Showing posts with label Quaresma. Show all posts
Showing posts with label Quaresma. Show all posts

Monday, June 14, 2010

Quem poderia adivinhar?

Para minha grande surpresa, Ricardo Quaresma não vingou no Inter de Milão e foi recambiado para o Besiktas, da Turquia. É quase como se a sua atitude de "eu não mudo a minha forma de jogar, a equipa que jogue para mim" não se adaptasse à realidade futebolística do século XXI...

Monday, September 8, 2008

A hora do adeus

Ricardo Quaresma já não é jogador do FC Porto. Na verdade, já foi contratado pelo Inter de Milão há oito dias, no último dia do mercado de transferências de Verão. A análise pela perspectiva dos três lados.

  1. A perspectiva do jogador. Ricardo Quaresma já não estava no FC Porto. Na verdade, o próprio tinha assumido isso mesmo por diversas vezes de forma mais ou menos óbvia ao longo dos últimos meses em diversas entrevistas. Achava já ter ganho tudo no FC Porto e pouco mais ter a aprender e evoluir quer com Jesualdo, quer com uma equipa de segunda linha na Europa como o FC Porto. Cada um tem de tomar as suas opções e Quaresma tem de estar preparado para as suas consequências, sejam elas quais forem. Segundo o próprio, queria "voltar a um grande" e o clube azul e branco nem concebeu a hipótese de o colocar a jogar estando a sua cabeça noutro lugar que não dentro do balneário e dos objectivos do clube.
  2. A perspectiva do FC Porto. O clube português "livra-se", por assim dizer, de um jogador que estava a ameaçar tornar-se um foco de instabilidade para o balneário e para o treinador, acima de tudo. Se Quaresma ficasse, seria complicado tê-lo a jogar, o que implicaria algumas dificuldades na gestão do onze, uma vez que seria sempre difícil explicar a sua titularidade a jogadores mais envolvidos nos objectivos do clube, mas seria sem dúvida muito mais complicado colocá-lo no banco. Apesar de dois campeonatos ganhos, Jesualdo continua a não ser uma figura consensual no Dragão e bastariam um ou dois maus resultados para uma grande parte da massa associativa demonstrar o seu desagrado e falta de apoio. O clube obtém um receita razoável, ainda que longe dos números que Pinto da Costa adiantara, acreditando que Quaresma vai provar no Inter que o seu falhanço no Barcelona de Rijkaard se deveu a imaturidade e alguma falta de sorte. O FC Porto pode ter perdido o "mágico", mas ganhou consistência e regularidade.
  3. A perspectiva do Inter. Não, não vou afirmar que Mourinho é o único treinador que consegue pôr Quaresma "na linha". Por mais que Adriaanse não fizesse parte do meu rol de preferências, teve a audácia de mostrar claramente que Quaresma tinha de aprender a ser mais jogador de equipa, mais inteligente e menos egoísta. O jogador parece ter aprendido a lição, mas a sua atitude nos últimos meses estava longe de ser a desejada. Mourinho já mostrou ser capaz de aproveitar jogadores da melhor maneira (de Marco Ferreira a Jankauskas, de van Hooijdonk a Tiago, não esquecendo o exemplo óbvio de Joe Cole, em risco até 2004 de se confirmar como mais uma promessa sempre adiada do futebol inglês) e não perdeu tempo a mostrar a Quaresma os limites, afirmando que o jogador vai ter de se habituar a jogar onde o treinador quiser, nem que seja na bancada.

Conclusão: o FC Porto fez um negócio razoável. Apesar da venda por números relativamente baixos quando comparado com o que Pinto da Costa afirmara anteriormente, o clube português conseguiu resgatar Pelé (naquilo que me parece um bom negócio) e salvaguardar não só compensações financeiras em função do rendimento futuro do jogador, como também a garantia de que o jogador, a regressar para Portugal, apenas o poderá fazer para o FC Porto. Quanto ao Inter, terá de ver se o jogador está definitivamente empenhado em tornar-se um futebolista, e não um malabarista. Basta Quaresma olhar para onde poderia estar se se tivesse dedicado a ser um melhor jogador como Ronaldo o fez, sabendo que há uma altura para adornar, uma hora para arriscar e um momento para ser eficaz, simples e prático. Quaresma ainda não o sabe. Se Mourinho conseguir explicar-lhe essa simples realidade (que o jogador não estava interessado em apreender no FC Porto), poderá explodir em definitivo. Caso contrário, será mais um ilusionista, e nunca um mágico.

Thursday, May 29, 2008

A outra face de uma mesma moeda

Porque não sou rancoroso, aqui fica um texto muito bom sobre um rapaz que suscita sempre discussões mais ou menos acaloradas, especialmente em adeptos do FC Porto. O texto é do MaisFutebol, escrito por Sérgio Pereira.

Quaresma, a trivela e as curvas do futebol

Sérgio Pereira

Se há coisa que me irrita no futebol português, e longe de ser uma pessoa conformada ainda há muita coisa que me irrita no futebol português, são os assobios a Quaresma. Confesso que às vezes apetece-me saltar do lugar e sair pela bancada a esbofetear toda a gente. Detém-me o bom senso. Felizmente. O bom senso e o sentido de perigo.
Assobiar Quaresma é como que pedir por um futebol a preto e branco. Sem cor. Sem arte. Sem emoção. Sem margem de erro. Desumano, portanto. Um futebol quase robótico. Por isso, e enquanto não vir Fernando Aguiar fintar dois belgas e marcar de trivela ao ângulo, não me peçam para compreender os assobios.
Diz-se fintar dois belgas e marcar ao ângulo como pode dizer-se dar um nó em Nelson e rematar ao ângulo. Ou serpentear por entre a defesa da Naval e atirar outra vez ao ângulo. Ou pegar na bola à entrada da área do V. Guimarães e disparar mais uma vez ao ângulo. Ou largar uma bomba por cima da defesa do Sp. Braga (que raio!) ao ângulo.
Por isso, e na impossibilidade de sair a distribuir porrada, fico no meu lugar à espera da próxima trivela que reponha a justiça. Ou pelo menos o silêncio. O silêncio dos culpados. Acredito aliás que os assobios surgem de dois tipos de pessoas: os invejosos e os medíocres. Os invejosos por razões óbvias. Os medíocres porque são invejosos.
Até admito que Quaresma perde muitas bolas, que não é solidário e que defende pouco. Mas cria arte e é corajoso. Tão corajoso que nem parece português. Se calhar é por isso que o assobiamos. É que nós não somos descendentes dos marinheiros que deram novos mundos ao mundo. Somos descendentes dos que cá ficaram. Provavelmente a assobiar.




Concordando ou não com o teor do texto, creio que é uma boa peça, que permite ver o outro lado de uma questão abordada no primeiro post deste blog.