Gostaria de fazer aqui um pequeno parêntesis para abordar o actual momento do Benfica. Antes de mais, a vertente física. Onde está a propalada forma física encarnada, sendo que nenhum jogador parece capaz de aguentar uma série com mais de três jogos e os que conseguem ostentam tão má forma? Bem sei que, segundo Mourinho e restantes discípulos, não existe forma física per se, mas apenas englobada no seu todo, mas o trabalho de Pako Ayesterman não está a dar os frutos necessários, parece-me.
Quanto à questão táctica, talvez ainda não tenha à minha disposição todos os dados para poder fazer uma avaliação mais justa, mas Quique Flores parece-me não ter compreendido ainda que não parece ter esquema para os jogadores que tem. Mais, parece-me não ter adversários para os adversários que vai encontrar. Com efeito, continuo a ser da opinião que o sistema que Quique trabalha de forma privilegiada continua a ter um enorme defeito: o organizador de jogo continua a ser um dos dois membros centrais do meio-campo (geralmente, Yebda ou Carlos Martins). Dessa forma, a equipa parece ficar sempre desequilibrada quando perde a bola, por mais que Ruben Amorim tente compensar essas ausências, uma vez que Reyes raramente defende (Di María ainda menos), Aimar está algures lá na frente, Binya parece completamente alienado nesta equipa (reforço o que já aqui tinha dito no lançamento desta época) quase encostado a Suazo, e Carlos Martins é Carlos Martins, sempre capaz do melhor e do pior, com inteligência táctica insuficiente para cumprir um papel tão importante e suceptível de falhas, na minha opinião. E equipas mais pequenas (especialmente a jogar em casa) ansiosas por aproveitar esse espaço não faltam.
Monday, January 5, 2009
Da derrota do Benfica
2009 já chegou...
... e o futebol não mudou. Excepção feita à rima de má qualidade (involuntária, mas necessária), o futebol trouxe aquilo que sempre conhecemos até aqui: a famosa passagem de besta a bestial em menos de um fósforo. De um lado, João Eusébio, o agora ex-treinador do Rio Ave, que não resistiu à derrota em casa contra o Vitória de Guimarães. Na verdade, continuo sem compreender bem os dirigentes que despedem treinadores desta forma, aparentemente sem qualquer razão de ser. Tomando em consideração as limitações e objectivos do clube vilacondense, quais são ao certo os pecadilhos do treinador? Jogar de forma pouco atractiva? Sofrer até atingir a manutenção no principal campeonato português?
Um pouco mais abaixo, Quique Flores, vítima de apupos (juntamente com alguns jogadores, especialmente o eterno Binya). Na verdade, creio que Quique está neste momento a ser refém de si próprio. Mais concretamente, parece-me que o treinador benfiquista está a ser julgado à luz da ilusão que os adeptos benfiquistas já tinham criado de que dobrar o Natal em primeiro equivaleria a chegar em primeiro em Maio. Afinal, as dificuldades e a remodelação de que todos os dirigentes da Luz falavam eram apenas para desviar as atenções dos adversários... Ou seja, o aparente sucesso da equipa (embora pouco suportado por exibições convincentes) elevou Quique aos píncaros, apenas para lhe ser tirado o tapete quinze meros dias depois.
Um pouco mais abaixo, Quique Flores, vítima de apupos (juntamente com alguns jogadores, especialmente o eterno Binya). Na verdade, creio que Quique está neste momento a ser refém de si próprio. Mais concretamente, parece-me que o treinador benfiquista está a ser julgado à luz da ilusão que os adeptos benfiquistas já tinham criado de que dobrar o Natal em primeiro equivaleria a chegar em primeiro em Maio. Afinal, as dificuldades e a remodelação de que todos os dirigentes da Luz falavam eram apenas para desviar as atenções dos adversários... Ou seja, o aparente sucesso da equipa (embora pouco suportado por exibições convincentes) elevou Quique aos píncaros, apenas para lhe ser tirado o tapete quinze meros dias depois.
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Tuesday, December 23, 2008
Um bom 2008
Pois bem, somos chegados ao final de 2008 e às vésperas da quadra natalícia. Como tal, não queria deixar de agradecer a quem vai visitando este pequeno espaço onde coloco as minhas diatribes e enviar-vos um grande bem-haja. Não queria também deixar de agradecer a quem me vai incentivando a continuar a escrever e a todos aqueles que perdem um bocadinho do seu tempo a comentar o que escrevo.
