Tuesday, February 21, 2012

"O mundo é plano"

Porque o mundo está cada vez mais plano e porque nos é solicitado que estejamos cada vez mais perto uns dos outros, este blog dispõe a partir de agora de um "irmão mais novo" - Combination Play -, o qual será redigido única e exclusivamente em Inglês, de modo a dar resposta às crescentes solicitações de outros pontos do globo menos identificados com o Português. Uma vez mais, obrigado pelos vossos contributos, sem os quais nada disto teria sido possível.

Um novo trilho

A todos aqueles que lêem, comentam, consultam, apoiam ou simplesmente atiram uma olhada ocasional a este blog, o meu muito obrigado. Graças em boa parte a esse feedback, este blog terá o privilégio de contribuir com um artigo semanal para um relevante site de treino e análise especializados de futebol:  http://coachingadvancedplayers.com/. Seguir-se-ão em breve mais actualizações.

Friday, February 10, 2012

O Mito do Futebol de Rua





Este artigo é o resultado da colaboração profícua com Ricardo Pereira e representa uma visão conjunta desta questão

Desde há vários anos a esta parte, temos assistido ao surgimento de uma vasta panóplia de artigos e opiniões (especialmente provenientes de especialistas com formação académica) que abordam o futebol de rua como uma boa prática em vias de extinção. A questão tem tudo para ser algo polémica, começando desde logo pela dúvida quanto aos factos que sustentam essa premissa.

Na verdade, muitas destas opiniões surgem de especialistas cuja memória lhes permite aceder à denominada “magia do futebol”, em que a aleatoriedade parecia ser tão grande, que sobrava espaço para as grandes goleadas, para as exibições dominadoras (por algum motivo os recordes de goleadas, golos marcados e/ou sofridos datam quase todos dessas épocas) e para as reviravoltas assombrosas (são famosas as remontadas dos anos ‘60 do Real Madrid, por exemplo, em que se dava ao luxo de perder 3-0 fora de casa, porque sabia que poderia vencer por quatro ou cinco no seu reduto).

Na verdade, é extremamente comum ouvirem-se treinadores da primeira divisão nacional dizer que as diferenças entre as várias equipas estão hoje mais esbatidas. Afinal de contas, o Gil Vicente (para dar um exemplo recente), com uma pequena fracção do orçamento dos grandes, dificultou a vida ao Benfica e venceu FC Porto e Sporting, o que equivale a dizer que os desequilíbrios de qualidade serão hoje por hoje consideravelmente menores, o que parece contradizer em primeira instância a premissa de que o futebol de rua deveria ter maior primazia.

Por outro lado, o futebol sempre viveu dos seus deuses, das suas individualidades - de Pelé a Eusébio, de Cruyff a Maradona, de Ronaldo a Messi. No entanto, tendemos a esquecer-nos de quem os rodeava. É fácil branquear um qualquer ponto de vista ao relembrar apenas os melhores exemplos, mas é nossa opinião que o verdadeiro segredo está nos jogadores intermédios. Serão Veloso e João Pinto (grandes laterais da sua época) melhores do que Maicon, Lahm ou Roberto Carlos? Em que aspecto Bandeirinha ou Carlos Xavier eram melhores do que João Moutinho ou Javi Garcia? Como poderemos justificar a afirmação segundo a qual o desaparecimento do futebol de rua é “uma das grandes razões para o empobrecimento da qualidade individual e coletiva do jogo de Futebol atual?” Em que medida podemos considerar o futebol actual mais pobre do que há alguns anos atrás?

