Friday, January 18, 2013

Benfica x FC Porto: o clássico à lupa


O encontro do passado Domingo que opôs Benfica e FC Porto já foi aqui analisado em termos gerais, mas partiremos agora para uma análise mais detalhada dos diferentes aspectos de ambas as equipas. Cada uma terá uma secção própria, dividida entre defesa e ataque.

  • Benfica - Defesa

  • O Benfica começou por não pressionar o guarda-redes do FC Porto. Os dois avançados encarnados, Cardozo e Lima, tinham pelo contrário instruções para prestarem atenção aos defesas-centrais do FC Porto, com Enzo Pérez a seguir o médio azul e branco que recuasse (geralmente Fernando).


  • As águias foram também menos pressionantes do que o habitual, optando com frequência por recuar em bloco, permitindo aos portistas mais tempo em posse do que o esperado, especialmente durante a primeira metade.


    • Ainda assim, a equipa da capital denotou dificuldades em ganhar as segundas bolas - nos duelos pelo ar, por exemplo. Neste caso em particular, Jackson Martínez (amarelo) está prestes a disputar o esférico com Jardel. Devido à presença de Defour, Matic não pode aproximar-se de João Moutinho (laranja) tanto quanto desejável. O médio português viria a recolher a bola.




    • A primeira imagem mostra a vulnerabilidade do Benfica a penetrações pelo centro. Sem Cardozo ou Lima a recuarem para ajudar no meio-campo, Fernando e os dois centrais azuis e brancos - neste caso case, Mangala (amarelo) - tinham frequentemente a possibilidade de progredir sem problemas de maior. A linha amarela representa o passe simples na direcção de Martínez que abriu a defesa do Benfica (conforme se vê na segunda imagem).



    • Benfica - Ataque

    • Como resultado da pressão exercida pelos campeões nacionais, nomeadamente durante os primeiros 60 minutos da partida, o Benfica viu-se obrigado a lançar bolas longas na direcção de Cardozo. Contudo, sempre que as águias conseguiram jogar à flor da relva, procuravam ir ao encontro dos seus pontos fortes - as alas. Enquanto Gaitán insistia em flectir para o centro, o flanco direito foi a origem da maioria das ameaças ofensivas do clube da Luz. A primeira imagem ilustra uma situação ofensiva típica da equipa de Jorge Jesus, com cinco jogadores a criarem superioridade numérica na ala. A segunda imagem mostra como Sálvio (azul) procura que Máxi (amarelo) dê largura, enquanto Cardozo (laranja) ocupa o centro. A terceira figura apresenta uma situação semelhante, na qual Lima (amarelo) desposiciona o seu marcador para que Sálvio (laranja) possa entrar pelo centro.

    • FC Porto - Defesa




    • A equipa visitante não teve receio em defender mais à frente e impedir que o seu adversário saísse a jogar a partir de trás. As primeiras duas imagens são do 5.º minuto e são apresentadas para exemplificar a típica pressão exercida pelo FC Porto. Jackson Martínez prestava especial atenção ao central benfiquista do lado direito, ao passo que Lucho se aproximava do central do lado esquerdo (primeira imagem) e/ou do guarda-redes (segunda imagem). A terceira imagem refere-se ao segundo golo do FC Porto. Embora Artur tenha recebido (correctamente) a maior dose de culpa, não é menos verdade que isso apenas produziu resultados para os dragões porque o guarda-redes estava a ser pressionado. Note-se o adiantamento da pressão portista e como Jackson está próximo de Artur quando a bola chega aos seus pés.


    • Sempre que o FC Porto não era capaz de impedir a primeira fase de construção do seu adversário, a equipa encurtava as suas linhas, tentando fechar a maioria das linhas de passe ao Benfica. Neste caso em concreto, Garay tem a bola em seu poder, mas não tem qualquer opção de passe à disposição. O defesa-central acabaria por falhar o passe aéreo.



    • Ao contrário do Benfica, o FC Porto mostrou-se empenhado em defender pelo centro, embora o seu arqui-rival ataque geralmente pelas alas. Na primeira imagem, Gaitán tenta progredir pelo centro, deparando-se com a oposição dos três médios portistas (vermelho). Note-se como Otamendi (amarelo) está preparado para o caso de Gaitán lograr ultrapassar os seus marcadores directos (conforme viria a acontecer). A segunda imagem mostra o bom posicionamento e timing de Otamendi de modo a impedir a progressão do médio argentino.

    • FC Porto - Ataque

    • Com a ausência de James Rodríguez, havia alguma curiosidade relativamente ao posicionamento e movimentação de Defour. Quaisquer dúvidas sobre se Defour replicaria as manobras do mago colombiano dissiparam-se logo no primeiro minuto. A primeira imagem mostra a posição central de Defour (amarelo) enquanto a bola se encontra no flanco esquerdo. A segunda mostra como um simples passe atrasado de Varela para Fernando despoletou a desmarcação do belga nas costas da defesa encarnada.