Que 2009 seja um bom ano para todos e que os posts futebolísticos não parem de surgir - são os meus desejos para os leitores deste blog.
Até breve,
Vasco
Que 2009 seja um bom ano para todos e que os posts futebolísticos não parem de surgir - são os meus desejos para os leitores deste blog.
Até breve,
Vasco
Wednesday, December 10, 2008
O silêncio, finalmente
Foram necessárias onze longas jornadas para não ver as parangonas habituais nos jornais desportivos sobre a arbitragem. Será que se deve ao facto de os três grandes terem ganho na mesma jornada...? Ou terá a arbitragem portuguesa renascido das cinzas num ápice? Com sorte, Bruno Paixão nem terá apitado nenhum jogo e terá deixado incólume a paciência de adeptos e jogadores. Pena é que não seja sempre assim. Para a semana, alguém virá novamente defender o "ano zero" da arbitragem e do sistema. Pela minha parte, aposto no(s) grande(s) que não vencer(em).
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Arbitragem
Saturday, November 29, 2008
Aragonés
Deparei-me agora com um texto anterior e volto a reforçar a minha ideia. A vitória da Espanha no Europeu poderá ter sido totalmente merecida, mas Aragonés continua igual a si próprio, deixando o perfume do seu futebol (ou a falta dele) por todo o lado onde passa. Até os menos capazes acertam...
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Luis Aragonés
Leõzinhos com as garras recolhidas
É muito estranho constatar que, no cúmulo dos dois jogos com o Barcelona, o Sporting encaixou nada menos do que nove golos. Sim, poderíamos aqui abrir um espaço para abordar todas as maravilhas do futebol dos catalães, para referir que já aplicaram várias vezes a famosa "chapa 5" a adversários ao longo desta temporada. No entanto, não deixa de ser curioso que um treinador tão afeiçoado à construção de uma equipa de trás para a frente, como é o caso de Paulo Bento, não consiga ter um remédio para pelo menos estancar a hemorragia, aparentemente.
Independenetemente de todos os méritos tácticos e técnicos do Barcelona, os leões pareciam completamente adormecidos, apáticos e desinteressados. E isso começa a ser já uma regularidade assustadora no onze do Sporting - e, para mim, pelo menos, totalmente imprevista. Não sei até que ponto a constante instabilidade emocional de Paulo Bento na sua relação com os árbitros e questões afins se imiscuiu no balneário ou se há egos a mais à espera da (suposta) contratação por um tubarão europeu. Seja como for, é difícil conquistar títulos quando se anda constantemente a recuperar de desvantagens.
Independenetemente de todos os méritos tácticos e técnicos do Barcelona, os leões pareciam completamente adormecidos, apáticos e desinteressados. E isso começa a ser já uma regularidade assustadora no onze do Sporting - e, para mim, pelo menos, totalmente imprevista. Não sei até que ponto a constante instabilidade emocional de Paulo Bento na sua relação com os árbitros e questões afins se imiscuiu no balneário ou se há egos a mais à espera da (suposta) contratação por um tubarão europeu. Seja como for, é difícil conquistar títulos quando se anda constantemente a recuperar de desvantagens.
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"Nem tão maus antes, nem tão bons agora"
Acabei agora mesmo de ler esta frase de Jesualdo Ferreira. Mesmo não sendo um dos maiores defensores do treinador do FC Porto, reconheço sem qualquer problema que era um homem com quem gostaria de ter uma conversa franca e aberta, sem os subterfúrgios de quem o quer apanhar num qualquer mal-entendido ou de quem não quer deixar entrever nada do que de menos bom se possa passar na sua casa. A sua frase de hoje serve-me de leitmotiv para escrever sobre o momento do FC Porto. Depois de um início de época algo tremido (as famosas três derrotas consecutivas com Dinamo de Kiev, Naval e Leixões, para além da copiosa derrota no terreno do Arsenal), a equipa azul e branca conseguiu por fim encontrar o seu rumo. Ainda longe de encantar os espectadores com o seu futebol (como aconteceu em alguns momentos da época passada), o plantel do Dragão já começa a dar sinais de outra atitude, acima de tudo.
