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Monday, January 28, 2013

Como conseguiu o Benfica vencer o Sporting de Braga?

Dois dias depois do desaparecimento de qualquer réstia de esperança do Sporting de Braga em manter-se na luta pelo título, é chegado o momento de dissecar os motivos que estiveram na origem da superioridade benfiquista ao longo da maior parte do encontro - e por que motivo o onze de José Peseiro é menos sólido do que as mais recentes anteriores versões do Sporting de Braga.


Na última vez que o Benfica saiu vencedor do Estádio Axa, o Braga ainda era orientado por Jorge Jesus. Ao longo das últimas temporadas, as águias encontraram grandes dificuldades em derrubar a muralha defensiva erigida tanto por Domingos como por Leonardo Jardim - dois treinadores conhecidos pelos seus cuidados defensivos (alegadamente uma das razões que levou o despedimento do técnico madeirense do Olympiakos). Por conseguinte, havia alguma curiosidade em torno dos planos de ambos os treinadores - assistiríamos a um duelo de futebol ofensivo ou testemunharíamos ideias mais conservadoras?


  • 1. O 4x3x3.


Sem Cardozo, Lima era o único ponta-de-lança dos encarnados - uma alteração significativa face ao modelo actual. Com a introdução de Gaitán, o Benfica ficou disposto num 4x3x3, com Jorge Jesus a tentar claramente controlar o centro. Matic, Enzo Pérez e Gaitán formavam com frequência um triângulo perfeito. Embora ambos os argentinos tivessem autorização para subir no terreno, Gaitán tinha liberdade para vaguear por onde entendesse, no sentido de sobrecarregar a defesa bracarense - na verdade, acabaria por merecer honras de melhor jogador em campo.

A imagem mostra igualmente que, embora o Sporting de Braga tivesse adoptado uma postura mais expectante do que o habitual, Mossoró e Éder tendiam a permanecer mais adiantados, afastados da luta do meio-campo. Custódio e Hugo Viana, longe de poderem ser considerados jogadores rápidos, eram claramente insuficientes para Matic, Gaitán e Enzo Pérez, já para não falar no movimento de Lima.


  • 2. O 4x1x4x1 em organização defensiva.


Jorge Jesus não só optou por um 4x3x3 em situação ofensiva, como também escolheu uma forma diferente para defender em Braga - neste caso, um 4x1x4x1, forma defensiva típica para equipas que actuam em 4x3x3. Por certo ciente da ameaça que Mossoró constituía, Jorge Jesus não pretendia permitir que o brasileiro assumisse o comando do encontro com rápidos contra-ataques. Com Matic por trás de Enzo Pérez e Gaitán, Jesus garantiu a presença constante de um jogador entre linhas, a zona de maior conforto para Mossoró.

Este simples ajuste impediu que o Sporting de Braga fosse bem sucedido nas suas transições rápidas, particularmente porque Ruben Amorim, Viana, Custódio e Alan (hoje em dia, pelo menos) não são suficientemente rápidos para acompanhar Éder ou Mossoró nas suas investidas. Na verdade, os minhotos conseguiram por diversas vezes fazer chegar a bola a Éder, vendo-se este sozinho e obrigado a rematar, mesmo quando as circunstâncias não eram as melhores.


  • 3. Benfica contorna facilmente a defesa bracarense.

A abordagem mais cautelosa do Sporting de Braga não se traduziu necessariamente num melhor posicionamento defensivo. Com efeito, a equipa da luz não se mostrou particularmente incomodada com a estratégia adversária e encontrou várias vezes formas de a contornar. Neste caso em particular, Lima recua para se afastar do defesa-central (o qual tenta manter-se próximo do avançado) e receber a bola. Lima entrega o esférico ao desmarcado Enzo Pérez, o qual a encaminha por seu turno para Gaitán.


Após entregar a bola a Enzo Pérez, Lima (vermelho) roda rapidamente e explora as costas do seu marcador directo. Sem ninguém a marcá-lo (Viana tenta pressionar em vão Enzo Pérez), Gaitán tem tempo para escolher a melhor opção de passe e isola Lima.


Embora esta jogada específica não tenha originado um golo, é ainda assim um excelente exemplo da forma que o Benfica encontrou para resolver o posicionamento do seu adversário.


  • 4. Salvio, o criativo.

O Benfica dominou o encontro durante aproximadamente 75 minutos. Salvio, nomeadamente, foi um dos principais responsáveis, apesar de ter pela frente Ismaily e Ruben Amorim, supostamente colocado na esquerda para estancar a ameaça que o argentino constituía. Na primeira imagem, a bola chega a Salvio, o qual não perde tempo a endossá-la para Gaitán. O movimento de Lima a desposicionar o defesa-central é extremamente importante. Com Ismaily concentrado em Salvio e o defesa-central em Lima, Gaitán (vermelho) passa por Hugo Viana e recebe a bola no espaço.


Aqui, Gaitán (vermelho) está novamente em condições de escolher a melhor opção de passe. Ao fingir aproximar-se para receber a bola, Lima confunde as marcações adversárias e Salvio (azul) fica livre no centro da grande área.


Não obstante a presença de cinco defesas na sua própria grande área, Salvio conseguirá rematar e recolher o ressalto do seu remate.


  • 5. As más transições defensivas do Sporting de Braga.

Comecemos pelo início. Veja se consegue contar quantos jogadores do Sporting de Braga se encontram dentro ou em redor da grande área benfiquista. Numa jogada potencialmente benéfica, os minhotos envolvem directamente nada menos do que nove jogadores - o que significa que existe apenas um defensor e o guarda-redes atrás desta imagem.



Quando o livre é batido e corre menos bem, o Sporting de Braga tem imediately quatro jogadores à frente da linha da bola, para além de alguns pouco dispostos em recuar a toda a velocidade.


Três segundos após o livre, o Benfica encontra-se já numa situação de superioridade numérica de 3v2. Note-se que a jogada havia sido inicialmente perigosa para o clube da Luz.


Cinco segundos após o livre, esta é situação com que o Sporting de Braga se depara. Gaitán corre desmarcado, com Lima e Ola John à espera do momento certo.


Oito segundos após um livre potencialmente perigoso a favor da equipa minhota, o Benfica está prestes a entrar na grande área adversária. Lima acabaria por marcar o segundo tento encarnado, graças em parte à pressão pouco efectiva de Haas e a uma intervenção menos conseguida de Beto.


  • 6. Sporting de Braga demora a 76 minutos a lançar jogadores na frente.

