Saturday, September 29, 2012

Vitória da equipa mais madura


Equipas e movimentações iniciais


Ao longo da história, os confrontos entre os dois rivais minhotos têm sido muito mais do que simples partidas de futebol - assemelhando-se muitas vezes a verdadeiras batalhas campais. Graças em parte ao carácter sereno de ambos os treinadores, o encontro da passada sexta-feira não se revelou conflituoso e ofereceu um bom espectáculo, ainda que não se tenha verificado um grande número de oportunidades de golo.

O Vitória de Guimarães entrou no jogo em força, assente no seu 4x3x3, pressionando o Sporting de Braga na sua saída de bola, de modo a evitar a construção de jogo a partir de trás. Beto, por exemplo, foi quase sempre forçado a bater bolas longas, contrariando a forma como o treinador do Sporting de Braga, José Peseiro, gosta de iniciar os ataques. (Por oposição, Doulgas, o guarda-redes vimaranense, procurava sempre enviar a bola para a frente assim que recolhia o esférico, tentando explorar os espaços livres deixados pelos jogadores bracarenses.) Para além disso, o posicionamento de Leonel Olímpio e André André tinha como objectivo impedir que Hugo Viana controlasse o ritmo de jogo e assumisse as rédeas da manobra da sua equipa com os seus tradicionais passes diagonais.

A estratégia do Vitória de Guimarães foi bem sucedida durante os primeiros 15 minutos, mas os forasteiros foram assentando o seu jogo e, aos poucos, conquistaram o controlo do meio-campo, aliviando a pressão sofrida por Viana e Custódio. Com Olímpio e André em zonas mais adiantadas, criavam-se espaços nas costas desses jogadores que eram forçosamente cobertas de forma quase exclusiva por El Adoua. Mossoró, igual a si próprio, foi magistral com os seus movimentos laterais, afastando-se do pivô marroquino, o qual se mostrava demasiado receoso em acompanhar Mossoró, sob risco de desproteger a sua zona exposta.

O bom jogo da equipa da casa ficou a dever-se em parte aos seus extremos pró-activos, os quais deixaram indícios promissores com as suas inteligentes movimentações. Ricardo é um jogador mais técnico que prefere duelos individuais, ao passo que João Ribeiro é melhor a ler o jogo e não tem pejo em ocupar outras áreas do terreno, de forma a dificultar a acção do adversário. Embora seja verdade que se revelaram úteis tanto em termos ofensivos como defensivos, convirá sublinhar que se foram alheando progressivamente das suas tarefas defensivas.

Por um lado, o Vitória de Guimarães, incentivado pelos seus adeptos, parecia deter uma vantagem emocional no jogo. Por outro, o Sporting de Braga estava aparentemente melhor equipado para as diferentes fases do jogo, ainda que tenha parecido algo descoordenado aqui e ali, especialmente no caso de Alan e Hélder Barbosa. A primeira parte, mais fechada, não tinha deixando antever grandes diferenças entre as duas equipas.

A segunda metade consistiu basicamente em tráfego de sentido único. Com uma ideia melhor sobre os seus processos ofensivos, os jogadores visitantes acabaram por marcar o primeiro golo numa transição rápida, no seguimento de um livre no meio-campo ofensivo do Vitória de Guimarães. A vantagem emocional de que os vimaranenses desfrutavam esfumou-se rapidamente após o golo, não obstante a tentativa imediata de fazer subir as suas linhas. Como tantas vezes acontece com as equipas portuguesas, os comandados de Rui Vitória mostravam-se algo desconhecedores sobre o que fazer ao verem-se em desvantagem - verdade seja dita, a falta de profundidade da equipa do Vitória de Guimarães foi hoje por demais evidente, com poucas opções atacantes.

Como se não chegasse, Peseiro optou por fazer descansar Mossóro e substituí-lo por Ruben Micael. O antigo jogador do FC Porto foi fundamental para que o Braga chamasse a si em definitivo o controlo do jogo, impedindo dessa forma uma possível resposta do seu adversário. Adicionalmente, Éder parece estar determinado em provar que poderá muito bem vir a ser o futuro ponta-de-lança da Selecção e do Sporting de Braga, assumindo-se como referência ofensiva capaz de segurar a bola e, com isso, permitir que a sua equipa. O segundo golo bracarense foi apenas um derradeiro fait-divers e um prémio para Hugo Viana.

Friday, September 21, 2012

Uma história de dois avançados

Equipas e movimentações iniciais


Apesar do resultado final, a partida da noite passada ofereceu inúmeros motivos de interesse. Com efeito, poucas vezes um encontro ofereceu um contraste tão vincado entre dois estilos opostos de abordar um jogo de futebol.

O treinador do Newcastle, Alan Pardew, permaneceu fiel às suas convicções e rodou a maior parte da sua equipa (lançando inclusivamente o seu terceiro guarda-redes), mantendo contudo a sua linha defensiva intacta. O onze inglês foi significativamente diferente do que defrontou o Everton na passada segunda-feira. No que diz respeito ao Marítimo, Pedro Martins escalou os mesmos jogadores, excepção feita a Luís Olim no lugar do castigado Ruben Ferreira.

