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Friday, February 15, 2013

Bayer Leverkusen x Benfica: as imagens


No seguimento da análise inicial, é agora chegada a altura de uma decomposição mais detalhada do encontro da passada quinta-feira entre Bayer Leverkusen e Benfica. Com efeito, existem alguns factos curiosos (e reveladores) sobre o desempenho das duas equipas.

Roubos de bola efectuados pelas duas equipas. 

Comecemos pelos roubos de bola levados a cabo por ambas as equipas. Conforme referido no artigo anterior, as duas equipas pareceram inverter os seus papéis na perfeição. Com o Benfica a ceder a iniciativa de jogo ao Bayer Leverkusen, a equipa alemã foi muito menos eficaz ao nível defensivo. Habituados a jogarem compactos e a partir para o contra-ataque, os jogadores do Bayer Leverkusen deram por si desposicionados por diversas vezes após ceder a posse da bola. Note-se quão perto das linhas laterais são os roubos de bola realizados pelo Bayer Leverkusen.

Por outro lado, o gráfico pertencente ao Benfica proporciona uma leitura extremamente interessante. Em vez de apontar à jugular, como tantas vezes acontece, as águias não tiveram quaisquer problemas em recuar as suas linhas. Se olharmos com atenção para o gráfico encarnado, constataremos que apenas 2 dos 20 roubos de bola foram efectuados (ligeiramente) à frente da linha divisória.

Outro aspecto interessante desta partida residiu na fluidez dos três avançados do Bayer Leverkusen - Stefan Kiessling, Gonzalo Castro e André Schürrle. Embora todos eles tivessem posições de partida fixas, o seu movimento foi constante e as suas combinações foram alvo de atenção redobrada. Kiessling, por exemplo, foi fundamental ao recuar para receber a bola de costas para a baliza contrária, permitindo que Schürrle explorasse o espaço libertado por Kiessling.

As exibições versáteis de Kiessling e Castro.


  • Dividir em dois

Embora a corrente de jogo não possa ser rachada ao meio em duas metades idênticas, resulta ainda assim interessante separar os dados da primeira e da segunda parte. Comecemos com os desempenhos contrastantes de Castro.

O desempenho de Castro dividido entre as duas partes.

Castro foi um dos jogadores mais decisivos durante toda a primeira parte. Embora tenha começado na direita e permanecido nesse flanco na fase defensiva, o extremo-direito flectia frequentemente para o centro sempre que a sua equipa tinha a bola. Com isso, não só criou inúmeras situações de superioridade numérica contra a dupla de médios do Benfica constituída por Matic e André Gomes (à semelhança do que Defour fez contra o mesmo Benfica), como libertou igualmente a ala para os avanços de Hogasai. Contudo, na segunda parte, o seu contributo foi muito mais limitado, em parte devido à maior colaboração defensiva de Gaitán.

Passes efectuados pelo Bayer Leverkusen no último terço - primeira e segunda parte.

Graças ao movimento e astúcia dos seus três avançados, o Bayer Leverkusen desfrutou de longos períodos de posse de bola e de boas posições para criar perigo (ainda que raramente tenha conseguido concluir as jogadas) durante a metade inicial. Conforme é possível ver no gráfico mais acima, os alemães não só insistiram em jogar pelas alas, como também encontraram enormes facilidades de penetração pelo centro. Na segunda parte, as suas investidas pelo meio foram muito mais forçadas e as jogadas pelos flancos foram frequentemente anuladas pelos encarnados, ao contrário do que havia acontecido nos 45 minutos iniciais.


Remates do Bayer Leverkusen - primeira e segunda parte.

Embora se tenha exibido a melhor nível ao longo do primeiro período, o gráfico mais acima mostra como o Bayer Leverkusen se limitou a remates de longe ao longo da maioria dos primeiros 45 minutos. Foi apenas na segunda parte que a equipa germânica conseguiu aproximar-se da baliza à guarda de Artur Moraes, numa altura em que se mostravam cada vez mais desesperado para marcar pelo menos um golo. A sua melhor e mais fluida fase de jogo não esteve à altura da abordagem mais directa que favoreceram na segunda metade, particularmente após sofrer o golo.

Passes efectuados pelo Benfica no último terço - primeira e segunda parte.

No que diz respeito ao Benfica, a divisão do seu jogo pelas duas partes fornece igualmente conclusões interessantes. Ao analisarmos o gráfico mais acima, poderemos verificar que os passes realizados no último terço foram muitas vezes laterais e que a aposta pelo centro raramente resultou. No entanto, houve ainda assim algumas tentativas de investir num futebol mais rendilhado. Se observarmos o gráfico da segunda metade, veremos que os passes das águias são muito directos e incisivos (quase nunca pelo meio), típico de uma equipa dedicada ao contra-ataque.

