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Wednesday, December 5, 2012

Barcelona 0-0 Benfica - Águias eliminadas


Após não conseguir marcar ao Barcelona e a magra vitória do Celtic frente ao Spartak de Moscovo, o Benfica está fora da Liga dos Campeões. Os encarnados foram penalizados pelo desperdício na hora da finalização e terão de continuar a lutar pela conquista de um troféu europeu na Liga Europa.

Com as probabilidades contra si e com uma difícil batalha entre mãos, o Benfica estava obrigado a conseguir pelo menos o mesmo resultado do Celtic contra o Spartak de Moscovo. A sua tarefa foi facilitada em parte por Tito Vilanova, o qual optou por fazer descansar vários jogadores-chave (incluindo Messi, Xavi, Iniesta, Busquets, Dani Alves e Piqué) permitiu que os jogadores da segunda linha acumulassem importantes minutos na Liga dos Campeões sem a inerente pressão do resultado.

A noção de que tal seria proveitoso para a equipa lisboeta foi confirmada assim que o encontro teve o seu início. Ao contrário do que haviam (estranhamente) feito no seu reduto, a equipa portuguesa apresentou-se com uma abordagem de pressão intensa desde os primeiros momentos, encostando o Barcelona às cordas. Com Pinto na baliza no lugar de Vítor Valdés e com uma linha defensiva improvisada, os catalães denotavam dificuldades em sair a jogar, especialmente dada a pressão de Rodrigo, Lima, Ola John e Nolito. Até o jovem André Almeida pressionava alto, acompanhando Alex Song quando este (ou outro centrocampista) recuava para pegar no jogo.

O Benfica pressionou o Barcelona de forma intensa durante toda a primeira parte.

O Benfica mostrava-se sólido e agressivo a nível defensivo, recuperando inúmeras bolas, devido à sua intensidade. A equipa secundária dos vice-campeões espanhóis não tem evidentemente a mesma qualidade das principais figuras e falhava passes com frequência. Para além disso, o Benfica explorava inteligentemente o espaço nas costas dos defesas-centrais, os quais, mantendo-se fiéis aos princípios de jogo da equipa, mantinham uma linha defensiva subida - mas com pouca pressão do seu meio-campo, muitas das vezes.

A primeira oportunidade de golo clara a favor do Benfica surgiu ao minuto 11, com Rodrigo a desmarcar-se nas costas da defesa adversária e a optar de forma egoísta por rematar em vez de encaminhar a bola para Nolito, o qual ficou furioso com o seu companheiro de equipa. O mesmo Nolito tirou um belo cruzamento para o cabeceamento de Lima ao lado, dez minutos volvidos. O Barcelona começava a mostrar os dentes pouco depois ao conseguirem sair do espartilho defensivo que Jorge Jesus havia criado: Matic marcava o médio mais avançado, André Gomes seguia o centrocampista mais recuado, mas o terceiro médio (geralmente Sergi Roberto) ficava sempre livre para recolher a bola e passar pelo meio-campo benfiquista, conforme ficou patente nas oportunidades aos minutos 23 e 24.

O Barcelona conseguiu muitas vezes libertar-se
com simples triangulações,
particularmente durante a segunda parte.
O Barcelona encontrou muito espaço atrás de Matic e André Gomes.

No entanto, o Benfica manteve o pé no acelerador e insistiu em atirar-se para a frente - quase recolhendo a recompensa do seu arrojo, com Lima a acertar no poste ao 31º minuto, após o ressalto do bom carrinho de Adriano ter ido parar fortuitamente aos pés do avançado brasileiro. Alguns minutos mais tarde, Lima faria um excelente passe longo a toda a largura do terreno na direcção de Ola John, o qual venceu a oposição do seu adversário, permitindo contudo mais uma boa defesa de Pinto. Sempre que os comandados de Jorge Jesus orientavam a bola para as alas, os adversários soçobravam.


  • Segunda parte


A segunda metade do encontro foi bastante diferente. A equipa da Luz começou a acusar o cansaço e a sua pressão foi menos eficaz. Como tal, o Barcelona teve maiores facilidades em fazer vingar o seu jogo de posse e encontrar as fragilidades benfiquistas. Com Ola John e Nolito a oferecerem cada vez menos protecção aos seus laterais, Tello teve imenso espaço para ultrapassar Máxi Pereira, o qual pareceu perder a calma por uma ou duas vezes, mas acabou por conseguir manter a compostura. Por outro lado, Lima e Rodrigo permaneciam em zonas avançadas do campo, o que permitia que o trio composto por Song, Sergi Robert e Thiago Alcântara tivesse o espaço e tempo necessários para escolher o melhor destino para os seus passes. Felizmente para o Benfica, o timing do último passe deste grupo de jogadores é menos preciso do que o habitual, permitindo ao Benfica fazer uso do fora-de-jogo com sucesso.

Messi entrou aos 58 minutos (com David Villa a deslocar-se para a direita) e arrancou imediatamente várias faltas à entrada da área - encontrando igualmente espaço para desmarcar Villa e Tello. O próprio Messi viria a ter uma excelente oportunidade para marcar, mas a corajosa saída de Artur evitou o pior para o Benfica, com o mago argentino a sair lesionado após esse duelo. Por essa altura, já o Benfica havia mudado para um 4x3x3, com Matic atrás de André Almeida e André Gomes, e Bruno César e Ola John nas alas no apoio a Cardozo.

