Como é possível que um lançamento lateral a nosso favor termine como jogada de golo na nossa própria baliza?
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Friday, January 18, 2013
Uma simples questão
Como é possível que um lançamento lateral a nosso favor termine como jogada de golo na nossa própria baliza?
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Monday, October 22, 2012
Manchester United - Stoke City: dois mundos diferentes
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| Equipas iniciais |
A partida que opunha Manchester United e Stoke City prometia ser uma das batalhas tácticas mais interessantes da jornada, com duas abordagens previsivelmente muito diferentes. Subsistiam inclusivamente algumas dúvidas sobre se o Manchester United seria capaz de contrariar a ameaça aérea do Stoke.
A forma mais óbvia (e já um cliché, nos dias que correm) de distinguir o Stoke City de quase todas as restantes equipas consiste em analisar os passes realizados com destino no último terço do terreno. Com Peter Crouch, Tony Pullis não hesita por um momento em optar por um jogo mais directo, especialmente contra adversários mais fortes. Quanto ao United, o jogo mais baseado no passe e desmarcação acabaria por resultar e por ser determinante para o resultado.
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| Passes das duas equipas no último terço do campo |
A abordagem do Stoke era muito simples - mas eficaz: enviar a bola para Crouch (particularmente no lado de Ferdinand), o qual a remetia para Kightly ou Walters - as competências de Crouch de fazer a equipa jogar são frequentemente menosprezadas. Muito provavelmente cientes das dificuldades de Ferdinand e Evans pelo ar e da falta de ritmo de Scholes e Carrick para recuperar as segundas bolas, os forasteiros insistiam em executar essa jogada uma e outra vez. Os comandados de Pullis permaneciam compactos num 4x1x4x1 - não excessivamente retraído, inesperadamente - e atacavam o Manchester United quando estes tentavam entrar pelo centro, partindo em rápidos contra-ataques.
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| Desarmes e intercepções do Stoke City, predominantemente no lado esquerdo. |
Para além disso, com Valencia e Welbeck a ficarem pelo ataque e com Rooney mais adiantado do que o habitual, os extremos do Stoke flectiam para dentro sem oposição, confundindo ainda mais as marcações do Manchester United. Na verdade, antes de os comandados de Sir Alex Ferguson igualarem a partida, o Stoke City poderia ter duplicado a vantagem sem que isso causasse qualquer surpresa. Embora apenas tenham usufruído de 36% de posse de bola, a equipa de Tony Pulis revelou-se muito mais incisiva durante boa parte da primeira metade.
O Manchester United começou a encontrar o seu ritmo à medida que o seu ataque se foi tornando mais fluido. Van Persie, Rooney e Welbeck podem trocar de posição entre si, algo que não fizeram durante os primeiros 30 minutos. Van Persie deu o exemplo ao deslocar-se cada vez mais para a ala esquerda, deixando o centro para as investidas de Rooney a partir de trás, o que acabaria por resultar no primeiro golo dos visitados.
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| Gráficos dos passes de Van Persie e Rooney (assistências a amarelo) |
Estes três jogadores viriam a marcar e a fornecer as assistências para todos os golos do Manchester United (com excepção da assistência de Valencia para o tento de Van Persie). Dos três, o avançado holandês mostrou ser o mais perigoso e o mais difícil de marcar, uma vez que ocupou diversas zonas do terreno, levando os seus companheiros a procurar outras posições. Welbeck provou mais uma vez que é mais forte em zonas mais interiores e Rooney demonstrou novamente que é um jogador completo, com talento para jogar em qualquer posição.
Resta ainda uma última questão para cada equipa. O segundo golo do Stoke City ofereceu novo exemplo da necessidade do Manchester United de contar com um jogador defensivamente mais competitivo no seu meio-campo e de abordar as suas fragilidades pelo centro - o segundo tento do Stoke foi invulgarmente semelhante à forma como o Tottenham destroçou o Manchester United há algumas semanas. No que diz respeito ao Stoke, embora esta abordagem possa dar frutos contra equipas mais fortes, será necessário um modelo mais elaborado caso pretendam subir na tabela.