Remates do Benfica - primeira e segunda parte.

Embora não haja uma diferença excessiva entre as duas partes no que a remates diz respeito, é contudo evidente que, ao longo dos segundos 45 minutos, o Benfica não só rematou mais, como teve igualmente maior liberdade para rematar em posições mais favoráveis.

Benfica a caminho dos oitavos-de-final da Liga Europa

Equipas iniciais

O encontro entre Bayer Leverkusen e Benfica era (juntamente com a partida que opunha Tottenham e Lyon) provavelmente um dos mais apetecidos desta ronda da Liga Europa. Duas equipas de qualidade, com abordagens e formações distintas, a disputar uma presença na fase seguinte da competição.

Se subsistiam dúvidas de que a Liga Europa não envolve o mesmo tipo de respeito e interesse por parte dos clubes (e, por arrasto, dos adeptos), o jogo da noite passada encarregou-se de as dissipar. Ambos os treinadores optaram por rodar as suas equipas, aparentemente mais preocupados com as partidas do próximo fim-de-semana nos seus campeonatos (o Bayer, por exemplo, defrontará o penúltimo classificado da Bundesliga). Jorge Jesus fez descansar Máxi Pereira, Enzo Pérez, Lima e Sálvio. Sasha Lewandowksi e Sami Hyppia tomaram uma opção semelhante e promoveram diversas alterações na defesa e no meio-campo, deixando o ataque intacto.

Quando ambas as equipas subiram ao relvado, confirmaram-se as suspeitas: o Bayer Leverkusen jogaria em 4x3x3, um sistema que causa frequentemente problemas aos comandados de Jesus. Algumas opiniões antes do jogo apontavam para a possibilidade de Benfica e Bayer Leverkusen poderem vir a inverter papéis enquanto visitados e visitantes - o Benfica pressionando de forma mais intensa e o Bayer Leverkusen a jogar no contra-ataque -, mas verificou-se o contrário.

Apesar de fazer alinhar um onze recheado de jogadores de características mais ofensivas, Jesus decidiu-se por um plano mais calculista, com Ola John e Urreta bem cientes das suas tarefas defensivas. Por sua vez, essa estratégia forçou a equipa alemã a recorrer a um tipo de jogo com que não se sente confortável: assumir iniciativa e dominar a posse de bola. Ainda assim, é de salientar que o actual terceiro classificado da Bundesliga foi capaz de se adaptar com sucesso durante os primeiros 25 minutos. Conforme tantas vezes sucede quando o Benfica defronta um 4x3x3, havia um vazio no centro, uma vez que Gaitán - a jogar nas costas de Cardozo - não recuava, o que permitia que o Bayer Leverkusen tivesse sempre um homem adicional no centro.

Com efeito, tanto Matic como André Gomes sentiam a necessidade de subir no terreno e encostar nos médios do Bayer Leverkusen, de modo a evitar que desfrutassem de demasiado tempo em posse, o que fez com que a linha benfiquista mais recuada se visse frequentemente obrigada a enfrentar por si só a enorme fluidez do trio ofensivo contrário - Castro à direita, Schürrle à esquerda e Kiessling como ponta-de-lança.

Durante os 25 minutos iniciais, a equipa da casa encontrou inúmeras opções de passe pelo meio, com Kiessling a recuar para receber o esférico e entregá-lo a Schürrle ou Bender, o médio mais ofensivo do Bayer Leverkusen. Graças às investidas de Hosogai pelo flanco direito (com Castro a flectir para o centro e libertando o espaço), os alemães lograram conquistar posições extremamente favoráveis, acabando por retirar poucos proveitos devido a abordagens técnicas ou decisões menos precisas.

Após a primeira metade da etapa inicial, as águias foram assumindo gradualmente o controlo do jogo. Embora os encarnados não estivessem a semear o pânico no último terço, o Bayer Leverkusen dava sinais de fragilidade sempre que perdia a bola, com os seus jogadores quase sempre lentos a recuperarem as suas posições, uma característica típica de uma equipa mais habituada a jogar no contra-ataque. Em muitos casos, o posicionamento dos defesas-centrais, em particular, deixou muito a desejar.


  • Segunda parte


A segunda parte não trouxe alterações significativas, com excepção da estranha decisão da dupla técnica do Bayer Leverusken de colocar Sidney Sam no lugar de Schürrle. A equipa mostrou-se imediatamente menos perigosa - na verdade, Sam não chegou a deixar a sua marca no encontro -, indo de encontro às pretensões benfiquistas. A partida não dava ares de evoluir positivamente, particularmente porque Enzo Pérez entrou para o lugar do lesionado André Gomes e Gaitán terá recebido instruções de Jorge Jesus no sentido de colaborar defensivamente.

