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Wednesday, March 21, 2012

De bestial a besta a bestial


Há apenas algumas semanas atrás, o Benfica tinha acabado de perder a liderança do campeonato para o FC Porto, o desfecho da eliminatória da Liga dos Campeões era incerto e parecia forçoso que Jorge Jesus abandonasse o clube. No contexto actual, as águias poderão muito bem conquistar o título nacional, vencer a Taça da Liga e vão lutar com o Chelsea por um lugar nas meias-finais da Liga dos Campeões. No futebol, tudo parece mudar numa questão de minutos, não é verdade?

O encontro de ontem que opôs Benfica a FC Porto a contar para a Taça da Liga foi interessante, longe do que ambos os treinadores tentaram dar a entender - uma eliminatória que nenhuma das equipas parecia querer vencer. A partida foi em tudo semelhante ao último encontro para o campeonato e, como tal, a análise incidirá sobre questões mais específicas.


Benfica


  • 1. Semear a lógica no meio do caos. Lembra-se do golo de Maxi Pereira contra o Zenit? Nesse caso, observe mais abaixo o posicionamento do Benfica para o primeiro golo da noite passada e veja se consegue assinalar as diferenças. Uma vez mais, Witsel (rosa), Bruno César (amarelo) e Maxi Pereira (verde) pressionam e criam superioridade numérica no lado esquerdo do adversário.

  • 2. Os encarnados permanecem defensivamente vulneráveis no centro. Se o objectivo das águias passa por chegarem mais longe contra clubes mais fortes, como o Chelsea, é imprescindível que sejam capazes de exercer maior e melhor controlo sobre o seu adversário. Ontem, verificaram-se inúmeros casos em que Javi García e Witsel (um pouco mais adiantado) deram por si sozinhos no centro, o que oferece uma enorme facilidade de contornar o meio-campo benfiquista..
  • 3. Benfica comprova a sua mestria em bolas paradas. Embora seja difícil compreender o motivo pelo qual as outras equipas parecem prestar pouca atenção a este aspecto da equipa da Luz, o Benfica permanece uma máquina de fazer golos a partir de livres e cantos. O jogo de ontem foi apenas mais um exemplo (há que recordar as três bolas nos ferros no seguimento de jogadas desse género), à imagem do que tinha acontecido no confronto entre estas duas equipas para o campeonato ou no jogo contra o Zenit.

Luisão (amarelo) no segundo poste, libertando Javi García (azul)
Luisão (amarelo) faz um bloqueio para libertar Javi García (azul). Déjà vu?
  • 4. Benfica mostra uma vez mais que é capaz de promover adaptações no próprio jogo. Após ver a sua defesa batida no golo de Mangala, Jorge Jesus alterou a distribuição da habitual marcação zonal do Benfica.

A habitual marcação zonal do Benfica, sem cobertura à frente da linha. Mangala acabaria por marcar.

O Benfica adaptou a sua marcação zonal para a segunda parte.
O FC Porto não voltaria a criar situações de perigo em lances de bola parada.
FC Porto