Este encontro constituiu um exemplo perfeito de duas filosofias futebolísticas diametralmente opostas. Por um lado, os Magpies jogaram no seu habitual 4x4x2, com Vuckic a actuar atrás de Shola Ameobi, e optaram pelo que se pode denominar de típico estilo britânico: bolas longas na direcção do avançado mais possante, o qual tentava encaminhar as jogadas para um avançado mais pequeno e rápido. Os madeirenses, por outro lado, optaram pelo típico 4x3x3 português, mais dinâmico e com maior movimento.

Não obstante, os jogadores mais avançados das duas equipas (uma vez que Danilo Dias não pode ser classificado como um verdadeiro ponta-de-lança) constituem os exemplos mais paradigmáticos de cada equipa, resumindo as respectivas abordagens na perfeição.

  • Newcastle

Conforme referido anteriormente, Newcastle optou por lançar bolas longas e directas na direcção de Ameobi. Sem Demba Ba, Papis Cissé, mas, acima de tudo, sem Yohann Cabayé nem Hatem Ben Arfa, os comandados de Pardew não demonstravam qualquer pejo em despejar a bola na frente e aguardar o desfecho. Com Vuckic longe da sua melhor forma, as tabelas e cabeçadas ganhas por Ameobi não se revelavam particularmente úteis, especialmente porque tanto Obertan como Amalfitano permaneciam estáticos e muito distantes das melhores posições para recuperarem as segundas bolas.

Gosling e Bigirimana acabaram por tentar compensar esse facto e oferecer um seguimento adequado aos esforços de Ameobi, o que conferia ao Marítimo ainda mais espaço de manobra. Com ambos os médios-ala longe do jogo e ambos os médios-centro tentando encurtar distâncias para a frente, a linha mais recuada do Newcastle ficava frequentemente exposta, permitindo que os avançados insulares se movimentassem a seu bel-prazer.

Bigirimana, em particular, pareceu muitas vezes não saber que tarefa desempenhar a nível defensivo, durante a primeira parte. À medida que foi ficando aparentemente cada vez mais frustrado pela paciente primeira fase de construção da equipa portuguesa, tentou pressionar um dos defesas-centrais contrários, fazendo com que Gosling se visse rodeado de médios adversários. A situação foi agravada pela incerteza sobre quem deveria marcar Danilo Dias, o irrequieto avançado do Marítimo.

Bigirimana e Gosling deixaram muitas vezes a defesa do Newcastle exposta.


A segunda parte foi melhor para os Magpies, assumindo o controlo do encontro, nomeadamente após a entrada de Sammy Ameobi para o lugar de Vuckic e os defesas-centrais do Marítimo começarem a acusar a fadiga. Na verdade, se é verdade que o Newcastle teve grandes dificuldades para entrar na grande área maritimista durante a primeira parte, não é menos verdade que tiveram maiores facilidades na segunda metade da partida, uma vez que tanto Roberge como João Guilherme começaram a perder o posicionamento adequado com maior frequência. O Newcastle forçou ainda mais o jogo directo e os seus jogadores e treinador poderão sentir-se algo azarados por não terem logrado marcar na segunda parte.

Em resumo, a defesa do Newcastle não esteve segura e mostrou-se demasiado vulnerável a jogadas rápidas nas suas costas, mas contrapuseram um tipo de futebol a que a equipa da casa não está habituada. Ameobi provou que ainda pode ser útil, seja em jogos menos importantes (para aliviar a carga de Papis Cissé e Demba Ba) ou como plano B.

  • Marítimo

A exibição maritimista resumiu o futebol português na perfeição. Inúmeras movimentações inteligentes, extremos a procurarem zonas mais centrais para permitir que os médios interiores e os laterais explorassem os flancos, várias oportunidades durante a primeira fase do encontro e uma derrota quase certa no final, após sofrer imenso às mãos de avançados poderosos.

Ainda que a sua naturalidade seja brasileira, Danilo Dias personifica o avançado português. Exímio a recuar para abrir espaços para os seus companheiros e (sejamos honestos) para evitar o confronto físico com defesas-centrais agressivos e intensos, é o homem que põe toda a equipa a jogar. Ao recuar, funciona frequentemente como jogador extra no meio-campo para oferecer a saída de bola, levando os defesas-centrais contrários a pensar que não têm ninguém para marcar, descobrindo pouco depois que estão a ser atacados por Heldon ou Sami.

O Marítimo teve uma excelente primeira parte, saindo a jogar de forma paciente e aguardando pelo momento certo para encontrar o buraco na defesa contrária - criando três oportunidades claras de golo nos primeiros 12 minutos, todas elas com origem no lado esquerdo, em parte graças ao completo alheamento de Obertan das suas tarefas defensivas.

