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Thursday, June 28, 2012

Portugal perde, mas mostra o caminho


Equipas e movimentações iniciais


Não é fácil ficarmos satisfeitos, muito menos felizes, após uma derrota. Independentemente dos esforços envidados, subsiste uma distinta sensação de que algo falhou. Por outro lado, Phil Jackson, o antigo treinador da NBA que levou diferentes equipas a 11 títulos, afirmou em tempos que havia derrotas que lançavam as bases de uma equipa - aquelas em que os jogadores tinham dado tudo por tudo e em que tinham aberto mão dos seus egos em nome de algo maior. Para Portugal, o jogo da noite passada foi uma dessas vezes.

Ambos os seleccionadores fizeram uso dos seus onzes preferidos, com uma alteração em cada lado - o ponta-de-lança. Enquanto que a mudança de Paulo Bento foi forçada, devido à lesão de Hélder Postiga, Vicente Del Bosque surpreendeu tudo e todos ao colocar Negredo de início, em vez dos habituais Torres e Fàbregas. Os primeiros minutos permitiram confirmar que o treinador espanhol pretendia um jogador mais rápido na desmarcação, tentando impedir que a defesa portuguese subisse demasiado e comprimisse o espaço entre linhas. Era evidente que a Espanha não estava no jogo para brincar nem disposta a menosprezar Portugal.

Adicionalmente, Del Bosque manteve Xavi numa posição mais avançada do que o habitual - conforme havia feito contra a França. Com esse posicionamento, os campeões do mundo pretendiam impedir que Veloso dispusesse de muito tempo em posse e, numa perspectiva ofensiva, conferir a Xabi Alonso o espaço necessário para os seus habituais passes longos e transformar Xavi numa espécie de n.º 10.

Xavi (amarelo) jogou em zonas mais avançadas durante a maior parte do jogo,
tanto a atacar como a defender.

Embora Portugal não tenha pressionado o mais à frente possível, a selecção lusa tentou (com êxito, na maioria das situações) impedir que o adversário saísse calmamente a jogar a partir de trás e forçar Xavi, Iniesta e Alonso a jogarem de costas para a baliza de Rui Patrício. Com a habitual falta de largura - uma vez que tanto Silva como Iniesta flectem para dentro - e velocidade dos campeões em título, não havia grande perigo de a linha portuguesa mais recuada ser ultrapassada por bolas altas. Com efeito, os comandados de Paulo Bento deixavam muitas vezes Arbeloa à responsabilidade individual de Coentrão, dado que o lateral-direito do Real Madrid não é um defesa particularmente ágil com a bola nos pés. Parecia que o seleccionador português estava a colocar a armadilha para que o lateral espanhol avançasse no terreno, de modo a ser apanhado em contrapé e libertar o espaço para Ronaldo.

Portugal não se limitou a esperar pelo adversário.
Pelo contrário, tentou incomodar a primeira fase de construção espanhola.

Para além disso, Moutinho, Meireles e Nani mostravam-se insuperáveis ao fechar (quase) todas as linhas de passe pelo centro. Ao deixarem Arbeloa para Coentrão, Meireles e Moutinho podiam focar a sua atenção no caminho preferido do adversário e oferecer uma saída de bola para as tiradas de Ronaldo.

A abordagem defensiva de Portugal roçou a perfeição,
tanto quanto possível contra um adversário como a Espanha.

Tal como se esperava, as transições portuguesas tinham frequentemente Hugo Almeida como principal ponto de referência, geralmente no lado do Piqué, com o ponta-de-lança da Figueira da Foz a tentar desposicionar o defesa-central do Barcelona e abrir espaços para Ronaldo, o qual tinha como objectivo evidente aproveitar o espaço entre Piqué e Arbeloa. Embora muitos desses passes longos se tenham transviado, demonstrou à evidência que a Espanha sente grandes dificuldades nos duelos aéreos - não tanto pelos duelos em si, mas por perturbarem o seu bem trabalhado posicionamento defensivo.


A selecção nacional mostrou-se igualmente componente em anular as transições ofensivas espanholas. Moutinho foi fenomenal nesse particularao aparecer frequentemente em áreas mais adiantadas para impedir o primeiro passe e, dessa forma, evitar que Xabi Alonso (na maioria dos casos) pudesse escolher o passe mais indicado para os seus companheiros de equipa. Muito embora não exista um gráfico a comprová-lo, esse trabalho quase invisível ofereceu uma segurança acrescida à linha mais recuada da equipa portuguesa. Com isso, Portugal lutava praticamente de igual para igual com a Espanha e a estatística da posse de bola ao intervalo patenteava isso mesmo: Portugal havia tido a bola em seu poder durante 45% do tempo.