Após dar por si com uma desvantagem de dois golos e sem grandes oportunidades de voltar ao jogo, o Sporting de Braga pareceu outro no exacto minuto em que João Pedro entrou para o lugar de Ruben Amorim. Foi basicamente a primeira vez que os comandados de José Peseiro insistiram em chegar-se à frente. No caso do golo dos bracarenses, Éder recuou e, ao contrário de situações anteriores, viu alguém explorar o espaço vagado pelo ponta-de-lança. João Pedro (vermelho) ataca inteligentemente o espaço entre o defesa-central e o lateral.


A segunda imagem mostra o sprint sem marcação de João Pedro (vermelho) para chegar ao passe de Éder.


Mantendo a calma sob pressão, João Pedro contorna Artur e introduz a bola na baliza. O Sporting de Braga reduzia a desvantagem para metade, mas era já demasiado tarde.

Sunday, November 25, 2012

Golo tardio de James embala FC Porto para a vitória

Equipas e movimentações iniciais

No seguimento das últimas épocas do Sporting de Braga, este encontro é já considerado um duelo de titãs. A insistência do clube comandado por António Salvador em intrometer-se emtre FC Porto e Benfica na luta pelos lugares cimeiros significa que o Estádio Axa já não é um porto de abrigo para qualque equipa que o visite. A vitória do Benfica frente ao Olhanense no Sábado estava nas cogitações de ambas as equipas e nenhuma poderia dar-se ao luxo de perder pontos, com particular ênfase para os comandados de José Peseiro, já com um défice de seis pontos face aos seus rivais.

Vítor Pereira realizou as alterações esperadas, devolvendo Alex Sandro e Fernando ao onze, nos lugares de Abdoulaye e Defour. As suas escolhas nada tiveram de inesperado, particularmente tendo em conta os minutos que ambos os jogadores acumularam a meio da semana contra o Dínamo de Zagreb. A única alteração do treinador arsenalista em relação à pesada derrota às mãos do Cluj foi a troca de Mossoró por Ruben Amorim.

A primeira foi extremamente vibrante e comprovou uma vez mais os méritos e qualidades de ambas as equipas. Quer tenha sido por uma questão estratégica ou pelo peso dos mais recentes resultados, o Sporting de Braga apresentou-se num formato diferente. Com efeito, a atitude da equipa poucas semelhanças teve com o modelo de jogo que José Peseiro mostrou ao longo desta época. Em vez de pressionar, os visitados permaneceram na expectativa; em vez de atacar com muitos homens, optaram por um estilo mais directo. Ao que nos era dado a ver, este Sporting de Braga poderia muito bem ser o de Domingos ou Leonardo Jardim's.

O FC Porto entrou muito forte no jogo e criou várias oportunidades claras nos minutos iniciais, com Otamendi a dispor de duas boas oportunidades e levando inclusivamente a bola a bater no poste de Beto ao terceiro minuto. A abordagem dos dragões pouco se desviou dos seus mecanismos habituais, com James Rodríguez a flectir para dentro e Lucho (ou Danilo) a ocupar o espaço libertado pelo colombiano. Com Mossoró (habitualmente menos inclinado para defender) estacionado na esquerda e Ruben Micael demasiado próximo de Éder, o FC Porto controlou o encontro a seu bel-prazer durante 20 minutos, dando a impressão de que o golo seria uma mera formalidade.

No entanto, o Sporting de Braga assentou o seu jogo, começou a mostrar os seus trunfos e efectuou o primeiro remate à passagem do minuto 20 - o FC Porto não mais viria a rematar durante a primeira parte após a primeira tentativa bracarense. Ruben Micael passou a prestar mais atenção a Fernando e estancou o ritmo de jogo azul e branco.

Por seu turno, José Peseiro interpretou bem o seu adversário. A colocação de Mossoró na esquerda não foi fruto do acaso, tal como a insistência de Éder em descair para esse mesmo flanco. As investidas de James rumo ao centro significam que Danilo (ou os defesas-centrais, sempre que Danilo não regressa a tempo) fica frequentemente exposto. Com Mossoró na ala esquerda, a equipa tinha uma saída de bola clara e tentava tirar proveito da já conhecida vulnerabilidade portista. O Sporting de Braga acabaria por dominar os últimos 25 minutos da primeira metade.

A segunda parte foi menos entusiasmante, com ambas as equipas a errarem inúmeros passes e aparentemente excessivamente receosas uma da outra. Graças aos ajustes de Peseiro, o FC Porto mostrava-se agora incapaz de fazer passes precisos na zona central para abrir a defesa dos Guerreiros do Minho. Por outro lado, o Sporting de Braga mostrou-se perigoso no contra-ataque por diversas vezes, mas o receio da derrota parecia sobrepor-se à vontade de vencer.

Como que provando isso mesmo, José Peseiro não implementou alterações destemidas, optando por refrescar o seu meio-campo - Amorim entrou para o lugar de Viana e Djamal para o de Ruben Micael -, mostrando-se ciente que, apesar de jogar com largura, o FC Porto é letal ao centro.

Ironicamente, seria precisamente a partir dessa área que os campeões nacionais chegariam ao golo tardio. Danilo flectiu para dentro, James recebeu a bola e foi extremamente feliz ao ver o seu remate bater em Douglão (que se apresentou hoje ao seu melhor nível) e enganar Beto. O golo surgia alguns segundos antes do fim do tempo regulamentar. O destino seria ainda mais cruel para os visitados, os quais viriam a sofrer o segundo golo ao minuto 93, após um mau alívio de Leandro Salino e um remate bem colocado de Jackson Martínez.

Em conclusão, o FC Porto poderá dar-se por feliz pela vitória alcançada, uma vez que o empate parecia ser o resultado mais provável. Analisando a prestação de ambas as equipas e as oportunidades criadas, a igualdade seria porventura o resultado mais justo. Tanto o Sporting de Braga como o FC Porto tentaram chegar à vitória com as suas armas e desfrutaram de oportunidades para o conseguir - nos períodos em que dominaram. Os anfitriões poderão ter dito adeus às perspectivas realistas de vencer o campeonato, mas José Peseiro poderá ter percebido que a abordagem assumida e arriscadamente ofensiva nem sempre será a melhor forma de levar todos os adversários de vencida.