O Benfica denotou algumas dificuldades em situações de bola parada e esteve inclusivamente perto de sofrer aos 60 minutos, mas a jogada confusa acabou por originar nada mais do que um canto a favor do Bayer Leverkusen, equipa que insistia em abordar as bolas paradas ofensivas com muitos jogadores. Após o duelo pelo ar, as águias partiram rapidamente para o contra-ataque e Cardozo teve todo o tempo (e competência) para simular um primeiro remate e, em seguida, colocar calmamente a bola por cima do ombro do guarda-redes contrário.

O golo pareceu despertar o onze alemão, o qual passou a correr mais riscos no ataque, recuperando a fluidez da primeira metade. O Benfica tentou abrandar o ritmo do jogo, mas permanecia vulnerável aqui e ali às combinações pelo centro. O encontro terminaria com um corte in extremis junto à linha de golo do Benfica, um momento crucial para uma abordagem mais relaxada dentro de uma semana.

O Bayer Leverkusen dá por si numa posição confrangedora. Um empate sem golos colocá-los-ia numa posição favorável, mas será agora forçado a expor-se a um tipo de jogo que em nada favorece as suas características. Para além disso, o Benfica é sempre mais forte a jogar no seu terreno, sendo difícil imaginar os vice-campeões nacionais a desperdiçarem a oportunidade de se apurarem para a próxima eliminatória.

Monday, January 28, 2013

Como conseguiu o Benfica vencer o Sporting de Braga?

Dois dias depois do desaparecimento de qualquer réstia de esperança do Sporting de Braga em manter-se na luta pelo título, é chegado o momento de dissecar os motivos que estiveram na origem da superioridade benfiquista ao longo da maior parte do encontro - e por que motivo o onze de José Peseiro é menos sólido do que as mais recentes anteriores versões do Sporting de Braga.


Na última vez que o Benfica saiu vencedor do Estádio Axa, o Braga ainda era orientado por Jorge Jesus. Ao longo das últimas temporadas, as águias encontraram grandes dificuldades em derrubar a muralha defensiva erigida tanto por Domingos como por Leonardo Jardim - dois treinadores conhecidos pelos seus cuidados defensivos (alegadamente uma das razões que levou o despedimento do técnico madeirense do Olympiakos). Por conseguinte, havia alguma curiosidade em torno dos planos de ambos os treinadores - assistiríamos a um duelo de futebol ofensivo ou testemunharíamos ideias mais conservadoras?


  • 1. O 4x3x3.


Sem Cardozo, Lima era o único ponta-de-lança dos encarnados - uma alteração significativa face ao modelo actual. Com a introdução de Gaitán, o Benfica ficou disposto num 4x3x3, com Jorge Jesus a tentar claramente controlar o centro. Matic, Enzo Pérez e Gaitán formavam com frequência um triângulo perfeito. Embora ambos os argentinos tivessem autorização para subir no terreno, Gaitán tinha liberdade para vaguear por onde entendesse, no sentido de sobrecarregar a defesa bracarense - na verdade, acabaria por merecer honras de melhor jogador em campo.

A imagem mostra igualmente que, embora o Sporting de Braga tivesse adoptado uma postura mais expectante do que o habitual, Mossoró e Éder tendiam a permanecer mais adiantados, afastados da luta do meio-campo. Custódio e Hugo Viana, longe de poderem ser considerados jogadores rápidos, eram claramente insuficientes para Matic, Gaitán e Enzo Pérez, já para não falar no movimento de Lima.


  • 2. O 4x1x4x1 em organização defensiva.


Jorge Jesus não só optou por um 4x3x3 em situação ofensiva, como também escolheu uma forma diferente para defender em Braga - neste caso, um 4x1x4x1, forma defensiva típica para equipas que actuam em 4x3x3. Por certo ciente da ameaça que Mossoró constituía, Jorge Jesus não pretendia permitir que o brasileiro assumisse o comando do encontro com rápidos contra-ataques. Com Matic por trás de Enzo Pérez e Gaitán, Jesus garantiu a presença constante de um jogador entre linhas, a zona de maior conforto para Mossoró.

Este simples ajuste impediu que o Sporting de Braga fosse bem sucedido nas suas transições rápidas, particularmente porque Ruben Amorim, Viana, Custódio e Alan (hoje em dia, pelo menos) não são suficientemente rápidos para acompanhar Éder ou Mossoró nas suas investidas. Na verdade, os minhotos conseguiram por diversas vezes fazer chegar a bola a Éder, vendo-se este sozinho e obrigado a rematar, mesmo quando as circunstâncias não eram as melhores.


  • 3. Benfica contorna facilmente a defesa bracarense.

