Arsène Wenger será muito provavelmente um dos alvos preferidos de todos quantos comentem o desporto-rei, de forma mais ou menos séria. Com efeito, procurei nos catrapaços deste mesmo blog o que já havia sido escrito sobre o professor francês e deparei-me com estes dois artigos: "Quando uma boa decisão se transforma num erro" e "O princípio da demência II". Se este último poderá ser suspeito por se tratar de um texto deste mesmo ano, o primeiro artigo refere-se a 2009, pasme-se! Ressalvo apenas um par de frases que me deixaram estarrecido ao ver a data da publicação: "Sim, o mister francês granjeou uma reputação de descobrir jovens talentos, mas a equipa londrina parece sempre um onze desgarrado, ainda e sempre sem maturidade táctica e mental para vingar nos momentos decisivos." e "Quando é que este Arsenal deixa de ser uma equipa em constante evolução - especialmente quando está longe de estar coarctada em termos orçamentais".
Vem isto a propósito da mais recente (e copiosa) derrota do Arsenal às mãos do Manchester United. Na verdade, os oito golos sofridos podem até ser considerados uma espécie de benção, dados os inúmeros lances de perigo iminente criados pela equipa de Alex Ferguson. A desculpa de Wenger (de que a sua equipa é constituída por jovens, que necessitam de tempo para despontar), não colhe, pura e simplesmente - especialmente quando, no outro lado, estava uma equipa exactamente com a mesma média de idades que, uma semana antes, tinha aplicado "chapa três" ao Tottenham, uma outra equipa de Londres.
Sendo o primeiro a criticar o extremo do caso de Portugal, onde se despedem treinadores em Agosto (vide o caso de Manuel Machado), não posso deixar de ficar boquiaberto ao ver épocas consecutivas de desculpas esfarrapadas, objectivos falhados e um desfiar de contratações que raramente vêm a materializar-se nas perspectivas que Wenger promete.
Tuesday, August 30, 2011
Monday, August 29, 2011
As desventuras da Liga
À hora a que escrevo, está a terminar o encontro do Sporting de Braga e o Benfica prepara-se para entrar em campo. Como se não chegasse, o FC Porto entra amanhã em campo, num dia que coincide com a realização de encontros particulares de selecções.
Ao mesmo tempo, o Barcelona, adversário dos portistas na passada sexta-feira, estão a jogar neste preciso momento. Se considerarmos que os encarnados jogaram em casa e os bracarenses na Suíça (o que não implica mais de duas horas e meia de viagem), que motivo poderá invocar a Liga para continuar a descaracterizar o campeonato e a queixar-se simultaneamente da falta de adeptos nos estádios?
Friday, August 19, 2011
Começar com o pé esquerdo e terminar com o direito
No primeiro jogo no Dragão a contar para o campeonato, o FC Porto defrontou o Gil Vicente. Com as duas equipas a apresentarem os mesmos onzes da primeira jornada, foi sem surpresa que se assistiu à repetição de alguns defeitos e virtudes. Com efeito, os dragões entraram algo nervosos, especialmente na circulação de bola entre defesas e Souza: Foi precisamente num desses momentos, logo aos 2 minutos, que o Gil Vicente pressionou um mau domínio de Sapunaru, conquistando um penalty, cometido por um Otamendi já em desespero de causa.
Se os azuis e brancos já estavam nervosos, o golo adversário não ajudou em nada. Souza continua a demonstrar algumas dificuldades na construção (é raro o passe ao primeiro ou segundo toque) e os de Barcelos traziam a lição bem estudada, jogando em bloco baixo e apostando não só nas transições rápidas, mas também na pressão bem exercida aos alvos azuis identificados como menos fortes em posse de bola.
Ainda assim, o querer atirou o FC Porto para a frente e foi graças a um penalty sobre Hulk - convertido sobre o mesmo - que chegou à igualdade, ao minuto 10. Com a igualdade, os dragões foram-se assenhorando do jogo, afastando os nervos, e foi no seguimento de um desses lances que chegaram ao segundo golo, por intermédio de Sapunaru (num canto bem batido por Hulk), que assim se redimia do lance menos feliz do golo dos gilistas.
