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Tuesday, February 10, 2009

O Sargentão


Luiz Felipe Scolari foi ontem despedido do Chelsea, como todos saberão. Pessoalmente, apenas posso dizer que a minha única surpresa foi tal ter demorado tanto a acontecer. Estou certo (já ouvi muitos comentários nesse sentido) de que se ouvirão durante os próximos dias muitas pessoas da nossa esfera pública e privada dizer que Felipão se adequa mais às selecções nacionais do que a clubes, entre muitas outras coisas. Para mim, constato que, quanto mais aprendo sobre futebol, mais acho que é muito fácil distinguir entre quem trabalha bem e quem não o faz. Não se trata de ganhar títulos ou não, mas sim de projectar o futuro com base nas informações que se tem à mão.

Big Phil não conseguiu dar-se bem no Chelsea. Pergunto apenas em que clube é que conseguirá ser bem sucedido, uma vez que o clube londrino oferece as melhores condições e alguns dos melhores jogadores do mundo. Os bons treinadores não se distinguem entre treinadores de selecções ou de clubes, entre campeonatos de Itália ou de Espanha. Capello, Rijkaard, Mourinho e , por exemplo, são treinadores que já mostraram serviço em vários clubes, com várias realidades. As equipas de Scolari sempre mostraram falta de soluções (ofensivas e defensivas), bem mascaradas com o querer e vontade que tantas pessoas lhe reconhecem. No entanto, há um dado curioso levantado há algum tempo por um jornalista do MaisFutebol: nunca o treinador brasileiro conseguiu vencer um título num país não católico. Curioso, no mínimo.

Não querendo contestar o mérito que por certo terá tido nos resultados de que tantos abrem mão, não querendo analisar o resto da questão, não posso negar que tenho uma enorme curiosidade para ver os próximos passos de Scolari. Para já, como já o tinha referido aqui aquando da sua ida para o Chelsea, a minha análise confirma-se. Se me enganar, também estarei cá para o reconhecer.

Tuesday, October 28, 2008

Queiroz e a Selecção

A Selecção Nacional está a um pequeno passo de não ser sequer apurada para a fase final do Mundial de 2010, na África do Sul. Creio que estamos perante um facto indiscutível. Queiroz está longe de obter os resultados que se exigiam. Creio que estamos perante um facto indiscutível. A culpa é toda do seleccionador nacional. Pessoalmente, esta última afirmação parece-me menos incontestável.

Não querendo detalhar em demasia a minha opinião, gostaria contudo de enumerar um ou outro ponto. Em primeiro lugar, a já habitual comparação entre Scolari e Queiroz está a ser tudo menos justa, uma vez que se ouve muitas vezes como Scolari quase foi campeão da Europa ou quase foi campeão do Mundo ou quase vencia a Alemanha e passava às meias-finais. Scolari está para mim ao nível dos treinadores como João Vieira Pinto ao nível dos jogadores. Ambos eram bons no que faziam, mas não conseguiram passar de "figuras quase". Sim, sei que tanto um como outro ganharam títulos, mas até Tiago ou Capucho têm o título da Taça UEFA no seu palmarés.

Vencer um título não é fácil, mas consegue-se. Vencer muitos ao longo de uma carreira de forma consistente é significativamente mais difícil. Não querendo de todo pôr o trabalho de Scolari em causa (é indiscustível que o treinador brasileiro conseguiu incutir muito mais alma a uma selecção que, não raramente, sente tanta falta de estímulos positivos), custa-me um pouco ouvir apenas maravilhas do seu trabalho.

Scolari foi o mesmo que quase não conseguia o apuramento para o último Europeu. É o mesmo que toda a gente assobiava (à imagem do que acontece agora com Queiroz) nos jogos de preparação para o Euro 2004 e que toda a gente apupou quando Portugal perdeu o jogo inicial contra a Grécia. Scolari teve cerca de uma dezena de jogos para rotinar a equipa e, mesmo assim, só mudou tudo na segunda jornada de grupos do Euro 2004. Scolari teve a sorte e o condão de aproveitar o núcleo duro do FC Porto campeão europeu. Senão, vejamos como os seus resultados foram caindo sucessivamente à medida que esse núcleo duro se ia desfazendo. Perguntemo-nos por que razão Ronaldo não tinha de longe o aproveitamento na Selecção que demonstrava no seu clube ou por que razão o treinador brasileiro nunca conseguiu vencer uma selecção que estivesse numa posição superior no ranking das equipas europeias.

