Wednesday, August 20, 2008

3x3 - Parte II

Façamos agora uma viagem mais a Norte, rumo às paragens do Dragão.


Mais:

  1. Manutenção da estrutura. O FC Porto é campeão há três anos consecutivos e venceu a Liga dos Campeões e a Taça UEFA há muito pouco tempo. É um clube que tem um hábito e uma sede de vitória quase viciante. Os (poucos) jogadores da casa identificam-se quase por completo com o espírito guerreiro que reina no Dragão. O treinador ficou para o seu terceiro ano de reinado, situação muito rara para os lados das Antas, assim como uma boa parte do onze titular.
  2. Plantel. A equipa azul e branca continua a contar com jogadores muito acima da média, de Lucho a Lisandro, de Bruno Alves a Helton, incluindo naturalmente Rodríguez. Embora seja verdade que os bons jogadores por si só nada vencem, não há dúvida de que ajudam imenso.
  3. Apito Dourado. Por mais que a pena aplicada ao FC Porto não tenha tido resultados práticos na classificação das equipas (apenas a pontuação foi alterada), toda a controvérsia gerada em torno do mérito da equipa na conquista do campeonato e inerente lugar na Liga dos Campeões beliscou o brio do grupo, a avaliar pelas palavras de vários jogadores, especialmente o seu capitão, Pedro Emanuel. Arriscar-me-ia a dizer que o plantel do campeão vão ter algo a provar este ano, particularmente depois de mais uma derrota frente ao Sporting.

Menos:

  1. Campeões. Em todas as equipas habituadas a vencer, há sempre uma parte descendente do ciclo, um momento em que as diferentes vontades não se alinham. Parte dos jogadores quer rumar a outras paragens (falo especialmente de Lucho, Quaresma e Lisandro, por exemplo), parte sente-se menos motivada por já ter conquistado tudo o que havia para conquistar, dando origem a uma falsa sensação de superioridade face aos adversários, tendo em conta que os últimos três títulos foram parar ao mostruário do Dragão.
  2. Falta de alternativas. Se é verdade que o Benfica dispõe de poucas opções viáveis no banco, os suplentes do FC Porto ainda estão longe de mostrar que podem ser concorrentes à altura do onze titular. Bollatti, Fernando, Candeias, Tomás Costa, entre outros, ainda parecem estar uns furos abaixo do que é exigido ao campeão nacional, particularmente se tivermos em conta de que ainda terão de se adaptar à Liga dos Campeões, também. Vejo com alguma dificuldade a aposta quase exclusiva em jogadores estrangeiros, pouco ou nada identificados com o futebol nacional.
  3. Saídas. A partida de Paulo Assunção e Bosingwa, para além da saga de Quaresma sem fim à vista, deixaram o FC Porto órfão de muitos dos seus mecanismos. Creio que Jesualdo terá muitas dificuldades neste início de época, uma vez que Guarín defende bastante pior do que Paulo Assunção (apesar de conferir outra dinâmica ofensiva), o que obriga Lucho e Raúl Meireles a desdobrarem-se no apoio defensivo, desgastando-se e desposicionando-se para os movimentos ofensivos. Sapunaru ainda está longe de conseguir dar a profundidade ofensiva emprestada por Bosingwa - responsável por grande parte das saídas de bola da equipa, se nos recordarmos. Se Quaresma sair, efectivamente (o que me parece altamente improvável), as alas do FC Porto estarão substancialmente enfraquecidas.

Conclusão:

O FC Porto parece-me notoriamente enfraquecido, quando comparado com a época transacta. A equipa e o plantel estão mais desequilibrados e o onze titular afigura-se manifestamente superior às alternativas. Jesualdo continua a não conseguir apagar a imagem dos sucessivos falhanços nas alturas mais críticas e alguns jogadores querem sair. Pessoalmente, diria que este ano tem tudo para ser uma época difícil para o FC Porto, especialmente tendo em conta o calendário apertado logo ao início. Um mau princípio de ano poderá condicionar tudo, neste caso.

2 comments:

Rika said...

Ora aqui é que discordamos. Vamos lá por partes então:

-Mais: Concordo com a vontade de ganhar, a manutenção de jogadores importantes e que alguns deles sao os jogadores melhor aproveitados da nossa liga (não necessariamente os melhores).

-Menos: Concordo que qualquer campeão dá menos importancia à competiçao que acabou de ganhar de maneira inversamente proporcional à quantidade de títulos. Pensando então em jogos em casa com a Naval, com o Estrela, etc a espreitar um jogo da champions dois dias depois, não seja propriamente motivador.

Vamos agora à parte que discordo perfeitamente, o curto banco. Primeiro acho que é importante falar do enquadramento financeiro e competitivo do porto. é impensavel para alguma equipa do nosso campeonato ter no banco um Quaresma ou um Nani, ou da mesma forma ter um Raúl Meireles ou um Paulo Ferreira que vão entrar e mudar radicalmente o jogo. Não há dinheiro para isso nem controle de balneario possivel.

O banco tem de ser útil para qualquer tipo de jogo ou qualquer altura do jogo. O Porto tem como objectivos o campeonato e a Champions e como "no win situation" as taças.