No que diz respeito à defesa, a equipa insular esteve praticamente irrepreensível durante os 30 minutos iniciais, mantendo a distância correcta para os restantes sectores e fazendo dobras bem feitas para os duelos aéreos com Ameobi. Ambos os extremos colaboraram defensivamente para formar um 4x1x4x1 no momento defensivo, o que contribuiu para uns 30 minutos de bom nível. Contudo, este encontro foi um bom exemplo de que a) os jogadores que actuam no campeonato português não estão habituados a semelhantes confrontos físicos, uma vez que não há avançados com o estilo de Ameobi, e b) ao apitarem ao mais pequeno contacto a favor dos defesas, a arbitragem portuguesa não está a ajudar as equipas portuguesas, as quais denotam grandes dificuldades em manter o mesmo nível de intensidade que as equipas inglesas ao longo do encontro. O melhor exemplo é mesmo a crescente incapacidade de Roberge e João Guilherme de conter os avançados do Newcastle, à medida que o jogo se aproximava do fim.

Em resumo, o Marítimo mostrou que tem condições para lutar com as equipas de maior dimensão, mas terá forçosamente de se concentrar em manter os índices físicos ao longo de toda a partida e em capitalizar  as oportunidades criadas. Caso contrário, esta história terá um fim já familiar para as equipas portuguesas.

Sunday, September 2, 2012

Estará o 4x3x3 prestes a regressar?


O futebol, à imagem da maioria (todos?) dos temas, tem as suas modas. Há não muitos anos trás, jogar num sistema que não o 4x3x3 parecia sacrilégio (deixemos Inglaterra de fora, por agora). Na verdade, quando o 4x2x3x1 começou a dar sinais de vida, com Quique Flores como seu paladino principal, foi algo criticado (incluindo aqui) por diversos motivos. Por outro lado, tal como acontecia com o duplo pivô, a defesa a três parecia morta e enterrada, nada mais do que uma reminiscência dos tempos de Beckenbauer. No momento em que o leitor consulta este texto, parece impossível fugir do 4x2x3x1 (ou do 4x4x1x1, praticamente a mesma coisa) ou de alguma versão de uma defesa a três (especialmente em Itália), nos dias que correm - havendo um número muito reduzido de equipas dispostas num genuíno 4x3x3.

O típico 4x2x3x1

Segundo uma das frases mais comuns do futebol (com alguma razão), os jogos não se ganham no papel, uma vez que nenhum sistema táctico é inerentemente melhor do que outro - tudo se resume às diferentes dinâmicas colectivas. Embora tal seja verdade, continuo a encontrar algumas brechas no 4x2x3x1.

Antes de mais, é minha convicção de que as equipas dispostas neste sistema táctico tendem a partir-se em dois blocos, nomeadamente os seis "defensores" e os quatro "atacantes". Embora esta seja muito provavelmente a forma mais fácil de implementar funções e instruções numa equipa (permitindo eventualmente que um dos defesas-laterais se adiante, por exemplo), tende a criar dois conjuntos distintos de jogadores dentro de uma mesma equipa, dado que os atacantes se mostram relutantes em recuar e executar as suas tarefas defensivas e os defensores hesitam em abandonar as suas posições, receosos que ninguém forneça a devida compensação em organização defensiva.


4x2x3x1 em organização defensiva

Num 4x2x3x1, a organização defensiva assemelha-se habitualmente a um 4x4x1x1, uma vez que os extremos estarão supostamente incumbidos de marcar os laterais contrários. Embora a época transacta tenha proporcionado exemplos mais do que suficientes de que este sistema pode revelar-se extremamente eficaz numa abordagem mais reactiva (da vitória do Chelsea na final da Liga dos Campeões à final da Liga Europa, passando pela final da FA Cup ou pela atitude do Sporting de Braga contra os "grandes", entre muitos outros), não é ainda evidente se esta disposição táctica irá ao encontro de uma equipa que pretenda assumir o controlo do encontro. Sempre que um treinador pretende realmente que a sua equipa jogue um tipo de futebol mais pró-activo através deste sistema, o surgimento imediato de algumas brechas é por demais evidente, particularmente porque os quatro "atacantes" têm a tarefa de criar perigo por si só, o que significa que estarão menos dispostos e fisicamente capazes de recuar e formar a segunda linha de quatro homens, conforme solicitado por este sistema.


O típico 4x3x3

A partida da última sexta-feira opôs Chelsea e Atlético de Madrid e ofereceu-nos um bom confronto entre estes dois sistemas. Roberto Di Matteo, treinador do Chelsea, está a tentar provar ao seu patrão não só que é o homem certo para o lugar, mas também que o Chelsea é capaz de obter os mesmos resultados jogando o tipo de futebol atractivo que Roman Abramovich quer ver desde que comprou o clube, há dez anos. Face ao típico 4x2x3x1 do Chelsea, Diego Simeone, o treinador do Atlético de Madrid, optou por um claro 4x3x3 e atacou as alas do Chelsea criando constantes situações de superioridade numérica nos flancos graças à excelente colaboração entre os extremos, os defesas-laterais e os médios-interiores. Cientes de que Hazard e Mata não trabalhariam muito defensivamente e que Mikel e Lampard não são propriamente os jogadores mais móveis, os jogadores do Atlético de Madrid encontraram rapidamente muito espaço para desmarcações, expondo as fragilidades de um sistema no qual os (seis e, por vezes, menos) "defensores" dão por si frequentemente desprotegidos à sua frente.