A abordagem mais cautelosa do Sporting de Braga não se traduziu necessariamente num melhor posicionamento defensivo. Com efeito, a equipa da luz não se mostrou particularmente incomodada com a estratégia adversária e encontrou várias vezes formas de a contornar. Neste caso em particular, Lima recua para se afastar do defesa-central (o qual tenta manter-se próximo do avançado) e receber a bola. Lima entrega o esférico ao desmarcado Enzo Pérez, o qual a encaminha por seu turno para Gaitán.


Após entregar a bola a Enzo Pérez, Lima (vermelho) roda rapidamente e explora as costas do seu marcador directo. Sem ninguém a marcá-lo (Viana tenta pressionar em vão Enzo Pérez), Gaitán tem tempo para escolher a melhor opção de passe e isola Lima.


Embora esta jogada específica não tenha originado um golo, é ainda assim um excelente exemplo da forma que o Benfica encontrou para resolver o posicionamento do seu adversário.


  • 4. Salvio, o criativo.

O Benfica dominou o encontro durante aproximadamente 75 minutos. Salvio, nomeadamente, foi um dos principais responsáveis, apesar de ter pela frente Ismaily e Ruben Amorim, supostamente colocado na esquerda para estancar a ameaça que o argentino constituía. Na primeira imagem, a bola chega a Salvio, o qual não perde tempo a endossá-la para Gaitán. O movimento de Lima a desposicionar o defesa-central é extremamente importante. Com Ismaily concentrado em Salvio e o defesa-central em Lima, Gaitán (vermelho) passa por Hugo Viana e recebe a bola no espaço.


Aqui, Gaitán (vermelho) está novamente em condições de escolher a melhor opção de passe. Ao fingir aproximar-se para receber a bola, Lima confunde as marcações adversárias e Salvio (azul) fica livre no centro da grande área.


Não obstante a presença de cinco defesas na sua própria grande área, Salvio conseguirá rematar e recolher o ressalto do seu remate.


  • 5. As más transições defensivas do Sporting de Braga.

Comecemos pelo início. Veja se consegue contar quantos jogadores do Sporting de Braga se encontram dentro ou em redor da grande área benfiquista. Numa jogada potencialmente benéfica, os minhotos envolvem directamente nada menos do que nove jogadores - o que significa que existe apenas um defensor e o guarda-redes atrás desta imagem.



Quando o livre é batido e corre menos bem, o Sporting de Braga tem imediately quatro jogadores à frente da linha da bola, para além de alguns pouco dispostos em recuar a toda a velocidade.


Três segundos após o livre, o Benfica encontra-se já numa situação de superioridade numérica de 3v2. Note-se que a jogada havia sido inicialmente perigosa para o clube da Luz.


Cinco segundos após o livre, esta é situação com que o Sporting de Braga se depara. Gaitán corre desmarcado, com Lima e Ola John à espera do momento certo.


Oito segundos após um livre potencialmente perigoso a favor da equipa minhota, o Benfica está prestes a entrar na grande área adversária. Lima acabaria por marcar o segundo tento encarnado, graças em parte à pressão pouco efectiva de Haas e a uma intervenção menos conseguida de Beto.


  • 6. Sporting de Braga demora a 76 minutos a lançar jogadores na frente.

Após dar por si com uma desvantagem de dois golos e sem grandes oportunidades de voltar ao jogo, o Sporting de Braga pareceu outro no exacto minuto em que João Pedro entrou para o lugar de Ruben Amorim. Foi basicamente a primeira vez que os comandados de José Peseiro insistiram em chegar-se à frente. No caso do golo dos bracarenses, Éder recuou e, ao contrário de situações anteriores, viu alguém explorar o espaço vagado pelo ponta-de-lança. João Pedro (vermelho) ataca inteligentemente o espaço entre o defesa-central e o lateral.


A segunda imagem mostra o sprint sem marcação de João Pedro (vermelho) para chegar ao passe de Éder.


Mantendo a calma sob pressão, João Pedro contorna Artur e introduz a bola na baliza. O Sporting de Braga reduzia a desvantagem para metade, mas era já demasiado tarde.

Friday, January 18, 2013

Benfica x FC Porto: o clássico à lupa


O encontro do passado Domingo que opôs Benfica e FC Porto já foi aqui analisado em termos gerais, mas partiremos agora para uma análise mais detalhada dos diferentes aspectos de ambas as equipas. Cada uma terá uma secção própria, dividida entre defesa e ataque.

  • Benfica - Defesa

  • O Benfica começou por não pressionar o guarda-redes do FC Porto. Os dois avançados encarnados, Cardozo e Lima, tinham pelo contrário instruções para prestarem atenção aos defesas-centrais do FC Porto, com Enzo Pérez a seguir o médio azul e branco que recuasse (geralmente Fernando).


  • As águias foram também menos pressionantes do que o habitual, optando com frequência por recuar em bloco, permitindo aos portistas mais tempo em posse do que o esperado, especialmente durante a primeira metade.