No meu entender, em cada competição o banco tem funções diferentes. Na champions deve permitir ao treinador mudar alguma coisa, emprestar mais força ou mais agressividade de acordo com o jogo ou simplesmente substituir e melhorar a condição fisica de uma posiçao. Nessa condição tanto os reforços do ano passado como alguns deste ano prestam-se e julgo terem sido contratados para isso mesmo (bolatti kaz e renteria são os mais evidentes do ano passado, enquanto que deste ano os dois laterais terem essa caracteristica vincada).

Nas taças acho importante o banco ter soluções perfeitamente adaptadas ao futebol português, (casos de fernando rolando e candeias) jogadores que tenham passado por clubes de outras divisões onde o futebol é mais identico e equilibrado.

Quanto ao campeonato o banco tem de ter soluções para manter o nivel no caso de lesões ou abaixamentos de forma e soluções para "dar descanso" aos habituais titulares.
No caso do porto não considero o banco ou os jogadores de banco apenas por serem preteridos em relação aos outros 11 mas sim como um nucleo de jogadores que devem estar uns pontos abaixo da media da equipa mas com largo potencial de crescimento que possam de um ano para o outro serem formados para venda ou para rendimento desportivo directo. Um caso emblematico do porto é a posição de central. O primeiro ano de central de R Carvalho, Pepe e Bruno Alves não convenceu e foram largamente criticados tendo sido no ano seguinte utilizados e depois vendidos com tremenda mais-valia. Este tipo de gestão tem riscos controlados como é o caso do Stepanov que parece não render ou noutras posições do Vieirinha e do Paulo Machado.

Neste momento não concordo que o Porto tenha supelentes de nivel inferior. Pelo contrario jogadores de idade reduzida com grande margem de progressao em que a maioria nao conseguirá singrar porque Luchos Lisandros e Bruno Alves não atingem os rendimentos que os fazem grandes jogadores por acaso, têm mesmo qualidade. São jogadores qe são utilizados nas 4 competiçoes de forma diferente com caracteristicas diferentes e emprestam ao grupo de trabalho conhecimentos diferentes. A equipa do porto tem neste momento 15 jogadores e parece-me ter 10 supelentes. Acho que daqui a 3 anos continuaremos a ver vendas astronomicas nos jornais a serem concretizadas por uma organização que funciona cada vez melhor em termos de prospecção formação e promoção de jogadores numa europa que troca dinheiro pelas "chatices" da estrutura de um clube.

VMP said...

Ora pois muito bem, isso é que é falar! Analisemos a coisa por partes, pois então.

Tenho plena noção do enquadramento financeiro do Porto. Sei bem que não podemos ser nem o Chelsea nem o Manchester City, a comprar gente para acumular no banco. No entanto, isso não signifca que tenhamos seja necessário ter jogadores que pouco vão acrescentar à forma de jogar da equipa, acima de tudo. Eu também concordo que o banco tem de ser útil, mas não creio que, neste momento, seja possível olhar para o banco e ver grandes alternativas - o que já aconteceu no Porto noutras alturas, e há não muito tempo. Acima de tudo, não me parece de todo que Jesualdo olhe para o banco com confiança quando precisa de mudar a corrente do jogo, por exemplo, pois Farías, Guarín ou Mariano estão longe de compensar as suas faltas com outros componentes de jogo.

Quanto à Liga dos Campeões, parece-me, como é óbvio, que é a maior fragilidade - e é precisamente isso que me custa compreender. Os Bolattis, Kazs e afins que foram contratados para conferir a maior impoenência física que Jesualdo tanto apregoou no início da última época, acabaram por não ter qualquer reflexo na equipa, especialmente porque o treinador portista só agora parece compreender que é inconcebível alterar tudo em apenas um jogo, especialmente lançando jogadores que não têm cultura de clube ou de competição. Kaz foi embora, Bolatti já nem foi inscrito e o Porto foi forçado a jogar sempre com os mesmos ou a colocar Mariano a jogar no meio-campo, um jogador que não consegue dar 3 toques seguidos numa bola.

Em relação à Taça, não podia discordar mais. O Porto foi tendo jogadores perfeitamente identificados com o futebol português, desde os tempos de Robson ou Oliveira, e perdia na Taça precisamente porque os treinadores mudavam tudo de uma só vez. Num jogo só, havia dez jogadores de campo sem mecanismos que tinham de conseguir dar a volta a um jogo frente a um adversário com o triplo da motivação. Pessoalmente, creio que a questão aí é muito mais conceptual e teórica - na minha opinião, a Taça nunca pode servir para rodar a equipa toda; pelo contrário, deverá servir para poupar dois ou três jogadores de início, no máximo, para que seja possível fazer a gestão do plantel a todos os níveis sem com isso perder motivação ou competições.

Um bom banco, para mim, significa ter riscos calculados. Se o Porto perdesse de repente um central (ou até os dois), teria a situação rapidamente resolvida, por mais que a nova dupla fosse inferior à titular. De resto, não há grandes candidatos para as alas ofensivas, a posição de lateral esquerdo está extremamente fragilizada (Lino não tem nível para estas andanças, em última análise) e o meio-campo reza para que nunca aconteça nada a Lucho ou Meireles. Se a política de contratações e prospecção de jogadores do FC Porto me foi parecendo melhorar a olhos vistos ao longo dos últimos anos, as duas mais recentes épocas parecem-me conter alguns equívocos, não obstante algumas excelentes contratações (e um bom aproveitamento, como disseste e muito bem).