- O embalo. Não obstante um início titubeante, o Benfica tem vindo a melhorar tanto os seus resultados como as suas exibições a olhos vistos. Com efeito, a equipa de Jorge Jesus parece, hoje por hoje, absolutamente identificada com os princípios preconizados pelo seu treinador (uma pressão defensiva mais intensa e jogo carrilado pelos "asas" Gaitán e Sálvio). Se considerarmos que os encarnados continuam a atropelar tudo e todos no seu caminho (excepção feita aos dois últimos jogos no campeonato, onde alinharam quase todas as segundas e terceiras opções), poderemos imaginar que não se vislumbram facilidades para os portistas.
- A melhoria táctica. Jorge Jesus parece ter finalmente (re)encontrado a sua fórmula mágica. Substituir jogadores como Ramires ou Di María não é fácil, como já se disse e repetiu em muitos locais, mas o timoneiro do Benfica conseguiu não só moldar Gaitán e Sálvio (tanto ofensiva como, acima de tudo, defensivamente), como logrou também achar o melhor onze para conciliar as maiores virtudes desta equipa. Os 5-0 sofridos no Dragão são já uma miragem distante.
- O jogo mais importante da época. Embora a táctica seja um elemento fundamental do jogo, a parte psicológica é fulcral em qualquer partida futebolística, conforme se pôde ver no ano passado no FC Porto x Benfica, em que, apesar de os encarnados serem a melhor equipa do campeonato sem sombra de dúvida, os azuis e brancos não quiseram ceder o seu título de campeões aos rivais no seu reduto. O mesmo se passará no Domingo: ninguém quer ver a festa do maior rival em sua casa.
Friday, April 1, 2011
Benfica v FC Porto: 3 motivos para a vitória do Benfica
À medida que o grande clássico se aproxima, a tensão vai aumentando, conforme se pode ler aqui. Num encontro tão carregado de emoções como este, dada a actual classificação - simetricamente oposta em relação à época passada -, haverá com certeza motivos que farão pender a balança para um lado e para o outro. Comecemos pela equipa encarnada.
Tuesday, March 22, 2011
O princípio da demência
Quase todos os anos assistimos por volta desta altura a um fenómeno curioso: do alto da cúpula, os magnânimes responsáveis dos clubes tentam atrair o público - o denominado 12º jogador - para ajudar a atingir os objectivos a que se propuseram, sejam eles chegar às competições europeias ou simplesmente evitar a zona de descida, franqueando as portas a todos os interessados. Fico sempre atónito quando tal acontece, uma vez que essa decisão vem precisamente das mesmas pessoas que não se importam de ter estádios vazios e criar uma relação de alienação quase total entre o clube e o seu público durante a maioria da época. Por cá, continuamos a ser exímios quando a necessidade aperta, mas positivamente provincianos na organização de eventos de longa duração ou na criação estruturada de condições a médio/longo prazo. Quando o Euro 2004 foi atribuído a Portugal, logo se fizeram ouvir os argumentos costumeiros de que o evento seria benéfico para Portugal, pois os estádios iriam atrair mais público para o futebol. É óbvio que existem hoje melhores condições do que há uns anos atrás, mas o salto não parece ter sido tão exponencial quanto o previsto.
Segundo um estudo recente, a Alemanha, por exemplo, conta com estádios tão ou mais avançados do que os portugueses, mas a sua taxa de ocupação ronda os 90% em todos os jogos. Naturalmente, a maioria das pessoas referirá a questão do poder de compra, mas o cerne da questão reside precisamente aí: o preço dos bilhetes nos estádios germânicos é grosso modo idêntico ao dos portugueses, o que representa um valor real consideravelmente mais baixo. Como se não chegasse, assistir a jogos em que a nossa equipa joga em estádio alheio é incomparavelmente mais barato, não só porque os transportes são mais eficientes e abrangentes, mas também porque os preços - a eterna questão - para os adeptos visitantes não são muito mais caros do que os ingressos para os adeptos locais.
Mas porque o futebol é cada vez menos ir a um estádio para ver 22 jogadores e uma bola, os organizadores alemães investem também em actividades paralelas nas imediações do estádio durante o dia do jogo, de modo a "entreter", por assim dizer, a multidão que quer algo mais, para além, por exemplo, de incluir muitas vezes refeições ligeiras a preços reduzidos. Deste modo, ir ao futebol não só se torna acessível à maioria das carteiras, como se garante um ambiente festivo, em completo contraste com aquilo que vemos semana sim, semana não nos estádios nacionais.