Acima de tudo, consideramos fundamental não cair na tentação do pensamento analítico e retirar um componente de algo que poderá ter sido válido numa outra época e numa realidade absolutamente distinta. Como é hoje bem sabido, a relação entre os diversos componentes de uma determinada realidade é tão ou mais importante do que esse mesmo componente. Vem a isto a propósito da tentativa de replicação de hábitos que hoje são quase impensáveis. Parece impossível conceber jovens de tenra idade a praticarem qualquer actividade física horas e horas a fio, dada a realidade sócio-económica em que estamos inseridos. Como tal, resulta também inconcebível tentar replicar o futebol de rua na sociedade de conhecimento em que estamos inseridos. Na verdade, nunca como hoje os jovens praticantes tiveram à sua disposição condições tão boas e treinadores tão qualificados para a prática da modalidade. Por conseguinte, como se explica esta súbita vontade de regressar ao passado?
Se analisarmos com atenção, o futebol é a única modalidade que reclama para si um regresso ao passado e que envia à sua comunidade mensagens contraditórias (por exemplo, não é conhecido nenhum treinador de futsal que exija um regresso ao futebol de salão, às bolas duras ou às tabelas). Por um lado, pretendemos relvados sintéticos; por outro, achamos por bem colocar os praticantes nos pelados. Por um lado, pretendemos “treinar para jogar” (um mantra repetido à exaustão); por outro, queremos que meninos e meninas aprendam por si, com tempo, sem pressão. Por um lado, queremos os melhores a jogar com os melhores, sendo constantemente desafiados; por outro, achamos por bem deixarmos 25 jovens, entre os quais se destacam 4 ou 5, em absoluta aleatoriedade. Por um lado, alertamos pais e jogadores para a necessidade de compreender o jogo; por outro, parece-nos correcto despender meia-hora de treino para que os praticantes descubram as suas soluções.
Se nunca como hoje as condições foram tão boas para a prática da modalidade (bolas devidamente dimensionadas para o escalão, calçado adequado, condicionantes especialmente provocadas para o escalão e nível dos intervenientes, etc.), porquê optarmos por um aparente regresso ao passado em vez de potenciarmos aquilo por que todos nós lutámos?

Como é evidente, consideramos o futebol de rua uma excelente fonte de recursos para a prática da modalidade, mas não cremos de forma alguma que seja a melhor para o nosso contexto. Contudo, é nossa opinião que o futebol de rua tende a excluir imediatamente os menos dotados tecnicamente.
Nesse aspecto, o que acontece aos menos evoluídos física e tecnicamente? Perderão certamente mais vezes, sairão mais frustrados do treino e menos motivados face à paixão que os levou a experimentar o desporto. Não estaremos assim, com o retorno ao futebol de rua, a privar o conhecimento do jogo de uma forma mais académica e com outra abordagem aos atletas menos dotados tecnicamente, mas, por vezes, mais interessados e dedicados ao jogo como um todo?  Como todos nós saberemos, não há lugar no futebol de rua para os médios que pensam o jogo ou para os pivôs defensivos que equilibram a equipa ou, quando há esse espaço, não são valorizados - e corremos o risco de jovens praticantes com imenso valor se perderem pelo caminho apenas porque não fintam como Messi e porque não despendemos tempo a ensinar-lhes que o recurso técnico tem de servir um propósito e de ter uma relação directa com o jogo.

Numa época em que cada vez mais se fala em compreender o jogo como um todo e da especificidade do treino, custa-nos compreender em que medida o futebol de rua irá potenciar tudo isso nos jovens praticantes, particularmente numa altura em que os potenciais valores são atirados cada vez mais cedo para os plantéis principais. Se a opinião generalizada defende que a formação não fornece as ferramentas necessárias para entrar nos plantéis profissionais, por exemplo, como poderemos entender que esperar que todos os jovens encontrem a resposta certa para os vários problemas que se lhes vão apresentando seja considerada a solução?