    • Com a tendência de Defour de flectir para dentro, o FC Porto assemelhava-se com frequência a um 4x4x2 em losango, conforme se pode ver nas imagens mais acima, com Fernando mais recuado, Moutinho à esquerda, Lucho González à direita e Defour por trás de Jackson Martínez, enquanto o extremo Varela oferecia largura à esquerda e o lateral Danilo fazia o mesmo no flanco oposto.


    • Esta imagem em particular ilustra o combate desigual entre os dois meios-campos, com Matic e Enzo Pérez a braços com Fernando (azul), Moutinho (amarelo) e Lucho González (vermelho) - o que significava que um destes três estava livre na maioria das vezes. Note-se como Cardozo e Lima não se envolvem na batalha travada a meio-campo.




    • Fernando foi efectivamente decisivo para inclinar a balança a favor do FC Porto no que diz respeito à luta no centro do terreno. Na primeira imagem, é possível ver Enzo Pérez a tentar pressionar Fernando (amarelo). Lucho apenas tinha de se desmarcar para receber o passe, o que fez de imediato. Na segunda imagem, Fernando (amarelo) ocupa ambos os médios do Benfica, com Lucho a ficar livre para escolher a melhor opção de passe na ala direita. Na terceira figura, é possível ver a liberdade concedida a Danilo - tudo isto uns meros dois segundos após Enzo Pérez tentar pressionar Fernando.


    • Por fim, a importância do recuo de Jackson Martínez (amarelo). A sua predisposição para se mostrar aos seus companheiros de equipa não só abria uma linha de passe adicional, como arrastava consigo um defesa-central, o que significava que o FC Porto tinha espaço para explorar nas costas desse mesmo defesa-central. Note-se como Lucho González passa pelo meio-campo encarnado, quase de perfil com o seu companheiro.

    Monday, January 14, 2013

    Uma celebração do futebol português

    Equipas e movimentações iniciais


    Numa luta cada vez mais acesa entre FC Porto e Benfica, a partida do passado Domingo assumia contornos de grande relevância. Com os dois clubes travando uma batalha pela mais pequena vantagem, havia uma enorme curiosidade à volta deste confronto.

    De quando em vez, é-nos permitido assistir a um encontro que reúne todos os ingredientes - muitos golos, emoção, nuances tácticas, incerteza no resultado. O mais recente Clássico foi um desses momentos. Os forasteiros colocaram-se em vantagem no marcador por duas vezes, com os visitados a igualarem imediatamente dois minutos volvidos em ambas as circunstâncias. As exibições manchadas dos dois guarda-redes poderão ter tido algo a ver com os acontecimentos.

    Com excepção dos erros dos dois guardiões e dos dois outros golos na sequência de lances de bola parada, não houve muitas oportunidades claras de golo - sendo o remate de Cardozo ao poste a poucos minutos do fim a mais clara de todas. O jogo desenrolou-se primordialmente na zona do meio-campo, com ambas as equipas a denotarem dificuldades em encontrar o espaço e competência necessários para fazer o último passe nas melhores condições.


    • FC Porto controla

    Conforme esperado, foi um jogo de pressão alta - pese embora o FC Porto tenha sido estranhamente a equipa que mais pressionou e de forma mais eficaz. Com efeito, o jogador suplementar dos dragões (Fernando e, com maior frequência, Defour) foi decisivo para contornar a tímida pressão benfiquista. Na verdade, o médio belga foi crucial para a supremacia nortenha no centro do terreno, aparecendo muitas vezes em áreas geralmente interditas a um extremo-direito (ainda que nominal).

    Enquanto Matic mantinha Lucho González debaixo de olho, Enzo Pérez jogava mais adiantado com o intuito de impedir que João Moutinho iniciasse os ataques portistas - conforme habitualmente - e, por conseguinte, perturbar o ritmo do FC Porto. No entanto, Lima raras vezes conseguiu ocupar Fernando, com o "trinco" brasileiro a funcionar assiduamente como ponto de apoio para as tabelas dos seus colegas.

    Por seu turno, o Benfica teve grandes dificuldades em sair a jogar, com Jackson Martínez a marcar um defesa-central e Lucho a liderar a pressão da sua equipa, apressando-se a apertar o guarda-redes e/ou o outro defesa-central. Com essa abordagem, os comandados de Vítor Pereira tentavam impedir o Benfica de ter o tempo necessário para tomar a melhor opção ao criar superioridade numérica nas alas e atacar com muitos elementos, como é seu timbre. Sujeitos a essa pressão, os comandados de Jorge Jesus viram-se frequentemente forçados a recorrer a bolas longas, lances em que Cardozo foi muitas vezes superado por Otamendi e Mangala.