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Tão perto, mas tão longe
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| Equipas iniciais |
Havia um enorme burburinho à volta deste encontro, com o Tottenham de de André Villas-Boas a defrontar o seu antigo clube. Iria o treinador português instigar a sua equipa a entrar no jogo em força desde o apito inicial ou iriam os Lilywhites adoptar uma postura mais cautelosa?
Enquanto o Chelsea se debatia com as ausências de John Terry (suspenso) e Frank Lampard (no banco), ao Tottenham faltavam igualmente dois jogadores chave: Moussa Dembélé e Gareth Bale, criando uma parceria entre Tom Huddlestone e Sandro no meio-campo, com Dempsey no flanco esquerdo. Infelizmente para o Tottenham, essas ausências revelaram-se mais importantes do que as do Chelsea ao longo de todo o jogo.
Sem nenhuma das equipas interessada em pressionar à frente, a equipa de Roberto Di Matteo mostrava-se claramente mais confiante e mais segura no momento da posse de bola. Sem o contributo defensivo de Bale e Dempsey pouco disposto a recuar rapidamente, o Chelsea insistiu pelo flanco direito, criando constantemente situações de superioridade numérica.
O Tottenham patenteava enormes dificuldades em sair a jogar. Com Gallas e Caulker no centro da defesa - nenhum dos dois particularmente à vontade a distribuir jogo -, um jogador como Dembélé é essencial, uma vez que pode manter a posse de bola e passar por adversários antes de abrir o jogo. Para além do mais, trata-se de uma equipa que gira em torno da velocidade pura de Bale para a saída de bola, uma directriz que foi anulada devido às diferentes característica de Dempsey. A simples mudança do norte-americano para a ala causou não só uma ineficiência no flanco esquerdo, mas removeu igualmente a incisividade de Desmpey no centro, onde é exímio a aproveitar segundas bolas do seu ponta-de-lança, ao contrário de Sigurdsson. Por seu turno, o médio islandês jogava demasiado à frente para ajudar defensivamente, mas não criava situações de perigo durante os momentos ofensivos - como é frequentemente intenção do treinador ao colocar um jogador deste tipo em posições tão adiantadas. AVB acabaria por perceber isso mesmo e Sigurdsson e Dempsey acabariam por trocar de posição a meio da primeira parte.
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| O contraste nítido do contributo de Dempsey entre a primeira e a segunda metade da 1ª parte. |
Para uma equipa com rotinas tão inculcadas no lado esquerdo, Aaron Lennon tinha de compensar essa ausência, algo que não fez até ao minuto 25, espalhando imediatamente o pânico na defesa do Chelsea. Na verdade, Lennon viria a criar a melhor oportunidade do Tottenham com Sigurdsson como destino dez minutos mais tarde. O Chelsea chegava ao intervalo a vencer e com toda a justiça.
A segunda metade foi totalmente distinta. O Tottenham libertou-se do medo de atacar e obrigar o duo de médios do Chelsea a trabalhar, algo que deu frutos de forma quase imediata, através do golo de Gallas aos 46 minutos. Alguns minutos depois, a equipa visitada marcaria o segundo tento quando Defoe desviou o remate enrolado de Lennon. Embora os primeiros 15 minutos do Tottenham se tenham ficado a dever em parte à maior intensidade e dinâmica, é importante destacar o contributo de Lennon, uma vez que era o único jogador da equipa da casa (com a excepção do fiável e impressionante Jermaine Defoe) capaz de ultrapassar adversários em situações de 1x1, levando ao seu desposicionamento.
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| A diferença entre a primeira e a segunda parte é nítida, com toda a equipa do Tottenham mais ampla e avançada. |
O encontro parecia então nas mãos do Tottenham. O Chelsea parecia perdido e incapaz de inverter a situação. Embora o papel de Mata e Hazard na remontada final tenha sido absolutamente fundamental, houve dois factores que actuaram contra o Tottenham: a menor capacidade de Gallas e a ténue protecção do meio-campo à sua linha mais recuada.
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| Os diferentes contributos defensivos de Sandro e Huddlestone |
A ausência de Bale foi obviamente importante, mas a de Dembélé poderá ter sido ainda mais importante. Para além da sua capacidade de oferecer constantemente uma saída de bola, o seu desempenho defensivo é igualmente relevante. O gráfico apresentado mais acima apresenta as distintas participações defensivas de Sandro e Huddlestone, uma diferença que se tornou mais nítida à medida que o encontro se desenrolava. na verdade, a fadiga de Huddlestone foi causa directa do segundo golo do Chelsea e a sua substituição pecou por tardia.