Numa outra vertente, é actualmente consensual que é fundamental que os jogadores estejam o máximo de tempo possível em contacto com a bola; na verdade, os exercícios tendem cada vez mais para isso mesmo, uma vez que o pensamento analítico anteriormente vigente defendia uma visão compartimentada do futebol. A formação académica foi defendendo com cada vez maior intensidade que exercícios de 7x7 ou de 11x11 eram pouco proveitosos, uma vez que não permitiam aos atletas exacerbarem os movimentos e atitudes preconizados. No futebol de rua, a tendência é para que os mais dotados tecnicamente “abafem” o tempo de bola dos restantes praticantes. Para além disso, conforme atrás referido, de pouco importa a competência técnica se não se souber onde, quando e como aplicá-la (como exemplo, podemos comparar a evolução de Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma, dois jogadores de características semelhantes que conheceram percursos diferentes).

Aquilo que, na nossa opinião, faz falta segundo a perspectiva de alguns especialistas são jogadores como Hulk, Ronaldo ou Messi, que conseguem resolver em determinadas situações aquilo que o colectivo não consegue. Curiosamente, a maior parte do tempo despendido com promessas vindas da América do Sul (pátria do futebol de rua) reside precisamente em integrar todo o talento nas vertentes tácticas, sem as quais o talento de pouco interessa. Aliás, não será difícil lembrarmo-nos de inúmeros talentos brasileiros, por exemplo, que não vingam ao mais alto nível (não obstante as suas capacidades) precisamente por não saberem como, onde e quando fazer uso das suas capacidades - de Diego a Robinho, passando por Adriano e Kardec, entre tantos outros.
Assim, em vez de optarmos por trilhar um caminho (por nós considerado) ultrapassado, porque não trabalhar especificamente o “artista”? Se consideramos que este jogador está em vias de extinção e que é importante para o futuro do futebol, porque não conceber respostas novas, que se adeqúem ao tempo em que vivemos? Porventura, será mais proveitoso identificar esses “artistas” e trabalharmo-los em toda a sua especificidade, por oferecerm atributos tão raros nos seus colegas, em vez de sujeitarmos esses mesmos colegas à espera de um novo Eusébio - o que nos leva para um novo tópico.

Se o futebol de rua é de forma tão evidente o futuro da modalidade (pensemos, a título de exemplo, no último Fórum do Treinador, onde essa ideia foi tão amplamente divulgada por tantos e tantos), por que motivo as nações onde essa prática impera - Brasil, Argentina, África - estão cada vez mais longe das fases de decisão dos Campeonatos do Mundo? Com efeito, nos últimos 15 anos, têm sido as nações capazes de implementar sistemas formativos bem estruturados - França, Espanha e Alemanha - que têm colhido os frutos e têm sido capazes de dominar as competições internacionais. Por outro lado, os jogadores uruguaios (equipa-sensação nos últimos anos) fazem constantemente referência à importância do papel do treinador ao prepará-los para os diferentes momentos do jogo. Não queremos de todo dizer com isto que a relação com a bola não é importante - bem pelo contrário -, mas sim que essa relação, isolada do desenvolvimento táctico e colectivo, de pouco serve e que, hoje em dia, teremos de desenhar novas soluções para novos problemas, ao invés de recuarmos a tempos e medidas que nos são mais familiares. Como tal, não estamos de acordo com a afirmação segundo a qual “a sofisticação dos terrenos de jogo representa um retrocesso pedagógico”, pois não cremos ser esse o caso.

Apresentamos mais abaixo algumas citações de Ricky van Wolfswinkel, ponta-de-lança (posição que temos “historicamente” dificuldade em desenvolver), como exemplo de como é para nós fundamental dar as pistas aos atletas para que desenvolvam as capacidades que julgamos mais correctas para um jogo de futebol, afinal de contas o que deveria ser o objectivo máximo. Este caso em concreto vem precisamente da escola holandesa, aquela a que tantos de nós vão buscar inspiração.