    Durante a primeira parte, o FC Porto foi melhor ao nível da pressão e da circulação de bola, ao passo que o Benfica era mais perigoso quando conseguia fazer a bola chegar às alas (particularmente o flanco direito). Apesar do seu sólido registo defensivo até então, os campeões nacionais nem sempre pareceram confortáveis ao lidar com as penetrações de Sálvio. Por outro lado, foi-lhes fácil atacar o seu arqui-rival pelo corredor central - com Matic e Enzo Pérez atraídos por Lucho e Moutinho, Jackson e Defour deram por si em boas posições para fugir aos seus marcadores. O FC Porto terminaria a primeira parte com uns impressionantes 57% de posse de bola.

    Os primeiros 15 minutos do segundo tempo não diferiram em muito da primeira metade. O Benfica continuava a patentear dificuldades em jogar a bola pelo chão - cedendo a posse da mesma com demasiada facilidade - e o FC Porto deu seguimento à sua abordagem pressionante, embora Lucho fosse recuando à medida que os minutos passavam.


    • Benfica melhora progressivamente

    Contudo, com a saída de Enzo Pérez para a entrada de Carlos Martins, o Benfica tornou-se mais batalhador, enquanto o FC Porto começou simultaneamente a acusar o cansaço (a falta de opções no banco foi então evidente, com Izmailov a ser o primeiro a entrar, aos 75 minutos) e deixou de ser capaz de manter a mesma pressão. Após a entrada de Aimar para o lugar de Lima (talvez a maior desilusão da noite) alguns minutos mais tarde, as águias foram encontrando gradualmente o seu ritmo e tornaram-se incómodas para a linha mais recuada dos azuis e brancos.

    Com a sua equipa incapaz de pressionar tanto e tão alto como vinha fazendo até então, Vítor Pereira estava satisfeito com o resultado e menos disposto a correr riscos, instruindo a sua equipa para que recuasse. Animados pela abordagem mais combativa de Carlos Martins e o melhor movimento de Aimar, os jogadores encarnados terminaram o jogo de forma mais eficiente do que no início da partida - e poderiam inclusivamente ter vencido o encontro, caso Cardozo tivesse conseguido dar o melhor seguimento à melhor oportunidade de golo do jogo para além dos golos. No final, a divisão da estatística da posse de bola não poderia ser mais reveladora: 50% para cada equipa.


    • Destaques

    Muito embora não seja hábito deste blog atribuir semelhantes honras individuais, as exibições de dois jogadores merecem um realce particular pelo seu brilho e trabalho árduo. Por um lado, Matic foi fundamental em todos os aspectos do jogo do Benfica. Para além de dificultar as manobras de Lucho González, o sérvio não só esteve irrepreensível nas dobras aos seus companheiros, como teve igualmente forças para se disponibilizar como opção de passe e encontrar avenidas para mostrar o caminho aos seus colegas. Por outro lado, Defour poderá ter passado pela partida quase despercebido, mas a sua combatividade e movimento constante estiveram na base da supremacia portista no centro do terreno - e, por fim, da sua exaustão.

    Thursday, January 10, 2013

    Benfica x FC Porto: antevisão táctica


    Benfica e FC Porto têm estado envolvidos ao longo da presente temporada numa corrida a dois, deixando todas as restantes equipas para trás. Com o Sporting afastado em definitivo destas andanças e com um Braga menos consistente do que em épocas passadas, águias e dragões defrontam-se no Domingo bem cientes da importância da partida.

    De forma algo semelhante à liga espanhola (embora em menor grau), ambas as equipas estão enredadas numa luta entre si - com os empates a tornarem-se nas novas derrotas. Na verdade, encarnados e azuis e brancos entrarão em campo invencíveis - apenas com dois empates no seu registo -, como se estivessem totalmente fora do alcance das restantes equipas da Liga Zon Sagres. O duelo entre estas duas facções é neste momento tão feroz, que algumas das suas características tácticas estão a tornar-se cada vez mais similares. Ao longo dos próximos parágrafos, iremos analisar as batalhas chave.