Não obstante o reduzido número de oportunidades de golo ao longo de todo o encontro, Portugal e Espanha tiveram ocasiões para matar o jogo. Na verdade, à medida que o jogo se desenrolava, parecia cada vez mais evidente que a equipa que marcasse em primeiro lugar seria a vencedora. Navas entrou para o lugar de Silva aos 60 minutos para tentar esticar o jogo e houve efectivamente algumas jogadas em que essa parecia ser a solução - Coentrão deixaria de poder jogar por dentro e teria de ir ao encontro do extremo espanhol, abrindo um espaço entre o lateral-esquerdo e Bruno Alves. No entanto, a selecção espanhola não pareceu muito interessada em tirar partido dessa via.

Apesar de toda a intensidade, o encontro de ontem não teve muitas oportunidades de golo.

Apesar da agressividade ofensiva,
Portugal necessita claramente de melhorar ao nível da finalização.

A Espanha dominou todo o prolongamento e poderia até ter alcançado a vitória, caso Rui Patrício não tivesse demonstrado a sua qualidade com defesas de grande qualidade. A selecção nacional pareceu demasiado fatigada para continuar a perseguir a bola e a Espanha continuou a acumular minutos de posse de bola. Com Nani exausto e Nélson Oliveira no lugar de Hugo Almeida, Portugal denotava grandes dificuldades em acertar o primeiro passe após a recuperação da bola, o que, por sua vez, dava lugar a mais posse de bola à Espanha.

Em resumo, assistimos a uma partida muito interessante a todos os níveis, incluindo tacticamente. Mesmo derrotada, os seleccionados portugueses poderão sentir-se reconfortados com o facto de terem sido adversários valorosos desta soberba equipa espanhola e de que actuar a este nível perante a Espanha não está ao alcance de todos. Apesar da derrota, a selecção nacional mostrou que a equipa de Del Bosque não é um obstáculo insuperável e que Portugal tem todo o potencial para se tornar em breve uma potência por direito próprio.


Chalkboards criados através da app Stats Zonedisponível gratuitamente na App Store.

Este artigo estará igualmente disponível (na versão inglesa) em PortuGOAL.net.

Wednesday, June 27, 2012

3 razões para a vitória de Portugal


A primeira meia-final do presente Campeonato Europeu disputa-se esta noite entre Portugal e Espanha, o derradeiro confronto regional de estilos e duradouros rancores. Ao tiki-taka e controlo quase obsessivo do ritmo e da bola por parte da equipa espanhola, Portugal responde com uma defesa assertiva e rápidos contra-ataques. Na verdade, se estivermos dispostos a ignorar por momentos os confrontos anteriores entre estas duas equipas (partidas essas que levam a considerar La Roja a vencedora antecipada, com apenas uma derrota em sete jogos oficiais), veremos que, mesmo sem esquecer a Alemanha, a selecção nacional é provavelmente a equipa mais bem apetrechada para derrotar os espanhóis. Vejamos porquê.

1. O confronto táctico. O exemplo francês demonstrou à evidência que muitas equipas, incluindo as de maior nomeada, optam por mudar a sua abordagem, dinâmica, posicionamento e mecanismos quando defrontam Espanha. Essa postura será porventura o maior tributo que se pode prestar a esta equipa: a superioridade espanhola parece ser um dado adquirido, talvez mais do que nunca na história deste desporto, e qualquer onze terá certamente de se adaptar ao estilo espanhol, em lugar de fazer uso das suas próprias forças.

Esta é a primeira questão em que a abordagem de Paulo Bento parece render dividendos. Portugal não deverá ceder à tentação de mudar um único jogador, por exemplo. A selecção lusa tem preferido actuar num bloco mais recuado e partir para transições rápidas desde o primeiro encontro da competição, o que a deixa preparada para os movimentos de passe e desmarcação do seu adversário. Ainda assim, os seleccionados portugueses mostraram também (no jogo contra a Dinamarca, por exemplo) que podem pressionar em zonas mais adiantadas, se necessário. Para além disso, não obstante a futilidade do furor que se tem gerado em torno do 4-0 da última vez que estas equipas se defrontaram (num encontro particular, convém relembrar), é conveniente relembrar que a opção de Paulo Bento nessa altura passou por disputar o jogo nos mesmos termos da equipa espanhola (nesse momento): pressionar alto, forçar Xavi e Xabi Alonso a receber a bola de costas para a baliza contrária e evitar os passes de ruptura.

Neste aspecto, Portugal parece contar mais uma vez com alguma fortuna. João Moutinho e Raúl Meireles são trabalhadores incansáveis, dispostos a subir e descer no terreno para ajudar os seus colegas mais recuados, mas não têm qualquer problema em deixar outros brilharem e fazer os passes de que Ronaldo ou Nani necessitam para explorar as costas dos defesas contrários. Como é óbvio, os comandados de Paulo Bento necessitarão de todas as ajudas possíveis, mas a tranquilidade do seleccionador português passará por saber que a sua defesa tem melhorado a cada jogo que passa e que a velocidade e leitura de jogo de Pepe poderão ser a resposta necessária ao estilo espanhol.