You know a huge difference with Holland….? In Holland, they say “you play like you practice…” Hence my coaches at Utrecht being livid if I tried something flash. Here, they hardly train.” “Porto, Benfica and to a somewhat lesser extend Sporting do better in Europa than Dutch teams. Portuguese clubs cheer if they drew a Dutch opponent. They think we are naive and want to solve things in a technical way. They like their odds…

Aparentemente, Wolfswinkel parece querer dizer que basearmos a nossa competência nas capacidades meramente técnicas não é suficiente. Por outro lado, Wolfswinkel é apenas um dos inúmeros valiosos pontas-de-lança holandeses que desfilam pelos campos europeus com centenas de horas de treino direccionado, orientado e específico para a sua posição (por todos considerada uma das mais difíceis). Não será por certo coincidência nem, cremos nós, fruto da aleatoriedade do futebol de rua, mas sim de muito trabalho e métodos adequados à modalidade e à competência do jogador.

Em jeito de conclusão, o termo e o conceito “Futebol de Rua” parecem ser uma expressão saudosista que nos remete para os sentimentos da actividade em grupo de outrora e cujo conceito é vago e pode ter múltiplas interpretações. Na nossa opinião, não é a expressão mais indicada quando os nossos valores se mantêm bem definidos, na cultura do toque de bola, do passe e do estilo de jogo apoiado. Muitos analistas e experientes formadores falam do “futebol de rua” como uma forma de dar liberdade e desenvolver a criatividade do atleta em todos os escalões de formação. O “futebol de rua” põe Messis a circundar oponentes como se de sinalizadores se tratasse, ao passo que, na nossa sociedade contemporânea, temos vários exemplos de “futuras promessas” com vídeos nas redes sociais em vários slaloms contínuos. O verdadeiro factor decisivo do sucesso de muitos desses Messis é a sua posterior compreensão do jogo de equipa e a competência de quando saber usar esta dádiva/ferramenta, apenas ao alcance de alguns, em prol da equipa e dos momentos do jogo.

Em Portugal, continuamos a “endeusar” os atletas tecnicamente mais dotados e que, numa fase de afirmação, tendem a perder-se por falta de entendimento e formação sobre o jogo de futebol. Muitas vezes, acabam por ser encostados nas laterais, onde o risco para a equipa é menor e porque isso representa retirá-los do miolo do terreno, onde o jogador criativo é mais letal. Não estaremos nós a estrangular a formação em Portugal ao limitarmo-la a formar pouquíssimos extremos, mas (potencialmente) de altíssima qualidade, à custa de milhares de atletas que:
  • sendo dotados de uma técnica extraordinária, não passam da mediania competitiva, por falta de conhecimentos do jogo que lhes permita solucionar problemas em jogos mais equilibrados (podendo integrar-se aqui os casos mais conhecidos de Vieirinha, Targino, Rabiola, entre tantos outros)
Apresentamos em seguida uma citação de um dos mais famosos extremos portugueses que pode explicar o sucesso de Cristiano Ronaldo no top-3 mundial:
“The Portuguese winger Nani has said he is not able to express himself at Manchester United.
The 24-year-old, who learned his tricks as a child playing with his friends on the streets of Lisbon, says he has had his wings clipped by Sir Alex Ferguson.
"I try to enjoy playing now, but it is not always possible because I have a responsibility to the team," Nani told the Spanish weekly sports magazine Don Balón.
"But something of the street remains in me. It is not easy to show at United because Sir Alex does not allow very much freedom and I cannot do the tricks and things I did with my friends.
"But when the game is under control I take a risk and it makes me very happy if things work out."

  • sendo menos dotados tecnicamente, mas dispondo de grande interesse e conhecimento do jogo, desempenham funções menos vistosas nas competições de formação, mas de uma importância fundamental nas competições profissionais de alto nível. Mais uma vez, não nos parece aleatório que os melhores jogadores sejam cada vez mais provenientes de culturas mais tácticas, de Witsel a Defour, de Özil a Khedira, de Sneijder a van Persie, de Iniesta a Xavi, entre tantos outros exemplo, deixando aos jogadores portugueses a alternativa de ir para fora adquirir experiência necessária para se elevarem como jogadores de top, tanto nos casos passados de Paulo Sousa, Rui Costa, Figo ou Pauleta, como os actuais exemplos de Castro, Rui Fonte, Makukula, Manuel Fernandes, Hélio Pinto, entre muitos outros.