    • Ainda assim, a equipa da capital denotou dificuldades em ganhar as segundas bolas - nos duelos pelo ar, por exemplo. Neste caso em particular, Jackson Martínez (amarelo) está prestes a disputar o esférico com Jardel. Devido à presença de Defour, Matic não pode aproximar-se de João Moutinho (laranja) tanto quanto desejável. O médio português viria a recolher a bola.




    • A primeira imagem mostra a vulnerabilidade do Benfica a penetrações pelo centro. Sem Cardozo ou Lima a recuarem para ajudar no meio-campo, Fernando e os dois centrais azuis e brancos - neste caso case, Mangala (amarelo) - tinham frequentemente a possibilidade de progredir sem problemas de maior. A linha amarela representa o passe simples na direcção de Martínez que abriu a defesa do Benfica (conforme se vê na segunda imagem).



    • Benfica - Ataque

    • Como resultado da pressão exercida pelos campeões nacionais, nomeadamente durante os primeiros 60 minutos da partida, o Benfica viu-se obrigado a lançar bolas longas na direcção de Cardozo. Contudo, sempre que as águias conseguiram jogar à flor da relva, procuravam ir ao encontro dos seus pontos fortes - as alas. Enquanto Gaitán insistia em flectir para o centro, o flanco direito foi a origem da maioria das ameaças ofensivas do clube da Luz. A primeira imagem ilustra uma situação ofensiva típica da equipa de Jorge Jesus, com cinco jogadores a criarem superioridade numérica na ala. A segunda imagem mostra como Sálvio (azul) procura que Máxi (amarelo) dê largura, enquanto Cardozo (laranja) ocupa o centro. A terceira figura apresenta uma situação semelhante, na qual Lima (amarelo) desposiciona o seu marcador para que Sálvio (laranja) possa entrar pelo centro.

    • FC Porto - Defesa




    • A equipa visitante não teve receio em defender mais à frente e impedir que o seu adversário saísse a jogar a partir de trás. As primeiras duas imagens são do 5.º minuto e são apresentadas para exemplificar a típica pressão exercida pelo FC Porto. Jackson Martínez prestava especial atenção ao central benfiquista do lado direito, ao passo que Lucho se aproximava do central do lado esquerdo (primeira imagem) e/ou do guarda-redes (segunda imagem). A terceira imagem refere-se ao segundo golo do FC Porto. Embora Artur tenha recebido (correctamente) a maior dose de culpa, não é menos verdade que isso apenas produziu resultados para os dragões porque o guarda-redes estava a ser pressionado. Note-se o adiantamento da pressão portista e como Jackson está próximo de Artur quando a bola chega aos seus pés.


    • Sempre que o FC Porto não era capaz de impedir a primeira fase de construção do seu adversário, a equipa encurtava as suas linhas, tentando fechar a maioria das linhas de passe ao Benfica. Neste caso em concreto, Garay tem a bola em seu poder, mas não tem qualquer opção de passe à disposição. O defesa-central acabaria por falhar o passe aéreo.



    • Ao contrário do Benfica, o FC Porto mostrou-se empenhado em defender pelo centro, embora o seu arqui-rival ataque geralmente pelas alas. Na primeira imagem, Gaitán tenta progredir pelo centro, deparando-se com a oposição dos três médios portistas (vermelho). Note-se como Otamendi (amarelo) está preparado para o caso de Gaitán lograr ultrapassar os seus marcadores directos (conforme viria a acontecer). A segunda imagem mostra o bom posicionamento e timing de Otamendi de modo a impedir a progressão do médio argentino.

    • FC Porto - Ataque

    • Com a ausência de James Rodríguez, havia alguma curiosidade relativamente ao posicionamento e movimentação de Defour. Quaisquer dúvidas sobre se Defour replicaria as manobras do mago colombiano dissiparam-se logo no primeiro minuto. A primeira imagem mostra a posição central de Defour (amarelo) enquanto a bola se encontra no flanco esquerdo. A segunda mostra como um simples passe atrasado de Varela para Fernando despoletou a desmarcação do belga nas costas da defesa encarnada.




    • Com a tendência de Defour de flectir para dentro, o FC Porto assemelhava-se com frequência a um 4x4x2 em losango, conforme se pode ver nas imagens mais acima, com Fernando mais recuado, Moutinho à esquerda, Lucho González à direita e Defour por trás de Jackson Martínez, enquanto o extremo Varela oferecia largura à esquerda e o lateral Danilo fazia o mesmo no flanco oposto.


    • Esta imagem em particular ilustra o combate desigual entre os dois meios-campos, com Matic e Enzo Pérez a braços com Fernando (azul), Moutinho (amarelo) e Lucho González (vermelho) - o que significava que um destes três estava livre na maioria das vezes. Note-se como Cardozo e Lima não se envolvem na batalha travada a meio-campo.