Os campeões nacionais pareciam querer acalmar o jogo e exercer finalmente o seu domínio, mas a equipa de Barcelos não se mostrou interessada e continuou a mostrar que vinha para jogar, ainda que com as suas armas. Assim, tiveram uma oportunidade de golo clamorosa, aos 23', que João Vilela falhou perante Helton.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais afoito tanto a defender como a atacar e, com isso, conseguiu aumentar a vantagem para dois golos logo ao terceiro minuto, numa verdadeira bomba de Hulk. 3 minutos depois, Kléber e Hulk construíram uma bela jogada para a nova referência de área azul e branca cabecear ao lado do poste esquerdo.
As substituições serviram para atiçar um pouco um dragão mais interessado em controlar o jogo, após a vantagem. Belluschi e Djalma entraram para os lugares de Guarín e Varela, respectivamente, e essas alterações trouxeram uma maior mobilidade, em particular a de Belluschi, sempre predisposto a fazer passes de ruptura e explorar os espaços.
Até final, assistimos a uma tentativa de reacção da turma de Barcelos, potenciada pela continuação de alguma falta de agressividade defensiva por parte do FC Porto. Apesar de tudo, não houve grandes sustos, mas fica a nota para o próximo jogo, contra um adversário incomparavelmente mais difícil.
Positivo:
- Atitude do Gil Vicente. Se todas as equipas demonstrassem a mesma vontade de discutir o resultado (ainda que com as suas armas, como é óbvio), talvez o campeonato nacional fosse capaz de atrair mais adeptos.
Negativo:
- Momento defensivo do FC Porto. A equipa parece estar ainda algo confusa sobre quando deve ou não fazer pressão. Como tal, criam-se involuntariamente autênticos buracos, partindo a equipa e expondo-a às transições.
Se os azuis e brancos já estavam nervosos, o golo adversário não ajudou em nada. Souza continua a demonstrar algumas dificuldades na construção (é raro o passe ao primeiro ou segundo toque) e os de Barcelos traziam a lição bem estudada, jogando em bloco baixo e apostando não só nas transições rápidas, mas também na pressão bem exercida aos alvos azuis identificados como menos fortes em posse de bola.
Ainda assim, o querer atirou o FC Porto para a frente e foi graças a um penalty sobre Hulk - convertido sobre o mesmo - que chegou à igualdade, ao minuto 10. Com a igualdade, os dragões foram-se assenhorando do jogo, afastando os nervos, e foi no seguimento de um desses lances que chegaram ao segundo golo, por intermédio de Sapunaru (num canto bem batido por Hulk), que assim se redimia do lance menos feliz do golo dos gilistas.
Os campeões nacionais pareciam querer acalmar o jogo e exercer finalmente o seu domínio, mas a equipa de Barcelos não se mostrou interessada e continuou a mostrar que vinha para jogar, ainda que com as suas armas. Assim, tiveram uma oportunidade de golo clamorosa, aos 23', que João Vilela falhou perante Helton.
A segunda parte trouxe um FC Porto mais afoito tanto a defender como a atacar e, com isso, conseguiu aumentar a vantagem para dois golos logo ao terceiro minuto, numa verdadeira bomba de Hulk. 3 minutos depois, Kléber e Hulk construíram uma bela jogada para a nova referência de área azul e branca cabecear ao lado do poste esquerdo.
As substituições serviram para atiçar um pouco um dragão mais interessado em controlar o jogo, após a vantagem. Belluschi e Djalma entraram para os lugares de Guarín e Varela, respectivamente, e essas alterações trouxeram uma maior mobilidade, em particular a de Belluschi, sempre predisposto a fazer passes de ruptura e explorar os espaços.
Até final, assistimos a uma tentativa de reacção da turma de Barcelos, potenciada pela continuação de alguma falta de agressividade defensiva por parte do FC Porto. Apesar de tudo, não houve grandes sustos, mas fica a nota para o próximo jogo, contra um adversário incomparavelmente mais difícil.
