Tuesday, April 5, 2011

A estrela de um campeão

Friday, April 1, 2011

Benfica v FC Porto: 3 motivos para a vitória do FC Porto

À medida que o grande clássico se aproxima, a tensão vai aumentando, conforme se pode ler aqui. Num encontro tão carregado de emoções como este, dada a actual classificação - simetricamente oposta em relação à época passada -, haverá com certeza motivos que farão pender a balança para um lado e para o outro. Analisemos o lado dos dragões.



  1. O momento. Se dúvidas havia sobre a capacidade de André Villas-Boas liderar um grupo do calibre da equipa azul e branca, têm vindo a ser reduzidas a pó pelo jovem treinador. Na verdade, os dragões têm vindo a quebrar recordes de invencibilidade (permanecem a única equipa imbatível nos campeonatos europeus) e aprestam-se não só para conquistar o título nacional, como para tentar chegar ao fim da competição sem derrotas. Se juntarmos a isso as repetidas passagens às eliminatórias seguintes da Liga Europa, poderemos facilmente constatar que estamos perante uma equipa plena de confiança.
  2. A melhoria táctica. Relativamente a outros anos (nomeadamente a época de Jesualdo Ferreira), o FC Porto está actualmente mais ciente da sua capacidade de reter a bola, sendo assim mais capaz de controlar a partida, em vez das costumeiras transições rápidas. Como tal, num jogo em que o adversário terá por certo a intenção de sufocar desde o primeiro minuto, a posse de bola de Moutinho, Belluschi e/ou Guarín poderá revelar-se fundamental para roubar tempo e espaço ao Benfica.
  3. A vontade. Para muitos dos jogadores do FC Porto, esta é a primeira oportunidade de conquistar um título. Para outros, trata-se da hipótese de reaver um título perdido no ano passado para os eternos rivais. Tanto uns como outros quererão por certo concretizar a conquista, ainda para mais em casa do actual campeão. Conforme se pode ler aqui, a rivalidade entre arqui-rivais parece ser algo que se sente mais no Porto, cidade e clube.

Benfica v FC Porto: 3 motivos para a vitória do Benfica

À medida que o grande clássico se aproxima, a tensão vai aumentando, conforme se pode ler aqui. Num encontro tão carregado de emoções como este, dada a actual classificação - simetricamente oposta em relação à época passada -, haverá com certeza motivos que farão pender a balança para um lado e para o outro. Comecemos pela equipa encarnada.


  1. O embalo. Não obstante um início titubeante, o Benfica tem vindo a melhorar tanto os seus resultados como as suas exibições a olhos vistos. Com efeito, a equipa de Jorge Jesus parece, hoje por hoje, absolutamente identificada com os princípios preconizados pelo seu treinador (uma pressão defensiva mais intensa e jogo carrilado pelos "asas" Gaitán e Sálvio). Se considerarmos que os encarnados continuam a atropelar tudo e todos no seu caminho (excepção feita aos dois últimos jogos no campeonato, onde alinharam quase todas as segundas e terceiras opções), poderemos imaginar que não se vislumbram facilidades para os portistas.
  2. A melhoria táctica. Jorge Jesus parece ter finalmente (re)encontrado a sua fórmula mágica. Substituir jogadores como Ramires ou Di María não é fácil, como já se disse e repetiu em muitos locais, mas o timoneiro do Benfica conseguiu não só moldar Gaitán e Sálvio (tanto ofensiva como, acima de tudo, defensivamente), como logrou também achar o melhor onze para conciliar as maiores virtudes desta equipa. Os 5-0 sofridos no Dragão são já uma miragem distante.
  3. O jogo mais importante da época. Embora a táctica seja um elemento fundamental do jogo, a parte psicológica é fulcral em qualquer partida futebolística, conforme se pôde ver no ano passado no FC Porto x Benfica, em que, apesar de os encarnados serem a melhor equipa do campeonato sem sombra de dúvida, os azuis e brancos não quiseram ceder o seu título de campeões aos rivais no seu reduto. O mesmo se passará no Domingo: ninguém quer ver a festa do maior rival em sua casa.