O que nos vale é que, chegados a Março, a altura de aflição nos permite assitir a partidas de futebol mais em linha com o nosso verdadeiro poder de compra.
O princípio da demência II
Todos os anos dou por mim a pensar se não estarei a ler notícias recessas da imprensa britânica, de uma qualquer época anterior. Pois bem, todos os anos, lá por volta de Setembro, todos quantos gostamos de futebol somos confrontados com o futebol da melhor equipa da Europa do momento: o Arsenal, invariavelmente. Por volta dessa altura, verificam-se sempre goleadas à moda antiga (não raramente infligidas a equipas portuguesas), sendo também é nessa altura que vemos a imprensa britânica confirmar que essa será a temporada em que Arséne Wenger prova em definitivo ter razão quando diz, ano após ano, que a sua equipa é jovem e apenas necessita de tempo.
Contudo, não é menos verdade que, todos os anos, vemos o Arsenal debater-se constantemente com lesões dos seus jogadores mais importantes, referir a importância do ano seguinte, confrontar-se com exibições paupérrimas de jogadores que Wenger jura serem os melhores do mundo, atribuir todas as culpas a árbitros, associações e demais, e ser invariavelmente eliminado de todas as competições em que está envolvido, numa seca de troféus que já dura desde 2004. Este ano não foi excepção. Em pouco mais de 2 semanas, a equipa de Wenger perdeu na final da Taça da Liga com o Birmingham, deitando por terra o argumento de que ainda estaria envolvida em todas as competições, e foi eliminada pelo Barcelona sem ter efectuado um único remate à baliza (embora Wenger prefira perder muito mais tempo com a expulsão de van Persie, naturalmente).
Pois bem, este fim-de-semana não foi excepção e, na última competição que lhe resta, a equipa do norte de Londres empatou com o West Bromwich, depois de estar a perder por duas bolas, dando razão a todos quantos afirmar tratar-se de uma equipa sem nervo nos momentos decisivos. Para quem não acreditar, aqui fica mais um desses momentos.
Contudo, não é menos verdade que, todos os anos, vemos o Arsenal debater-se constantemente com lesões dos seus jogadores mais importantes, referir a importância do ano seguinte, confrontar-se com exibições paupérrimas de jogadores que Wenger jura serem os melhores do mundo, atribuir todas as culpas a árbitros, associações e demais, e ser invariavelmente eliminado de todas as competições em que está envolvido, numa seca de troféus que já dura desde 2004. Este ano não foi excepção. Em pouco mais de 2 semanas, a equipa de Wenger perdeu na final da Taça da Liga com o Birmingham, deitando por terra o argumento de que ainda estaria envolvida em todas as competições, e foi eliminada pelo Barcelona sem ter efectuado um único remate à baliza (embora Wenger prefira perder muito mais tempo com a expulsão de van Persie, naturalmente).
Pois bem, este fim-de-semana não foi excepção e, na última competição que lhe resta, a equipa do norte de Londres empatou com o West Bromwich, depois de estar a perder por duas bolas, dando razão a todos quantos afirmar tratar-se de uma equipa sem nervo nos momentos decisivos. Para quem não acreditar, aqui fica mais um desses momentos.
Thursday, March 17, 2011
Wednesday, March 16, 2011
O outro lado de uma mesma moeda
Wednesday, January 26, 2011
Uma incompetência gritante

As questiúnculas da arbitragem nunca encontraram lugar neste espaço, pois não acho que o futebol deva sequer girar em torno das mesmas. No entanto, há sempre lugar para a discussão sobre uma perspectiva mais abrangente da arbitragem e seus meandros. Depois de ver a actuação de Bruno Paixão no passado sábado, continuo sem compreender os critérios (absolutamente insondáveis) que permitem não só que Paixão continue a apitar, como seja dos árbitros mais antigos de primeira categoria.
Se é verdade que jogadores e treinadores encontram não raramente nos juízes de campos as desculpas perfeitas para escamotear as suas responsabilidades, não é menos verdade que o mero nome do árbitro em questão é mais do que suficiente para pôr os cabelos em pé a muitos dos treinadores portugueses, graças ao seu desrespeito pelo espírito do jogo, à sua ineficácia técnica e disciplinar e à forma como não parece aprender, erro após erro após erro.