4x3x3 em organização defensiva

Adicionalmente, o 4x3x3 oferece uma linha de defesa adicional. Ao invés de duas linhas de quatro jogadores (e dois  atacantes mais adiantados), este sistema permite que o pivô defensivo execute a denominada "função Makelele", designação inspirada no homem que actuava à frente da defesa e impedia que a bola fosse jogada entre linhas. O Atlético Madrid preencheu o centro do terreno e tentou vencer a batalha a meio-campo. Sabendo que os extremos do Chelsea não constituiriam qualquer tipo de ameaça nas zonas exteriores e tenderiam a flectir para dentro, o triângulo de Simeone a meio-campo recuperou inúmeras bolas (e lançou rápidos contra-ataques) graças à mera existência de um número superior de linhas de defesa, ao contrário do que acontece habitualmente com o 4x2x3x1.

Reforçamos mais uma vez que que não se trata de afirmar que um sistema é melhor do que outro. Na verdade, o objectivo deste texto passa precisamente por questionar e estimular um debate sobre os motivos que levam a maioria dos treinadores a optarem pela mesma formação, especialmente quando muitos deles jogaram em diferentes sistemas - sejam eles o 4x3x3 ou qualquer outro sistema táctico. Embora este blogue esteja ciente de que muitas das concepções consideradas ultrapassadas estão a ressurgir, seria interessante descobrir com exactidão por que motivo tal acontece - trata-se apenas da moda mais recente ou será que a maioria dos treinadores descobriu simultaneamente que o 4x2x3x1 era a melhor (e única) opção?

Saturday, September 1, 2012

FC Porto conquista vitória suada

Equipas e movimentações iniciais


Após o encontro da passada semana frente à Académica, a partida de hoje era uma boa oportunidade para aferir a capacidade do Olhanense no seu terreno contra um adversário mais forte e, por outro lado, analisar o FC Porto em maior detalhe. Embora não tenha sido um jogo repleto de oportunidades de golo, tratou-se de uma partida bastante interessante, cuja vitória acabou por sorrir à equipa portuense de forma algo feliz.

  • Os primeiros 15 minutos

Os campeões nacionais entraram bem em campo e deram mostras de pretender dar seguimento à boa exibição frente ao Vitória de Guimarães. Na verdade, os comandados de Vítor Pereira patentearam um nível consideravelmente superior ao nível da pressão alta em relação à temporada transacta, com todos os jogadores no mesmo comprimento de onda no que diz respeito às zonas e momentos para exercer a pressão. Ofensivamente, os portistas tiravam claramente proveito do ponto fraco facilmente identificável do Olhanense: Babanco. Como tal, o FC Porto insistiu em jogar pelo flanco direito durante o primeiro quarto de hora, com Lucho, Danilo e Hulk a teimarem em capitalizar a fraqueza do seu oponente.

Ao invés, a equipa liderada por Sérgio Conceição pareceu algo confusa e perdida até ao momento em que lograram por fim executar uma transição ofensiva bem delineada e punir o mau momento da incursão de Alex Sandro (característica habitual nos defesas-laterais sul-americanos). A jogada em questão serviu igualmente para reforçar as insuficiências de Defour na posição de pivô defensivo e o papel fundamental de Fernando na movimentação colectiva da equipa.

  • 15-45 minutos

Após o tento inicial, os algarvios mostraram-se mais confortáveis em posse e, em simultâneo, o FC Porto ficou defensivamente mais desconjuntado e impaciente na construção das jogadas, com os jogadores a revelarem-se demasiado lentos e previsíveis, aparentemente receosos de se exporem a mais contra-ataques. Vítor Pereira não quis esperar mais e substituiu o ineficaz Atsu por James e o avançado colombiano provocou um impacto imediato ao assistir Moutinho para uma boa oportunidade e ao fazer um delicioso chapéu a Ricardo, o qual demonstrou mais uma vez a sua incapacidade para decidir os melhores momentos de saída a cruzamentos.