Tuesday, March 22, 2011

O princípio da demência

Quase todos os anos assistimos por volta desta altura a um fenómeno curioso: do alto da cúpula, os magnânimes responsáveis dos clubes tentam atrair o público - o denominado 12º jogador - para ajudar a atingir os objectivos a que se propuseram, sejam eles chegar às competições europeias ou simplesmente evitar a zona de descida, franqueando as portas a todos os interessados. Fico sempre atónito quando tal acontece, uma vez que essa decisão vem precisamente das mesmas pessoas que não se importam de ter estádios vazios e criar uma relação de alienação quase total entre o clube e o seu público durante a maioria da época.

Por cá, continuamos a ser exímios quando a necessidade aperta, mas positivamente provincianos na organização de eventos de longa duração ou na criação estruturada de condições a médio/longo prazo. Quando o Euro 2004 foi atribuído a Portugal, logo se fizeram ouvir os argumentos costumeiros de que o evento seria benéfico para Portugal, pois os estádios iriam atrair mais público para o futebol. É óbvio que existem hoje melhores condições do que há uns anos atrás, mas o salto não parece ter sido tão exponencial quanto o previsto.

Segundo um estudo recente, a Alemanha, por exemplo, conta com estádios tão ou mais avançados do que os portugueses, mas a sua taxa de ocupação ronda os 90% em todos os jogos. Naturalmente, a maioria das pessoas referirá a questão do poder de compra, mas o cerne da questão reside precisamente aí: o preço dos bilhetes nos estádios germânicos é grosso modo idêntico ao dos portugueses, o que representa um valor real consideravelmente mais baixo. Como se não chegasse, assistir a jogos em que a nossa equipa joga em estádio alheio é incomparavelmente mais barato, não só porque os transportes são mais eficientes e abrangentes, mas também porque os preços - a eterna questão - para os adeptos visitantes não são muito mais caros do que os ingressos para os adeptos locais.

Mas porque o futebol é cada vez menos ir a um estádio para ver 22 jogadores e uma bola, os organizadores alemães investem também em actividades paralelas nas imediações do estádio durante o dia do jogo, de modo a "entreter", por assim dizer, a multidão que quer algo mais, para além, por exemplo, de incluir muitas vezes refeições ligeiras a preços reduzidos. Deste modo, ir ao futebol não só se torna acessível à maioria das carteiras, como se garante um ambiente festivo, em completo contraste com aquilo que vemos semana sim, semana não nos estádios nacionais.

O que nos vale é que, chegados a Março, a altura de aflição nos permite assitir a partidas de futebol mais em linha com o nosso verdadeiro poder de compra.

O princípio da demência II

Todos os anos dou por mim a pensar se não estarei a ler notícias recessas da imprensa britânica, de uma qualquer época anterior. Pois bem, todos os anos, lá por volta de Setembro, todos quantos gostamos de futebol somos confrontados com o futebol da melhor equipa da Europa do momento: o Arsenal, invariavelmente. Por volta dessa altura, verificam-se sempre goleadas à moda antiga (não raramente infligidas a equipas portuguesas), sendo também é nessa altura que vemos a imprensa britânica confirmar que essa será a temporada em que Arséne Wenger prova em definitivo ter razão quando diz, ano após ano, que a sua equipa é jovem e apenas necessita de tempo.

Contudo, não é menos verdade que, todos os anos, vemos o Arsenal debater-se constantemente com lesões dos seus jogadores mais importantes, referir a importância do ano seguinte, confrontar-se com exibições paupérrimas de jogadores que Wenger jura serem os melhores do mundo, atribuir todas as culpas a árbitros, associações e demais, e ser invariavelmente eliminado de todas as competições em que está envolvido, numa seca de troféus que já dura desde 2004. Este ano não foi excepção. Em pouco mais de 2 semanas, a equipa de Wenger perdeu na final da Taça da Liga com o Birmingham, deitando por terra o argumento de que ainda estaria envolvida em todas as competições, e foi eliminada pelo Barcelona sem ter efectuado um único remate à baliza (embora Wenger prefira perder muito mais tempo com a expulsão de van Persie, naturalmente).

Pois bem, este fim-de-semana não foi excepção e, na última competição que lhe resta, a equipa do norte de Londres empatou com o West Bromwich, depois de estar a perder por duas bolas, dando razão a todos quantos afirmar tratar-se de uma equipa sem nervo nos momentos decisivos. Para quem não acreditar, aqui fica mais um desses momentos.