maiores receitas directas e indirectas, seja através das bilheteiras com maior afluência no ano seguinte, o aumento das vendas de camisolas com os heróis da final, a possibilidade de contratar estrelas mais cintilantes ou até de conseguir contratos mais vantajosos com os patrocinadores). Por tudo isto, a final da Liga dos Campeões é sempre a quimera que todos pretendem alcançar, especialmente porque a Taça UEFA ficou absolutamente vazia de sentido a partir do momento em que os segundos, terceiros e quartos classificados de muitos países passaram a ter acesso directo ou muito facilitado.

Só assim se explica que esta final vá ser disputada por duas equipas inglesas, uma das quais não venceu o campeonato da época passada, mas isso já pouco importa para este texto. Na minha opinião, parece-me que esta final se divide, mais do que nunca, em várias facções opostas entre si. É certo e sabido que este tipo de jogos atrai muita gente que, regra geral, até nem coloca o futebol na sua lista de prioridades, mas esta partida é diferente.

1) De um lado vão estar todos aqueles que esperam que Cristiano Ronaldo confirme finalmente em plena Liga dos Campeões as diabruras que faz a adversários mais "tenros" e marque um golo à única equipa a quem ainda não o fez. Essas serão as pessoas que, em meados de Junho, estarão a torcer para que nada aconteça ao rapaz-maravilha para que o Europeu possa correr bem a Portugal. No outro lado da barricada, estarão todos aqueles que, apesar dos mais de 60 golos marcados nas duas últimas épocas, ainda acham que Ronaldo é um "bem" algo inflacionado. Por seu turno, estes estarão à espera que Ronaldo falhe rotundamente em mais um momento das grandes decisões para poderem repudiar convenientemente Scolari e o seu séquito.

2) Uma outra batalha prende-se com a eterna questão do futebol espectáculo. O Manchester chegou ao final do campeonato com uma diferença de 19 golos para o Chelsea, o que permite retirar a conclusão lógica que, com o Manchester em campo, há golos pela certa (ainda que nem sempre para o lado que o clube deseja). Ou seja, vai haver quem queira que se faça justiça à equipa que joga sempre para ganhar (e golear, se possível) e haverá quem torça pela antiga equipa de Mourinho, sempre mais "resultadista" - como se diz hoje em dia.

3) Mourinho será sem sombra de dúvida uma das questões centrais deste jogo. Há neste momento meio mundo (essa metade é em grande parte constituída por cidadãos britânicos) ansioso por dizer de sua justiça, caso o Chelsea vença a prova. Se, neste momento, já se ouvem ecos de que foi preciso Mourinho sair para o Chelsea chegar à final da Liga dos Campeões (e para começar a perder finais, já agora), ainda que nas mãos de um treinador sem o grau máximo atribuído pela UEFA, imaginemos o que acontecerá se o Chelsea se sagrar vencedor. Vão chover os habituais chavões de que o dinheiro não é tudo, de que o "português" não passa de um truque publicitário e de que, antes de tratar da imagem, é preciso saber o que se faz como treinador. A outra metade do mundo vai estar certamente a torcer pelo treinador luso, o qual, após sair do FC Porto, passou a estrela nacional, apesar de tanto ter sido criticado enquanto andava por terras nacionais. São essas pessoas que vão torcer, de forma mais ou menos fervorosa, para que o Chelsea perca e Abramovich perceba a frase do mister português quando chegou a Stamford Bridge: "Mr. Abramovich, não precisa de nenhuma estrela para ser campeão. A única estrela sou eu."

Independentemente de todas estas questões, o jogo de amanhã tem tudo para ser um jogo de futebol fantástico, ainda que isso não signifique necessariamente que se trate de um jogo muito vistoso. Ambas as equipas já se conhecem demasiado bem para haver grandes surpresas (ainda que Alex Ferguson padeça de alguma "trenadorite" e tenha uma certa tendência a inovar quando menos se espera) e ambas estarão suficientemente preocupadas em não entregar o ouro ao bandido.

O Chelsea vai provavelmente apostar numa toada de contenção, não só porque é considerado o "patinho feio" da final, mas também porque terá constantemente a preocupação de rodear Ronaldo de homens suficientes que o impeçam tanto de deambular pelo campo como de se virar e ganhar embalo. Além do mais, com homens como Ballack, Lampard, Terry e Drogba, o Chelsea não é famoso pelas suas transições rápidas, mas antes por saber quando desferir o golpe fatal. Não obstante, não tem a mesma estrutura mental que tinha anteriormente e os jogadores parecem efectivamente muito cansados, muito provavelmente pela falta de descanso para tentar chegar ao título no sprint final.

Pelo seu lado, o Manchester já demonstrou estar com "fome de bola". Cristiano Ronaldo vai estar desejoso de provar ao mundo que é o melhor jogador da actualidade e Ferguson não se quer ver a perder. É quanto a mim indiscutível que o Machester ganhou finalmente estatuto de equipa europeia (descolando finalmente do lote do Arsenal, por exemplo, enquanto equipa que promete, mas que não sabe a diferença entre futebol espectáculo e vencer títulos) e que defende bastante melhor hoje do que fazia há um ano atrás, por exemplo. Seja como for, a equipa de Manchester revela sempre algumas dificuldades quando o adversário ataca de forma contínua, mostrando-se frequentemente desorganizada, ao contrário do Chelsea, que, graças aos vários anos com Mourinho, sabe sofrer encostada às cordas e apontar Drogba à baliza adversária em seguida. Foi exactamente o que se viu na meia-final contra o Liverpool.

Para terminar, gostaria apenas de agradecer a vossa participação na mini-sondagem para a final de amanhã e esperar que o jogo seja tão bom como todos esperam. Pela minha parte, posso garantir que estarei colado ao televisor durante pelo menos 90 minutos, ansioso por ver quem cede primeiro.