  • Segunda parte

Os dragões entraram ainda mais fortes na segunda parte e Jackson enviou uma bola ao posto e marcou o seu segundo golo do campeonato após uma excelente assistência de James. Era difícil antever de que forma os visitados iriam conseguir contornar a organização defensiva do FC Porto, apesar das evidentes brechas que importará abordar o mais rapidamente possível. O jogo desenrolou-se sem grandes motivos de interesse (para além da opção de Vítor Pereira de deslocar James para a posição de Lucho após a substituição deste último, fornecendo eventualmente uma pista sobre as preferências do treinador portista no que diz respeito à posição de James), até Hulk desferir um potente remate e apontar o terceiro golo azul e branco. O resultado parecia decidido, mas o golo de Targino após outra excelente assistência, desta feita de Rui Duarte, abriu novamente o encontro e os forasteiros acabam por sofrer desnecessariamente para conquistar a vitória.

Em suma, o FC Porto foi dominante após a entrada de James, mas convirá melhorar rapidamente a sua consistência defensiva. Quanto ao Olhanense, mostrou mais uma vez um bom posicionamento defensivo, mas continua a não dispor de saídas de bola e da capacidade de assumir o controlo do encontro. Adicionalmente, Rui Duarte pareceu novamente longe da sua posição ideal, jogando em zonas demasiado avançadas e de costas para a baliza. Um ligeiro ajuste por parte de Sérgio Conceição poderá dar lugar a uma equipa mais equilibrada e perigosa.

Saturday, August 25, 2012

Abrir o jogo

Equipas e movimentações iniciais

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, os campeonatos dos diferentes países não se limitam apenas às três ou quatro principais equipas. Como tal, este blog e o site Portugoal.net têm o maior em abrir o seu espectro e analisar mais de perto as restantes equipas do campeonato português. Na verdade, é no mínimo justo que valorizemos o trabalho dos jogadores e treinadores dessas equipas.

O primeiro encontro da segunda jornada da Liga Zon Sagres envolveu duas equipas com grande potencial, orientadas por dois jovens e aguerridos treinadores - Pedro Emanuel e Sérgio Conceição -, razões mais do que suficientes para aguçar o apetite à volta do resultado final. Com efeito, a partida não desiludiu e ofereceu inúmeros motivos de interesse - acima de tudo, a predisposição de duas equipas para jogarem de forma positiva é algo de que o principal campeonato português bem precisa.

A Académica começou melhor e, aos 10 minutos, registava já duas claras oportunidades de golo, ambas com origem no flanco direito. Os estudantes eram mais agressivos sobre a bola e quebraram inclusivamente o actual mandamento táctico seguido pela maioria das equipas: em vez do usual 4x2x3x1, Pedro Emanuel dispôs a sua equipa num 4x3x3. Adicionalmente, atreveu-se a ordenar a Flávio Ferreira (o pivô defensivo da Académica) que recuasse, à imagem do que Javi García tem feito no Benfica, e se assumisse como o ponto de partida dos ataques conimbricenses. Com essa organização, tanto Rodrigo Galo como Hélder Cabral puderam jogar em zonas mais avançadas, beneficiando das inteligentes movimentações de Cissé e Marinho.

Babanco (vermelho) não teve a melhor prestação defensiva.
Neste caso, nem sequer oferece a cobertura defensiva correcta.
Ao não se colocar entre o atacante e a sua baliza,
Babanco expõe a sua equipa ao resultado do duelo aéreo de Maurício.

Com Rui Duarte isolado mais adiante nas costas de Yontcha, Fernando Alexandre e Jander viam-se a braços com sucessivas ondas ofensivas do adversário. Os extremos da Académica flectiam recorrentemente para dentro e confundiam as marcações dos algarvios. Na verdade, os laterais não sabiam se deveriam acompanhá-los ou deixá-los para serem marcados noutras zonas do terreno, o que abriu caminho para as muitas incursões de Rodrigo Galo (na primeira parte) e Hélder Cabral (na segunda metade).

Ao moverem-se para dentro, os extremos da Académica sobrecarregavam o centro,
abrindo espaço para as investidas dos seus laterais.

Por seu turno, o Olhanense parecia algo perdido em campo, em parte porque o seu jogador mais cerebral, Rui Duarte, jogava demasiado longe do seu raio de acção preferencial e era obrigado a jogar de costas para a baliza. Para além disso, a sua presença em áreas tão avançadas significava que a Académica era capaz de recuperar as segundas bolas rechaçadas pelos defesas algarvios.

Por conseguinte, o golo da Académica não apanhou ninguém de surpresa, dada a corrente do jogo. Quanto muito, terá até chegado tarde, uma vez que, por essa altura, o Olhanense se mostrava mais próximo do seu real valor. Sérgio Conceição substituiu o ineficaz Abdi por David Silva, uma alteração que viria a dar grandes dividendos.

Não obstante as suas intenções ofensivas, a Académica necessita de melhorar ao nível das transições defensivas - os estudantes envolvem frequentemente demasiados homens no ataque, em zonas afastadas da bola, o que tende a deixá-los vulneráveis na defesa - e de aprender a controlar as partidas. Embora tenham tentado abrandar o ritmo do jogo, não foram bem sucedidos a esse nível e permitiram que o Olhanense, agora mais afoito, fosse atrás do resultado.