No que diz respeito a Gallas, AVB deverá por certo ansiar pelo regresso de Kaboul ou Assou-Ekotto. Apesar do seu impressionante e vitorioso palmarés, as limitações do defesa-central francês ficaram uma vez mais à vista. Infelizmente para Gallas, o francês já não é o mesmo jogador sólido e fiável que foi em tempo e a partida de Sábado apenas expôs ainda mais as suas fragilidades. Não só o seu posicionamento se tem revelado questionável - originando alívios mal direccionados -, mas a sua leitura de jogo também parece estar a ressentir-se, como ficou provado no terceiro golo do Chelsea.
Esta foi uma partida que o Tottenham poderia e deveria ter vencido após recuperar da desvantagem inicial, não fora por alguns pecadilhos críticos no meio-campo e na defesa. Dembélé e Bale regressarão em breve, tal como Parker, Kaboul e Assou-Ekotto, o que apenas tornará a equipa mais forte. Não obstante a derrota, André Villas-Boas poderá encontrar consolo ao ver que a sua equipa está a evoluir e a caminho de se tornar suficientemente poderosa para se bater com os seus adversários olhos nos olhos.
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Monday, October 1, 2012
Os golos do Tottenham à lupa
No passado sábado, o Tottenham de André Villas-Boas derrotou o Manchester United no seu próprio reduto, algo que os Hotspurs não logravam há 23 anos - o que poderá vir a revelar-se decisivo para a equipa de AVB. Todos os golos dos Lilywhites tiveram origem na preocupante tendência patenteada pelo United de não estar à altura de adversários mais capazes, ao longo dos últimos anos (nomeadamente após a partida de Carlos Queiroz).
Com Carrick e Scholes no centro do terreno, e Nani e Giggs nas alas, o aparecimento de espaço no meio-campo defensivo do United previa-se frequente, mas a pavorosa exibição do seu meio-campo e defesa deverá estar a deixar Sir Alex Ferguson bastante preocupado. Nesse sentido, partir-se-á para a análise dos golos do Tottenham em maior detalhe, de modo a elucidar algumas das fragilidades dos Diabos Vermelhos.
- Golo n.º 1
Houve alguns padrões repetitivos ao longo do jogo, no que diz respeito ao posicionamento defensivo. Neste caso em particular, é possível constatar que tanto Carrick (verde) como Scholes (azul) estão afastados da zona da bola, incapazes de proporcionar uma cobertura defensiva adequada. As linhas amarelas tracejadas representam a "tabela" iniciada por Vertonghen (que viria a marcar o golo).
Jermaine Defoe (amarelo) leu o jogo na perfeição e deslocou-se imediatamente para a ala, desposicionando com isso Rio Ferdinand. A "tabela" permite a Vertonghen superar a ténue oposição de Nani.
O movimento de Defoe abre um enorme buraco no centro da defesa do Manchester United (área sombreada). Carrick (verde) e Scholes (azul) já estão atrasados e longe da posição ideal.
Mesmo ao fim de alguns segundos, Carrick (verde) e Scholes (azul) continuam atrasados em relação ao lateral-esquerdo do Tottenham, o qual teve de controlar a bola e resistir à oposição dos seus marcadores. Ferdinand hesita também e a área crítica do campo (área sombreada) na qual Vertonghen irá marcar permanece desprotegida.
- Golo n.º #2
O Manchester United acaba de perder a bola. Scholes (azul) não pressiona Dembélé (o portador da bola) nem oferece cobertura. A área sombreada representa o enorme buraco no meio que se abria frequentemente para os contra-ataques da equipa londrina. Gareth Bale (vermelho) começou próximo da sua área e acabaria por marcar o golo.
Dembélé passa facilmente por Scholes e nenhum jogador do Manchester United se aproxima para encurtar o espaço ou obrigar o Tottenham a deslocar-se para as alas. Gareth Bale já passou pelo seu "marcador" e tem campo livre à sua frente (área sombreada).
