Monday, July 4, 2011

O outro lado do jogo

Muitas das vezes, detemo-nos apenas com aquilo que o futebol nos oferece de mais imediato - os golos, as defesas, os carrinhos, entre outros. No entanto, especialmente tomando em consideração as diversas competições internacionais para os escalões mais jovens em curso ou prestes a ter início, seria porventura importante debruçarmo-nos sobre o que acontece aos que não conseguem ser transferidos para paisagens mais verdejantes.

Um desses exemplos é abordado na edição de hoje de O JOGO, conforme segue mais abaixo (a identidade do clube não é de todo importante, no caso em questão).


Benfica "fez" vida negra a avançado argentino

Valentín Viola, avançado argentino de 19 anos, viu a sua carreira sofrer um revés a partir do momento em que o Benfica se interessou pela sua contratação. Segundo o diário "Olé", o clube da Luz sondou o Racing Avellaneda (de onde saiu Fernández) pelo jogador, com o emblema do país das pampas a pedir cerca de 1,7 milhões de euros. As águias desistiram e a partir daí tudo se complicou para Viola. O avançado, formado no Racing Avellaneda, exigiu um aumento salarial, o que foi recusado, e ficou agora a saber que não fará parte das opções para a próxima época.


Estaremos dispostos a não olhar a meios à procura de novos Messis?

Tuesday, June 28, 2011

O mundo ao contrário

Infelizmente para o futebol em geral, mas mais ainda para o clube em questão, o Sporting parece continuar a estar a ferro e fogo, dando sinais de que, tal como se suspeitava, os resultados da equipa principal mais não eram do que um reflexo de problemas que corriam mais fundo. Ao ler num jornal a entrevista dada pelos principais "olheiros" do Sporting, é impossível não concluir que, ao contrário do que muitos de nós gostam de fazer crer, o futebol ainda é gerido por caprichos, capelinhas e modas do momento. Não me parece haver outro ponto de chegada face ao que nos foi agora confirmado por quem está por dentro da realidade do clube, ainda que manifestamente incompatibilizado com a actual direcção. Com efeito, muitas das pessoas que rodeiam os clubes (em particular os grandes) parecem muito mais interessadas em querer servir-se a si mesmas do que servir o clube.

Os sinais que o futebol, no seu âmbito global, continua a enviar para o exterior continuam a ser de um amadorismo e de compadrios que apenas parecem encontrar par na política.

Wednesday, June 22, 2011

Olhando para as estrelas - N.º 1

Abre-se aqui um espaço para falar do que verdadeiramente move o futebol: os jogadores. Ao ver alguns jogos do Campeonato Mundial de sub-17, houve um jogador que sobressaiu: Patrick Olsen. O médio dinamarquês do Brondby parece um jogador muito mais maduro do que a sua idade daria a entender, dando já mostras de plena noção de espaço, tempo de passe e capacidade de decisão, o que poderá deixar antever um futuro risonho a este centrocampista.

A queda de um mito

A notícia da contratação de André Villas-Boas pelo Chelsea foi o golpe final na esperança do comum adepto de que o futebol fosse algo mais do que apenas um negócio, destroçando qualquer resquício de romantismo que pudesse ter sobrado. Com efeito, a nação portista sentia-se um pouco mais protegida face a uma possível deserção do seu valioso técnico dadas as suas incontáveis manifestações de portismo, deixando cair sempre que necessário a sua paixão pelo clube, culminando na já célebre expressão da "cadeira de sonho", jurando que treinar a equipa do seu coração seria uma das suas máximas ambições.

Ao professar tantas vezes (aquilo que se sabe agora ser) uma mentira, ganhou não só o direito a que todos os adeptos portistas ficassem do seu lado, mas também a responsabilidade de cumprir o que tantas vezes prometeu ao longo da época (incluindo após vencer três das cinco competições desta época).

Se os adeptos azuis e brancos sofreram com a saída de Mourinho, a de Villas-Boas foi incomparavelmente mais dramática. Se, por um lado, Mourinho nunca propalou a sua dedicação incondicional ao clube, Villas-Boas vai mais longe ao deixar o clube desamparado, dado que não foi contratado nenhum dos treinadores desejados em virtude da sua permanência.

Não se trata aqui de atacar a oportunidade profissional do treinador do Chelsea, pois cabe única e exclusivamente a cada um decidir o que julga ser melhor para si. Trata-se sim de constatar que se nem um treinador da casa, ferrenho adepto confesso do clube, cede à tentação de atropelar a sua palavra, demonstrando um absoluto desrespeito pelo compromisso que celebrou de livre vontade, o que podemos esperar nós da legião de contratados que todos os anos chegam aos clubes portugueses, sem qualquer pejo em admitir logo nas primeiras entrevistas que estão em Portugal meramente para dar o salto para um local melhor? Numa empresa convencional, quem seria o patrão que contrataria um funcionário que admitisse na primeira conversa estar ali apenas enquanto não surge algo melhor?