  • 1. A ala esquerda continua a ser uma avenida. Não obstante o valor da sua transferência, Alex Sandro demonstrou estar muito verde para estas andanças e não ser substituto à altura de Álvaro Pereira (pelo menos, por agora). Por sua vez, Álvaro Pereira provou mais uma vez que o seu contributo defensivo pode ser questionável, por vezes. Mesmo com João Moutinho a dar o seu contributo defensivo nessa ala, os encarnados insistiram sempre em invadir o lado esquerdo do FC Porto.
  • 2. FC Porto deita sal na ferida do seu rival. Cientes de que o Benfica apresentava brechas na abordagem defensiva dos lances de bola parada, os dragões não hesitaram. O golo de Mangala, no seguimento do livre de Moutinho, não foi por certo obra do acaso. A bola foi enviada precisamente para o mesmo sítio que James escolheu, no lance do golo do Maicon, na partida a contar para o campeonato.
O FC Porto voltou a marcar de livre, num lance estranhamente familiar.
Na imagem, o golo de Maicon na partida para o campeonato.
  • 3. Os azuis e brancos controlaram melhor o jogo. Com Defour, Moutinho e Lucho, o FC Porto foi capaz de ditar o ritmo do jogo e oferecer uma melhor cobertura defensiva à sua linha mais recuada. Ao contrário do Benfica, onde Javi García fica frequentemente abandonado à sua sorte, o FC Porto protege sempre o centro do terreno.
A equipa nortenha tentou sempre evitar situações de inferioridade numérica e criar diversas linhas de cobertura.
  • 4. O nosso adversário ataca pela direita? Nesse caso, atacamos por esse lado. Embora Hulk tivesse a oposição de Capdevila (uma opção estranha para esta partida, dadas as características dos dois jogadores), o FC Porto tentou explorar as subidas de Maxi Pereira e a menor protecção oferecida por Bruno César. Lucho, geralmente na meia-direita em tarefas defensivas, descaiu muitas vezes para a ala esquerda para criar superioridade numérica.
Maxi Pereira, Javi García e Witsel são atraídos para o lado direito. Note-se a fraca cobertura nas suas costas.

Com uma simples "tabela", os três jogadores portistas libertam-se mais uma vez das marcações

Conclusão

Em resumo, foi um jogo interessante e equilibrado. Embora se tratasse de uma competição menor, nenhuma equipa queria perder e, com isso, ceder a vantagem psicológica para os jogos que faltam disputar no campeonato (afinal de contas, o que estava efectivamente em disputa). O FC Porto foi melhor em jogo corrido (acusando o desgaste na segunda metade), mas o Benfica foi extremamente forte nas situações de bola parada.

Tuesday, January 20, 2009

Taças e Calendários


A taça da discórdia, também conhecida como Taça da Liga, tem conhecido algumas opiniões mais ou menos inflamadas relativamente à sua reduzida utilidade e aproveitamento. Têm-se ouvido inúmeras opiniões sobre a sua diminuta pertinência e sobre a indiferença com que alguns clubes a recompensam (nomeadamente o FC Porto). Pessoalmente, creio que haverá alguns pontos acertados, mas diria que, no geral, a Taça da Liga pode vir a tornar-se uma competição interessante.

Em primeiro lugar, é mais um troféu. Ou seja, é mais um título para os treinadores conquistarem e taparem com isso algumas das lacunas das suas equipas (Paulo Bento gabou-se incessantemente sobre o feito de chegar à final da Taça da Liga, no ano passado, por exemplo). Em segundo lugar, é mais uma oportunidade para as equipas ditas pequenas poderem chegar um pouco mais longe e dar nas vistas. Terceiro, é uma competição que vem ajudar a preencher o espartano calendário competitivo português e que vem permitir que os chamados "grandes" possam rodar jogadores e ir introduzindo paulatinamente os jovens das camadas de formação.

Admito sem problemas que há pontos negativos na Taça da Liga. Ninguém sabe em que moldes se realiza, não há horários minimamente estáveis (inacreditável a forma como jogos decisivos para o mesmo grupo não se realizam à mesma hora) e os frutos que se podem retirar daí são relativamente diminutos. Pessoalmente, creio que interessará reorganizar a calendarização da prova e oferecer ao seu vencedor, por exemplo, um lugar na Taça UEFA, o que abriria por certo o apetite de quase todas as equipas.

Gostaria apenas de deixar uma nota relativamente à calendarização da época. Sempre que o campeonato parece estar finalmente pronto a arrancar, há uma interrupção - seja para a Taça de Portugal, para a Taça da Liga, para a Selecção Nacional ou outra coisa qualquer. Compreendo com muita dificuldade esta aniquilação do carácter competitivo do principal campeonato português, no qual somos chegados à ultima jornada da primeira volta quase sem dar por ela, uma vez que quatro jornadas seguidas é coisa que ainda não existiu. A minha questão é a seguinte: os dirigentes do futebol português acham mesmo que as nossas equipas estão sobrecarregadas e que não podem fazer dois jogos por semana?