Tuesday, January 25, 2011
A inversão do paradigma
Antes da Lei Bosman, em 1995, era quase impossível aos jogadores de futebol decidir sobre o seu futuro, pois o clube que representavam tinha sempre a última palavra. Com a alteração desse estatuto, os jogadores passaram a ter o poder de escolher o clube que queriam representar e durante quanto tempo queriam representá-lo. Há uma panóplia de estudos que, com base em evidências sólidas, apontam a correlação entre o disparar dos ordenados dos jogadores e esta legislação.
Hoje em dia, vemos o absoluto oposto: jogadores que forçam a saída dos clubes ameaçando os mesmos que, se não quiserem vendê-los quando e para onde querem, abandonam a entidade patronal sem que esta tenha direito a qualquer compensação. Abordo esta questão a propósito do interesse do Real Madrid em Ruud van Nistelrooy (ex-jogador dos merengues).
O jogador holandês foi transferido para o Hamburgo há duas épocas, pois encontrava-se já na fase descendente da sua carreira e não encontrava o espaço que julgava merecedor para a sua valia. Como tal, rumou à Alemanhã, em tudo à imagem do que aconteceu com o antigo capitão da mesma equipa, Raúl. Subitamente, o Real, com todos os problemas que vem enfrentando devido à escassez de opções na posição 9, manifesta o seu interesse em Nistelrooy, que força a saída, mostrando-se disposto a pagar do seu próprio bolso para jogar novamente no Santiago Bernabéu.
O Hamburgo, clube que desembolsou largos milhões de euros pela transferência e salário do jogador, negou a pretensão do jogador, demonstrando o evidente: o momento da época é crítico, o clube fez um forte investimento no jogador, definiu um determinado número de anos para a duração do contrato e, como tal, não está minimamente interessado em sair prejudicado de toda esta confusão.
Pois bem, pudemos ler há pouco as palavras do empresário do holandês, que veio a terreiro manifestar o descontentamento do jogador: "Ele não consegue entendê-lo, e é um problema. É muito, muito doloroso para ele. É triste porque o Hamburgo não sabe o que fez a Ruud com esta decisão."
Em suma, hoje em dia, qualquer futebolista crê poder assustar e "aterrorizar" o seu clube, não dando qualquer prova de interesse em cumprir o contrato que assinou, com todas as possibilidades de escolha e decisão. Mais do que o amor à camisola, perdeu-se o respeito pela palavra e pelo acordo.
Hoje em dia, vemos o absoluto oposto: jogadores que forçam a saída dos clubes ameaçando os mesmos que, se não quiserem vendê-los quando e para onde querem, abandonam a entidade patronal sem que esta tenha direito a qualquer compensação. Abordo esta questão a propósito do interesse do Real Madrid em Ruud van Nistelrooy (ex-jogador dos merengues).
O jogador holandês foi transferido para o Hamburgo há duas épocas, pois encontrava-se já na fase descendente da sua carreira e não encontrava o espaço que julgava merecedor para a sua valia. Como tal, rumou à Alemanhã, em tudo à imagem do que aconteceu com o antigo capitão da mesma equipa, Raúl. Subitamente, o Real, com todos os problemas que vem enfrentando devido à escassez de opções na posição 9, manifesta o seu interesse em Nistelrooy, que força a saída, mostrando-se disposto a pagar do seu próprio bolso para jogar novamente no Santiago Bernabéu.
O Hamburgo, clube que desembolsou largos milhões de euros pela transferência e salário do jogador, negou a pretensão do jogador, demonstrando o evidente: o momento da época é crítico, o clube fez um forte investimento no jogador, definiu um determinado número de anos para a duração do contrato e, como tal, não está minimamente interessado em sair prejudicado de toda esta confusão.
Pois bem, pudemos ler há pouco as palavras do empresário do holandês, que veio a terreiro manifestar o descontentamento do jogador: "Ele não consegue entendê-lo, e é um problema. É muito, muito doloroso para ele. É triste porque o Hamburgo não sabe o que fez a Ruud com esta decisão."
Em suma, hoje em dia, qualquer futebolista crê poder assustar e "aterrorizar" o seu clube, não dando qualquer prova de interesse em cumprir o contrato que assinou, com todas as possibilidades de escolha e decisão. Mais do que o amor à camisola, perdeu-se o respeito pela palavra e pelo acordo.
Etiquetas:
transferências,
van Nistelrooy
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