2. Hugo Almeida. A sério. Embora muito provavelmente não estivesse destinado a ser titular, se Postiga não se tivesse lesionado, o robusto ponta-de-lança poderá revelar a sua utilidade. Partindo do pressuposto que Portugal cederá a iniciativa de jogo e permitirá que a Espanha controle o ritmo de jogo, a selecção nacional necessitará de uma saída. Com todos os olhos concentrados em Ronaldo, Hugo Almeida poderá constituir uma importante referência ofensiva no sentido de manter Piqué e Sérgio Ramos ocupados e vencer duelos aéreos na direcção de Ronaldo ou Nani, tirando partido das subidas de Arbeloa ou Jordi Alba.


3. Ronaldo. Não há como fugir ao capitão português. Se Portugal tem efectivamente aspirações a levar de vencida os actuais campeões europeus e mundiais, Ronaldo terá de assumir o seu papel de herói. Embora seja verdade que os seus companheiros de equipa terão de se apresentar ao seu melhor nível de sempre, o avançado do Real Madrid será muito provavelmente o principal responsável por oferecer os momentos de génios necessários para semear o pânico na defesa espanhola. Com Hugo Almeida à sua frente, Ronaldo desfrutará provavelmente de mais espaço entre os defesas-centrais e Busquets, o que lhe poderá proporcionar a oportunidade necessária para marcar.

Monday, June 11, 2012

A solução para o tiki-taka?


Equipas e movimentações iniciais


Espanha e Itália não poderiam ter oferecido um jogo melhor para uma tarde de Domingo de futebol. Recheado de grandes jogadores, nuances tácticas e bons golos, a partida foi um regalo para a vista. Fomos inclusivamente presenteados com uma batalha táctica vista com pouca frequência - a Espanha com um falso ponta-de-lança contra uma Itália com uma defesa a três - que pôs muitos a pensar se estaríamos a assistir ao nascimento do antídoto para o tiki-taka.

Posicionamento defensivo da Itália:
três centrais (amarelo), três médios (laranja) e dois médios-ala.
A Espanha optou por um sistema sem ponta-de-lança fixo.

1. A defesa italiana. Com De Rossi a actuar por trás de Chiellini e Bonucci, havia alguma curiosidade sobre o que os três defesas-centrais fariam sem bola, uma vez que era provável que não tivessem ninguém para marcar directamente. Na verdade, com Fàbregas libertando muitas vezes a zona do ponta-de-lança para as penetrações de Silva e Iniesta, poderia presumir-se que a defesa a três seria questionável. Contudo, a defesa italiana rubricou uma excelente exibição ao fazer três coisas:

  • Quando a bola rodava das alas para o centro e havia a possibilidade de um passe de ruptura, De Rossi avançava para tentar fechar a linha de passe - devidamente respaldado por Chiellini e Bonucci (para além de um dos médios-ala).
  • Ao dispor de uma defesa a três, a Itália estava  protegida contra bolas por cima ou passes de ruptura (a especialidade e grande trunfo da Espanha).


Mesmo com Navas (amarelo) a tentar esticar o jogo, o médio-ala podia proteger o exterior
e o defesa-central desse lado fornecia a cobertura sem desequilibrar a defesa.
Giaccherini (o médio-ala) acompanha o extremo espanhol (seta amarela).
Chiellini protege o interior e fecha a linha de passe (seta verde).

  • Após a perda da bola, um dos defesas-centrais da Itália podia dar-se ao luxo de subir no terreno para parar as transições rápidas da Espanha.
2. A defesa espanhola. A Espanha não pareceu igual a si mesma - por motivos estratégicos ou por fadiga. Com uma equipa dividida entre jogadores do Barcelona e do Real Madrid, o aspecto defensivo pareceu algo confuso. A Espanha tem por hábito recuperar a bola rapidamente, descansando em seguida com a bola em seu poder. A linha defensiva pareceu algo receosa de subir e diminuir o espaço entre sectores e foi evidente que Busquets, Xavi e Xabi Alonso não tinham a energia necessária para tal. Para além disso, o 3x5x2 da Itália significava que os seus médios-ala eram marcados pelos laterais espanhóis, e não pelos extremos - subitamente, os três médios espanhóis tinham de dividir as atenções.

Sem extremos ou avançados rápidos, as transições espanholas eram frequentemente travadas, especialmente porque nem Xavi nem Xabi Alonso têm perfil para constantes correrias. Sem pressão alta, a Espanha tornou-se previsível após a recuperação da bola.

3. O ataque italiano. A fase ofensiva italiana apresentou inúmeros aspectos interessantes. Por exemplo, o sistema de Cesare Prandelli poderia dar lugar a uma equipa partida, com os dois avançados desligados do resto da equipa. Pelo contrário, Maggio e Giaccherini (actuando como médio-ala esquerdo) ofereceram caminhos óbvios para sair a jogar com a bola controlada e tiveram liberdade para avançar a seu bel-prazer. Ainda mais importante foi o trabalho de Balotelli e Cassano (especialmente deste último) ao ligar os dois momentos do jogo italiano recuando para receber a bola ou explorando as costas dos laterais espanhóis (ocupados com os médios-ala italianos).