Saturday, September 29, 2012

Vitória da equipa mais madura


Equipas e movimentações iniciais


Ao longo da história, os confrontos entre os dois rivais minhotos têm sido muito mais do que simples partidas de futebol - assemelhando-se muitas vezes a verdadeiras batalhas campais. Graças em parte ao carácter sereno de ambos os treinadores, o encontro da passada sexta-feira não se revelou conflituoso e ofereceu um bom espectáculo, ainda que não se tenha verificado um grande número de oportunidades de golo.

O Vitória de Guimarães entrou no jogo em força, assente no seu 4x3x3, pressionando o Sporting de Braga na sua saída de bola, de modo a evitar a construção de jogo a partir de trás. Beto, por exemplo, foi quase sempre forçado a bater bolas longas, contrariando a forma como o treinador do Sporting de Braga, José Peseiro, gosta de iniciar os ataques. (Por oposição, Doulgas, o guarda-redes vimaranense, procurava sempre enviar a bola para a frente assim que recolhia o esférico, tentando explorar os espaços livres deixados pelos jogadores bracarenses.) Para além disso, o posicionamento de Leonel Olímpio e André André tinha como objectivo impedir que Hugo Viana controlasse o ritmo de jogo e assumisse as rédeas da manobra da sua equipa com os seus tradicionais passes diagonais.

A estratégia do Vitória de Guimarães foi bem sucedida durante os primeiros 15 minutos, mas os forasteiros foram assentando o seu jogo e, aos poucos, conquistaram o controlo do meio-campo, aliviando a pressão sofrida por Viana e Custódio. Com Olímpio e André em zonas mais adiantadas, criavam-se espaços nas costas desses jogadores que eram forçosamente cobertas de forma quase exclusiva por El Adoua. Mossoró, igual a si próprio, foi magistral com os seus movimentos laterais, afastando-se do pivô marroquino, o qual se mostrava demasiado receoso em acompanhar Mossoró, sob risco de desproteger a sua zona exposta.

O bom jogo da equipa da casa ficou a dever-se em parte aos seus extremos pró-activos, os quais deixaram indícios promissores com as suas inteligentes movimentações. Ricardo é um jogador mais técnico que prefere duelos individuais, ao passo que João Ribeiro é melhor a ler o jogo e não tem pejo em ocupar outras áreas do terreno, de forma a dificultar a acção do adversário. Embora seja verdade que se revelaram úteis tanto em termos ofensivos como defensivos, convirá sublinhar que se foram alheando progressivamente das suas tarefas defensivas.

Por um lado, o Vitória de Guimarães, incentivado pelos seus adeptos, parecia deter uma vantagem emocional no jogo. Por outro, o Sporting de Braga estava aparentemente melhor equipado para as diferentes fases do jogo, ainda que tenha parecido algo descoordenado aqui e ali, especialmente no caso de Alan e Hélder Barbosa. A primeira parte, mais fechada, não tinha deixando antever grandes diferenças entre as duas equipas.

A segunda metade consistiu basicamente em tráfego de sentido único. Com uma ideia melhor sobre os seus processos ofensivos, os jogadores visitantes acabaram por marcar o primeiro golo numa transição rápida, no seguimento de um livre no meio-campo ofensivo do Vitória de Guimarães. A vantagem emocional de que os vimaranenses desfrutavam esfumou-se rapidamente após o golo, não obstante a tentativa imediata de fazer subir as suas linhas. Como tantas vezes acontece com as equipas portuguesas, os comandados de Rui Vitória mostravam-se algo desconhecedores sobre o que fazer ao verem-se em desvantagem - verdade seja dita, a falta de profundidade da equipa do Vitória de Guimarães foi hoje por demais evidente, com poucas opções atacantes.

Como se não chegasse, Peseiro optou por fazer descansar Mossóro e substituí-lo por Ruben Micael. O antigo jogador do FC Porto foi fundamental para que o Braga chamasse a si em definitivo o controlo do jogo, impedindo dessa forma uma possível resposta do seu adversário. Adicionalmente, Éder parece estar determinado em provar que poderá muito bem vir a ser o futuro ponta-de-lança da Selecção e do Sporting de Braga, assumindo-se como referência ofensiva capaz de segurar a bola e, com isso, permitir que a sua equipa. O segundo golo bracarense foi apenas um derradeiro fait-divers e um prémio para Hugo Viana.

Saturday, August 18, 2012

Estamos de volta!

Equipas iniciais

O mais importante em primeiro lugar: que belo início do campeonato português. Um jogo interessante, duas equipas interessadas em vencer, incerteza no resultado, subtis nuances tácticas, uma grande penalidade e uma expulsão. Resta-nos esperar que o encontro de hoje seja apenas um aperitivo para o que aí vem.

Um dos aspectos mais relevantes reside na diferença de comportamento do Sporting de Braga. Há não muito tempo atrás, esperava-se que a maioria das equipas se apresentasse no Estádio da Luz de forma tímida, sem qualquer problema em ceder a iniciativa de jogo à equipa da casa. Como tal, foi extremamente positivo ver os homens de José Peseiro a recusarem essa abordagem e tentarem controlar a partida. Na verdade, esse poderá ser precisamente um dos motivos para a escolha de Beto em detrimento de Quim, dado o maior à-vontade do primeiro a jogar com os pés, o que permitiu ao Sporting de Braga jogar entre os defesas-centrais e o guarda-redes, tentando assim evitar qualquer potencial pressão que o Benfica pudesse tentar exercer mais à frente - por vezes, de forma algo exagerada.

Por outro lado, Jorge Jesus parece insistir em vincar as suas ideias e o seu onze soou quase a um testemunho da sua relutância em abdicar do seu poder de fogo. Em encontros tão equilibrados como este, a prudência aconselharia possivelmente uma equipa mais harmoniosa (como se pôde ver na época passada, por exemplo), mas Jesus optou por colocar Cardozo, Rodrigo, Bruno César e Salvio em zonas mais avançadas. Isto significava que o Benfica estava inclusivamente disposto a iniciar os seus ataques com o recuo de Javi García, transformando praticamente a equipa num 3x3x3x1.

Javi García recuava e ambos os centrais abriam,
com Maxi Pereira e Melgarejo a avançarem.

Por seu turno, o Sporting de Braga tinha bem definidas as suas zonas de pressão, permitindo geralmente que os três jogadores adversários mais recuados retivessem a posse de bola e apertando Witsel (ou qualquer outro jogador que pudesse recuar), frustrando com isso as tentativas do Benfica de sair a jogar a partir de trás. Peseiro parecia ter instruído os seus jogadores para explorarem o espaço nas costas de (e dos restantes quatro jogadores mais adiantados), o que funcionou algumas vezes até à meia-hora.

