Mais um belo texto e uma questão sempre pertinente: o craque das nossas vidas.
O craque das nossas vidas
Sérgio Pereira
A ideia surgiu ao ler um texto de um colega aqui da redacção num blog brasileiro. Um jornalista pedia a vários outros jornalistas que escrevessem sobre o craque da vida deles. Num instante estava eu próprio a perguntar-me quem era o craque da minha vida. É incontrolável.
Nesta altura o leitor deve estar a fazer a mesma pergunta. Se não se importa, vou interrompê-lo por mais um bocadinho. Afinal este texto é meu e faço com ele o que quero.
O craque é o mais genuíno que existe no futebol. Podemos gostar de uma equipa, de uma selecção ou de uma ideia. Eu, já disse, gosto da filosofia do Barcelona. Mas um craque é diferente. Uma equipa, uma selecção ou uma ideia é amor. Um craque é paixão.
Um craque é recordação de sorriso nos lábios. Todos teremos um craque. O craque das nossas vidas. José Mourinho, por exemplo, tem Lampard. Scolari tem Ricardo e Ulisses Morais tem Jorge Baptista.
Eu, confesso, tenho Pedro Barbosa. Podia ter Rui Costa. Podia ter Deco. Definitivamente podia ter Deco. Podia ter Figo, o Figo do último ano em Barcelona, o Figo do golo ao Real Madrid com Roberto Carlos pregado ao chão. Podia até ter Lucho González, o comandante que joga sempre de fato de gala.
Mas não, eu tenho Pedro Barbosa.
Quando penso em craque da minha vida, o nome de Pedro Barbosa surge-me mais rápido do que ele próprio alguma vez foi. Mas não interessa. A mim é Pedro Barbosa que me traz a recordação de sorriso nos lábios.
Talvez pelo golo com a camisola nacional em Eidhoven. Ou talvez por nenhuma razão em particular.
Pedro Barbosa sempre foi o mais próximo que vi da nostalgia de infância. A forma como parava, olhava e pensava fazia-me lembrar um miúdo no recreio da escola. Depois caminhava. Enquanto todos corriam, ele caminhava. Parecia provocação, mas não, ele era mesmo assim.
Nele tudo era natural. E ao mesmo tempo tão belo. A bola parecia mais educada. A simulação era mais redonda e o remate mais arqueado. Falta-lhe a consagração de outros jogadores, mas que importa? As paixões não se explicam e Pedro Barbosa é o craque da minha vida.
Agora sim, pode fazer a mesma pergunta a si próprio.
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Thursday, August 21, 2008
Friday, June 13, 2008
Não fui eu que escrevi, mas podia muito bem ter sido
Mais um texto fantástico de Sérgio Pereira, do MaisFutebol, polvilhado por momentos fantásticos de humor. O retrato muito aproximado do que se vai passando cá em casa, também.
É uma casa portuguesa, com certeza
Sérgio Pereira
- Querido, olha para mim!
- O que é?
- Ainda não olhaste...
- Pintaste o cabelo!
- Não.
- As unhas?
- Não.
- Foste ao solário?
- Não.
- Podemos ter esta conversa depois?
- Não.
- Estás a tornar-te um bocadinho repetitiva...
- Querido, olha!
- Dá-me dez minutinhos que depois tenho o tempo todo para ti.
- Não tens nada.
- Pois não, mas tenho um quarto-de-hora enquanto não começa a segunda parte.
- O futebol é mais importante para ti do que eu, não é?
- Não é nada.
- Outro dia li no jornal que os homens portugueses preferem sexo ao futebol.
- Sim, mas nessa altura já se sabia que o F.C. Porto ia ser campeão.
- Tu parece que preferes o futebol ao sexo...
- Depende de com quem é o sexo.
- O quê?!
- Estava a brincar.
- Por que é que nesta altura tenho que disputar a tua atenção com o futebol?
- Porque gostas de desafios difíceis. Foi por isso que me apaixonei por ti.
- Então amanhã podíamos ir ver o jogo de Portugal no ecrã gigante da Praça do Município?
- Podíamos. E levámos uns confettis e um cartaz: «Scolari dá-me o teu bigode».
- Estou a falar sério.
- Isso é que me assusta.
- Qual é o problema de irmos ver o jogo à praça?
- Por que é que não vais com as tuas amigas?
- Querido, temos de repensar a nossa relação.
- É Junho de um ano par, não devíamos estar a discutir coisas mais importantes?
- Como o quê?
- Olha, por exemplo: como é que deixámos acabar as cervejas no frigorífico?
- Para mim chega. Vou sair e não sei se volto.
- Tu é que sabes, mas olha que à noite faz frio.
- Por haver homens como tu é que as inglesas vão às compras enquanto os maridos vêem o Europeu...
- O que não é uma ideia completamente disparatada, pois não?
- É isso que queres?
- Claro que não. A não ser que tragas cerveja quando voltares.
É uma casa portuguesa, com certeza
Sérgio Pereira
- Querido, olha para mim!
- O que é?
- Ainda não olhaste...
- Pintaste o cabelo!
- Não.
- As unhas?
- Não.
- Foste ao solário?
- Não.
- Podemos ter esta conversa depois?
- Não.
- Estás a tornar-te um bocadinho repetitiva...
- Querido, olha!
- Dá-me dez minutinhos que depois tenho o tempo todo para ti.
- Não tens nada.
- Pois não, mas tenho um quarto-de-hora enquanto não começa a segunda parte.
- O futebol é mais importante para ti do que eu, não é?
- Não é nada.
- Outro dia li no jornal que os homens portugueses preferem sexo ao futebol.
- Sim, mas nessa altura já se sabia que o F.C. Porto ia ser campeão.