O golo de David Silva serviu para mostrar que o 4x2x3x1, a opção actual da maioria dos treinadores, exige uma grande mobilidade. Caso contrário, pode revelar-se demasiado previsível e estático. Ao arriscar mais nas suas desmarcações, Silva provocou maiores incómodos para a defesa academista, a qual não podia agora dar-se ao luxo de se preocupar exclusivamente com Yontcha. Quando o fizeram, o Olhanense chegou ao golo.

Os dois defesas-centrais (amarelo e azul) estão atentos a Yontcha.
Ao acompanhá-lo, abrem espaços nas costas para a diagonal de Silva. 

Em resumo, tratou-se de um encontro extremamente interessante que ajudou a demonstrar que a liga portuguesa tem muito para oferecer, caso haja predisposição para tal da parte de todos os intervenientes. Por outro lado, convém referir que as duas equipas em acção não se limitam a jogar exclusivamente em nome dos pontos (necessários) e que tentam efectivamente jogar um futebol atractivo.

Por fim, Marinho fez uma bela partida e poderá estar a aprontar-se para voos mais altos, Makelele é um trabalhador incansável e Cissé é claramente um jogador para acompanhar de perto. A sua recepção, movimento e leitura de jogo são evidentes à vista desarmada. Não é provável que a sua estadia na Briosa dure mais do que a presente época.

Saturday, August 18, 2012

Estamos de volta!

Equipas iniciais

O mais importante em primeiro lugar: que belo início do campeonato português. Um jogo interessante, duas equipas interessadas em vencer, incerteza no resultado, subtis nuances tácticas, uma grande penalidade e uma expulsão. Resta-nos esperar que o encontro de hoje seja apenas um aperitivo para o que aí vem.

Um dos aspectos mais relevantes reside na diferença de comportamento do Sporting de Braga. Há não muito tempo atrás, esperava-se que a maioria das equipas se apresentasse no Estádio da Luz de forma tímida, sem qualquer problema em ceder a iniciativa de jogo à equipa da casa. Como tal, foi extremamente positivo ver os homens de José Peseiro a recusarem essa abordagem e tentarem controlar a partida. Na verdade, esse poderá ser precisamente um dos motivos para a escolha de Beto em detrimento de Quim, dado o maior à-vontade do primeiro a jogar com os pés, o que permitiu ao Sporting de Braga jogar entre os defesas-centrais e o guarda-redes, tentando assim evitar qualquer potencial pressão que o Benfica pudesse tentar exercer mais à frente - por vezes, de forma algo exagerada.

Por outro lado, Jorge Jesus parece insistir em vincar as suas ideias e o seu onze soou quase a um testemunho da sua relutância em abdicar do seu poder de fogo. Em encontros tão equilibrados como este, a prudência aconselharia possivelmente uma equipa mais harmoniosa (como se pôde ver na época passada, por exemplo), mas Jesus optou por colocar Cardozo, Rodrigo, Bruno César e Salvio em zonas mais avançadas. Isto significava que o Benfica estava inclusivamente disposto a iniciar os seus ataques com o recuo de Javi García, transformando praticamente a equipa num 3x3x3x1.

Javi García recuava e ambos os centrais abriam,
com Maxi Pereira e Melgarejo a avançarem.

Por seu turno, o Sporting de Braga tinha bem definidas as suas zonas de pressão, permitindo geralmente que os três jogadores adversários mais recuados retivessem a posse de bola e apertando Witsel (ou qualquer outro jogador que pudesse recuar), frustrando com isso as tentativas do Benfica de sair a jogar a partir de trás. Peseiro parecia ter instruído os seus jogadores para explorarem o espaço nas costas de (e dos restantes quatro jogadores mais adiantados), o que funcionou algumas vezes até à meia-hora.

As qualidades

Uma das qualidades de Peseiro do conhecimento público reside na quantidade e qualidade de trabalho dedicado à posse de bola e movimentações. Não só a linha mais recuada do Sporting de Braga se mostrou extremamente cómoda com a bola, mas pudemos ver também a qualidade das movimentações dos jogadores com a bola e no espaço. Para além disso, com Viana, Mossoró e Lima, trata-se de uma equipa capaz de mudar rapidamente o centro de jogo (como poucas outras) e, com isso, cansar o seu oponente.

Mossoró deslocou-se com frequência para a direita, tentando criar situações de superioridade numérica para o estreante Melgarejo (um infeliz início com a camisola encarnada por parte da jovem esperança), o qual contava com pouco apoio por parte de Bruno César. Pior ainda, Lima afastava-se repetidas vezes dos seus (supostos) marcadores e criava confusão sobre quem deveria marcá-lo, impedindo Javi García de socorrer o mais recente lateral-esquerdo do Benfica.

Por outro lado, Jorge Jesus é conhecido pelo trabalho exaustivo ao nível das bolas paradas, as quais se têm revelado extremamente profícuas, especialmente neste tipo de encontros. O jogo de hoje ofereceu um exemplo perfeito de que até um livre indirecto tão simples quanto este pode proporcionar uma clara ocasião de golo, desde que todos saibam a sua função.