Positivo:
- Atitude do Gil Vicente. Se todas as equipas demonstrassem a mesma vontade de discutir o resultado (ainda que com as suas armas, como é óbvio), talvez o campeonato nacional fosse capaz de atrair mais adeptos.
Negativo:
- Momento defensivo do FC Porto. A equipa parece estar ainda algo confusa sobre quando deve ou não fazer pressão. Como tal, criam-se involuntariamente autênticos buracos, partindo a equipa e expondo-a às transições.
Monday, July 4, 2011
O outro lado do jogo
Muitas das vezes, detemo-nos apenas com aquilo que o futebol nos oferece de mais imediato - os golos, as defesas, os carrinhos, entre outros. No entanto, especialmente tomando em consideração as diversas competições internacionais para os escalões mais jovens em curso ou prestes a ter início, seria porventura importante debruçarmo-nos sobre o que acontece aos que não conseguem ser transferidos para paisagens mais verdejantes.Um desses exemplos é abordado na edição de hoje de O JOGO, conforme segue mais abaixo (a identidade do clube não é de todo importante, no caso em questão).
Benfica "fez" vida negra a avançado argentino
Valentín Viola, avançado argentino de 19 anos, viu a sua carreira sofrer um revés a partir do momento em que o Benfica se interessou pela sua contratação. Segundo o diário "Olé", o clube da Luz sondou o Racing Avellaneda (de onde saiu Fernández) pelo jogador, com o emblema do país das pampas a pedir cerca de 1,7 milhões de euros. As águias desistiram e a partir daí tudo se complicou para Viola. O avançado, formado no Racing Avellaneda, exigiu um aumento salarial, o que foi recusado, e ficou agora a saber que não fará parte das opções para a próxima época.
Estaremos dispostos a não olhar a meios à procura de novos Messis?
Tuesday, June 28, 2011
O mundo ao contrário
Infelizmente para o futebol em geral, mas mais ainda para o clube em questão, o Sporting parece continuar a estar a ferro e fogo, dando sinais de que, tal como se suspeitava, os resultados da equipa principal mais não eram do que um reflexo de problemas que corriam mais fundo. Ao ler num jornal a entrevista dada pelos principais "olheiros" do Sporting, é impossível não concluir que, ao contrário do que muitos de nós gostam de fazer crer, o futebol ainda é gerido por caprichos, capelinhas e modas do momento. Não me parece haver outro ponto de chegada face ao que nos foi agora confirmado por quem está por dentro da realidade do clube, ainda que manifestamente incompatibilizado com a actual direcção. Com efeito, muitas das pessoas que rodeiam os clubes (em particular os grandes) parecem muito mais interessadas em querer servir-se a si mesmas do que servir o clube.
Os sinais que o futebol, no seu âmbito global, continua a enviar para o exterior continuam a ser de um amadorismo e de compadrios que apenas parecem encontrar par na política.
Os sinais que o futebol, no seu âmbito global, continua a enviar para o exterior continuam a ser de um amadorismo e de compadrios que apenas parecem encontrar par na política.
Wednesday, June 22, 2011
Olhando para as estrelas - N.º 1
Abre-se aqui um espaço para falar do que verdadeiramente move o futebol: os jogadores. Ao ver alguns jogos do Campeonato Mundial de sub-17, houve um jogador que sobressaiu: Patrick Olsen. O médio dinamarquês do Brondby parece um jogador muito mais maduro do que a sua idade daria a entender, dando já mostras de plena noção de espaço, tempo de passe e capacidade de decisão, o que poderá deixar antever um futuro risonho a este centrocampista.
A queda de um mito
A notícia da contratação de André Villas-Boas pelo Chelsea foi o golpe final na esperança do comum adepto de que o futebol fosse algo mais do que apenas um negócio, destroçando qualquer resquício de romantismo que pudesse ter sobrado. Com efeito, a nação portista sentia-se um pouco mais protegida face a uma possível deserção do seu valioso técnico dadas as suas incontáveis manifestações de portismo, deixando cair sempre que necessário a sua paixão pelo clube, culminando na já célebre expressão da "cadeira de sonho", jurando que treinar a equipa do seu coração seria uma das suas máximas ambições.