Defendemos portanto que a criatividade e a liberdade seja concedida quase por completo numa fase muito jovem do processo de formação, mas que seja orientada e integrada num modelo de jogo numa fase competitiva da formação rica em variáveis e condicionantes impostas de forma a potenciar a qualidade táctica do atleta.
Muito do sucesso espanhol na formação e do Barcelona nestes últimos anos prende-se com o facto de se juntarem jogadores evoluídos tecnicamente com o cumprimento táctico de responsabilidades que lhes permite ocupar qualquer posição tanto no miolo como nas alas, tanto no sector recuado como avançado. Messi, Iniesta ou Xavi vêm relembrar-nos que a técnica apenas é válida ao serviço do colectivo - o próprio Xavi assume que a sua visão de jogo e técnica de passe de nada valem se não houver desmarcações dos colegas, o que atesta bem a noção que um dos melhores jogadores do mundo tem da necessidade de movimentos de ruptura nos tempos espaços certos. Por outro lado, é de reter a importância do extremo Pedro Rodríguez na manobra defensiva, ao descrever as suas funções defensivas como “o primeiro a defender, para que a bola não precise de chegar à nossa defesa”. Deste modo, é-nos possível verificar como os diversos momentos são indivisíveis e como escorregar na armadilha do futebol de rua nos pode fazer anular décadas de progresso.

Wednesday, February 1, 2012

Os mestres da reciclagem

Hoje por hoje, não restarão dúvidas sobre a evolução marcadamente positiva do Sporting de Braga. Com cerca de um quinto do orçamento de Benfica e FC Porto, o Sporting de Braga continua a demonstrar mestria no aproveitamento dos recursos excedentários dos três grandes e a mais recente janela de transferências foi mais uma vez prova disso mesmo.

Partindo dessa premissa, analisou-se o actual plantel bracarense, sendo possível concluir que os jogadores provenientes dos três grandes são quase suficientes para constituir um onze extremamente competitivo, conforme se poderá constatar na figura apresentada mais abaixo.

Assim sendo, a questão mais premente que se coloca é a seguinte: até que ponto o Sporting de Braga será capaz não só de fazer bom uso de jogadores válidos que os grandes não quiseram e/ou souberam aproveitar, mas também,  ao mostrar-se tão hábil nas suas incursões no mercado, trilhar um novo caminho no futebol português - um trajecto de contenção e maximização dos recursos ao seu alcance?

Jogadores do actual plantel do Sporting de Braga provenientes dos três grandes

Udinese (almost) fails to show up

Starting lineups

Pundits (unlike myself) are often criticized for giving their opinions according to the result, and not according to what they think the game offers at that particular moment in time. The match that pit Juventus against Udinese was supposed to present two title contenders - but unfortunately only one of them showed up (for most of time, that is). In fact, the match seemed to go against what would be expected by most - myself included.

These two teams had met a little over a month ago, but this time Juve were without Pepe and Marchisio (replaced with Giaccherini and Quagliarella) and Udinese weren't able to call upon Asamoah and Pizni). Just like the match in December, Antonio Conte chose to mirror the system of Udinese, going with what can broadly be described as a 3x5x2, where as Francesco Guidolin had to reshuffle all of his midfield, which would prove decisive for the final outcome.

In the second minute, the bianconeri were already performing one of their trademark moves. If we compare the first clip with the first goal against Roma (second clip), we will be able to see several similarities. Even though the players finishing the moves are not starting out from the same position on the field, the principle is the same: a quick run on the weak side of the ball in order to take advantage of numerical inferiority or equality.