Bruno César (vermelho) faz um bloqueio, impedindo que qualquer arsenalista
se atravesse no caminho de Maxi Pereira (verde).
Com um movimento simples e coordenado,
Maxi corre sem oposição e quase oferece uma assistência.

Segunda parte

A segunda parte trouxe o que havia faltado na primeira - os golos. Tudo começou com o primeiro tento do Benfica, aos 49 minutos. Considerando que haviam estado por cima da partida até então, foi estranho ver os guerreiros do Minho algo alienados - ao mesmo tempo, foi possível constatar a importância da proximidade das linhas.

Rodrigo atrai dois adversários e Ismaily (azul) oferece a cobertura correcta.
Estranhamente, nenhum jogador bracarense pareceu preocupado com Salvio (amarelo).

Conforme seria de esperar, a segunda bola sobra para Salvio,
completamente sozinho, com Custódio recuando devagar.

O Benfica passava para a frente e os minhotos pareceram algo perdidos durante algum tempo. Apesar da exibição intermitente, talvez o golo fosse aquilo de que as águias necessitavam para elevarem a qualidade do seu jogo e assumirem de vez o encontro. Não obstante, o Benfica voltou a oferecer mais provas da enorme dificuldade em ditar o ritmo de jogo e subjugar o seu adversário, poucos minutos depois. Tal como aconteceu por diversas vezes na época passada, o centro do terreno permanece desprotegido e Javi García e Witsel são frequentemente atropelados. O primeiro tento do Braga foi disso um bom exemplo.

Paulo Vinicius faz um passe simples para Lima (azul), o qual recuara.
Com medo de perder Lima, Garay (vermelho) acompanha-o e abre espaço nas costas.
Maxi preocupa-se com Amorim (verde), o qual flecte para dentro,
abrindo caminho para Ismaily.

Ismaily tem caminho livre à sua frente.
Garay (vermelho) permanece desposicionado e abre um buraco no centro da defesa.

O encontro abrandou bastante pouco depois, excepção feita a Rodrigo e Mossoró. Os dois golos que se seguiriam tiveram origem em situações quase aleatórias, e não no seguimento de jogadas ou movimentações cuidadas. Ainda assim, convém notar que, apesar da boa resposta do Sporting de Braga à situação de inferioridade numérica, Custódio, Viana e Amorim pareceram exaustos à medida que o encontro se aproximava do fim, sem dúvida devido à sua presença no Euro.

Conclusão

Em resumo, foi um encontro extremamente interessante. Embora estejamos ainda no início da época, o Sporting de Braga deu mostras de estar bem orientado para os meses que se avizinham, com noções muito interessantes ao nível da posse de bola, as quais tenderão a melhorar à medida que a competição se for desenrolando. No que diz respeito ao Benfica, foi difícil não vislumbrar alguns dos erros da época passada, mas Jesus é um treinador inteligente que saberá com certeza retirar o melhor dos seus jogadores. Afinal de contas, este foi apenas o primeiro de muitos, muitos jogos.

Thursday, June 28, 2012

Portugal perde, mas mostra o caminho


Equipas e movimentações iniciais


Não é fácil ficarmos satisfeitos, muito menos felizes, após uma derrota. Independentemente dos esforços envidados, subsiste uma distinta sensação de que algo falhou. Por outro lado, Phil Jackson, o antigo treinador da NBA que levou diferentes equipas a 11 títulos, afirmou em tempos que havia derrotas que lançavam as bases de uma equipa - aquelas em que os jogadores tinham dado tudo por tudo e em que tinham aberto mão dos seus egos em nome de algo maior. Para Portugal, o jogo da noite passada foi uma dessas vezes.

Ambos os seleccionadores fizeram uso dos seus onzes preferidos, com uma alteração em cada lado - o ponta-de-lança. Enquanto que a mudança de Paulo Bento foi forçada, devido à lesão de Hélder Postiga, Vicente Del Bosque surpreendeu tudo e todos ao colocar Negredo de início, em vez dos habituais Torres e Fàbregas. Os primeiros minutos permitiram confirmar que o treinador espanhol pretendia um jogador mais rápido na desmarcação, tentando impedir que a defesa portuguese subisse demasiado e comprimisse o espaço entre linhas. Era evidente que a Espanha não estava no jogo para brincar nem disposta a menosprezar Portugal.

Adicionalmente, Del Bosque manteve Xavi numa posição mais avançada do que o habitual - conforme havia feito contra a França. Com esse posicionamento, os campeões do mundo pretendiam impedir que Veloso dispusesse de muito tempo em posse e, numa perspectiva ofensiva, conferir a Xabi Alonso o espaço necessário para os seus habituais passes longos e transformar Xavi numa espécie de n.º 10.

Xavi (amarelo) jogou em zonas mais avançadas durante a maior parte do jogo,
tanto a atacar como a defender.