Uma vez mais, Defoe (amarelo) demonstra uma compreensão intuitiva do jogo e começa a fazer o movimento oposto, desposicionando Jonny Evans. Bale (vermelho) recebe a bola sem qualquer marcação e não há ninguém nas imediações. Scholes (azul) está já 5 metros atrás do seu adversário. O Tottenham criava facilmente uma situação de 2x2 em poucos segundos.
Mesmo ao fim de todo este tempo, Evra permanece bem aberto na ala, local em que não pode ser útil à equipa. Defoe (amarelo) prossegue o seu movimento e Bale (vermelho) ataca o espaço vagado pelo seu companheiro de equipa - movimento ofensivo típico. Note-se a distância entre o extremo galês e Ferdinand (laranja). Bale viria a ultrapassar o defesa-central inglês para marcar o segundo golo.
Com Evans fora da jogada, graças ao trabalho árduo de Defoe, Bale (vermelho) tem caminho livre à sua frente em direcção à baliza. Uma vez mais, nem Carrick, nem Scholes, nem Evra ou Rafael estão suficientemente próximos para ajudar. O golo de Bale foi facilitado em demasia e as equipas na Liga dos Campeões estarão atentas à oportunidade de castigar a abordagem defensiva do United.
- Golo n.º #3
O United acaba de perder a bola, uma vez mais. Dembélé ultrapassa facilmente Scholes (azul) e fica liberto de qualquer marcação.
Com Scholes já fora da jogada, Dembélé pode escolher o melhor passe. A área sombreada representa o enorme buraco que o United abriu novamente entre as linhas e como uma simples bola longa pode contornar todo o meio-campo do United.
Usando da máxima franqueza, esta jogada foi quase inenarrável. Ferdinand (laranja) é novamente desposicionado no seguimento do passe longo de Dembélé na direcção de Defoe. Carrick (verde) e Scholes (azul) não pressionam nem proporcionam cobertura. Como se não bastasse, Rafael (vermelho) parece continuar sem compreender alguns dos fundamentos básicos da sua posição e permanece em linha com Ferdinand e Evans, em vez de dar alguns passos atrás. Note-se como Bale se apercebe imediatamente desse facto e pede a bola no espaço, com o braço. Clint Dempsey (amarelo) dá por si sem qualquer marcação na área mais importante do terreno.
Defoe coloca à bola à frente de Bale para o remate deste último. Carrick (verde) e Scholes (azul) não oferecem qualquer resistência aos seus oponentes. Na área mais importante do terreno, Evans está só (área sombreada) contra três jogadores do Tottenham. Como seria de esperar, Dempsey não teve qualquer dificuldade em aproveitar a defesa incompleta de Lindegaard e marcar o terceiro golo do Tottenham no encontro.
- Conclusão
Se o Manchester United pretende apresentar uma candidatura séria ao título e/ou melhorar o seu rendimento na Europa relativamente às prestações catastróficas da época passada, convirá recorrer a um extensivo trabalho ao nível do posicionamento defensivo. Caso contrário, irá certamente sofrer às mãos de qualquer equipa que se mostre capaz de contra-atacar pelo centro. À medida que o tempo vai passando, é cada vez mais difícil de compreender ao certo o que leva Sir Alex Ferguson a insistir em deixar o seu meio-campo tão desprotegido.
No que ao Tottenham diz respeito, embora não tenha marcado nem contribuído com qualquer assistência, Jermaine Defoe foi fundamental para a vitória, conforme Michael Cox fez notar de forma tão pertinente. A sua movimentação inteligente foi essencial para arrastar os marcadores dos seus companheiros para fora das suas posições e deverá servir para mostrar que o trabalho de um ponta-de-lança envolve muito mais do que apenas inserir a bola na baliza.
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Monday, May 7, 2012
O derradeiro confronto de estilos
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| Equipas e movimentações iniciais |
Na passada segunda-feira, Newcastle e Manchester City encontraram-se em nome das suas ambições. O City jogava para o título, após derrotar o Manchester United há uma semana atrás e o Newcastle pretendia continuar a aspirar a um lugar na Liga dos Campeões do próximo ano. Embora tenha sido um jogo interessante, debruçar-nos-emos sobre aspectos específicos e na forma como traduzem uma visão diferente sobre o futebol.