As qualidades

Uma das qualidades de Peseiro do conhecimento público reside na quantidade e qualidade de trabalho dedicado à posse de bola e movimentações. Não só a linha mais recuada do Sporting de Braga se mostrou extremamente cómoda com a bola, mas pudemos ver também a qualidade das movimentações dos jogadores com a bola e no espaço. Para além disso, com Viana, Mossoró e Lima, trata-se de uma equipa capaz de mudar rapidamente o centro de jogo (como poucas outras) e, com isso, cansar o seu oponente.

Mossoró deslocou-se com frequência para a direita, tentando criar situações de superioridade numérica para o estreante Melgarejo (um infeliz início com a camisola encarnada por parte da jovem esperança), o qual contava com pouco apoio por parte de Bruno César. Pior ainda, Lima afastava-se repetidas vezes dos seus (supostos) marcadores e criava confusão sobre quem deveria marcá-lo, impedindo Javi García de socorrer o mais recente lateral-esquerdo do Benfica.

Por outro lado, Jorge Jesus é conhecido pelo trabalho exaustivo ao nível das bolas paradas, as quais se têm revelado extremamente profícuas, especialmente neste tipo de encontros. O jogo de hoje ofereceu um exemplo perfeito de que até um livre indirecto tão simples quanto este pode proporcionar uma clara ocasião de golo, desde que todos saibam a sua função.

Bruno César (vermelho) faz um bloqueio, impedindo que qualquer arsenalista
se atravesse no caminho de Maxi Pereira (verde).
Com um movimento simples e coordenado,
Maxi corre sem oposição e quase oferece uma assistência.

Segunda parte

A segunda parte trouxe o que havia faltado na primeira - os golos. Tudo começou com o primeiro tento do Benfica, aos 49 minutos. Considerando que haviam estado por cima da partida até então, foi estranho ver os guerreiros do Minho algo alienados - ao mesmo tempo, foi possível constatar a importância da proximidade das linhas.

Rodrigo atrai dois adversários e Ismaily (azul) oferece a cobertura correcta.
Estranhamente, nenhum jogador bracarense pareceu preocupado com Salvio (amarelo).

Conforme seria de esperar, a segunda bola sobra para Salvio,
completamente sozinho, com Custódio recuando devagar.

O Benfica passava para a frente e os minhotos pareceram algo perdidos durante algum tempo. Apesar da exibição intermitente, talvez o golo fosse aquilo de que as águias necessitavam para elevarem a qualidade do seu jogo e assumirem de vez o encontro. Não obstante, o Benfica voltou a oferecer mais provas da enorme dificuldade em ditar o ritmo de jogo e subjugar o seu adversário, poucos minutos depois. Tal como aconteceu por diversas vezes na época passada, o centro do terreno permanece desprotegido e Javi García e Witsel são frequentemente atropelados. O primeiro tento do Braga foi disso um bom exemplo.

Paulo Vinicius faz um passe simples para Lima (azul), o qual recuara.
Com medo de perder Lima, Garay (vermelho) acompanha-o e abre espaço nas costas.
Maxi preocupa-se com Amorim (verde), o qual flecte para dentro,
abrindo caminho para Ismaily.

Ismaily tem caminho livre à sua frente.
Garay (vermelho) permanece desposicionado e abre um buraco no centro da defesa.

O encontro abrandou bastante pouco depois, excepção feita a Rodrigo e Mossoró. Os dois golos que se seguiriam tiveram origem em situações quase aleatórias, e não no seguimento de jogadas ou movimentações cuidadas. Ainda assim, convém notar que, apesar da boa resposta do Sporting de Braga à situação de inferioridade numérica, Custódio, Viana e Amorim pareceram exaustos à medida que o encontro se aproximava do fim, sem dúvida devido à sua presença no Euro.

Conclusão

Em resumo, foi um encontro extremamente interessante. Embora estejamos ainda no início da época, o Sporting de Braga deu mostras de estar bem orientado para os meses que se avizinham, com noções muito interessantes ao nível da posse de bola, as quais tenderão a melhorar à medida que a competição se for desenrolando. No que diz respeito ao Benfica, foi difícil não vislumbrar alguns dos erros da época passada, mas Jesus é um treinador inteligente que saberá com certeza retirar o melhor dos seus jogadores. Afinal de contas, este foi apenas o primeiro de muitos, muitos jogos.

Sunday, April 1, 2012

Num jogo surpreendentemente aberto, Benfica vence ao cair do pano


Equipas e movimentações iniciais

No passado sábado, Benfica e Sporting de Braga defrontaram-se no primeiro dos três jogos que se disputarão em pouco mais de uma semana que poderão decidir de uma vez por todas o vencedor do campeonato português. Cientes da vitória do FC Porto conquistada poucos minutos antes do apito inicial, ambas as equipas sabiam que vencer esta partida era absolutamente fundamental. Como tal, não se assistiu a um jogo fechado, mas sim a um encontro inacreditavelmente aberto que qualquer uma das equipas poderia ter ganho.

O confronto da noite passada constituiu o derradeiro exemplo do melhor que ambos os clubes tinham a oferecer. Por um lado, o Benfica manteve o proverbial pé no acelerador (talvez tentando compensar a performance menos exuberante da passada terça-feira contra o Chelsea) e jogou insistentemente ao ataque desde o começo. Por outro lado, o Sporting de Braga mostrou-se igual a si mesmo, defendendo de forma organizada e provando a sua mestria no contra-ataque.

Como habitualmente, a abordagem defensiva do Braga passou por um quase exemplar 4x4x2

Os encarnados tentaram abafar o seu adversário desde os primeiros segundos, com Rodrigo no lugar do suspenso Aimar. Na verdade, o avançado espanhol foi um dos motivos pelos quais as águias desfrutaram de um excelente início de jogo. Com efeito, não só jogou por trás de Cardozo, como insistiu também em descair para a ala esquerda, criando situações de superioridade numérica com a colaboração de Gaitán e Capdevila (o qual, jogando no lugar habitualmente ocupado por Emerson, ofereceu maior fluidez no jogo ofensivo da sua equipa). Por seu turno, o Sporting de Braga tinha claramente a lição bem estudada e, como tal, sabia por onde lançar os seus contra-ataques, particularmente pelo seu lado esquerdo, explorando o espaço que tanto Maxi Pereira como Witsel (o qual actuou em zonas mais avançadas do que o habitual, numa posição semelhante àquela em que actuou no jogo contra o Zenit em casa) deixavam nas suas costas.