Embora Portugal não tenha pressionado o mais à frente possível, a selecção lusa tentou (com êxito, na maioria das situações) impedir que o adversário saísse calmamente a jogar a partir de trás e forçar Xavi, Iniesta e Alonso a jogarem de costas para a baliza de Rui Patrício. Com a habitual falta de largura - uma vez que tanto Silva como Iniesta flectem para dentro - e velocidade dos campeões em título, não havia grande perigo de a linha portuguesa mais recuada ser ultrapassada por bolas altas. Com efeito, os comandados de Paulo Bento deixavam muitas vezes Arbeloa à responsabilidade individual de Coentrão, dado que o lateral-direito do Real Madrid não é um defesa particularmente ágil com a bola nos pés. Parecia que o seleccionador português estava a colocar a armadilha para que o lateral espanhol avançasse no terreno, de modo a ser apanhado em contrapé e libertar o espaço para Ronaldo.

Portugal não se limitou a esperar pelo adversário.
Pelo contrário, tentou incomodar a primeira fase de construção espanhola.

Para além disso, Moutinho, Meireles e Nani mostravam-se insuperáveis ao fechar (quase) todas as linhas de passe pelo centro. Ao deixarem Arbeloa para Coentrão, Meireles e Moutinho podiam focar a sua atenção no caminho preferido do adversário e oferecer uma saída de bola para as tiradas de Ronaldo.

A abordagem defensiva de Portugal roçou a perfeição,
tanto quanto possível contra um adversário como a Espanha.

Tal como se esperava, as transições portuguesas tinham frequentemente Hugo Almeida como principal ponto de referência, geralmente no lado do Piqué, com o ponta-de-lança da Figueira da Foz a tentar desposicionar o defesa-central do Barcelona e abrir espaços para Ronaldo, o qual tinha como objectivo evidente aproveitar o espaço entre Piqué e Arbeloa. Embora muitos desses passes longos se tenham transviado, demonstrou à evidência que a Espanha sente grandes dificuldades nos duelos aéreos - não tanto pelos duelos em si, mas por perturbarem o seu bem trabalhado posicionamento defensivo.


A selecção nacional mostrou-se igualmente componente em anular as transições ofensivas espanholas. Moutinho foi fenomenal nesse particularao aparecer frequentemente em áreas mais adiantadas para impedir o primeiro passe e, dessa forma, evitar que Xabi Alonso (na maioria dos casos) pudesse escolher o passe mais indicado para os seus companheiros de equipa. Muito embora não exista um gráfico a comprová-lo, esse trabalho quase invisível ofereceu uma segurança acrescida à linha mais recuada da equipa portuguesa. Com isso, Portugal lutava praticamente de igual para igual com a Espanha e a estatística da posse de bola ao intervalo patenteava isso mesmo: Portugal havia tido a bola em seu poder durante 45% do tempo.


Não obstante o reduzido número de oportunidades de golo ao longo de todo o encontro, Portugal e Espanha tiveram ocasiões para matar o jogo. Na verdade, à medida que o jogo se desenrolava, parecia cada vez mais evidente que a equipa que marcasse em primeiro lugar seria a vencedora. Navas entrou para o lugar de Silva aos 60 minutos para tentar esticar o jogo e houve efectivamente algumas jogadas em que essa parecia ser a solução - Coentrão deixaria de poder jogar por dentro e teria de ir ao encontro do extremo espanhol, abrindo um espaço entre o lateral-esquerdo e Bruno Alves. No entanto, a selecção espanhola não pareceu muito interessada em tirar partido dessa via.

Apesar de toda a intensidade, o encontro de ontem não teve muitas oportunidades de golo.

Apesar da agressividade ofensiva,
Portugal necessita claramente de melhorar ao nível da finalização.

A Espanha dominou todo o prolongamento e poderia até ter alcançado a vitória, caso Rui Patrício não tivesse demonstrado a sua qualidade com defesas de grande qualidade. A selecção nacional pareceu demasiado fatigada para continuar a perseguir a bola e a Espanha continuou a acumular minutos de posse de bola. Com Nani exausto e Nélson Oliveira no lugar de Hugo Almeida, Portugal denotava grandes dificuldades em acertar o primeiro passe após a recuperação da bola, o que, por sua vez, dava lugar a mais posse de bola à Espanha.

Em resumo, assistimos a uma partida muito interessante a todos os níveis, incluindo tacticamente. Mesmo derrotada, os seleccionados portugueses poderão sentir-se reconfortados com o facto de terem sido adversários valorosos desta soberba equipa espanhola e de que actuar a este nível perante a Espanha não está ao alcance de todos. Apesar da derrota, a selecção nacional mostrou que a equipa de Del Bosque não é um obstáculo insuperável e que Portugal tem todo o potencial para se tornar em breve uma potência por direito próprio.


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Este artigo estará igualmente disponível (na versão inglesa) em PortuGOAL.net.