Com efeito, esta partida foi um dos melhores exemplos do confronto entre o futebol inglês e o continental. Tal como Roberto Mancini, o treinador do Newcastle, Alan Pardew, optou por manter o mesmo onze que vencera em Stamford Bridge há alguns dias - um 4x4x2 híbrido, dado que Gutiérrez colabora defensivamente e actua em terrenos mais interiores do que Ben Arfa. Para além disso, Ba ficava atrás de Cissé, descaindo para a esquerda.
Por seu turno, o Manchester City também manteve a mesma equipa e abordagem, embora Yaya Touré tivesse actuado de forma mais contida do que o habitual - antes de se deslocar para zonas mais avançadas, no decorrer da segunda parte. Com Nasri, Tévez e Silva, os forasteiros mostravam-se extremamente móveis e, devido à baixa estatura dos seus avançados, insistiam em atacar pela ala.
- Ataque
Conforme explicitado mais atrás, as duas equipas denotavam abordagens bastante diversas. O Newcastle dava ares de uma típica equipa britânica dos anos 90. Com Ba e Cissé, a equipa da casa não tinha pejo em lançar bolas longas (especialmente o guarda-redes Tim Krull), geralmente com Ba a tentar lançar Cissé. Quando não resultava, Ben Arfa era o escolhido, na esperança de uma acção mais individualista.
Por outro lado, os homens de Mancini mantiveram-se fiéis ao seu futebol de passe e movimentação. Tal como referido, Touré preocupou-se mais com as suas tarefas defensivas, mas os Citizens continuaram a carregar pelo flanco direito. Ao contrário do seu adversário, criaram superioridade numérica nas alas, particularmente quando Tévez descaía para esse lado, juntamente com Nasri e Zabaleta. Com Cabaye mais adiantado, Tioté tinha de optar por cobrir essa ala e deixar o centro aberto ou deixar Santon e Gutiérrez à sua sorte. Na maioria das vezes, decidiu-se pela segunda opção.
- Defesa
A partida de ontem foi o exemplo acabado de como desconstruir a estratégia das duas linhas de quatro homens. O Newcastle utilizou esta aparentemente redescoberta abordagem e sofreu muito à custa disso. Ao dar-se ao luxo de deixar pelo menos dois homens na frente (Ba e Cissé e, por vezes, Ben Arfa), o meio-campo dos visitados foi constantemente ultrapassado com simples triangulações, embora se trate de uma equipa bem trabalhada ao nível defensivo. Ainda assim, foi estranho não ver o habitualmente perfeccionista Pardew efectuar os ajustes necessários ao intervalo.
Foi evidente que Mancini estudou o seu oponente, tendo colocado Touré sobre a direita do seu meio-campo para ajudar Kompany e Zabaleta nos duelos aéreos com Ba e Cissé. Ao fazê-lo, os homens de Mancini foram capazes de suster a ameaça do Newcastle, uma vez que a sua bola de saída preferencial não surtia efeito. Com este aspecto em particular, Mancini demonstrou uma vez mais preferir uma abordagem cerebral (continental) ao invés de emocional (britânica). O único erro do City ao longo da partida residiu na liberdade conferida a Ben Arfa, jogador que poderia ter sido decisivo, mas o seu líder técnico foi suficientemente inteligente para introduzir Nigel de Jong, de modo a que Barry pudesse prestar mais atenção a Ben Arfa.
- Transições
Um outro aspecto relevante foi a reacção de ambas as equipas à perda da bola. Com o seu 4x4x2, os jogadores do Newcastle foram apanhados por diversas vezes em contrapé por não conseguirem recuperar as suas posições de forma suficientemente rápida ou porque Cabaye não tinha pernas para recuar. Ao invés, Barry e Touré mantiveram-se sempre sóbrios e os dois defesas-centrais (especialmente Kompany) não hesitaram em avançar para quebrar os movimentos ofensivos do Newcastle.
Com dois avançados possantes como Ba e Cissé, é estranho que o lado por onde os Magpies optam por atacar - a esquerda - seja ocupado por dois jogadores incapazes de cruzar com o pé esquerdo e com tendência natural para flectir para dentro. Quando o jogo começou a ficar partido (Silva raramente recua nas segundas partes), a equipa da casa poderia ter causado danos, mas nem Santon nem Gutiérrez foram capazes de fazer um cruzamento com conta, peso e medida.