A outra questão relevante foi a forma como os transalpinos contornaram a equipa castelhana. A resposta mais provável passaria por Pirlo, na sua habitual função de regista recuado. Ao invés, foi De Rossi (a partir da sua posição de líbero) que orquestrou a maioria dos ataques, rodou a bola e ditou o ritmo de jogo. O médio da Roma foi o segundo jogador italiano com mais toques na bola (68 contra os 49 de Pirlo), fez o maior número de passes e registou o maior número de bolas longas (13 contra as 9 de Pirlo) - tudo isso com uma precisão de passe de 85% (todas as estatísticas extraídas de whoscored.com).

4. O ataque espanhol. A Espanha entrou neste Campeonato Europeu de forma muito semelhante ao Campeonato do Mundo de 2010. Ao tentar manter a equipa o mais feliz possível e incluir muitos dos centrocampistas (Silva, Iniesta, Fàbregas, Xavi Alonso e Xavi), Vicente Del Bosque cometeu o mesmo erro do primeiro encontro na África do Sul, contra a Suíça. Uma vez mais, Silva e Iniesta demonstraram a tendência natural para flectir para o centro e Fàbregas não foi particularmente eficaz na sua posição de falso ponta-de-lança, em parte devido à ausência de Messi ou Aléxis Sánchez para as penetrações no espaço libertado pelo médio espanhol.

A Espanha não contou com qualquer referência atacante.
Neste caso, apenas Iniesta tenta desequilibrar a defesa italiana.

Sem Pedro Rodríguez, David Villa ou Jesus Navas nas alas e sem um ponta-de-lança a fazer diagonais curtas nas costas da defesa, o meio-campo estava repleto de jogadores italianos e Buffon teve uma tarde quase descansada, não fosse o golo da Roja

A Espanha insistiu em jogar pelo centro, desta feita sem ninguém para fazer as diagonais
ao encontro dos passes de Xavi ou Alonso.



Como se tal não fosse suficiente, a ausência de Puyol obriga a que Sérgio Ramos actue como defesa-central, deixando de contribuir com as suas arrancadas. Arbeloa não é um jogador com essas características e Jordi Alba foi mais discreto do que o esperado, agravando a situação espanhola. O golo de Fàbregas foi possivelmente o único momento em que a defesa italiana não foi suficientemente rápida a efectuar os reajustes necessários - sublinhando a importância da penetração do lado fraco (contrário ao da bola).

Iniesta (amarelo) passa para Silva e movimenta-se para a ala, arrastando o seu marcador.
No lado contrário, Fàbregas (azul) ataca a zona da grande área.
O posicionamento de Giaccherini (laranja) é deficiente, demasiado aberto para fornecer cobertura.
Com De Rossi obrigado a ir ao encontro de Silva,
a cobertura defensiva de Giaccherini vai tarde. 

Torres acabou por entrar para o lugar de Fàbregas e, tal como no Mundial, David Silva foi novamente sacrificado em nome de uma maior largura de jogo. Irá Del Bosque sujeitá-lo a situação idêntica e deixá-lo no banco para o próximo jogo? Irá Torres (ou Llorente) ser titular em detrimento de Xabi Alonso, por exemplo (o papel de Fàbregas é frequentemente menosprezado, mas as suas movimentações verticais vindo de trás semeiam o caos devido à sua imprevisibilidade)?

Em resumo, assistimos a um jogo fantástico que nos deixou à espera dos próximos desenvolvimentos desta competição. Irá o Europeu servir de cenário para uma (mini-)revolução táctica e irá De Rossi revolucionar a posição de líbero - seguindo as pegadas de Beckenbauer ou Matthäus? Estaremos perante o fim do tiki-taka?

Thursday, July 3, 2008

Os altos e baixos do Euro 2008

Em jeito de balanço, gostaria de destacar três pontos altos e três aspectos menos positivos do Euro que findou no último Domingo. Com efeito, creio que existirá uma unanimidade relativamente à boa qualidade do futebol praticado, competitivade do torneio e vencedor inesperado, dado o seu historial. Não obstante, nem só de coisas boas se fez este Europeu. Comecemos então pelas questões menos positivas:

  • Grécia. Teria sempre de se esperar muito mais dos campeões europeus em 2004. Creio que Otto Rehagel não foi lesto a retirar as devidas ilações do apuramento para o Mundial de 2006. O futebol que lhe permitiu levar de vencida o campeonato organizado em Portugal foi perdendo os seus encantos e necessitava de evoluir. Ao recusar fazê-lo, Rehagel acabou por cavar um buraco na areia para si e para os seus jogadores. Grande parte das selecções sabia perfeitamente o que fazer para vencer a Grécia. Notou-se.
  • França e Itália. Pessoalmente, creio que a desilusão francesa é incomparavelmente maior, uma vez que parece decididamente uma embarcação completamente à deriva, sem rumo nem timoneiro. Quanto à Itália, apesar dos meus progonósticos, acabou eliminada nos penalties às mãos dos futuros campeões europeus, revelando falta de eficácia tanto a atacar como a defender e a ausência de desequilibradores para além de Pirlo.
  • A estrutura da competição. Muito já se falou, antes do Europeu, sobre a esquematização do mesmo. Emparelhar dois grupos até à final poderia ter-se relevado complicado, causando repetições de jogos de duas partidas após o final dessa fase. Creio que não haveria essa necessidade.

