Thursday, March 17, 2011
Wednesday, March 16, 2011
O outro lado de uma mesma moeda
Wednesday, January 26, 2011
Uma incompetência gritante

As questiúnculas da arbitragem nunca encontraram lugar neste espaço, pois não acho que o futebol deva sequer girar em torno das mesmas. No entanto, há sempre lugar para a discussão sobre uma perspectiva mais abrangente da arbitragem e seus meandros. Depois de ver a actuação de Bruno Paixão no passado sábado, continuo sem compreender os critérios (absolutamente insondáveis) que permitem não só que Paixão continue a apitar, como seja dos árbitros mais antigos de primeira categoria.
Se é verdade que jogadores e treinadores encontram não raramente nos juízes de campos as desculpas perfeitas para escamotear as suas responsabilidades, não é menos verdade que o mero nome do árbitro em questão é mais do que suficiente para pôr os cabelos em pé a muitos dos treinadores portugueses, graças ao seu desrespeito pelo espírito do jogo, à sua ineficácia técnica e disciplinar e à forma como não parece aprender, erro após erro após erro.
Tuesday, January 25, 2011
A inversão do paradigma
Antes da Lei Bosman, em 1995, era quase impossível aos jogadores de futebol decidir sobre o seu futuro, pois o clube que representavam tinha sempre a última palavra. Com a alteração desse estatuto, os jogadores passaram a ter o poder de escolher o clube que queriam representar e durante quanto tempo queriam representá-lo. Há uma panóplia de estudos que, com base em evidências sólidas, apontam a correlação entre o disparar dos ordenados dos jogadores e esta legislação.
Hoje em dia, vemos o absoluto oposto: jogadores que forçam a saída dos clubes ameaçando os mesmos que, se não quiserem vendê-los quando e para onde querem, abandonam a entidade patronal sem que esta tenha direito a qualquer compensação. Abordo esta questão a propósito do interesse do Real Madrid em Ruud van Nistelrooy (ex-jogador dos merengues).
O jogador holandês foi transferido para o Hamburgo há duas épocas, pois encontrava-se já na fase descendente da sua carreira e não encontrava o espaço que julgava merecedor para a sua valia. Como tal, rumou à Alemanhã, em tudo à imagem do que aconteceu com o antigo capitão da mesma equipa, Raúl. Subitamente, o Real, com todos os problemas que vem enfrentando devido à escassez de opções na posição 9, manifesta o seu interesse em Nistelrooy, que força a saída, mostrando-se disposto a pagar do seu próprio bolso para jogar novamente no Santiago Bernabéu.
O Hamburgo, clube que desembolsou largos milhões de euros pela transferência e salário do jogador, negou a pretensão do jogador, demonstrando o evidente: o momento da época é crítico, o clube fez um forte investimento no jogador, definiu um determinado número de anos para a duração do contrato e, como tal, não está minimamente interessado em sair prejudicado de toda esta confusão.
Pois bem, pudemos ler há pouco as palavras do empresário do holandês, que veio a terreiro manifestar o descontentamento do jogador: "Ele não consegue entendê-lo, e é um problema. É muito, muito doloroso para ele. É triste porque o Hamburgo não sabe o que fez a Ruud com esta decisão."
Em suma, hoje em dia, qualquer futebolista crê poder assustar e "aterrorizar" o seu clube, não dando qualquer prova de interesse em cumprir o contrato que assinou, com todas as possibilidades de escolha e decisão. Mais do que o amor à camisola, perdeu-se o respeito pela palavra e pelo acordo.
Hoje em dia, vemos o absoluto oposto: jogadores que forçam a saída dos clubes ameaçando os mesmos que, se não quiserem vendê-los quando e para onde querem, abandonam a entidade patronal sem que esta tenha direito a qualquer compensação. Abordo esta questão a propósito do interesse do Real Madrid em Ruud van Nistelrooy (ex-jogador dos merengues).
O jogador holandês foi transferido para o Hamburgo há duas épocas, pois encontrava-se já na fase descendente da sua carreira e não encontrava o espaço que julgava merecedor para a sua valia. Como tal, rumou à Alemanhã, em tudo à imagem do que aconteceu com o antigo capitão da mesma equipa, Raúl. Subitamente, o Real, com todos os problemas que vem enfrentando devido à escassez de opções na posição 9, manifesta o seu interesse em Nistelrooy, que força a saída, mostrando-se disposto a pagar do seu próprio bolso para jogar novamente no Santiago Bernabéu.