Witsel (círculo vermelho) jogou mais à frente do que o habitual

O Benfica mostrou-se muito forte na recuperação da bola em pressão alta, tendo conseguido fazê-lo com frequência, particularmente durante a primeira parte. Contudo, quando os bracarenses conseguiam furtar-se à primeira zona de pressão e fazer chegar a bola a Hugo Viana, criavam situações ameaçadoras, encontrando imenso espaço e poucos defensores à sua frente. Estranhamente, um confronto tão aberto não dispôs de muitas oportunidades de golo durante a primeira parte.

Após sair da primeira zona de pressão do Benfica, os minhotos tinham muito espaço para explorar.
Note-se a quantidade de espaço e o número de adversários à frente de Mossoró.

A segunda parte trouxe consigo mais do mesmo, mas de forma ainda mais acentuada. Nenhuma das equipas podia dar-se ao luxo de perder mais pontos (nomeadamente a equipa da casa) e, como tal, foi sem surpresa que houve mais situações de golo nos primeiros 10 minutos da segunda parte do que em toda a primeira metade. Os encarnados mostravam-se ainda mais afoitos no ataque, abrindo espaços nas suas costas. Com Alan menos preso a amarras defensivas (durante os primeiros 45 minutos, foi apenas e só um médio-direito, em vez de um extremo), era impossível adivinhar quem marcaria o primeiro golo.

Aos 60 minutos, os comandados de Jorge Jesus começaram a acusar o cansaço, incentivando os forasteiros a tentarem a sua sorte e levarem mais do que o empate para o Minho, transformando o jogo num festim de situações de perigo. Ironicamente, o primeiro golo surgiria da marca da grande penalidade, imprudentemente cometida por Elderson ao cabecear Bruno César em vez da bola. Quatro minutos depois, o mesmo Elderson viria a redimir-se ao marcar na recarga a uma defesa de Artur, no seguimento de um livre marcado por Hugo Viana. O último golo apareceria de forma dramática no 92º minuto, numa altura em que o Sporting de Braga estava já defensivamente desequilibrado com as substituições de cariz ofensivo realizadas poucos minutos antes, na procura do empate.

Em resumo, foi algo estranho ver duas equipas com tão bons resultados recentes na Europa (as águias nos quartos de final na actual edição da Liga dos Campeões e os minhotos como finalistas vencidos da Liga Europa da época passada) - geralmente, um bom indicador da capacidade de controlar um jogo - a proporcionarem um jogo tão aberto. Em termos tácticos, foi interessante constatar que a partida de ontem foi um espelho fiel do desempenho das duas equipas ao longo da temporada - tanto nos aspectos positivos como negativos. Na verdade, este encontro não se assemelhou a um típico jogo do título português, mas sim aos jogos loucos entre os 5 primeiros classificados desta temporada na Premier League.

Tuesday, February 28, 2012

Um candidato em definitivo

Equipas e movimentações iniciais
Num dérbi minhoto extremamente apetecível que opunha duas equipas em excelente momento de forma, o Sporting de Braga foi mais forte e tornou impossível esconder a sua candidatura ao título, distando 3 pontos de FC Porto e Benfica, antes do clássico da próxima sexta-feira. Por seu turno, havia alguma expectativa face à prestação do Vitória de Guimarães no reduto do seu arqui-rival, tendo vencido o líder Benfica na jornada transacta.

Uma das expressões mais batidas no futebol afirma que os sistemas não ganham jogos, uma vez que não passam do papel. No entanto, sem contestar de forma alguma a validade de todos os sistemas e respectivas dinâmicas, há algumas disposições tácticas que oferecem uma ocupação mais racional do espaço em termos teóricos. Este encontro permitiu um confronto típico entre o 4x3x3 (em estreia quase absoluta) de Leonardo Jardim e o 4x2x3x1 de Rui Vitória, que rapidamente se percebeu ser um 4x4x1x1, na prática.

  • 1. O duelo táctico:
Em organização defensiva, o Vitória formava duas linhas de quatro homens. Em parte por ter certamente analisado o seu adversário e em parte por necessidade (Mossoró não tinha condições físicas para ser titular), o treinador do Sporting de Braga lançou Ruben Amorim no onze titular, invertendo o seu triângulo. Dessa forma, os visitados tinham uma enorme facilidade em criar triangulações nas alas entre o defesa-lateral, o médio e o extremo - especialmente no lado direito - e, com essa simples movimentação, contornar as duas linhas defensivas do adversário, conforme se pode ver mais abaixo.



Uma simples triangulação criou uma jogada que por pouco não deu golo

Como se esse pormenor táctico não bastasse, Rui Vitória surpreendeu ao dar todo o tempo do mundo a Hugo Viana quando este estava em posse da bola, particularmente tendo em consideração que a eliminação dos bracarenses às mãos do Besiktas mostrou à evidência quanto a marcação incisiva a Hugo Viana prejudica o jogo do resto da equipa.

  • 2. O duelo dos guarda-redes
Qualquer discussão em torno de sistemas tácticos, modelos de jogo ou dinâmicas dentro do próprio de jogo são temas vãos quando uma equipa se apanha a perder ao terceiro minuto através de um erro de um jogador seu. Quando esse mesmo jogador (particularmente numa posição tão sensível quanto a do guarda-redes) repete o mesmo erro passados 15 minutos, a equipa ressente-se da falta de confiança e tem tendência a jogar a medo. Do outro lado, Quim exibiu quanto evoluiu ao longo dos últimos tempos ao mostrar mais uma vez ter perdido a tendência que tinha também de sair com pouco a-propósito.



  • 3. A transição defensiva
Um dos aspectos em que este Sporting de Braga de Jardim se mostra mais forte reside precisamente na transição defensiva - ou seja, no momento imediatamente a seguir a perder a posse de bola. Com efeito, a reacção dos bracarenses à perda da bola mostra-se cada vez mais evoluída, conseguindo não só evitar que o adversário desfira os seus contra-ataques, mas logrando inclusivamente recuperar o esférico em zonas muito adiantadas. No exemplo, mais abaixo, note-se o número de jogadores do Sporting de Braga que se aproxima da bola, numa jogada em que esta havia sido perdida poucos metros e segundos antes. Este momento, tantas vezes desprezado pelos treinadores, é muitas vezes uma das principais diferenças entre equipas medianas e equipas maduras, capazes de outros voos.