Em relação aos pontos altos, havendo muitos a destacar, gostaria de realçar três, começando pelo óbvio:

  • Espanha. Boa organização de jogo, boa forma de encapotar as falhas da sua própria equipa, um guarda-redes que não comprometeu e dois avançados muito bons (embora Torres tenha estado um pouco aquém das suas prestações em Inglaterra, o que nos poderia levar para a questão da qualidade dos defesas em terras de Sua Majestade). Xavi e Marcos Senna foram duas peças fundamentais, mas convém não esquecer Fabregas, Iniesta ou Villa.
  • Alemanha. Terceiro lugar no último mundial e finalista vencida no último Europeu. Se levarmos em conta as prestações anteriores a essas competições, poderemos ver que a Mannschaft foi capaz de dar a volta a uma tendência negativa que se vinha desenhando há alguns anos a esta parte, provando que uma boa mentalidade e eficiência são capazes de disfarçar falhas aparantemente muito importantes.
  • Turquia. Bem sei que, quando se fala na equipa de Ancara, se fala especialmente do seu "coração", fazendo referência à sua capacidade de luta. No entanto, por mais importante que seja, os turcos demonstraram algo mais do que isso - boa qualidade de jogo, boas movimentações, excelente leitura do jogo adversário e uma invulgar capacidade de sofrimento e entreajuda. Ao contrário do que o próprio afirmara anteriormente, o seleccionador Fatih Terim continuará até 2012.

Monday, June 30, 2008

Um vencedor inesperado

A Espanha nunca seria a minha aposta para vencer o Euro 2008. Não porque tivesse uma má equipa ou não merecesse estar na competição, mas sim pela já famosa tremideira nas pernas sempre que a ocasião era importante e por Aragonés. Não tendo idade suficiente para me lembrar de todas as glórias do decano treinador espanhol, propaladas sempre que é interveniente num jogo, apenas me recordo dos constantes disparates do mister espanhol, sejam eles tácticos ou mais sérios (como o caso de Reyes e Henry, por exemplo). Na verdade, sempre que vi equipas orientadas por Aragonés, vi onzes confusos, sem grandes ideias e uma leitura de jogo a fazer lembrar Scolari. Para além disso, havia a questão Raúl; hoje, dia a seguir à final do Euro, não se ouvirá ninguém dizer que foi uma má decisão, mas relembro o ruído que se gerou em Espanha devido a tal opinião.

Não obstante o que pudesse pensar, a Espanha foi a melhor equipa do Europeu, especialmente por ter sido a mais constante, a que melhor noção tinha do jogo que queria implementar e como poderia levar as suas intenções avante. Ontem, os espanhóis apenas sentiram algumas dificuldades no início (provando que tanto Puyol como Sérgio Ramos eram vulneráveis), devido ao pressing alemão que fez com que La Roja não tivesse o espaço necessário para criar jogo numa primeira fase. Ao fim dos primeiros 15 minutos, a Espanha desembaraçou-se e não mais recolheu as garras.

Com efeito, com Torres sozinho na frente de ataque, a equipa espanhola jogava num 4x1x4x1, com Senna atrás de Xavi, Iniesta, Fabregas e Silva. Desta forma, com algumas movimentações interessantes de Fernando Torres -ontem melhor do que no resto da competição - (ora caindo para a faixa lateral, ora apostando na sua velocidade e na lentidão dos defesas germânicos), havia sempre pelo menos um homem solto, graças também às trocas de bola e posição entre os homens do meio-campo, trabalhando sempre para que um deles pudesse encarar o meio-campo adversário e, com isso, fazer passes em profundidade para as costas dos laterais espanhóis. Foi assim que, aos poucos, a Espanha foi empurrando uma Alemanha que demonstrou todas as falhas que se lhe conheciam. A diferença foi que, desta vez, não houve Ricardo nem Rüstü e, como tal, nunca a Espanha teve de andar atrás do resultado.

Por seu turno, a Alemanha demonstrava o que se adivinhava: centrais com imensas dificuldades ao nível técnico e da velocidade, Lahm com um desempenho sofrível em termos defensivos (o primeiro golo foi mais um exemplo disso mesmo) e um Hitzlsperger que parece fazer pouco na equipa. Ballack pareceu sempre alheado do jogo (como quase sempre acontece), mas, desta feita, não teve livres nem remates de fora para brilhar - e isso costuma ser muitas vezes suficiente para fazer com que o capitão da Mannschaft não mais apareça em jogo. Klose bem lutou entre os centrais espanhóis, mas, sem apoio em condições, era difícil fazer melhor.