O Hamburgo, clube que desembolsou largos milhões de euros pela transferência e salário do jogador, negou a pretensão do jogador, demonstrando o evidente: o momento da época é crítico, o clube fez um forte investimento no jogador, definiu um determinado número de anos para a duração do contrato e, como tal, não está minimamente interessado em sair prejudicado de toda esta confusão.
Pois bem, pudemos ler há pouco as palavras do empresário do holandês, que veio a terreiro manifestar o descontentamento do jogador: "Ele não consegue entendê-lo, e é um problema. É muito, muito doloroso para ele. É triste porque o Hamburgo não sabe o que fez a Ruud com esta decisão."
Em suma, hoje em dia, qualquer futebolista crê poder assustar e "aterrorizar" o seu clube, não dando qualquer prova de interesse em cumprir o contrato que assinou, com todas as possibilidades de escolha e decisão. Mais do que o amor à camisola, perdeu-se o respeito pela palavra e pelo acordo.
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van Nistelrooy
Thursday, January 20, 2011
Algumas coisas não necessitam de palavras
Sunday, January 16, 2011
A nova vida de Ramires
Ramires foi contratado esta época pelo Chelsea ao Benfica, tendo deixado uma lacuna de difícil preenchimento. No entanto, confesso que, até ontem, não tinha visto nas suas exibições muito mais do que o esforço e profissionalismo que o jogador brasileiro sempre põe em campo. Contra o Blackburn, o médio andou mais nas imediações das suas zonas preferenciais, como se pode ver pelo gráfico mais abaixo, onde estão descritos os roubos de bola efectuados. Com efeito, Ramires limitou mais a sua acção a fechar (e muito bem o seu lado direito) e a compensar as subidas de Michael Essien.
Pessoalmente, creio que terá sido a melhor exibição que já vi Ramires fazer esta época, talvez por não lhe ser cobrado tanto em termos ofensivos, ficando mais à vontade para realizar as suas tão típicas transições rápidas. Talvez agora o seu rendimento possa estabilizar nos elevados níveis a que nos habituou.
by Guardian Chalkboards
Pessoalmente, creio que terá sido a melhor exibição que já vi Ramires fazer esta época, talvez por não lhe ser cobrado tanto em termos ofensivos, ficando mais à vontade para realizar as suas tão típicas transições rápidas. Talvez agora o seu rendimento possa estabilizar nos elevados níveis a que nos habituou.
by Guardian Chalkboards
O corte epistemológico
Quando éramos miúdos, o meu pai recorria frequentemente a uma explicação sempre que nos depáravamos com algo que não nos queria explicar naquele momento: o corte epistemológico. Na altura, essas duas palavrinhas tiravam-me do sério. Hoje, ao ver o jogo entre Liverpool e Everton, dei por mim a pensar nessa tão habitual expressão. Durante as várias épocas em que Raúl Meireles esteve no FC Porto, habituámo-nos a ver um jogador atreito ao cansaço, quase roçando o rótulo de frágil. Como tal, continuo a não conseguir evitar ficar surpreendido ao vê-lo na Premier League, a jogar de três em três dias, com uma frescura física invejável e com uma intensidade que ninguém, creio, lhe adivinhava.
É verdade que perdeu em algumas facetas do seu jogo; com a maior intensidade, a sua eficácia de passe sofre, como seria de esperar, naturalmente. No entanto, parece hoje em dia muito mais adaptado às exigências do futebol moderno, em vez de parecer ter sido atingido por um relâmpago, como acontecia tantas e tantas vezes quando o FC Porto defrontava equipas de outra estaleca ao nível europeu.
Deixo mais abaixo um mapa representativo dos seus passes (certos e falhados), onde julgo ser possível ver a sua elasticidade de movimentos, mantendo ainda a capacidade de marcar golos.
by Guardian Chalkboards
É verdade que perdeu em algumas facetas do seu jogo; com a maior intensidade, a sua eficácia de passe sofre, como seria de esperar, naturalmente. No entanto, parece hoje em dia muito mais adaptado às exigências do futebol moderno, em vez de parecer ter sido atingido por um relâmpago, como acontecia tantas e tantas vezes quando o FC Porto defrontava equipas de outra estaleca ao nível europeu.
Deixo mais abaixo um mapa representativo dos seus passes (certos e falhados), onde julgo ser possível ver a sua elasticidade de movimentos, mantendo ainda a capacidade de marcar golos.
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