Reacção rápida à perda da bola
O resultado final (4-0) será porventura o reflexo da expulsão de Freire ainda antes do fim da primeira parte, numa altura em que a sua equipa perdia já por dois golos de diferença, obrigando-a a expor-se a contra-ataques no processo. Ainda assim, estes três factores ajudam a mostrar que, mesmo que o defesa-central vitoriano não tivesse sido expulso, o Sporting de Braga continuaria mais próximo de vencer o jogo e - com isso - de se assumir como um verdadeiro candidato ao título.

Wednesday, February 1, 2012

Os mestres da reciclagem

Hoje por hoje, não restarão dúvidas sobre a evolução marcadamente positiva do Sporting de Braga. Com cerca de um quinto do orçamento de Benfica e FC Porto, o Sporting de Braga continua a demonstrar mestria no aproveitamento dos recursos excedentários dos três grandes e a mais recente janela de transferências foi mais uma vez prova disso mesmo.

Partindo dessa premissa, analisou-se o actual plantel bracarense, sendo possível concluir que os jogadores provenientes dos três grandes são quase suficientes para constituir um onze extremamente competitivo, conforme se poderá constatar na figura apresentada mais abaixo.

Assim sendo, a questão mais premente que se coloca é a seguinte: até que ponto o Sporting de Braga será capaz não só de fazer bom uso de jogadores válidos que os grandes não quiseram e/ou souberam aproveitar, mas também,  ao mostrar-se tão hábil nas suas incursões no mercado, trilhar um novo caminho no futebol português - um trajecto de contenção e maximização dos recursos ao seu alcance?

Jogadores do actual plantel do Sporting de Braga provenientes dos três grandes

Monday, January 16, 2012

5 pontos sobre o Sp. Braga - Sporting

Equipas e movimentações iniciais
Num duelo para o terceiro lugar da I Liga, Sporting de Braga e Sporting proporcionaram ontem um bom espectáculo, com golos, indecisão no resultado e nuances tácticas. Sem Wolfswinkel, Ribas recebeu o aceno de Domingos para saltar para o onze. Para complementar as alterações, Matías entrou para o lugar de Renato Neto e Evaldo para o lugar de Carrillo, o que significou o adiantamento do argentino e a passagem de Capel para o lado direito. Com estas premissas, destacam-se 5 pontos:

1 - Um número tão grande de alterações na equipa sportinguista (incluindo o habitual sistema em que a equipa joga) confundiu por completo os jogadores, permitindo que os bracarenses tomassem conta dos primeiros 20 minutos de jogo. Schaars e Elias mostraram ser uma dupla particularmente vulnerável no meio-campo, situação agravada com a particular concentração defensiva dos 4 jogadores mais adiantados.

2 - Hugo Viana tomou conta desses primeiros 20 minutos ao aparecer em zonas que não eram patrulhadas por ninguém. Embora a sua acção tenha sido limitada por Elias a partir desse momento, isso significou que o brasileiro foi igualmente anulado, perdendo-se o seu precioso contributo em termos ofensivos. Como se não fosse suficiente, ter-se-á visto ontem que nem Elias nem Schaars deverão ser responsáveis pela primeira fase de construção, dado o seu critério duvidoso nessa situação.

3 - Mossoró foi a peça fundamental para as transições do onze minhoto. Com Viana a servir sempre de farol para os seus colegas paraa saída da zona de pressão, Mossoró oferecia sempre uma linha de passe e a capacidade de descobrir os espaços mais vulneráveis da defensiva contrária, nomeadamente através das movimentações de Lima para os flancos. A vitória de ontem ficou seriamente em risco quando Leonardo Jardim retirou Mossoró e colocou na sua posição Hugo Viana. A partir desse momento, o Sporting de Braga nunca mais foi capaz de contra-atacar.

4 - Capel continua a demonstrar ser um jogador de características algo ultrapassadas, especialmente para um jogador tão novo. Com movimentos muito redutores, acaba por prender a equipa a uma velocidade que nem sempre é favorável para os interesses da sua própria equipa. Na direita, mostrou todas as suas limitações tácticas, ao mostrar-se incapaz de ocupar espaços interiores e criar superioridade numérica no centro e/ou abrir o flanco para a entrada do lateral.

5 - Tanto Domingos como Leonardo Jardim ostentam uma reputação assinalável na esfera dos treinadores nacionais. No entanto, foi estranho verificar análises discutíveis quer para o onze inicial, quer durante o próprio jogo. As dificuldades por que ambas as equipas passaram (o Sporting no início e o Braga a partir da saída de Mossoró) estão directamente relacionadas com as opções dos seus líderes.

Tuesday, November 29, 2011



































Numa tentativa de melhor demonstrar o que se vai dizendo neste pasquim, dou hoje início ao acompanhamento visual dos jogos analisados. Quaisquer comentários, sugestões ou críticas serão mais do que bem-vindos, naturalmente.

Monday, November 28, 2011

"Não há forma física"

Dou início a este artigo parafraseando um antigo treinador do FC Porto, alguém que, entretanto, foi coleccionado uma ou outra mão-cheia de títulos. Dizia esse líder que não entendia a forma física isoladamente, mas sim num contexto que integrava a forma física, técnica, táctica e psicológica. Se me debruço sobre este antes da análise do jogo propriamente dita, é pelo simples facto de muitos de nós terem colocado em causa desde há vários meses os métodos e resultados da preparação física ministrada pela equipa técnica. Aparentemente, o desgaste físico é irrisório mesmo quando se faz uma longa viagem de regresso e se joga um encontro importante para o campeonato - desde que se ganhe, claro está.

Aproveitando o embalo da partida de Donetsk, Vítor Pereira optou por manter exactamente o mesmo onze, incluindo Maicon a lateral-direito, mas desta feita com uma diferença: em vez de jogar a par de Fernando, como na Ucrânia, Moutinho jogava no seu lugar habitual, mais próximo de Defour. Por seu turno, o Sporting de Braga parecia querer mostrar desde logo que ia ao Dragão disputar o jogo olhos nos olhos, com Mérida atrás de Lima, com Alan e Paulo César nas alas.