    • Pressão alta

    Esta é uma abordagem que o Benfica tem assumido desde que Jorge Jesus tomou o comando do clube da Segunda Circular, um treinador determinado a atacar implacavelmente, oferecer um bom espectáculo e sufocar os seus adversários. Por seu turno, os nortenhos eram por hábito uma equipa mais reservada. Contudo, apesar dos contratempos da época transacta, Vítor Pereira foi capaz de melhorar a pressão exercida pela sua equipa (e, acima de tudo, o respectivo timing). Nesse aspecto, ambas as equipas chegam a este encontro decisivo habituadas a exercer pressão sobre os seus adversários e a ocupar terrenos mais avançados. Irá alguma das equipas optar por uma perspectiva mais conservadora? Caso contrário, irá o FC Porto incomodar o Benfica conforme aconteceu na última temporada ou, ao invés, irá o Benfica retirar o máximo proveito do factor casa e sufocar o FC Porto desde o apito inicial?

    Em segundo lugar, as duas equipas sofrem do mesmo mal no que diz respeito à pressão alta. Embora sejam geralmente eficazes a esse nível, ficam com frequência vulneráveis quando os seus adversários logram evitar a primeira zona de pressão. Nessas ocasiões, tanto portistas como benfiquistas são obrigados a defender com três ou quatro jogadores, no máximo, com imenso espaço para proteger. Contra equipas inferiores, essa questão não é um problema na maioria dos casos, mas, face a equipas superiores, poderá tornar-se fatal.

    • Matic

    Quando o Benfica vendeu Javi García ao Manchester City, os adeptos temeram o pior. O espanhol havia sido até então o pêndulo defensivo de que toda a abordagem eminentemente ofensiva dependia. Apesar dos seus diversos golos em situações de bola parada, Javi García não tinha qualquer problema em ficar em segundo plano, pronto para entrar em acção quando a equipa perdia a bola. A sua intensidade e excelente leitura de jogo permitia-lhe destruir muitos das iniciativas ofensivas adversárias, muitas das vezes em inferioridade numérica. A sua partida não parecia promissora.

    Contudo, segundo as palavras do próprio Jorge Jesus, a venda de Javi García apenas foi em frente porque o treinador acreditava ter um jogador mais completo à espera do seu momento. Esse jogador era Nemanja Matic. O sérvio teve por fim a oportunidade de mostrar o seu valor e entrou na equipa de forma quase imperceptível.

    Não obstante, Javi García e Matic são jogadores muito diferentes entre si. O antigo médio do Real Madrid era na sua essência um jogador voltado para a fase defensiva do jogo, fazendo valer todas as suas competências ao frustrar as transições ofensivas adversárias. Por outro lado, era menos proficiente na vertente mais ofensiva (com excepção dos já citados esquemas tácticos).

    Matic é o oposto. A sua excelente capacidade técnica permite-lhe estar mais à vontade com a bola nos pés e, acima de tudo, transformar imediatamente uma situação defensiva numa oportunidade de golo para a sua equipa devido a uma melhor capacidade de passe. Ao invés, o antigo jogador do Chelsea é mais lento a regressar à sua posição original e fica muito vezes exposto (juntamente com a sua defesa) em contra-ataques rápidos. Se o FC Porto conseguir superar a pressão imediata do Benfica após a perda da bola, as águias poderão vir a sofrer com isso.

    • Defour

    A ausência de James Rodríguez é um enorme contratempo para o FC Porto. Sem Hulk na equipa, o jovem colombiano tem levado a equipa às costas e assumiu-se como um dos jogadores mais importantes na manobra dos dragões. A sua tendência de partir da direito para o centro do terreno (trocando frequentemente de posição com Lucho González) permite que o FC Porto disponha efectivamente de quatro jogadores no centro - zona em que o Benfica tende a jogar com dois homens. A adaptação progressiva de Danilo ao futebol europeu e às instruções do seu treinador têm-no tornado mais perigoso na ala, evitando que James Rodríguez seja obrigado a dar largura no seu flanco.

    De acordo com a maioria dos relatos, Steven Defour irá provavelmente ocupar o lugar do jovem número 10. O belga já jogou noutras ocasiões na direita, mas quase sempre quando o FC Porto tentava desesperadamente chegar à vitória e se transformava num 4x2x3x1. Enquanto jogador semelhante a João Moutinho, Defour é suficientemente inteligente para ocupar quase todas as posições do campo, o que não quer dizer que venha daí a retirar o seu melhor rendimento. Se acabar por jogar como extremo direito, terá igualmente tendência a flectir para o centro, à imagem de James.

    Por um lado, sem o colombiano, os azuis e brancos vêem-se quase desprovidos de qualquer criatividade, característica muitas vezes fundamental em encontros tão renhidos. Por outro lado, a presença de Defour poderá transformar os dragões num sistema semelhante a um 4x4x2 em losango, o que deverá inclinar a batalha do meio-campo a seu favor. Se o Benfica conseguir concentrar a partida nas alas, o FC Porto poderá ter uma tarefa difícil pela frente.