O outro momento em que a Espanha vacilou e que poderia ter alterado o rumo dos acontecimentos foi a entrada de Kuranyi para o lugar do inadequado Hitzlsperger. Durante 5 a 10 minutos, a Espanha pareceu não estar preparada para a alteração táctica (4x4x2, com Podolski e Schweinsteiger nas alas e Ballack e Frings no meio) e chegou mesmo a mostrar-se confusa. No entanto, a entrada de Xabi Alonso reequilibrou as contas e a Espanha continuou a fazer o que queria da defesa alemã e só não marcou porque não quis, ficando a dever a si própria vários golos mais.

Pessoalmente, tenho de confessar que preferia uma vitória da Espanha, embora temesse uma reedição da tradicional falta de nervo espanhola em momentos importantes, quer antes da final, quer durante os primeiros 15 minutos. No entanto, esta selecção pareceu quase sempre bastante focada no objectivo final e (estranhamente para mim) bem orientada em termos tácticos, raramente abdicando do seu jogo. Tenho para mim que, não fora Marcos Senna, a Espanha não teria conseguido chegar tão longe, pois sempre teve jogadores de craveira igual ou superior à de Xavi, Iniesta ou Silva, mas raramente pôde contar com um jogador tão inteligente, disponível e físico como o brasileiro naturalizado espanhol do Villareal. Graças a ele, os restantes elementos do meio-campo e da defesa puderam encarregar-se mais descansadamente das suas acções. Graças a ele, Ballack não se viu e a Alemanha quase nunca conseguiu entrar pelo meio. Graças (também) a ele, a Espanha tinha sempre uma boa hipótese de começar ou continuar o seu jogo ofensivo e um constante equilíbrio defensivo.

Friday, June 27, 2008

Derrota por falta de comparência

Como que para comprovar a minha ignorância e a falibilidade das minhas "previsões", a Rússia perdeu ontem de forma absoluta. Não perdeu, como a Turquia, porque a sorte lhe foi madrasta, por ter do outro lado uma equipa alemã com a estrelinha de campeã ou por um qualquer capricho do árbitro. Pelo contrário, ao invés do que tinha dito, a selecção russa foi categoricamente derrotada, com a mesma diferença de golos do jogo da primeira jornada: 3-0. Muito honestamente, creio que a Rússia perdeu por culpa própria. Não faltam nem faltarão os arautos das qualidades espanholas, de Xavi a Iniesta (excelente assistência no primeiro golo - vamos fazer de contas que a intenção não era rematar à baliza, mas sim um passe magistral para Xavi), de Fabregas a Villa, o grande ausente da final; eu não serei um desses arautos.

A Rússia perdeu porque nem sequer entrou em campo. Na verdade, o seu Europeu pareceu terminar no momento em que o árbitro deu como terminado o jogo dos quartos-de-final frente à Holanda. Enquanto via esse jogo com amigos, foram vários os que manifestaram a sua surpresa para com a forma física da Rússia, como se parecessem querer trucidar os holandeses, independentemente do lugar nas meias-finais. Nenhum de nós conseguia perceber como é que aquela selecção parecia estar em tão melhor forma física e de que forma é que todo aquele entusiasmo não teria reflexos nocivos no jogo seguinte. Pois bem, os reflexos foram muito mais do que nocivos. A selecção russa não compareceu ao jogo.

Há que dar mérito ao plano de jogo espanhol, naturalmente, mas não demasiado. Não creio, à semelhança dos vários textos que já li hoje, que tenha sido a Espanha a anular as principais armas russas. Se é certo que Sérgio Ramos escolheu precisamente o jogo de ontem para me fazer ver que é melhor jogador do que eu penso, colocando imensas dificuldades a Zhirkov, não é menos verdade que a Rússia esteve longe de desenvolver as suas movimentações e muito mais longe de interpretar bem a táctica da Espanha (que não surpreendeu nada nem ninguém com a sua forma de jogar). Tenho noção de que "queimei a língua", como se costuma dizer, ao apostar na Rússia para vencer a Espanha, mas não nego que o jogo da armanda espanhola emperra muito facilmente se lhe retirarem o comando do jogo (como os russos haviam feito à Holanda) e com uma pressão mais alta, uma vez que os castelhanos privilegiam o ritmo lento e em progressão, ficando muitas vezes desposicionados ao defender.

Parabéns à Espanha - acima de tudo, por ter conseguido chegar até aqui, algo que não faziam há várias décadas. Esta geração demonstrou, não obstante todas as suas falhas, maior força de carácter do que as anteriores fornadas de Michel, Hierro, Butragueño, entre outros.