Se tomarmos em consideração que nunca como hoje os clubes tiveram semelhantes condições económicas e que nunca como hoje o futebol foi um negócio tão rentável (através de sites, canais de televisão, jornais, entre outros) como resultado directo do investimento dos fãs, não deixa de ser irónico que essa sensação de pertença a um símbolo, a um espírito, a um clube seja estilhaçada por aqueles que dela vivem.

Resta aos adeptos continuarem a torcer pelas duas dúzias de jogadores e treinadores que, naquele momento, por feliz acaso, não tinham sítio melhor para estar.

Monday, May 2, 2011

Bipolaridade (ou como o contexto altera as decisões)

O último texto deste blogue tinha versado sobre a lição táctica que Sir Alex Ferguson, treinador do Manchester United, tinha ministrado ao seu adversário da Liga dos Campeões. Pois bem, parece haver algo na turfa inglesa que leva os treinadores a não tomarem as opções mais lógicas e racionais em jogos da Premier League, optando ao invés por decisões apenas compreensíveis segundos os cânones ingleses.

Num jogo que opunha Arsenal e Manchester United e que era decisivo para as contas do campeonato, a equipa de Ferguson optou - como costuma fazer contra este adversário - por ceder a posse de bola e explorar o contra-ataque. No entanto, a estratégia não parecia estar a funcionar e a equipa de Wenger não parecia disposta a abdicar da vitória.

Raras são as vezes em que o resultado de uma substituição é tão notório. Num onze que incluía já Ji Sung Park, Nani, Rooney e Hernández como opções atacantes (num 4-4-1-1 bem definido), o treinador escocês optou por desfazer a dupla Anderson-Carrick no meio-campo, substituindo o médio brasileiro por Valencia (outro atacante), trazendo Park para o centro do campo, onde o sul-coreano nunca teve qualquer rotina. Na jogada imediatamente a seguir, Park não fechou o seu espaço, como Anderson, vinha fazendo até então, e o seu opositor directo entrou na área e marcou calmamente o golo da vantagem dos londrinos.

O que se viu no resto do jogo deixou ainda mais perplexos quaisquer amantes do futebol que não tenham passaporte inglês. A perder, o manager do United optou por tirar o único médio que tinha para fazer entrar - pasme-se - Michael Owen. Como resultado, o onze de Manchester perdeu de vez o controlo do jogo e, por seu turno, o Arsenal fez o que melhor sabe: manter a posse de bola sem qualquer objectivo final.

Wednesday, April 27, 2011

Um simples aperitivo

O Capuchinho Vermelho

No futebol actual, não sobra muito espaço para os contos de fadas. Com efeito, à medida que as competições vão sendo afinadas, cada vez se vão estreitando as possibilidades de clubes de menores dimensões atingirem fases mais avançadas de provas como a Liga dos Campeões. Ao que parece, o Schalke 04 nunca foi informado desse facto.

Dir-se-ia que o simples facto de ocupar o 10º lugar no respectivo campeonato e de ser uma das defesas mais batidas da Liga dos Campeões - por oposição ao Manchester, com apenas 3 golos sofridos ao longo de toda esta edição - levaria a que os alemães tivessem tomado pelo menos algumas medidas para contrapor ao jogo mais compacto do onze britânico. Ao invés, o que se viu foram 90 minutos de total previsibilidade, não de jogo ou de movimentações, mas sim de resultado.

O Schalke parece não ter entrado sequer no novo milénio. Longe vão os tempos em que equipas apenas dotadas de competências ofensivas logravam atingir altos voos. Hoje em dia, a organização é fundamental e, acima de tudo, o espaço entre as diferentes linhas das equipas. Não é possível pretender discutir uma eliminatória quando os três avançados recuam quase a passo (à la Jardel) e um dos médios-centro tenta seguir-lhes as pisadas. Ao ver o Schalke partir a equipa por iniciativa própria, começaram a subsistir dúvidas sobre se o adversário que tinham pela frente havia sido analisado; Rooney, Giggs e Carrick jogavam a seu bel-prazer, sem qualquer marcação minimamente incisiva, fazendo com que os germânicos pouco mais fizessem do que correr atrás da bola (mas não muito).

Uma última palavra para Manuel Neuer - um guarda-redes de agilidade e reflexos impressionantes que brillhará por certo noutras paragens num futuro não muito distante. Resta saber se a sua capacidade de concentração se mantém tão apurada ao jogar numa equipa que lhe garanta um número consideravelmente menor de intervenções.