Udinese started out by assuming a clearly counter-attacking stance, keeping a low defensive line and choosing to be up in numbers. Pasquale's fielding on the left wing was surely intentional, since Guidolin will have wanted someone to mark Lichsteiner a bit closer. With Asamoah and Pinzi absent, Udinese found themselves with no out-ball and no one to act as a pivot, a role that Pinzi plays so well. This meant that, unlike the match in December, there was hardly anyone to take the ball up to Di Natale or Abdi, which in turn meant that Juve just kept on piling up the pressure. Armero, playing out of his natural position, tried to deputise as the exit man, but often seemed to forget that his job wasn't just motoring up the field.

As seen here, Udinese's midfield was constantly left exposed due to Armero's venturing forward.
It is still strange to notice, particularly in a league as tactically aware as the Italian, how much time Andrea Pirlo is allowed on the ball. He was able to dictate the tempo and re-start the moves after Udinese throwing the ball forward, in a desperate attempt to relieve the pressure. Actually, Abdi did not exert any sort of pressure upon Pirlo (even though he seemed to have tried at first), and he even started going backwards, possibly trying to help his porous midfield. Therefore, it was no surprise that he didn't make it back on the second half - his replacement, Floro Flores, was a bit more incisive.

When Juventus scored towards the end of the first half, there was some curiosity as to what their plan B would be, given that they had been so hesitant. Oddly enough, just when everyone Juve had the game in the bag (and so it seemed to yours truly), they suddenly dozed off and let Udinese back in the game with wayward passes that mostly Isla intercepted, using those interceptions to counter-attack. Di Natale shot for the first time on 52 minutes and, only two minutes later, Floro Flores scored. Even though the goal came apparently out of Juve's own mistakes, Udinese seemed to be right where they wanted. Feeling the game was getting out of hand, Conte replaced Quagliarella (such an improvement on that particular position, when compared to the out-of-place Pepe).

Once again, Udinese's goal meant nothing and they ended up conceding precisely when it seemed that Juventus would play into their hands. After that, it was one-way traffic and the team from Udine showed that they never wanted anything more than a draw.

I would just like to point out two issues. The first one has to do with Matri. Almost unnoticeably, he managed to have 50 touches (Di Natale had 27, as a reference), from which he mustered 3 key passes, 5 shots (3 of which on target) and 2 goals. It doesn't get much better than that for a forward. The second issue relates to Giaccherini. Not only is he an avid scorer (he scores 1 goal every 5 games, on average), but he also has a tendency to find spaces to run into, opening spaces for himself and others to score. Definitely a player on the rise.

Monday, January 23, 2012

City dominate, suffer and win it (very) late




Starting lineups

In what could prove to be a decisive match for Tottenham’s title hopes, the match between Manchester City and Tottenham was very interesting indeed, with numerous tactical nouances and and uncertain outcome. Mancini left out De Jong, playing Barry and Milner in the middle instead, with Agüero just behind Dzeko, who also got the nod. Spurs went with what seemed to be an attacking lineup, but it proved otherwise. 

With both teams wary of the other’s potential, the first few minutes were a bit of a standoff. Both Barry and Milner lack Yaya Touré’s attacking drive in the final third, which meant that it was up to Silva and Agüero to try and stir things up offensively. However, despite their manager’s claims otherwise, Spurs were tactically aware and went for a conservative 4x1x4x1 approach, with van der Vaart side by side with Modric (they would eventually change sides), Parker patrolling the space in front of his defense and Defoe a bit stranded up front. The chart below shows van der Vaart's limited influence throughout the match.

   

   

   

   

   

   

   



This meant that Modric got Barry and van der Vaart got Milner and both pairs ended up cancelling each other out of the game. The problem for Spurs came when Silva or Nasri pulled inside (Silva was the key orchestrator, as always), the wingbacks were not willing to track them down, meaning Parker had to chase them, which in turn freed Agüero.