Ao professar tantas vezes (aquilo que se sabe agora ser) uma mentira, ganhou não só o direito a que todos os adeptos portistas ficassem do seu lado, mas também a responsabilidade de cumprir o que tantas vezes prometeu ao longo da época (incluindo após vencer três das cinco competições desta época).
Se os adeptos azuis e brancos sofreram com a saída de Mourinho, a de Villas-Boas foi incomparavelmente mais dramática. Se, por um lado, Mourinho nunca propalou a sua dedicação incondicional ao clube, Villas-Boas vai mais longe ao deixar o clube desamparado, dado que não foi contratado nenhum dos treinadores desejados em virtude da sua permanência.
Não se trata aqui de atacar a oportunidade profissional do treinador do Chelsea, pois cabe única e exclusivamente a cada um decidir o que julga ser melhor para si. Trata-se sim de constatar que se nem um treinador da casa, ferrenho adepto confesso do clube, cede à tentação de atropelar a sua palavra, demonstrando um absoluto desrespeito pelo compromisso que celebrou de livre vontade, o que podemos esperar nós da legião de contratados que todos os anos chegam aos clubes portugueses, sem qualquer pejo em admitir logo nas primeiras entrevistas que estão em Portugal meramente para dar o salto para um local melhor? Numa empresa convencional, quem seria o patrão que contrataria um funcionário que admitisse na primeira conversa estar ali apenas enquanto não surge algo melhor?
Se tomarmos em consideração que nunca como hoje os clubes tiveram semelhantes condições económicas e que nunca como hoje o futebol foi um negócio tão rentável (através de sites, canais de televisão, jornais, entre outros) como resultado directo do investimento dos fãs, não deixa de ser irónico que essa sensação de pertença a um símbolo, a um espírito, a um clube seja estilhaçada por aqueles que dela vivem.
Resta aos adeptos continuarem a torcer pelas duas dúzias de jogadores e treinadores que, naquele momento, por feliz acaso, não tinham sítio melhor para estar.
Ao professar tantas vezes (aquilo que se sabe agora ser) uma mentira, ganhou não só o direito a que todos os adeptos portistas ficassem do seu lado, mas também a responsabilidade de cumprir o que tantas vezes prometeu ao longo da época (incluindo após vencer três das cinco competições desta época).
Se os adeptos azuis e brancos sofreram com a saída de Mourinho, a de Villas-Boas foi incomparavelmente mais dramática. Se, por um lado, Mourinho nunca propalou a sua dedicação incondicional ao clube, Villas-Boas vai mais longe ao deixar o clube desamparado, dado que não foi contratado nenhum dos treinadores desejados em virtude da sua permanência.
Não se trata aqui de atacar a oportunidade profissional do treinador do Chelsea, pois cabe única e exclusivamente a cada um decidir o que julga ser melhor para si. Trata-se sim de constatar que se nem um treinador da casa, ferrenho adepto confesso do clube, cede à tentação de atropelar a sua palavra, demonstrando um absoluto desrespeito pelo compromisso que celebrou de livre vontade, o que podemos esperar nós da legião de contratados que todos os anos chegam aos clubes portugueses, sem qualquer pejo em admitir logo nas primeiras entrevistas que estão em Portugal meramente para dar o salto para um local melhor? Numa empresa convencional, quem seria o patrão que contrataria um funcionário que admitisse na primeira conversa estar ali apenas enquanto não surge algo melhor?
Se tomarmos em consideração que nunca como hoje os clubes tiveram semelhantes condições económicas e que nunca como hoje o futebol foi um negócio tão rentável (através de sites, canais de televisão, jornais, entre outros) como resultado directo do investimento dos fãs, não deixa de ser irónico que essa sensação de pertença a um símbolo, a um espírito, a um clube seja estilhaçada por aqueles que dela vivem.
Resta aos adeptos continuarem a torcer pelas duas dúzias de jogadores e treinadores que, naquele momento, por feliz acaso, não tinham sítio melhor para estar.
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