    • Fernando foi efectivamente decisivo para inclinar a balança a favor do FC Porto no que diz respeito à luta no centro do terreno. Na primeira imagem, é possível ver Enzo Pérez a tentar pressionar Fernando (amarelo). Lucho apenas tinha de se desmarcar para receber o passe, o que fez de imediato. Na segunda imagem, Fernando (amarelo) ocupa ambos os médios do Benfica, com Lucho a ficar livre para escolher a melhor opção de passe na ala direita. Na terceira figura, é possível ver a liberdade concedida a Danilo - tudo isto uns meros dois segundos após Enzo Pérez tentar pressionar Fernando.


    • Por fim, a importância do recuo de Jackson Martínez (amarelo). A sua predisposição para se mostrar aos seus companheiros de equipa não só abria uma linha de passe adicional, como arrastava consigo um defesa-central, o que significava que o FC Porto tinha espaço para explorar nas costas desse mesmo defesa-central. Note-se como Lucho González passa pelo meio-campo encarnado, quase de perfil com o seu companheiro.

    Monday, January 14, 2013

    Uma celebração do futebol português

    Equipas e movimentações iniciais


    Numa luta cada vez mais acesa entre FC Porto e Benfica, a partida do passado Domingo assumia contornos de grande relevância. Com os dois clubes travando uma batalha pela mais pequena vantagem, havia uma enorme curiosidade à volta deste confronto.

    De quando em vez, é-nos permitido assistir a um encontro que reúne todos os ingredientes - muitos golos, emoção, nuances tácticas, incerteza no resultado. O mais recente Clássico foi um desses momentos. Os forasteiros colocaram-se em vantagem no marcador por duas vezes, com os visitados a igualarem imediatamente dois minutos volvidos em ambas as circunstâncias. As exibições manchadas dos dois guarda-redes poderão ter tido algo a ver com os acontecimentos.

    Com excepção dos erros dos dois guardiões e dos dois outros golos na sequência de lances de bola parada, não houve muitas oportunidades claras de golo - sendo o remate de Cardozo ao poste a poucos minutos do fim a mais clara de todas. O jogo desenrolou-se primordialmente na zona do meio-campo, com ambas as equipas a denotarem dificuldades em encontrar o espaço e competência necessários para fazer o último passe nas melhores condições.


    • FC Porto controla

    Conforme esperado, foi um jogo de pressão alta - pese embora o FC Porto tenha sido estranhamente a equipa que mais pressionou e de forma mais eficaz. Com efeito, o jogador suplementar dos dragões (Fernando e, com maior frequência, Defour) foi decisivo para contornar a tímida pressão benfiquista. Na verdade, o médio belga foi crucial para a supremacia nortenha no centro do terreno, aparecendo muitas vezes em áreas geralmente interditas a um extremo-direito (ainda que nominal).

    Enquanto Matic mantinha Lucho González debaixo de olho, Enzo Pérez jogava mais adiantado com o intuito de impedir que João Moutinho iniciasse os ataques portistas - conforme habitualmente - e, por conseguinte, perturbar o ritmo do FC Porto. No entanto, Lima raras vezes conseguiu ocupar Fernando, com o "trinco" brasileiro a funcionar assiduamente como ponto de apoio para as tabelas dos seus colegas.

    Por seu turno, o Benfica teve grandes dificuldades em sair a jogar, com Jackson Martínez a marcar um defesa-central e Lucho a liderar a pressão da sua equipa, apressando-se a apertar o guarda-redes e/ou o outro defesa-central. Com essa abordagem, os comandados de Vítor Pereira tentavam impedir o Benfica de ter o tempo necessário para tomar a melhor opção ao criar superioridade numérica nas alas e atacar com muitos elementos, como é seu timbre. Sujeitos a essa pressão, os comandados de Jorge Jesus viram-se frequentemente forçados a recorrer a bolas longas, lances em que Cardozo foi muitas vezes superado por Otamendi e Mangala.

    Durante a primeira parte, o FC Porto foi melhor ao nível da pressão e da circulação de bola, ao passo que o Benfica era mais perigoso quando conseguia fazer a bola chegar às alas (particularmente o flanco direito). Apesar do seu sólido registo defensivo até então, os campeões nacionais nem sempre pareceram confortáveis ao lidar com as penetrações de Sálvio. Por outro lado, foi-lhes fácil atacar o seu arqui-rival pelo corredor central - com Matic e Enzo Pérez atraídos por Lucho e Moutinho, Jackson e Defour deram por si em boas posições para fugir aos seus marcadores. O FC Porto terminaria a primeira parte com uns impressionantes 57% de posse de bola.