Creio que uma justificação (forçosamente simplista) incluirá dois pontos fundamentais: o tempo e a estabilização. O primeiro ponto é algo que raramente existe no futebol, especialmente o português, pois esperamos sempre que o nosso clube, seja ele qual for, seja capaz de espezinhar todos os adversários - nacionais e europeus - em menos de um fósforo. Não queremos esperar por uma melhoria constante, pela integração de novos jogadores (muitas vezes, jovens), pela eventual alteração do modelo de jogo no caso da partida de um jogador fundamental na época anterior. Em contraponto, tenho de louvar os dirigentes das SAD dos três "grandes", pois todos eles foram capazes de resistir à tentação face a resultados extremamente pesados que todos eles sofreram ao longo dos últimos dois meses.
O segundo ponto terá necessariamente a ver, na minha opinião, com a estabilização do onze titular. Jesualdo conseguiu por fim reencontrar o seu caminho (parecendo estar muito tempo, talvez demasiado, transviado em relação aos seus princípios fundamentais), assentando cada vez mais numa equipa-tipo, com uma ou outra hesitação. Seja como for, a equipa parece agora muito mais identificada com o modelo de jogo que o treinador pretende implementar e já nem a saída de Lucho é capaz de impedir uma das melhores exibições da época do FC Porto, em pleno inferno turco.
Gostaria no entanto de alertar para algumas fragilidades dos dragões:
Creio que uma justificação (forçosamente simplista) incluirá dois pontos fundamentais: o tempo e a estabilização. O primeiro ponto é algo que raramente existe no futebol, especialmente o português, pois esperamos sempre que o nosso clube, seja ele qual for, seja capaz de espezinhar todos os adversários - nacionais e europeus - em menos de um fósforo. Não queremos esperar por uma melhoria constante, pela integração de novos jogadores (muitas vezes, jovens), pela eventual alteração do modelo de jogo no caso da partida de um jogador fundamental na época anterior. Em contraponto, tenho de louvar os dirigentes das SAD dos três "grandes", pois todos eles foram capazes de resistir à tentação face a resultados extremamente pesados que todos eles sofreram ao longo dos últimos dois meses.
O segundo ponto terá necessariamente a ver, na minha opinião, com a estabilização do onze titular. Jesualdo conseguiu por fim reencontrar o seu caminho (parecendo estar muito tempo, talvez demasiado, transviado em relação aos seus princípios fundamentais), assentando cada vez mais numa equipa-tipo, com uma ou outra hesitação. Seja como for, a equipa parece agora muito mais identificada com o modelo de jogo que o treinador pretende implementar e já nem a saída de Lucho é capaz de impedir uma das melhores exibições da época do FC Porto, em pleno inferno turco.
Gostaria no entanto de alertar para algumas fragilidades dos dragões:
- Rodríguez continua a não conseguir mostrar todos os argumentos que o notabilizaram na Luz. O jogador uruguaio, com efeito, continua a debater-se com enormes dificuldades para mostrar todo o seu potencial, em grande parte por jogar demasiado encostado à linha e por raramente ter liberdade de aparecer de frente para os seus opositores, dificultando em grande medida o seu arranque.
- Hulk continua a ser o exemplo mais paradigmático de "besta/bestial". Tanto é capaz de reduzir os seus adversários a pó com a sua força e velocidade, como demonstra como é possível desperdiçar óptimas oportunidades de finalização ou de contra-ataque com o seu individualismo. Se o jogo na Turquia era à medida para as suas características, poucos jogos daqui para a frente contarão com um adversário tão voltado para a frente e tão desprotegido nas suas costas, o que nos leva ao terceiro ponto.
- Sim, as famosas transições rápidas de Jesualdo têm funcionado melhor, sem dúvida. No entanto, o FC Porto raramente irá encontrar, ao longo do que resta da época, adversários tão adequados ao seu modelo de jogo. Na sua maioria, os azuis e brancos vão enfrentar equipas muito mais resguardadas, à espera do erro portista (que não tem sido raro, nesta temporada). As fragilidades do ataque continuado continuam à vista e por resolver. A ver vamos o que nos mostrará o jogo frente à Académica.
- Lisandro. Creio que não faltará muito para podermos dar resposta a uma questão importante: custará mais dinheiro ao FC Porto aumentar o salário de Lisandro ou não o aumentar?
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