- Conclusão
No cômputo geral, foi um interessante e evidente confronto de estilos entre duas filosofias futebolísticas vincadamente distintas. O City ficou mais próximo do seu potencial máximo, ao passo que as fragilidades do Newcastle e a ausência de um plano B ficaram à vista, muito embora se trate de uma equipa que conta com algumas pérolas - o caso de Cabaye vem imediatamente à memória, juntamente com Cissé, como não poderia deixar de ser.
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Monday, March 26, 2012
O inebriante receio da derrota
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| Equipas e movimentações iniciais |
O Chelsea entrou em campo sem Meireles, Luiz, Torres e Ivanovic, ao passo que o Tottenham não podia contar com Lennon, fazendo com que van der Vaart fosse colocado na asa direita do seu meio-campo para as tarefas defensivas. A equipa de Harry Redknapp actuou com um bloco baixo e cedeu de bom grado a iniciativa de jogo, com Sandro a receber instruções para subir e perturbar a primeira zona de construção do Chelsea.
No que diz respeito a Roberto Di Matteo, a sua principal preocupação pareceu ser a ameaça de Gareth Bale, ordenando a Ramires que se juntasse a Bosingwa para que fossem constantemente criadas situações de 2v1 contra o veloz galês, o que acaba por explicar o jogo mais discreto. A dupla de meio-campo constituída por Essien e Lampard mostrou-se lenta, como seria de esperar, apesar da crescente combatividade de Essien. Com Ramires estacionado na direita, Sturridge foi colocado na esquerda e Mata atrás de Drogba. O extremo inglês é claramente menos eficaz no lado esquerdo, uma vez que deixa de poder fazer a sua movimentação preferencial e flectir para dentro, e o espanhol sente-se menos à vontade no centro do terreno, pois significa que é o constante alvo de marcação de um defesa-central ou médio-defensivo, em vez de os surpreender com movimentos interiores.
O plano atacante dos homens de Di Matteo era evidente: tirar proveito da presença de Lampard e da sua capacidade de lançar bolas para as costas da defesa contrária, tanto para Sturridge (que ocupava o espaço criado por Drogba) ou pelo próprio Drogba, sempre disposto a batalhar. Perto do intervalo, o Tottenham avançou um pouco mais e tornou o jogo mais interessante, chegando mesmo perto de marcar.
Na segunda metade, Bale e Van der Vaart receberam ordens para jogar mais no centro, asfixiando o meio-campo do Chelsea. Para além disso, o resultado era mais favorável à equipa de Redknapp, o que significava que o Tottenham era mais paciente a rodar a bola de lado para lado. Por seu turno, o Chelsea, mostrava-se sempre mais perigoso quando abria mão de passes diagonais longos para as costas da linha defensiva do seu adversário.
Aos 75 minutos, Torres entrou para o lugar de Essien, dando a entender que o Chelsea iria dar o tudo por tudo. Tal como havia acontecido no encontro em casa contra o Arsenal (ainda no tempo de Villas-Boas), os blues desequilibraram-se, abriram espaços e estiveram muito perto de perder a partida.
Em resumo, o encontro não foi particularmente interessante, mesmo no que se refere à parta mais táctica, vincando um claro contraste com o que tem sido regra nos encontros entre os 5 primeiros classificados da Premier League - jogos com muitos golos, sem grandes cuidados defensivos. Nenhuma equipa queria perder este embate e, com isso, ver esfumar-se a hipótese de aceder à edição do próximo ano da Liga dos Campeões.
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Thursday, March 22, 2012
Uma falsa esperança para os treinadores interinos de todo o mundo
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| Equipas e movimentações iniciais |
O Manchester City entrou muito forte na partida, particularmente nos primeiros dez minutos. Com Cahill no lugar do lesionado John Terry, o Chelsea é menos intenso e mais vulnerável a diagonais curtas entre Cahill e o lateral do seu lado. Por seu turno, esta opção permitiu a David Luiz ocupar o lugar de defesa-central do lado esquerdo, uma posição a que está mais habituado e em que é mais eficaz.