Os primeiros minutos da partida confirmaram que a estratégia de Donetsk não tinha sido um caso isolado. Com efeito, o treinador portista parece ter aprendido a lição e a pressão alta - estouvada e aleatória - parece definitivamente afastada. Pelo contrário, os dragões jogavam num bloco mais baixo, preferindo aproveitar as costas do meio-campo bracarense. Com os seus movimentos interiores, Djalma e James causavam uma superioridade numérica no centro do terreno, uma vez que tanto Alan como Paulo César se mostravam renitentes em acompanharem os seus adversários directos. Com isso e com um Defour particularmente dinâmico na abertura de linhas de passe e movimentações sem bola, as alas ofensivas abriam-se repetidamente (em especial para Álvaro Pereira, como seria de esperar), fornecendo bons indícios.

O Sporting de Braga tentou opor a esta atitude portista um veneno semelhante, com Hugo Viana e particularmente Quim a não terem receio de dirigirem passes longos para Lima, com tendência para descair para as alas. No entanto, com a equipa menos subida, o timing da pressão azul e branca foi incomparavelmente melhor do que os últimos jogos e a defesa raramente foi apanhada em contrapé, uma vez que os médios estavam sempre mais próximos - Fernando, como sempre, foi inultrapassável.

Graças em boa parte a essa segurança defensiva, as transições ofensivas mostravam-se muito mais perigosas, uma vez que a equipa não corria o risco de se partir. Com Hulk no meio, notavam-se ainda algumas lacunas no brasileiro, resultantes da falta de rotina da posição, nomeadamente em lances de contra-ataque, em que o apoio frontal é tão fundamental como saber o momento certo para libertar a bola.

À medida que os minutos iam passando, a equipa minhota foi começando a perder alguma compostura defensiva, perdendo os momentos para introduzir a transição, dada a maior certeza no momento defensivo. Assim, ainda que não havendo grandes lances de perigo a demonstrá-lo, o FC Porto mantinha-se sempre por cima do encontro e foi sem surpresa que chegou ao primeiro golo - um belo movimento ofensivo, com Defour a arrancar para trás e a confundir marcações com a sua penetração, libertando para James para este cruzar para a cabeça de Hulk a régua e esquadro. Corria o minuto 36.

A segunda parte trouxe um dragão mais cauteloso e um Sporting de Braga algo perdido em relação ao que pretendia do jogo, proporcionando uma fase mais incaracterística até aos 63', altura em que Djalma e Defour deram lugar a Cristián Rodríguez e Souza, respectivamente. O público nas bancadas pareceu não gostar da intenção de Vítor Pereira de fechar o castelo a sete chaves e os minutos seguintes pareceram comprovar que os jogadores também não. Com a saída de Defour, os portistas dispuseram-se num 4x2x3x1, com Moutinho nas costas de Hulk, o que, na modesta opinião deste cronista, poderia ter sido um erro mais complicado do que acabou por vir a ser - Souza é consideravelmente mais lento do que Moutinho na pressão sobre a bola e na ocupação de espaços e Moutinho nunca será um 10. Dessa forma, a equipa não só passou a ter mais dificuldades a defender, como não conseguia encontrar a saída de pressão que Defour oferecia até então.


Pouco depois, o Braga demonstrava querer o empate, pelo menos. Hugo Viana viu o seu perigoso remate prensado aos 68' (depois de uma má transição ofensiva) e Alan permitiu uma bela defesa a Helton com um grande remate. Adivinhavam.se momentos enervantes, com as bancadas já inquietas. Contudo, Leonardo Jardim cometeu o pecado de retirar o equilibrador Djamal, deixando Hugo Viana sozinho na zona do meio-campo. Ora, foi precisamente essa área que viria a ser fundamental para o segundo golo portista, no minuto imediatamente a seguir. Na única vez que Moutinho conseguiu abrir espaços mais à frente, tabelou com Hulk, que beneficiou da ausência de pressão de Djamal (Viana ainda vinha em recuperação), flectiu para o meio e marcou um grande golo.

O jogo parecia resolvido quando Kléber, que tinha entrado para o lugar de James, encostou para o terceiro, depois de mais uma arrancada de Hulk pela direita. A equipa visitante estava absolutamente partida e o terceiro golo permitiu que a equipa entrasse em descompressão, aparentemente mais interessada em comungar da festa com o público. Assim, o penalty cometido por Hulk aos 87' parecia nada mais do que um fait-divers, mas a apatia colectiva permitiu ainda o bis de Lima aos 91', proporcionando dois minutos finais de algum nervosismo - sem necessidade alguma, note-se.


Tuesday, April 12, 2011

Uma suspeita materializada

Sporting de Braga e Vitória de Guimarães defrontaram-se ontem naquilo que prometia ser um encontro escaldante, com a rivalidade entre os dois lados nos píncaros. De facto, até os tradicionalmente pacatos treinadores Domingos Paciência e Manuel Machado se envolveram em algumas escaramuças verbais, no seguimento da recusa do Vitória em adiar o jogo, de modo a que os seus adversários pudessem ter mais alguns dias de descanso até à partida contra o Dínamo de Kiev, a contar para a Liga Europa.


No entanto, o jogo trouxe-nos algo diverso. Os vitorianos nunca pareceram interessados em discutir o resultado, parecendo acreditar que o cansaço acumulado do oponente seria suficiente para abrir brechas na (recentemente) sólida muralha bracarense. Com efeito, mesmo fazendo descansar alguns titulares - como Vandinho, Alan, Paulo César, por exemplo -, Paciência nunca deixou de querer ganhar o jogo. Por seu turno, Machado contentava-se em ver a sua equipa a defender bem, limitando as suas transições ofensivas às bolas longas invariavelmente lançadas pelo guarda-redes Nilson na direcção de Toscano e Targino (ou seja, rumo ao flanco direito do Sporting de Braga).


A primeira parte resumiu-se a uma batalha estratégica. O Vitória baixava as suas linhas, tentando não dar espaços aos extremos Ukra e Hélder Barbosa, com o Sporting de Braga algo renitente em incorporar os seus laterais nas manobras ofensivas e algo lento na variação do centro de jogo. Se juntarmos a isso uma falta de dinâmica dos extremos bracarenses nas movimentações e um bom posicionamento defensivo dos de Guimarães, será fácil compreender a falta de oportunidades de golo durante o primeiro tempo - excepção feita ao remate de Targino no primeiro minuto, salvo in extremis por Miguel Garcia.


No segundo tempo, porém, as coisas foram diferentes. Alan entrou para o lugar de Hélder Barbosa e essa mudança revelou-se decisiva. O extremo brasileiro mostrou-se mais incisivo, ganhando mais faltas em zonas perigosas e obrigando a uma maior atenção por parte da defensiva adversária. Por seu turno, Machado tentou ir à procura de um resultado mais satisfatório, colocando Edgar em campo e, pouco depois, Rui Miguel no lugar do inoperante Jorge Ribeiro (prejudicado pelo seu posicionamento como "10").