- Tu parece que preferes o futebol ao sexo...
- Depende de com quem é o sexo.
- O quê?!
- Estava a brincar.
- Por que é que nesta altura tenho que disputar a tua atenção com o futebol?
- Porque gostas de desafios difíceis. Foi por isso que me apaixonei por ti.
- Então amanhã podíamos ir ver o jogo de Portugal no ecrã gigante da Praça do Município?
- Podíamos. E levámos uns confettis e um cartaz: «Scolari dá-me o teu bigode».
- Estou a falar sério.
- Isso é que me assusta.
- Qual é o problema de irmos ver o jogo à praça?
- Por que é que não vais com as tuas amigas?
- Querido, temos de repensar a nossa relação.
- É Junho de um ano par, não devíamos estar a discutir coisas mais importantes?
- Como o quê?
- Olha, por exemplo: como é que deixámos acabar as cervejas no frigorífico?
- Para mim chega. Vou sair e não sei se volto.
- Tu é que sabes, mas olha que à noite faz frio.
- Por haver homens como tu é que as inglesas vão às compras enquanto os maridos vêem o Europeu...
- O que não é uma ideia completamente disparatada, pois não?
- É isso que queres?
- Claro que não. A não ser que tragas cerveja quando voltares.
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Thursday, May 29, 2008
A outra face de uma mesma moeda
Porque não sou rancoroso, aqui fica um texto muito bom sobre um rapaz que suscita sempre discussões mais ou menos acaloradas, especialmente em adeptos do FC Porto. O texto é do MaisFutebol, escrito por Sérgio Pereira.
Quaresma, a trivela e as curvas do futebol
Sérgio Pereira
Se há coisa que me irrita no futebol português, e longe de ser uma pessoa conformada ainda há muita coisa que me irrita no futebol português, são os assobios a Quaresma. Confesso que às vezes apetece-me saltar do lugar e sair pela bancada a esbofetear toda a gente. Detém-me o bom senso. Felizmente. O bom senso e o sentido de perigo.
Assobiar Quaresma é como que pedir por um futebol a preto e branco. Sem cor. Sem arte. Sem emoção. Sem margem de erro. Desumano, portanto. Um futebol quase robótico. Por isso, e enquanto não vir Fernando Aguiar fintar dois belgas e marcar de trivela ao ângulo, não me peçam para compreender os assobios.
Diz-se fintar dois belgas e marcar ao ângulo como pode dizer-se dar um nó em Nelson e rematar ao ângulo. Ou serpentear por entre a defesa da Naval e atirar outra vez ao ângulo. Ou pegar na bola à entrada da área do V. Guimarães e disparar mais uma vez ao ângulo. Ou largar uma bomba por cima da defesa do Sp. Braga (que raio!) ao ângulo.
Por isso, e na impossibilidade de sair a distribuir porrada, fico no meu lugar à espera da próxima trivela que reponha a justiça. Ou pelo menos o silêncio. O silêncio dos culpados. Acredito aliás que os assobios surgem de dois tipos de pessoas: os invejosos e os medíocres. Os invejosos por razões óbvias. Os medíocres porque são invejosos.
Até admito que Quaresma perde muitas bolas, que não é solidário e que defende pouco. Mas cria arte e é corajoso. Tão corajoso que nem parece português. Se calhar é por isso que o assobiamos. É que nós não somos descendentes dos marinheiros que deram novos mundos ao mundo. Somos descendentes dos que cá ficaram. Provavelmente a assobiar.
Concordando ou não com o teor do texto, creio que é uma boa peça, que permite ver o outro lado de uma questão abordada no primeiro post deste blog.
Quaresma, a trivela e as curvas do futebol
Sérgio Pereira
Se há coisa que me irrita no futebol português, e longe de ser uma pessoa conformada ainda há muita coisa que me irrita no futebol português, são os assobios a Quaresma. Confesso que às vezes apetece-me saltar do lugar e sair pela bancada a esbofetear toda a gente. Detém-me o bom senso. Felizmente. O bom senso e o sentido de perigo.
Assobiar Quaresma é como que pedir por um futebol a preto e branco. Sem cor. Sem arte. Sem emoção. Sem margem de erro. Desumano, portanto. Um futebol quase robótico. Por isso, e enquanto não vir Fernando Aguiar fintar dois belgas e marcar de trivela ao ângulo, não me peçam para compreender os assobios.
Diz-se fintar dois belgas e marcar ao ângulo como pode dizer-se dar um nó em Nelson e rematar ao ângulo. Ou serpentear por entre a defesa da Naval e atirar outra vez ao ângulo. Ou pegar na bola à entrada da área do V. Guimarães e disparar mais uma vez ao ângulo. Ou largar uma bomba por cima da defesa do Sp. Braga (que raio!) ao ângulo.
Por isso, e na impossibilidade de sair a distribuir porrada, fico no meu lugar à espera da próxima trivela que reponha a justiça. Ou pelo menos o silêncio. O silêncio dos culpados. Acredito aliás que os assobios surgem de dois tipos de pessoas: os invejosos e os medíocres. Os invejosos por razões óbvias. Os medíocres porque são invejosos.
Até admito que Quaresma perde muitas bolas, que não é solidário e que defende pouco. Mas cria arte e é corajoso. Tão corajoso que nem parece português. Se calhar é por isso que o assobiamos. É que nós não somos descendentes dos marinheiros que deram novos mundos ao mundo. Somos descendentes dos que cá ficaram. Provavelmente a assobiar.
Concordando ou não com o teor do texto, creio que é uma boa peça, que permite ver o outro lado de uma questão abordada no primeiro post deste blog.
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