    • Esquemas tácticos

    Apesar de apenas contar com seis golos sofridos, o FC Porto tem denotado algumas dificuldades no que diz respeito a defender livres e cantos - um dos principais pontos fortes do Benfica. O primeiro poste, em particular, fica frequentemente vulnerável, especialmente quando há um ligeiro desvio em direcção ao segundo poste. Numa partida tão disputada, um livre ou canto mal defendido poderá acabar por decidir o resultado.

    • Profundidade da equipa

    Como se sabe, o FC Porto não possui um plantel propriamente vasto. Sem Atsu, James e Kléber, Vítor Pereira apenas pode contar com o verde Kelvin caso o jogo se desenrole de forma desfavorável - motivo pelo qual o momento da contratação de Izmailov poderá vir a revelar-se crucial. Se os dragões sofrerem o primeiro golo, a fadiga poderá instalar-se e a falta de opções do treinador poderá ficar por demais evidente.

    O Benfica, por seu lado, conta com inúmeras opções atacantes, caso surja a necessidade de um plano B e de uma abordagem ainda mais ofensiva. Nolito, Ola John, Rodrigo e Kardec estarão muito provavelmente no banco, à espera da oportunidade de punir os seus adversários quando as suas pernas estiverem menos frescas.

    Wednesday, January 9, 2013

    O negócio Izmailov/Miguel Lopes - quem sai por cima?


    Inconcebíveis em Espanha, normais em Itália ou não tão raras em Inglaterra, as transferências entre os principais clubes são sempre uma questão sensível em Portugal. Marat Izmailov e Miguel Lopes trocaram ontem oficialmente de clube. Embora este tipo de transacção não aconteça todos os dias, estes dois clubes têm conseguido de tempos a tempos encontrar uma linha de comunicação entre si sempre que a necessidade surgiu - da troca Peixe/Costinha por Rui Jorge/Bino até à venda de Hélder Postiga ou João Moutinho. Ainda assim, subsiste uma questão: quem sairá beneficiado do mais recente negócio?

    • Izmailov

    Izmailov era há já algum tempo um espinho cravado no flanco verde e branco. Em conflito com o departamento médico do clube, a estrela russa tornou a sua permanência no clube muito mais difícil ao insurgir-se contra as injustiças cometidas contra si, na sua opinião. Apesar de ser um jogador de elevado calibre quando estava na plena posse das suas capacidades, Izmailov nunca pôde desfrutar desses momentos durante muito tempo, sempre incapaz de se mostrar consistentemente ao nível por que tanto os adeptos e o próprio jogador ansiavam.

    Nas primeiras duas das suas seis épocas no Sporting, o russo foi com frequência a diferença entre a sua equipa e a concorrência, inspirando os seus companheiros com a sua habilidade e servindo de baluarte da equipa. A qualidade das suas movimentações com e sem bola era irrepreensível e Izmailov parecia fadado para voos mais altos. No entanto, as repetidas lesões nos joelhos fizeram do jogador uma sombra de si mesmo, vindo por vezes a público criticar os directores ou o departamento médico do clube através dos jornais.

    Nas temporadas que se seguiram, os seus regressos foram quase sempre abreviados pelos problemas dos joelhos, com Izmailov a desparecer dos convocados durante semanas a fio. Sempre que jogava, era possível vislumbrar um relance do jogador que havia sido e poderia ser, mas esse momento nunca durava muito tempo, com o jogador a lesionar-se uma vez mais.

    Nos últimos tempos, o médio russo parecia estar encurralado no Sporting, incapaz de merecer o respeito dos adeptos, treinadores e companheiros de equipa. A sua fidelidade à causa e a sua capacidade de trabalho começaram a ser colocadas em questão e Izmailov deixou de ser visto como a estrela que poderia virar jogos a favor da sua equipa. Uma mudança poderá ser-lhe útil, particularmente porque, no FC Porto, não é provável que venha a ser considerado o jogador mais dotado da equipa, tendo de se aplicar a fundo para merecer um lugar no onze.

    • Miguel Lopes

    O caso do defesa-lateral Miguel Lopes dificilmente poderia ser mais distinto. Formando nas camadas jovens do Benfica, foi promovido ao Benfica B, com a equipa a ser extinta pouco depois. Descendo uma divisão, começou a jogar pelo Operário. O Rio Ave, na altura na Liga de Honra, reparou no jogador e avançou para a sua contratação. Miguel Lopes foi fundamental para a promoção do clube à divisão principal e começou a atrair as atenções dos três grandes durante a primeira metade da época 2008/09. Acabaria por assinar pelo FC Porto em Janeiro de 2009.