    Os primeiros 15 minutos do segundo tempo não diferiram em muito da primeira metade. O Benfica continuava a patentear dificuldades em jogar a bola pelo chão - cedendo a posse da mesma com demasiada facilidade - e o FC Porto deu seguimento à sua abordagem pressionante, embora Lucho fosse recuando à medida que os minutos passavam.


    • Benfica melhora progressivamente

    Contudo, com a saída de Enzo Pérez para a entrada de Carlos Martins, o Benfica tornou-se mais batalhador, enquanto o FC Porto começou simultaneamente a acusar o cansaço (a falta de opções no banco foi então evidente, com Izmailov a ser o primeiro a entrar, aos 75 minutos) e deixou de ser capaz de manter a mesma pressão. Após a entrada de Aimar para o lugar de Lima (talvez a maior desilusão da noite) alguns minutos mais tarde, as águias foram encontrando gradualmente o seu ritmo e tornaram-se incómodas para a linha mais recuada dos azuis e brancos.

    Com a sua equipa incapaz de pressionar tanto e tão alto como vinha fazendo até então, Vítor Pereira estava satisfeito com o resultado e menos disposto a correr riscos, instruindo a sua equipa para que recuasse. Animados pela abordagem mais combativa de Carlos Martins e o melhor movimento de Aimar, os jogadores encarnados terminaram o jogo de forma mais eficiente do que no início da partida - e poderiam inclusivamente ter vencido o encontro, caso Cardozo tivesse conseguido dar o melhor seguimento à melhor oportunidade de golo do jogo para além dos golos. No final, a divisão da estatística da posse de bola não poderia ser mais reveladora: 50% para cada equipa.


    • Destaques

    Muito embora não seja hábito deste blog atribuir semelhantes honras individuais, as exibições de dois jogadores merecem um realce particular pelo seu brilho e trabalho árduo. Por um lado, Matic foi fundamental em todos os aspectos do jogo do Benfica. Para além de dificultar as manobras de Lucho González, o sérvio não só esteve irrepreensível nas dobras aos seus companheiros, como teve igualmente forças para se disponibilizar como opção de passe e encontrar avenidas para mostrar o caminho aos seus colegas. Por outro lado, Defour poderá ter passado pela partida quase despercebido, mas a sua combatividade e movimento constante estiveram na base da supremacia portista no centro do terreno - e, por fim, da sua exaustão.

    Thursday, January 10, 2013

    Benfica x FC Porto: antevisão táctica


    Benfica e FC Porto têm estado envolvidos ao longo da presente temporada numa corrida a dois, deixando todas as restantes equipas para trás. Com o Sporting afastado em definitivo destas andanças e com um Braga menos consistente do que em épocas passadas, águias e dragões defrontam-se no Domingo bem cientes da importância da partida.

    De forma algo semelhante à liga espanhola (embora em menor grau), ambas as equipas estão enredadas numa luta entre si - com os empates a tornarem-se nas novas derrotas. Na verdade, encarnados e azuis e brancos entrarão em campo invencíveis - apenas com dois empates no seu registo -, como se estivessem totalmente fora do alcance das restantes equipas da Liga Zon Sagres. O duelo entre estas duas facções é neste momento tão feroz, que algumas das suas características tácticas estão a tornar-se cada vez mais similares. Ao longo dos próximos parágrafos, iremos analisar as batalhas chave.

    • Pressão alta

    Esta é uma abordagem que o Benfica tem assumido desde que Jorge Jesus tomou o comando do clube da Segunda Circular, um treinador determinado a atacar implacavelmente, oferecer um bom espectáculo e sufocar os seus adversários. Por seu turno, os nortenhos eram por hábito uma equipa mais reservada. Contudo, apesar dos contratempos da época transacta, Vítor Pereira foi capaz de melhorar a pressão exercida pela sua equipa (e, acima de tudo, o respectivo timing). Nesse aspecto, ambas as equipas chegam a este encontro decisivo habituadas a exercer pressão sobre os seus adversários e a ocupar terrenos mais avançados. Irá alguma das equipas optar por uma perspectiva mais conservadora? Caso contrário, irá o FC Porto incomodar o Benfica conforme aconteceu na última temporada ou, ao invés, irá o Benfica retirar o máximo proveito do factor casa e sufocar o FC Porto desde o apito inicial?

    Em segundo lugar, as duas equipas sofrem do mesmo mal no que diz respeito à pressão alta. Embora sejam geralmente eficazes a esse nível, ficam com frequência vulneráveis quando os seus adversários logram evitar a primeira zona de pressão. Nessas ocasiões, tanto portistas como benfiquistas são obrigados a defender com três ou quatro jogadores, no máximo, com imenso espaço para proteger. Contra equipas inferiores, essa questão não é um problema na maioria dos casos, mas, face a equipas superiores, poderá tornar-se fatal.

