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Thursday, August 21, 2008

O craque das nossas vidas

Mais um belo texto e uma questão sempre pertinente: o craque das nossas vidas.


O craque das nossas vidas
Sérgio Pereira


A ideia surgiu ao ler um texto de um colega aqui da redacção num blog brasileiro. Um jornalista pedia a vários outros jornalistas que escrevessem sobre o craque da vida deles. Num instante estava eu próprio a perguntar-me quem era o craque da minha vida. É incontrolável.

Nesta altura o leitor deve estar a fazer a mesma pergunta. Se não se importa, vou interrompê-lo por mais um bocadinho. Afinal este texto é meu e faço com ele o que quero.

O craque é o mais genuíno que existe no futebol. Podemos gostar de uma equipa, de uma selecção ou de uma ideia. Eu, já disse, gosto da filosofia do Barcelona. Mas um craque é diferente. Uma equipa, uma selecção ou uma ideia é amor. Um craque é paixão.

Um craque é recordação de sorriso nos lábios. Todos teremos um craque. O craque das nossas vidas. José Mourinho, por exemplo, tem Lampard. Scolari tem Ricardo e Ulisses Morais tem Jorge Baptista.

Eu, confesso, tenho Pedro Barbosa. Podia ter Rui Costa. Podia ter Deco. Definitivamente podia ter Deco. Podia ter Figo, o Figo do último ano em Barcelona, o Figo do golo ao Real Madrid com Roberto Carlos pregado ao chão. Podia até ter Lucho González, o comandante que joga sempre de fato de gala.

Mas não, eu tenho Pedro Barbosa.

Quando penso em craque da minha vida, o nome de Pedro Barbosa surge-me mais rápido do que ele próprio alguma vez foi. Mas não interessa. A mim é Pedro Barbosa que me traz a recordação de sorriso nos lábios.

Talvez pelo golo com a camisola nacional em Eidhoven. Ou talvez por nenhuma razão em particular.

Pedro Barbosa sempre foi o mais próximo que vi da nostalgia de infância. A forma como parava, olhava e pensava fazia-me lembrar um miúdo no recreio da escola. Depois caminhava. Enquanto todos corriam, ele caminhava. Parecia provocação, mas não, ele era mesmo assim.

Nele tudo era natural. E ao mesmo tempo tão belo. A bola parecia mais educada. A simulação era mais redonda e o remate mais arqueado. Falta-lhe a consagração de outros jogadores, mas que importa? As paixões não se explicam e Pedro Barbosa é o craque da minha vida.

Agora sim, pode fazer a mesma pergunta a si próprio.

Friday, June 13, 2008

Não fui eu que escrevi, mas podia muito bem ter sido

Mais um texto fantástico de Sérgio Pereira, do MaisFutebol, polvilhado por momentos fantásticos de humor. O retrato muito aproximado do que se vai passando cá em casa, também.

É uma casa portuguesa, com certeza
Sérgio Pereira

- Querido, olha para mim!

- O que é?
- Ainda não olhaste...
- Pintaste o cabelo!
- Não.
- As unhas?
- Não.
- Foste ao solário?
- Não.
- Podemos ter esta conversa depois?
- Não.
- Estás a tornar-te um bocadinho repetitiva...
- Querido, olha!
- Dá-me dez minutinhos que depois tenho o tempo todo para ti.
- Não tens nada.
- Pois não, mas tenho um quarto-de-hora enquanto não começa a segunda parte.
- O futebol é mais importante para ti do que eu, não é?
- Não é nada.
- Outro dia li no jornal que os homens portugueses preferem sexo ao futebol.
- Sim, mas nessa altura já se sabia que o F.C. Porto ia ser campeão.
- Tu parece que preferes o futebol ao sexo...
- Depende de com quem é o sexo.
- O quê?!
- Estava a brincar.
- Por que é que nesta altura tenho que disputar a tua atenção com o futebol?
- Porque gostas de desafios difíceis. Foi por isso que me apaixonei por ti.
- Então amanhã podíamos ir ver o jogo de Portugal no ecrã gigante da Praça do Município?
- Podíamos. E levámos uns confettis e um cartaz: «Scolari dá-me o teu bigode».
- Estou a falar sério.
- Isso é que me assusta.
- Qual é o problema de irmos ver o jogo à praça?
- Por que é que não vais com as tuas amigas?
- Querido, temos de repensar a nossa relação.
- É Junho de um ano par, não devíamos estar a discutir coisas mais importantes?
- Como o quê?
- Olha, por exemplo: como é que deixámos acabar as cervejas no frigorífico?
- Para mim chega. Vou sair e não sei se volto.
- Tu é que sabes, mas olha que à noite faz frio.
- Por haver homens como tu é que as inglesas vão às compras enquanto os maridos vêem o Europeu...
- O que não é uma ideia completamente disparatada, pois não?
- É isso que queres?
- Claro que não. A não ser que tragas cerveja quando voltares.