    Embora nunca tenha sido titular absoluto sob as ordens de nenhum treinador portista, Miguel Lopes logrou ainda assim estabelecer-se como alternativa viável em ambos os flancos durante a época e meia em que esteve ao serviço dos azuis e brancos. Em Agosto de 2010, foi emprestado ao Bétis (na altura, na segunda divisão espanhola), contribuindo uma vez mais para a promoção do seu clube ao campeonato principal.

    Na temporada seguinte, acabaria novamente emprestado, mas um erro administrativo da parte do Saragoça (pelo qual o clube acabou por compensar o jogador) obrigou Miguel Lopes a esperar por Janeiro de 2011 por uma oportunidade para mostrar o seu valor noutro local. Esse local foi Braga, onde impressionou em ambos as alas. As suas exibições valeram-lhe a chamada de Paulo Bento à equipa de 23 jogadores que actuou no Euro 2012.

    Na época actual, o internacional português foi titular por diversas vezes no lugar de Danilo (ainda a tentar encontrar o seu ritmo), mas foi descendo gradualmente na ordem de importância, chegando inclusivamente a referir a sua insatisfação antes da quadra natalícia. O seu tempo no FC Porto parecia ter chegado ao fim.

    • Conclusão

    Com a partida de Hulk, a presença de Atsu na CAN e a intermitência de Iturbe, o FC Porto viu-se subitamente com poucas opções nas alas. Considerando que James Rodríguez foi recentemente diagnosticado com uma lesão que o manterá afastado por quatro semanas, Izmailov poderá bem ser uma bela aquisição. Contudo, a contratação do russo é incaracterística face ao que o clube nortenho nos habituou, uma vez que se trata de um jogador de 30 anos com poucos jogos nas últimas épocas, com um problema grave no joelho, e que ostenta um passado duvidoso ao nível da sua fidelidade. Adicionalmente, o russo não tem qualquer valor de revenda. Por outro lado, o FC Porto abre mão de um lateral de 26 anos capaz de jogar em ambos os flancos e que estava a começar a afirmar-se na selecção nacional.

    Para o Sporting, este negócio apenas poderá ser considerado uma vitória, uma vez que descarta um problema que vinha a consumir todo o clube há já algum tempo e encontra algum alívio na folha de salários. Mais importante ainda, os leões recebem em troca um lateral-direito (de preferência) de qualidade capaz de afastar os holofotes do infeliz Cédric e provocar um impacto imediato. Miguel Lopes é um jogador com um futuro brilhante à sua frente e, se continuar a ser convocado para os trabalhos da selecção, o seu valor de mercado disparará em flecha e o Sporting poderá acabar por conseguir um belo lucro.

    Saturday, December 8, 2012

    Sabotage Times - Hulk

    Novo artigo já disponível no Sabotage Times, desta feita sobre Hulk e os motivos pelos quais poderá nunca vir a jogar onde sonhou.

    Wednesday, December 5, 2012

    Barcelona 0-0 Benfica - Águias eliminadas


    Após não conseguir marcar ao Barcelona e a magra vitória do Celtic frente ao Spartak de Moscovo, o Benfica está fora da Liga dos Campeões. Os encarnados foram penalizados pelo desperdício na hora da finalização e terão de continuar a lutar pela conquista de um troféu europeu na Liga Europa.

    Com as probabilidades contra si e com uma difícil batalha entre mãos, o Benfica estava obrigado a conseguir pelo menos o mesmo resultado do Celtic contra o Spartak de Moscovo. A sua tarefa foi facilitada em parte por Tito Vilanova, o qual optou por fazer descansar vários jogadores-chave (incluindo Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Dani Alves e Piqué) permitiu que os jogadores da segunda linha acumulassem importantes minutos na Liga dos Campeões sem a inerente pressão do resultado.

    A noção de que tal seria proveitoso para a equipa lisboeta foi confirmada assim que o encontro teve o seu início. Ao contrário do que haviam (estranhamente) feito no seu reduto, a equipa portuguesa apresentou-se com uma abordagem de pressão intensa desde os primeiros momentos, encostando o Barcelona às cordas. Com Pinto na baliza no lugar de Vítor Valdés e com uma linha defensiva improvisada, os catalães denotavam dificuldades em sair a jogar, especialmente dada a pressão de Rodrigo, Lima, Ola John e Nolito. Até o jovem André Almeida pressionava alto, acompanhando Alex Song quando este (ou outro centrocampista) recuava para pegar no jogo.

    O Benfica pressionou o Barcelona de forma intensa durante toda a primeira parte.

    O Benfica mostrava-se sólido e agressivo a nível defensivo, recuperando inúmeras bolas, devido à sua intensidade. A equipa secundária dos vice-campeões espanhóis não tem evidentemente a mesma qualidade das principais figuras e falhava passes com frequência. Para além disso, o Benfica explorava inteligentemente o espaço nas costas dos defesas-centrais, os quais, mantendo-se fiéis aos princípios de jogo da equipa, mantinham uma linha defensiva subida - mas com pouca pressão do seu meio-campo, muitas das vezes.