    • Matic

    Quando o Benfica vendeu Javi García ao Manchester City, os adeptos temeram o pior. O espanhol havia sido até então o pêndulo defensivo de que toda a abordagem eminentemente ofensiva dependia. Apesar dos seus diversos golos em situações de bola parada, Javi García não tinha qualquer problema em ficar em segundo plano, pronto para entrar em acção quando a equipa perdia a bola. A sua intensidade e excelente leitura de jogo permitia-lhe destruir muitos das iniciativas ofensivas adversárias, muitas das vezes em inferioridade numérica. A sua partida não parecia promissora.

    Contudo, segundo as palavras do próprio Jorge Jesus, a venda de Javi García apenas foi em frente porque o treinador acreditava ter um jogador mais completo à espera do seu momento. Esse jogador era Nemanja Matic. O sérvio teve por fim a oportunidade de mostrar o seu valor e entrou na equipa de forma quase imperceptível.

    Não obstante, Javi García e Matic são jogadores muito diferentes entre si. O antigo médio do Real Madrid era na sua essência um jogador voltado para a fase defensiva do jogo, fazendo valer todas as suas competências ao frustrar as transições ofensivas adversárias. Por outro lado, era menos proficiente na vertente mais ofensiva (com excepção dos já citados esquemas tácticos).

    Matic é o oposto. A sua excelente capacidade técnica permite-lhe estar mais à vontade com a bola nos pés e, acima de tudo, transformar imediatamente uma situação defensiva numa oportunidade de golo para a sua equipa devido a uma melhor capacidade de passe. Ao invés, o antigo jogador do Chelsea é mais lento a regressar à sua posição original e fica muito vezes exposto (juntamente com a sua defesa) em contra-ataques rápidos. Se o FC Porto conseguir superar a pressão imediata do Benfica após a perda da bola, as águias poderão vir a sofrer com isso.

    • Defour

    A ausência de James Rodríguez é um enorme contratempo para o FC Porto. Sem Hulk na equipa, o jovem colombiano tem levado a equipa às costas e assumiu-se como um dos jogadores mais importantes na manobra dos dragões. A sua tendência de partir da direito para o centro do terreno (trocando frequentemente de posição com Lucho González) permite que o FC Porto disponha efectivamente de quatro jogadores no centro - zona em que o Benfica tende a jogar com dois homens. A adaptação progressiva de Danilo ao futebol europeu e às instruções do seu treinador têm-no tornado mais perigoso na ala, evitando que James Rodríguez seja obrigado a dar largura no seu flanco.

    De acordo com a maioria dos relatos, Steven Defour irá provavelmente ocupar o lugar do jovem número 10. O belga já jogou noutras ocasiões na direita, mas quase sempre quando o FC Porto tentava desesperadamente chegar à vitória e se transformava num 4x2x3x1. Enquanto jogador semelhante a João Moutinho, Defour é suficientemente inteligente para ocupar quase todas as posições do campo, o que não quer dizer que venha daí a retirar o seu melhor rendimento. Se acabar por jogar como extremo direito, terá igualmente tendência a flectir para o centro, à imagem de James.

    Por um lado, sem o colombiano, os azuis e brancos vêem-se quase desprovidos de qualquer criatividade, característica muitas vezes fundamental em encontros tão renhidos. Por outro lado, a presença de Defour poderá transformar os dragões num sistema semelhante a um 4x4x2 em losango, o que deverá inclinar a batalha do meio-campo a seu favor. Se o Benfica conseguir concentrar a partida nas alas, o FC Porto poderá ter uma tarefa difícil pela frente.

    • Esquemas tácticos

    Apesar de apenas contar com seis golos sofridos, o FC Porto tem denotado algumas dificuldades no que diz respeito a defender livres e cantos - um dos principais pontos fortes do Benfica. O primeiro poste, em particular, fica frequentemente vulnerável, especialmente quando há um ligeiro desvio em direcção ao segundo poste. Numa partida tão disputada, um livre ou canto mal defendido poderá acabar por decidir o resultado.

    • Profundidade da equipa

    Como se sabe, o FC Porto não possui um plantel propriamente vasto. Sem Atsu, James e Kléber, Vítor Pereira apenas pode contar com o verde Kelvin caso o jogo se desenrole de forma desfavorável - motivo pelo qual o momento da contratação de Izmailov poderá vir a revelar-se crucial. Se os dragões sofrerem o primeiro golo, a fadiga poderá instalar-se e a falta de opções do treinador poderá ficar por demais evidente.

    O Benfica, por seu lado, conta com inúmeras opções atacantes, caso surja a necessidade de um plano B e de uma abordagem ainda mais ofensiva. Nolito, Ola John, Rodrigo e Kardec estarão muito provavelmente no banco, à espera da oportunidade de punir os seus adversários quando as suas pernas estiverem menos frescas.