Queiroz cometeu alguns erros, naturalmente. No entanto, se Portugal tivesse ganho a partida frente à Dinamarca, a Internet estaria neste momento inundada de comentários sobre as maravilhas de Queiroz face a Scolari - do desmantelamento do "clube dos 20 amigos" (Ricardo nunca mais se viu) à chamada de jogadores que mereciam pelo menos uma hipótese (de Danny a Eduardo, de Pedro Mendes a Antunes). Infelizmente para todos nós, perdeu esse encontro e empatou frente à Albânia. Resultados decepcionantes? Sim, sem dúvida, mas isso leva-nos ao segundo ponto.

Scolari veio revolucionar em parte o futebol da Selecção portuguesa. Num repente, toda a gente passou a considerar que o apuramento para as fases finais das competições de selecções era obrigatório (e muito bem, na minha opinião). No entanto, o investimento em Scolari e restante equipa levou a um desinvestimento óbvio no resto do edifício da selecção. De um momento para o outro, a formação - uma das principais características transversais do futebol português - quase deixou de existir. Em simultâneo com as grandes façanhas da selecção principal, as selecções mais jovens foram começando a desaparecer do roteiro dos torneios mais importantes (muitos lembrar-se-ão do fracasso do Euro 2007 de sub-21, organizado em Portugal ou dos sub-20 há dois anos). Com efeito, os jogadores jovens, já com tão pouco espaço no clube, deixaram de ter as condições e os incentivos que iam tendo até então nas selecções mais jovens em detrimento da equipa nacional.

Pessoalmente, creio que Queiroz está a fazer um pouco o contrário, ao tentar conciliar melhor essas duas vertentes - criar uma equipa competitiva sem com isso esmagar o desenvolvimento das camadas jovens. E é isso que lhe estão a cobrar: o adiamento da construção de uma equipa que tem de começar a vencer já (e Queiroz está ainda longe de ter conseguido encontrar uma equipa tipo) de modo a não hipotecar o futuro dos futebolistas portugueses que começam hoje a despontar nos seus clubes. Se Scolari não foi despedido antes do Euro 2004, numa altura em que toda a gente pedia a sua cabeça por não conseguir construir uma equipa fantástica com tantos jogadores de primeira linha, porque não dar algum tempo a Queiroz? E até que ponto seria assim tão prejudicial perder inclusivamente o comboio deste Mundial para conseguirmos ter um desenvolvimento sustentável nos anos vindouros?

Thursday, June 12, 2008

Uma questão de timing

Scolari é o novo treinador do Chelsea. A notícia foi veiculada pelo site do próprio clube inglês ontem à noite e apanhou uns quantos de surpresa, entre os quais me incluo. Gostaria de dividir a questão em duas partes: razoabilidade da escolha de Abramovich e timing.

Pessoalmente, estou muito curioso em ver o que Scolari é capaz de fazer num clube de topo, com elevadas exigências e uma atenção mediática quase sem par. Se Scolari se zanga com os brandos jornalistas portugueses por lhe colocarem questões que não aprecia, creio que é capaz de os valorizar de outra forma quando conhecer os célebres paparazzi britânicos, especialmente se ele reagir com o seu habitual feitio irascível. Para além do mais, a cultura do futebol britânico poderá coincidir com a sua em termos de futebol guerreiro, mas lembremo-nos que Mourinho foi despedido por "oferecer pouco espectáculo". A fasquia para Scolari estará mais alta do que nunca (Abramovich despediu Mourinho e, alguns meses volvidos, o seu sucessor que levou o clube a lutar pelo título até à última jornada e à final da Liga dos Campeões) e todos os olhos estarão atentos. A ver...

Por outro lado, temos a questão do momento (in)oportuno do comunicado. O técnico brasileiro fez questão de dizer que só tratava do seu futuro depois do Europeu, entre muitas outras coisas, e o anúncio surge antes da ponta final de uma competição muito importante para os portugueses por todos os motivos. Creio que Scolari se pôs a jeito de ouvir as críticas (a menos que vença o Europeu) vindas de todos os quadrantes. Não quero com isto dizer que Scolari não devesse ter agido em favor dos seus interesses, bem pelo contrário, mas creio que pecou imenso pelo timing. Com que moral poderá pedir a Cristiano Ronaldo que não fale do Real ou a outros jogadores que se concentrem na selecção? Por mais que afirme já ter informado os jogadores, os líderes vêem-se muito mais pelo exemplo do que pelas palavras...