    A primeira oportunidade de golo clara a favor do Benfica surgiu ao minuto 11, com Rodrigo a desmarcar-se nas costas da defesa adversária e a optar de forma egoísta por rematar em vez de encaminhar a bola para Nolito, o qual ficou furioso com o seu companheiro de equipa. O mesmo Nolito tirou um belo cruzamento para o cabeceamento de Lima ao lado, dez minutos volvidos. O Barcelona começava a mostrar os dentes pouco depois ao conseguirem sair do espartilho defensivo que Jorge Jesus havia criado: Matic marcava o médio mais avançado, André Gomes seguia o centrocampista mais recuado, mas o terceiro médio (geralmente Sergi Roberto) ficava sempre livre para recolher a bola e passar pelo meio-campo benfiquista, conforme ficou patente nas oportunidades aos minutos 23 e 24.

    O Barcelona conseguiu muitas vezes libertar-se
    com simples triangulações,
    particularmente durante a segunda parte.
    O Barcelona encontrou muito espaço atrás de Matic e André Gomes.

    No entanto, o Benfica manteve o pé no acelerador e insistiu em atirar-se para a frente - quase recolhendo a recompensa do seu arrojo, com Lima a acertar no poste ao 31º minuto, após o ressalto do bom carrinho de Adriano ter ido parar fortuitamente aos pés do avançado brasileiro. Alguns minutos mais tarde, Lima faria um excelente passe longo a toda a largura do terreno na direcção de Ola John, o qual venceu a oposição do seu adversário, permitindo contudo mais uma boa defesa de Pinto. Sempre que os comandados de Jorge Jesus orientavam a bola para as alas, os adversários soçobravam.


    • Segunda parte


    A segunda metade do encontro foi bastante diferente. A equipa da Luz começou a acusar o cansaço e a sua pressão foi menos eficaz. Como tal, o Barcelona teve maiores facilidades em fazer vingar o seu jogo de posse e encontrar as fragilidades benfiquistas. Com Ola John e Nolito a oferecerem cada vez menos protecção aos seus laterais, Tello teve imenso espaço para ultrapassar Máxi Pereira, o qual pareceu perder a calma por uma ou duas vezes, mas acabou por conseguir manter a compostura. Por outro lado, Lima e Rodrigo permaneciam em zonas avançadas do campo, o que permitia que o trio composto por Song, Sergi Robert e Thiago Alcântara tivesse o espaço e tempo necessários para escolher o melhor destino para os seus passes. Felizmente para o Benfica, o timing do último passe deste grupo de jogadores é menos preciso do que o habitual, permitindo ao Benfica fazer uso do fora-de-jogo com sucesso.

    Messi entrou aos 58 minutos (com David Villa a deslocar-se para a direita) e arrancou imediatamente várias faltas à entrada da área - encontrando igualmente espaço para desmarcar Villa e Tello. O próprio Messi viria a ter uma excelente oportunidade para marcar, mas a corajosa saída de Artur evitou o pior para o Benfica, com o mago argentino a sair lesionado após esse duelo. Por essa altura, já o Benfica havia mudado para um 4x3x3, com Matic atrás de André Almeida e André Gomes, e Bruno César e Ola John nas alas no apoio a Cardozo.

    O Benfica desperdiçou uma extraordinária oportunidade não só de vencer em Nou Camp, mas também de progredir para a fase seguinte da competição. A equipa portuguesa beneficiou de uma tempestade perfeita, com o Barcelona a apresentar uma equipa recheada de jogadores jovens e segundas linhas. Os encarnados apenas poderão queixar-se de si mesmos por não marcarem pelo menos umas das diversas oportunidades de que dispuseram. Espera-os a Liga Europa - e nova possibilidade de conquistar um troféu europeu.

    Sunday, November 25, 2012

    Golo tardio de James embala FC Porto para a vitória

    Equipas e movimentações iniciais

    No seguimento das últimas épocas do Sporting de Braga, este encontro é já considerado um duelo de titãs. A insistência do clube comandado por António Salvador em intrometer-se emtre FC Porto e Benfica na luta pelos lugares cimeiros significa que o Estádio Axa já não é um porto de abrigo para qualque equipa que o visite. A vitória do Benfica frente ao Olhanense no Sábado estava nas cogitações de ambas as equipas e nenhuma poderia dar-se ao luxo de perder pontos, com particular ênfase para os comandados de José Peseiro, já com um défice de seis pontos face aos seus rivais.