Gostava apenas de acrescentar uma última nota: a Espanha dominou todo o jogo, indiscutivelmente, mas os golos apenas surgiram depois da substituição de Villa por Fabregas. Com esta alteração, a Espanha deixou de ser a única equipa a actuar com dois pontas-de-lança (com Villa a sobrepor-se de forma notória a Torres em todos os aspectos), para passar a actuar mais perto de um 4x2x31, muito semelhante ao alemão). Duvido que Aragonés arrisque na colocação de Güiza no onze inicial, o que, a acontecer, deverá proporcionar um maior equilíbrio entre as partes.

Monday, June 23, 2008

Quem quer empatar acaba por perder, muitas das vezes

Esta é uma das frases mais frequentemente ouvidas aos comentadores sábios e sabidos do futebol. Apesar de não deixar de ter algum fundo de verdade, nem sempre se aplica. Especialmente no caso dos italianos. Confesso que nutro um certo tipo de amor/ódio pela selecção transalpina. Por um lado, não consigo ficar indiferente à forma como as sucessivas selecções italianas conseguem dominar o jogo, asfixiar o adversário, sofrer constantes ondas ofensivas dos adversários, criar três ocasiões de golo (por vezes, menos) e marcar numa delas. É um misto de sobriedade, disfarce das próprias insuficiências, cinismo e eficácia que me deixa sempre inclinado a admirá-los. Por outro lado, como espectador, não posso dizer que fique entusiasmado sempre que penso que a Itália vai jogar - antevêem-se sempre jogos com poucos golos, sem muitas ocasiões para marcar, muito faltoso e de resultado quase sempre certo. Ou seja, retira tudo o que de bom há no futebol: imprevisibilidade, espectáculo, golos.

Já tinha escrito anteriormente que a Itália sem Pirlo e Gattuso seria significativamente diferente. Com efeito, não há ninguém nesta selecção que possa preencher o lugar de Pirlo, seja na posição 6 ou 10, uma vez que tanto Perrotta como de Rossi são jogadores com características completamente diferentes. Desta feita, a Itália apostou num 4x4x2 (losango, na maior parte do tempo), deixando Luca Toni sempre sozinho na frente, com Cassano - um dos maiores flops da história do futebol - a descair para o flanco esquerdo, tentando aproveitar as subidas despropositadas de Sérgio Ramos e a falta de adaptação ao lugar de defesa-direito. Com de Rossi, Perrotta, Aquilani e Ambrosini (o elemento "estranho" neste meio-campo da Roma), a Itália abafava muito do jogo de que a Espanha necessita para criar espaços. Jogando mais atrás do que o costume e apostando nas constantes bolas longas para Cassano e/ou Toni, a Itália não teve qualquer problema em dar a iniciativa de jogo à Espanha, com os quatro elementos do meio-campo sempre mais preocupados em defender.

Como tal, não foi minimamente surpreendente ver que a Xavi, Iniesta e Senna não conseguiam fazer o que queriam: constantes trocas de posições e de bola, tentando abrir espaços para as diagonais de Villa e Torres. Dado que a selecção italiana jogava muito encostada à sua área, não havia lugar às acelerações com e sem bola dos avançados espanhóis. Villa foi porventura o único a conseguir jogar entre as linhas defensivas italianas, fugindo às suas marcações.

A selecção italiana passou os 120 minutos satisfeita com o empate, assente no pressuposto de que, uma vez que tinham o melhor guarda-redes, os penalties seriam apenas um procedimento necessário e obrigatório, mas de resultado garantido. Afinal de contas, os espanhóis jogavam contra o fardo da tradição: tinham perdido 3 vezes no dia 22 de Junho nos quartos-de-final de uma competição e não venciam a Itália em competições oficiais há 88 anos. Nada melhor do que vencer o jogo para "matar o borrego" de uma vez por todas. E assim foi.

Não consigo afirmar que a Espanha mereceu ganhar, mas sei que não merecia perder. A Itália refugiou-se constantemente naquele deixar passar o tempo tão característico de uma Juventus ou Milan, com os seus jogadores a congratularem-se no final dos 120 minutos regulamentares, como se a vitória estivesse ali à espreita, garantida, certa. Desta feita, Buffon não foi suficiente, apesar de ter defendido um dos cinco remates. A Itália ficou órfã da classe de Pirlo e da garra de Gattuso e mostrou que o seu banco estava repleto daquilo a que os americanos chamam "role players" (jogadores de suporte), mas ninguém capaz de mudar os acontecimentos do jogo. E quando assim é...

Quanto à Espanha, demonstrou novamente enormes dificuldades para segurar um ponta-de-lança forte (Ibrahimovic já tinha sido um pesadelo), alguma debilidade na recuperação das posições defensivas e um Sérgio Ramos que insiste em apostar na sua suposta velocidade e técnica, mas que acaba por desequilibrar (e muito) a defensiva castelhana. Os russos têm sido mestres em saber aproveitar esses espaços e não me admiraria nada se visse Arshavin e/ou Zhirkov em grande velocidade repetidas vezes.