Spurs' midfield, with Parker behind Modric and van der Vaart

As for the Londoners’ offense, Adebayor’s absence was key. Even though Defoe has improved his link-up play and here tried his best to challenge Savic (a strategy what would pay off for their first goal), he just didn’t provide the presence Spurs needed to hold up the ball and allow the rest of the team to join, which made the team lose the ball more and more quickly.

The second half brought a more dynamic approach from City. Even though Barry and Milner continued to stay put, the wingbacks started to push forward and, most importantly, Silva and Nasri were much more active. Their movement, together with Dzeki’s, were essential for City’s first goal. Silva strayed to the middle all the way from the right, Dzeko moved to the left and Nasri made a short diagonal to the middle, leaving the opposition’s defense stranded, not knowing who to mark – and suddenly, there was a huge avenue right down the middle.

Even though City’s second goal came from a corner, the most important aspect is the play that led to it. Silva drifted once again to the left to overload that side and was only stopped by a last-minute ditch, revealing the growing difficulties Spurs were having to know who to mark – especially with Parker often being dragged out of position.

When it seemed City were in total control, Savic threw it all away two minutes later, allowing Spurs back in the game with a disastrous headed approach that left Defoe free to go around Joe Hart (who also had a terrible approach, incidentally) and score. A few minutes later, Bale equalized with a great goal, revealing a curious tendency: out of the 5 goals, 3 were the direct result of a winger pulling inside.

After that, Silva and Nasri started tiring out, meaning they were not as willing to track back, and Tottenham started pushing men forward, especially after Livermore came in for van der Vaart and brought more stability to the midfield. In fact, the penalty that gave City the victory came 30 seconds before the 5 minutes of injury time were up and Spurs had actually had the best chance to finish the game just a few minutes earlier.

In conclusion, City dominated most of the game, deserved the lead, but were not able to put the game out of reach. Spurs were very fortunate with the timing of their first goal and their conservative approach could have brought heavy consequences once again at the hands of Mancini’s team. The Italian, in turn, will surely be missing Kompany’s skills and leadership.


Como encher estádios - Parte I

Em Portugal, construíram-se dez estádios para dar as boas-vindas ao Euro 2004. Pouco caso se fez na altura se o número fazia sentido, se os clubes (ou as autarquias, como se veio a provar mais tarde) teriam capacidade para os suportar ou se era possível encontrar formas de os rentabilizar. A decisão foi avante, com a dúbia justificação de que promoveria a actividade desportiva e aumentaria as assistências das partidas de futebol e, por conseguinte, as receitas. 8 anos volvidos, a falácia está infelizmente à vista de todos.

Na Alemanha, reconverteram-se oito estádios para o Mundial de 2006. Estranhamente, quase todos eles registam taxas de ocupação em dias de jogos superiores a 75%. Para além disso, verificou-se uma aposta vincada no contexto dos mesmos, integrando-os não em ermos longe de tudo e todos, mas num contexto que potencia levar a família algum tempo antes do jogo, seja para conhecer o estádio, a galeria comercial ou as inevitáveis áreas de diversão que os envolvem.

Para além disso, ao contrário do que a Liga gosta de pensar, o preço dos bilhetes conta - e muito. Este fim-de-semana, na partida que opunha as equipas do Hamburgo e Borussia de Dortmund (actual segundo classificado e campeão em título), os adeptos visitantes fizeram greve porque o preço dos bilhetes era considerado exorbitante. O preço? 19 €! O mais curioso foi que os simpatizantes da equipa adversária fizeram um protesto silencioso durante o jogo - contra a sua própria equipa, por praticarem preços que consideravam injustos.

Tudo isto nos parece estar a milhas de distância, mas continua a ser possível arrepiar caminho e potenciar os investimentos que todos nós realizámos. Resta-nos querer para poder.