    Vítor Pereira realizou as alterações esperadas, devolvendo Alex Sandro e Fernando ao onze, nos lugares de Abdoulaye e Defour. As suas escolhas nada tiveram de inesperado, particularmente tendo em conta os minutos que ambos os jogadores acumularam a meio da semana contra o Dínamo de Zagreb. A única alteração do treinador arsenalista em relação à pesada derrota às mãos do Cluj foi a troca de Mossoró por Ruben Amorim.

    A primeira foi extremamente vibrante e comprovou uma vez mais os méritos e qualidades de ambas as equipas. Quer tenha sido por uma questão estratégica ou pelo peso dos mais recentes resultados, o Sporting de Braga apresentou-se num formato diferente. Com efeito, a atitude da equipa poucas semelhanças teve com o modelo de jogo que José Peseiro mostrou ao longo desta época. Em vez de pressionar, os visitados permaneceram na expectativa; em vez de atacar com muitos homens, optaram por um estilo mais directo. Ao que nos era dado a ver, este Sporting de Braga poderia muito bem ser o de Domingos ou Leonardo Jardim's.

    O FC Porto entrou muito forte no jogo e criou várias oportunidades claras nos minutos iniciais, com Otamendi a dispor de duas boas oportunidades e levando inclusivamente a bola a bater no poste de Beto ao terceiro minuto. A abordagem dos dragões pouco se desviou dos seus mecanismos habituais, com James Rodríguez a flectir para dentro e Lucho (ou Danilo) a ocupar o espaço libertado pelo colombiano. Com Mossoró (habitualmente menos inclinado para defender) estacionado na esquerda e Ruben Micael demasiado próximo de Éder, o FC Porto controlou o encontro a seu bel-prazer durante 20 minutos, dando a impressão de que o golo seria uma mera formalidade.

    No entanto, o Sporting de Braga assentou o seu jogo, começou a mostrar os seus trunfos e efectuou o primeiro remate à passagem do minuto 20 - o FC Porto não mais viria a rematar durante a primeira parte após a primeira tentativa bracarense. Ruben Micael passou a prestar mais atenção a Fernando e estancou o ritmo de jogo azul e branco.

    Por seu turno, José Peseiro interpretou bem o seu adversário. A colocação de Mossoró na esquerda não foi fruto do acaso, tal como a insistência de Éder em descair para esse mesmo flanco. As investidas de James rumo ao centro significam que Danilo (ou os defesas-centrais, sempre que Danilo não regressa a tempo) fica frequentemente exposto. Com Mossoró na ala esquerda, a equipa tinha uma saída de bola clara e tentava tirar proveito da já conhecida vulnerabilidade portista. O Sporting de Braga acabaria por dominar os últimos 25 minutos da primeira metade.

    A segunda parte foi menos entusiasmante, com ambas as equipas a errarem inúmeros passes e aparentemente excessivamente receosas uma da outra. Graças aos ajustes de Peseiro, o FC Porto mostrava-se agora incapaz de fazer passes precisos na zona central para abrir a defesa dos Guerreiros do Minho. Por outro lado, o Sporting de Braga mostrou-se perigoso no contra-ataque por diversas vezes, mas o receio da derrota parecia sobrepor-se à vontade de vencer.

    Como que provando isso mesmo, José Peseiro não implementou alterações destemidas, optando por refrescar o seu meio-campo - Amorim entrou para o lugar de Viana e Djamal para o de Ruben Micael -, mostrando-se ciente que, apesar de jogar com largura, o FC Porto é letal ao centro.

    Ironicamente, seria precisamente a partir dessa área que os campeões nacionais chegariam ao golo tardio. Danilo flectiu para dentro, James recebeu a bola e foi extremamente feliz ao ver o seu remate bater em Douglão (que se apresentou hoje ao seu melhor nível) e enganar Beto. O golo surgia alguns segundos antes do fim do tempo regulamentar. O destino seria ainda mais cruel para os visitados, os quais viriam a sofrer o segundo golo ao minuto 93, após um mau alívio de Leandro Salino e um remate bem colocado de Jackson Martínez.

    Em conclusão, o FC Porto poderá dar-se por feliz pela vitória alcançada, uma vez que o empate parecia ser o resultado mais provável. Analisando a prestação de ambas as equipas e as oportunidades criadas, a igualdade seria porventura o resultado mais justo. Tanto o Sporting de Braga como o FC Porto tentaram chegar à vitória com as suas armas e desfrutaram de oportunidades para o conseguir - nos períodos em que dominaram. Os anfitriões poderão ter dito adeus às perspectivas realistas de vencer o campeonato, mas José Peseiro poderá ter percebido que a abordagem assumida e arriscadamente ofensiva nem sempre será a melhor forma de levar todos os adversários de vencida.