Thursday, June 12, 2008

Os pontos fora das contas

A primeira semana do Europeu não acabou, bem o sei, mas penso que está na altura de tecer algumas considerações extra-Selecção nacional. Gostaria de ressalvar alguns pontos positivos e um ou outro negativo, com algumas previsões pelo meio.

1) Itália. É indiscutível que a Itália foi para muita gente a surpresa (pela negativa) do Europeu, até agora, ao sofrer três golos sem resposta de uma Holanda em quem não parecia haver muita a gente disposta a apostar. Pois bem, pessoalmente, e sem tirar qualquer brilho à exibição da Holanda, continuo a achar, mesmo depois de todas as análises de crise do futebol italiano, da culpa do treinador e do catenaccio, que os transalpinos não jogaram assim tão mal quanto se diz e pensa, embora se tenham colocado numa posição difícil num grupo extremamente complicado. A Itália continua a ter uma estrutura muito forte (apesar de a sua defesa ter dado alguns sinais de instabilidade), com um meio-campo muito bom - Pirlo faz as delícias de qualquer um, jogando como 10 a partir da posição de "trinco", sempre bem resguardado por Ambrosini à esquerda e Gattuso à direita -, um ponta-de-lança que aguenta tudo e todos para distribuir jogo e marcar o seu golo de quando em vez e um Di Natale muito veloz e inteligente. A única pecha parece-me ser mesmo Camoranesi, sempre indeciso entre jogar "à Itália" e "à Juventus". Para mim, a Itália está longe de ter feito o último jogo do seu Europeu.

2) Holanda. Um jogo muito bom, sem dúvida, de uma equipa muito mais equilibrada do que o costume, em parte devido à experiência de homens como Ooijer ou Bronckhorst e ao duo de centro-campistas batalhadores que guardam as costas de um Sneijder sempre fantástico e de um van Nistelrooy sedento de golos, ao que parece. No entanto, a Holanda tem raramente o condão de ofuscar ao início para se desvancer quando verdadeiramente importa. Creio que esta equipa tem bom potencial e alcançou uma excelente vitória frente à Itália, mas já não vai poder ter o estatuto de "dark horse" na segunda jornada.

3) Espanha. Uma boa vitória. É indiscutível que foi frente a uma equipa russa com muito poucos argumentos, ao contrário do que seria de esperar, mas quantos vacilam frente a adversários teoricamente mais fáceis (a própria Espanha que o diga). Espanha tem neste momento duas coisas que raramente teve: dois pontas-de-lança muito bons, que se completam de forma quase absoluta (Villa é para mim um dos avançados mais subvalorizados) e um meio-campo com excelente conhecimento de andamentos de jogo composto por Xavi, Iniesta, Xabi Alonso e Marcos Senna. A defesa parece-me lenta e algo exposta, especialmente quando sujeita a pressão alta. A ver vamos se Aragonés ainda vai a tempo.

4) Rússia e Turquia. Pessoalmente, duas das maiores desilusões. Quanto à Suíça e Áustria, creio que não se podia esperar algo de muito diferente de equipas do segundo/terceiro escalão do futebol mundial. Não estava à espera que tanto Russia como Turquia vencesse o Europeu, mas imaginei que tanto uma como outra selecção fosse conseguir impor algum do seu futebol e causar um ou outro incómodo. Pode ser que ainda vão a tempo, mas os sinais apresentados não deixam antever grandes surpresas..

Posto isto, gostaria apenas de fazer referência a alguns jogadores que se revelaram ou confirmaram o seu estatuto:
  • Deco - Agastado com as constantes dúvidas em torno da sua atitude e do seu futebol e respaldado no facto de não ter feito demasiado jogos, ameaçou isto desde que chegou à concentração: perfeito domínio dos tempos de jogo, passes de risco de longa distância capazes de fazer tremer as basculações das equipas adversárias, sem medo do jogo. O Deco de antigamente.
  • Moutinho - Conforme já expresso noutro ponto deste blogue, impecável a defender, sempre disponível para atacar, não vira a cara à luta e tem sido uma boa parte do segredo desta Selecção.
  • Sneijder - Impressionante, este holandês. Inteligente, rápido, excelente primeiro toque e reacção, só tem a melhorar.
  • Pirlo e Zambrotta - Apesar de derrotados, creio que merecem um destaque positivo. Pirlo correu a tudo, nunca deixou de pedir bola e tentar organizar jogo, apesar de o jogo nem lhe ter corrido de feição. O todo-o-terreno das laterais Zambrotta acaba o jogo como começou: sempre fresco, pronto a apoiar ataque e defesa, como se estivesse a ouvir música no seu iPod.
  • Villa - Diagonais impressionantes, óptima capacidade física, sempre disposto a arriscar e a fazer os movimentos necessários para se libertar a si ou ao seu companheiro de ataque, Fernando Torres. Muito bom, mesmo.

E ainda nem acabou a primeira semana...