A notícia da contratação de André Villas-Boas pelo Chelsea foi o golpe final na esperança do comum adepto de que o futebol fosse algo mais do que apenas um negócio, destroçando qualquer resquício de romantismo que pudesse ter sobrado. Com efeito, a nação portista sentia-se um pouco mais protegida face a uma possível deserção do seu valioso técnico dadas as suas incontáveis manifestações de portismo, deixando cair sempre que necessário a sua paixão pelo clube, culminando na já célebre expressão da "cadeira de sonho", jurando que treinar a equipa do seu coração seria uma das suas máximas ambições.
Ao professar tantas vezes (aquilo que se sabe agora ser) uma mentira, ganhou não só o direito a que todos os adeptos portistas ficassem do seu lado, mas também a responsabilidade de cumprir o que tantas vezes prometeu ao longo da época (incluindo após vencer três das cinco competições desta época).
Se os adeptos azuis e brancos sofreram com a saída de Mourinho, a de Villas-Boas foi incomparavelmente mais dramática. Se, por um lado, Mourinho nunca propalou a sua dedicação incondicional ao clube, Villas-Boas vai mais longe ao deixar o clube desamparado, dado que não foi contratado nenhum dos treinadores desejados em virtude da sua permanência.
Não se trata aqui de atacar a oportunidade profissional do treinador do Chelsea, pois cabe única e exclusivamente a cada um decidir o que julga ser melhor para si. Trata-se sim de constatar que se nem um treinador da casa, ferrenho adepto confesso do clube, cede à tentação de atropelar a sua palavra, demonstrando um absoluto desrespeito pelo compromisso que celebrou de livre vontade, o que podemos esperar nós da legião de contratados que todos os anos chegam aos clubes portugueses, sem qualquer pejo em admitir logo nas primeiras entrevistas que estão em Portugal meramente para dar o salto para um local melhor? Numa empresa convencional, quem seria o patrão que contrataria um funcionário que admitisse na primeira conversa estar ali apenas enquanto não surge algo melhor?
Se tomarmos em consideração que nunca como hoje os clubes tiveram semelhantes condições económicas e que nunca como hoje o futebol foi um negócio tão rentável (através de sites, canais de televisão, jornais, entre outros) como resultado directo do investimento dos fãs, não deixa de ser irónico que essa sensação de pertença a um símbolo, a um espírito, a um clube seja estilhaçada por aqueles que dela vivem.
Resta aos adeptos continuarem a torcer pelas duas dúzias de jogadores e treinadores que, naquele momento, por feliz acaso, não tinham sítio melhor para estar.
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Wednesday, June 22, 2011
A queda de um mito
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André Villas-Boas,
FC Porto
Saturday, October 31, 2009
A diferença de uma liderança?

Há coisa de uma semana atrás, a Académica defrontou o FC Porto no Estádio do Dragão, tendo sido recentemente alvo de uma reestruturação do departamento técnico, com a saída de Rogério Gonçalves e a entrada de André Villas-Boas, até então olheiro principal do staff técnico de José Mourinho.
Com pouco mais de uma semana de trabalho, a equipa dos estudantes apresentou-se completamente transfigurada, finalmente com uma ideia de jogo e uma organização que, segundo ouvimos dizer à maior parte dos treinadores, demora muitas semanas - senão meses - a conseguir. O resultado poderá não ter sido o mais desejável para as aspirações conimbricences, mas a exibição terá por certo deixado mais aliviado os sempre fiéis da equipa da cidade do Mondego.
Terei curiosidade para ver como se comporta esta Académica perante adversários teoricamente mais acessíveis, mas foi surpreendente constatar a diferença que um conjunto de ideias bem definido pode fazer numa equipa - em qualquer equipa, a qualquer nível, note-se.
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