Como seria de esperar, este posicionamento mais ofensivo abriu brechas na manta vitoriana, capitalizadas pelo golo de Paulão no seguimento de um canto. Note-se que o golo surge de uma gritante falta de concentração defensiva num lance de bola parada, sendo o melhor exemplo do que vinha começando a ser evidente: o Vitória, com muito pouca posse de bola e, pior, com má qualidade no tempo em que a tinha, desgastou-se e os seus jogadores começaram a acusar o desgaste de andar sempre atrás do esférico.


A partir de então (e com o segundo golo a surgir 2 minutos depois), os vimaranenses não mais encontraram o rumo e desorientaram-se por completo. Embora a linha da frente tentasse pressionar, o resto da equipa não acompanhava, partindo a equipa em dois blocos, falha que o Sporting de Braga aproveitou na perfeição.


Em resumo, este jogo serviu para comprovar definitivamente que, nos dias que correm, os bracarenses são quem manda na disputa muito particular que se verifica eternamente no Minho. O Vitória demonstrou ter ainda um longo caminho a percorrer em direcção à estabilização da sua equipa e a uma participação frequente nas competições europeias - uma participação que os bracarenses têm sabido capitlaizar e aproveitar.

Sunday, November 1, 2009

Um choque de titãs

O duelo que opôs os líderes da Liga Sagres no Estádio Axa, em Braga, fizeram por merecer o seu estatuto. Depois do empate desapontante na véspera do candidato FC Porto, Benfica e Sp. Braga deram uma bela imagem do que o campeonato português tem para oferecer: garra, luta, competitividade, qualidade táctica e intensidade - ao ponto de provocar duas expulsões ao intervalo, devido ao sururu à entrada para o túnel no final da primeira parte.

A equipa bracarense entrou mais determinada no jogo e, aos 7 minutos, encontrava-se já na frente graças não só a um excelente golo de Hugo Viana, que aparece neste Sp. Braga completamente renascido -, como especialmente pela sufocante pressão que a turma de Domingos Paciência exercia sobre a saída de bola dos encarnados, sempre necessitados de espaço para as suas incisivas transições ofensivas. Embora a equipa da Luz tenha conseguido equilibrar a contenda em algumas partes do encontro (marcando inclusivamente um golo aparentemente válido), os arsenalistas pareceram ter o jogo controlado, chegando por isso com alguma naturalidade ao segundo golo, aos 77 minutos, depois de um óptimo trabalho de Mateus no lado esquerdo, onde Fábio Coentrão teve imensas dificuldades, conforme se esperava, dada a sua inexperiência na posição de lateral-esquerdo.

Será muito interessante ver até onde este Sp. Braga poderá ir, depois de, em 9 jornadas, ter já vencido os três grandes. Creio que as lesões poderão desempenhar (ou não) um papel fundamental, pois, se a vertente física se mantiver intacta, a equipa da cidade dos arcebispos poderá ter a oportunidade de cometer uma façanha única na sua história.

Tuesday, January 13, 2009

O silêncio após o ruído


Incomoda-me imenso que as pessoas apenas pareçam saber reclamar do azar e nunca reconheçam quando a sorte lhes toca com a mesma ênfase. Vem a isto a propósito (neste caso, embora destaque desde já que os restantes treinadores e dirigentes tendem a fazer o mesmo) do último Benfica-Braga, onde a exibição do árbitro foi tão má, que até foi possível ver um ou outro benfiquista mais ferrenho assumi-lo em praça pública. Não me interessa honestamente quem foi beneficiado ou prejudicado. Interessa-me, isso sim, que ainda há não muito tempo a arbitragem do Benfica-Nacional parecia um caso de polícia, ao passo que, agora, ninguém do clube da Luz vem referir as prementes reformas do sector da arbitragem que urge fazer, etc, etc. Infelizmente, quase todos os responsáveis do futebol acabam por fazer o mesmo. Felizmente, nem todos nós somos crédulos ao ponto de não ver nessas palavras e atitudes uma mera tentativa de esconder defeitos próprios.

Wednesday, November 12, 2008

Portugal na UEFA

Graças às maravilhas da tecnologia, pude ver na passada quinta-feira os dois jogos das equipas portuguesas na Taça UEFA. Braga e Benfica tinham a oportunidade de completar o ramalhete de pontuação, depois das vitórias de FC Porto e Sporting nos dias anteriores. Dos dois, a equipa arsenalista era a que tinha uma missão mais difícil, quase hercúlea, ao defrontar o todo-poderoso AC Milan em pleno San Siro. Curiosamente, foi de longe a equipa que melhor se cotou. Ancelotti fez o que costuma fazer nestas ocasiões, mudando o onze titular qualquer por completo. Pirlo, Nesta, Maldini, Seedorf, Ronaldinho, Ambrosini e Abbiatti foram todos relegados para o banco ou para a bancada, inclusive. O Braga, por seu turno, entrou com a equipa mais ofensiva que Jesus costuma colocar a jogar, com Vandinho na parte de trás do losango, Luís Aguiar na frente e César Peixoto e Alan nas alas, com Rentería e Meyong.

Digamos apenas que nunca uma equipa portuguesa terá tido uma oportunidade tão atractiva para pontuar ou quiçá vencer em San Siro (sim, estou ao corrente das vitórias do FC Porto em 1978 e 1996). O Braga jogou de igual para igual com o seu adversário, olhos nos olhos, e foi-lhe superior em muitos momentos, na verdade. Não fosse Rentería e a sua já proverbial repulsa pelos golos, o Sporting de Braga poderia ter trazido na bagagem um resultado histórico. Bateu-se com valentia, mostrando a todos que é possível explorar as fraquezas de todos os adversários, chamem-se eles Milan ou Artmedia. A equipa bracarense perdeu, sim, mas com toda a dignidade, tendo sido abatida apenas no último minuto com um lance de génio de Ronaldinho. Jorge Jesus pode ter perdido, mas percebeu que não precisa de se esconder de ninguém nem de ter vergonha da sua própria equipa. Ao contrário do costume, tive orgulho em ver uma equipa portuguesa na UEFA.

Se ao menos houvesse mais gente assim no país, talvez conseguíssemos fazer entender que somos tão bons ou melhores do que quem nos rodeia - apenas vendemos pior aquilo que fazemos.