O plano de jogo do Chelsea era óbvio, aparentemente inspirado na exibição do Sporting no confronto com o City a contar para a Liga Europa: actuar num bloco baixo com duas linhas de quatro e aproveitar a redescoberta alegria e velocidade de Torres, com Meireles como ligação entre sectores. Na verdade, o espanhol fez um excelente trabalho a aproveitar os espaços concedidos pelo onze de Manchester, mas o ex-portista demonstrou não estar à altura desta posição, uma vez que a sua tomada de decisão nem sempre é a melhor e o seu forte não é jogar de costas para a baliza.
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| Chelsea numa disposição estranhamente semelhante à do Sporting |
Embora Meireles não estivesse a oferecer um contributo particularmente positivo em termos ofensivos, estava a desempenhar um papel importante na marcação (quase) individual a Yaya Touré. Com o costa-marfinense junto a De Jong, a tarefa de Meireles passava claramente por quebrar o ritmo de jogo do City. Silva continuava ausente e Touré estava demasiado preso a tarefas defensivas. A fúria patente na reacção de Mancini na linha lateral demonstrava à evidência que o City não conseguiria nada do encontro se continuasse a jogar dessa forma.
Na segunda parte, Mancini fez entrar Gareth Barry para o lugar de Balotelli, dando razão ao argumento de que, por vezes, a presença de menos atacantes permite atacar melhor. Com o centro do terreno devidamente ocupado, Yaya Touré podia finalmente libertar-se e invadir a zona de conforto do Chelsea - permitindo igualmente a Silva e Nasri jogarem mais adiantados. Por seu turno, Meireles tinha dúvidas sobre se deveria continuar a marcar Yaya Touré ou ficar junto de Barry.
Os primeiros dois golos foram em parte obra do acaso. O tento do Chelsea teve origem num desvio na perna de Yaya Touré e a grande penalidade a favor do City resultou de um remate em desespero que atingiu o braço de Essien. Se ignorarmos o já mencionado remate de Nasri à barra, não houve oportunidades claras de golo para nenhuma das equipas e a vitória do City, ainda que merecida, esteve perto de não se materializar. Em última análise, a abordagem algo tresloucada de Mancini - com Tévez, Dzeko e Agüero em simultâneo - acabou por ser demasiado agressiva para o Chelsea. Ainda assim, a equipa de Di Matteo está agora mais calma e mais bem organizada e até Cech parece estar de volta aos seus melhores dias, com muito menor tendência para erros e distracções.
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Monday, January 23, 2012
City dominate, suffer and win it (very) late
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| Starting lineups |
In what could prove to be a decisive match for Tottenham’s title hopes, the match between Manchester City and Tottenham was very interesting indeed, with numerous tactical nouances and and uncertain outcome. Mancini left out De Jong, playing Barry and Milner in the middle instead, with Agüero just behind Dzeko, who also got the nod. Spurs went with what seemed to be an attacking lineup, but it proved otherwise.
With both
teams wary of the other’s potential, the first few minutes were a bit of a
standoff. Both Barry and Milner lack Yaya Touré’s attacking drive in the final
third, which meant that it was up to Silva and Agüero to try and stir things up
offensively. However, despite their manager’s claims otherwise, Spurs were
tactically aware and went for a conservative 4x1x4x1 approach, with van der
Vaart side by side with Modric (they would eventually change sides), Parker
patrolling the space in front of his defense and Defoe a bit stranded up front. The chart below shows van der Vaart's limited influence throughout the match.
This meant
that Modric got Barry and van der Vaart got Milner and both pairs ended up
cancelling each other out of the game. The problem for Spurs came when Silva or
Nasri pulled inside (Silva was the key orchestrator, as always), the wingbacks
were not willing to track them down, meaning Parker had to chase them, which in
turn freed Agüero.
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| Spurs' midfield, with Parker behind Modric and van der Vaart |
As for the
Londoners’ offense, Adebayor’s absence was key. Even though Defoe has improved
his link-up play and here tried his best to challenge Savic (a strategy what
would pay off for their first goal), he just didn’t provide the presence Spurs
needed to hold up the ball and allow the rest of the team to join, which made
the team lose the ball more and more quickly.
The second
half brought a more dynamic approach from City. Even though Barry and Milner continued
to stay put, the wingbacks started to push forward and, most importantly, Silva
and Nasri were much more active. Their movement, together with Dzeki’s, were essential
for City’s first goal. Silva strayed to the middle all the way from the right, Dzeko
moved to the left and Nasri made a short diagonal to the middle, leaving the
opposition’s defense stranded, not knowing who to mark – and suddenly, there was
a huge avenue right down the middle.
Even though
City’s second goal came from a corner, the most important aspect is the play
that led to it. Silva drifted once again to the left to overload that side and
was only stopped by a last-minute ditch, revealing the growing difficulties
Spurs were having to know who to mark – especially with Parker often being
dragged out of position.
When it
seemed City were in total control, Savic threw it all away two minutes later,
allowing Spurs back in the game with a disastrous headed approach that left
Defoe free to go around Joe Hart (who also had a terrible approach,
incidentally) and score. A few minutes later, Bale equalized with a great goal,
revealing a curious tendency: out of the 5 goals, 3 were the direct result of a
winger pulling inside.
After that,
Silva and Nasri started tiring out, meaning they were not as willing to track
back, and Tottenham started pushing men forward, especially after Livermore came in for van
der Vaart and brought more stability to the midfield. In fact, the penalty that
gave City the victory came 30 seconds before the 5 minutes of injury time were
up and Spurs had actually had the best chance to finish the game just a few
minutes earlier.
In conclusion,
City dominated most of the game, deserved the lead, but were not able to put
the game out of reach. Spurs were very fortunate with the timing of their first
goal and their conservative approach could have brought heavy consequences once
again at the hands of Mancini’s team. The Italian, in turn, will surely be missing
Kompany’s skills and leadership.
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Sunday, November 1, 2009
A Liga dos Campeões
É indiscutível que as equipas britânicas pecam geralmente por uma manifesta falta de inteligência táctica, privando-as muitas vezes de títulos que, se estivéssemos a falar de patinagem artística, estariam garantidos devido a todos os restantes critérios. É óbvio ao espectador menos atento que os onzes ingleses e escoceses têm inúmeras dificuldades de cada vez que defrontam equipas da Europa continental.
Sim, é Espanha que tem as maiores estrelas - de Kaká a Ronaldo, de Xavi a Messi, de Casillas a Ibrahimovic. No entanto, depois de mais uma jornada da liga inglesa, continuo a chegar à mesma conclusão: trata-se da verdadeira liga dos campeões. É impossível deixar de admirar a galhardia com que os 22 jogadores se degladiam - creio ser este o melhor termo -, a garra que aplicam em todos os lances, estando o resultado a zero ou já a resvalar para uma das equipas, o respeito pelos árbitros, a qualidade e total ausência de vontade de protagonismo destes. Claro que há e haverá sempre picardias aqui e ali, mas, regra geral, as pancadas são bem aceites pelos jogadores, os tackles duros (muitas vezes a roçar a lealdade) não são encarados de forma agressiva e não parece haver nunca tendência para o "piscinismo" ou para forçar paragens de jogo para desenvolver as capacidades teatrais geradas por um qualquer sopro de um adversário.
Mesmo tendo noção de todos os defeitos das equipas que compõem o campeonato inglês, não consigo deixar de me deliciar sábado após sábado.
Sim, é Espanha que tem as maiores estrelas - de Kaká a Ronaldo, de Xavi a Messi, de Casillas a Ibrahimovic. No entanto, depois de mais uma jornada da liga inglesa, continuo a chegar à mesma conclusão: trata-se da verdadeira liga dos campeões. É impossível deixar de admirar a galhardia com que os 22 jogadores se degladiam - creio ser este o melhor termo -, a garra que aplicam em todos os lances, estando o resultado a zero ou já a resvalar para uma das equipas, o respeito pelos árbitros, a qualidade e total ausência de vontade de protagonismo destes. Claro que há e haverá sempre picardias aqui e ali, mas, regra geral, as pancadas são bem aceites pelos jogadores, os tackles duros (muitas vezes a roçar a lealdade) não são encarados de forma agressiva e não parece haver nunca tendência para o "piscinismo" ou para forçar paragens de jogo para desenvolver as capacidades teatrais geradas por um qualquer sopro de um adversário.
Mesmo tendo noção de todos os defeitos das equipas que compõem o campeonato inglês, não consigo deixar de me deliciar sábado após sábado.
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