O Benfica desperdiçou uma extraordinária oportunidade não só de vencer em Nou Camp, mas também de progredir para a fase seguinte da competição. A equipa portuguesa beneficiou de uma tempestade perfeita, com o Barcelona a apresentar uma equipa recheada de jogadores jovens e segundas linhas. Os encarnados apenas poderão queixar-se de si mesmos por não marcarem pelo menos umas das diversas oportunidades de que dispuseram. Espera-os a Liga Europa - e nova possibilidade de conquistar um troféu europeu.

Wednesday, November 21, 2012

Sabotage Times - Benfica

Está disponível desde segunda-feira no Sabotage Times o artigo sobre o Benfica que estaria à espera do Celtic. É possível consultar o artigo (em inglês) aqui.

Wednesday, October 24, 2012

O que é ao certo a cobertura ofensiva?


Os especialistas futebolísticos (incluindo este colunista, perdoe-se a imodéstia) abordam frequentemente termos e expressões que, por vezes, têm definições vagas para a maioria dos ouvintes/leitores/telespectadores. Hoje, iremos debruçar-nos sobre o mito da cobertura ofensiva e o que representa. Os pilares do princípio da "cobertura ofensiva" dividem-se em dois:

  1. Apoiar o portador da bola e
  2. Manter o equilíbrio defensivo.

Em termos básicos, isto significa que deverá haver um ou mais jogadores ao lado e/ou atrás do portador da bola, de modo a manter a posse da mesma, mas também para garantir que, se a bola for perdida, haverá alguém pronto para conter a ameaça inicial e impedir que o adversário lance um rápido contra-ataque.

Embora ambos os casos apresentados em seguida possam ser igualmente atribuídos a más decisões individuais, este artigo focar-se-á principalmente na cobertura ofensiva e na importância de o portador da bola saber ler o jogo e identificar a sua melhor opção.

  • Golo n.º1 - Shakhtar v Chelsea
A jogada tem início na direita. Hazard (amarelo) recua para receber o passe de Terry. Tentando abrir espaço para o seu colega, Ramires (azul) avança no terreno. A bola será encaminhada para Mikel (vermelho). Note-se como os quatro jogadores do Shakhtar formam uma diagonal quase perfeita, fechando as linhas de passe.


Mikel recebe a bola e, em vez de a passar para David Luiz (laranja) ou Ivanovic (verde), volta-se para o centro do terreno. Ramires (azul) recua, tentando apoiar o seu companheiro. 


Mikel, sob forte pressão, acaba por remeter a bola para Hazard, mas tanto Mikel (vermelho) como Ramires (azul) ficam à frente do avançado belga. É possível ver Cole na linha do meio-campo e Ivanovic (ver imagem seguinte) mais adiantado. Isto significa que apenas Terry e Luiz estão atrás do prodígio do Chelsea. 


Hazard perde a bola e verifica-se agora uma situação de 2x2, com Ivanovic (verde) demasiado adiantado. Com Luiz (laranja) muito aberto, Terry (roxo) tenta correctamente retardar a jogada.


Luiz (laranja) corre na diagonal em direcção ao centro, ao passo que Terry (roxo) permanece ao centro, à espera de reforços.


É nessa altura que Terry executa uma discutível abordagem defensiva. Com Luiz agora mais perto, Terry aproxima-se do portador da bola, abrindo uma enorme avenida para o passe nas suas costas, em vez de fechar a linha de passe.

Conclusão

A boa leitura de jogo é essencial em qualquer cenário, mas, num contexto tão rigoroso como a Liga dos Campeões, um erro é muitas vezes o suficiente para ser penalizado pelo adversário. Sem a devida cobertura ofensiva (ou seja, opções de passe seguras), tanto Mikel como Hazard deveriam ter-se apercebido do perigo e jogado de forma segura. Por outro lado, os seus companheiros de equipa deveriam ter oferecido um melhor apoio durante o ataque e promovido as adaptações necessárias assim que vislumbraram a possibilidade de perda da bola. 

  • Golo n.º 2 - Spartak de Moscovo v Benfica
Neste caso em particular, o Benfica está a atacar pela direita, como é seu timbre. Salvio (o extremo direito) passa para Matic (o pivô defensivo).


Matic (azul) é imediatamente pressionado por Rafael Carioca (o jogador que viria a marcar o golo). O lateral-direito do Benfica, Maxi Pereira (laranja), é neste momento o jogador mais avançado da equipa. Melgarejo (vermelho), o lateral-esquerdo, apercebe-se das dificuldades do seu colega e insiste em subir no terreno, em vez de oferecer uma linha de passe segura. Note-se o número de jogadores do Benfica à frente da linha da bola.


Tomando uma má decisão, Matic tenta entregar a bola a Melgarejo, mas Bilyaletdinov faz a intercepção. A área a sombreado mostra como não existe ninguém atrás de Matic (azul) para além dos defesas-centrais, no seu meio-campo defensivo.


Nesta imagem, é fácil constatar a situação de igualdade numérica. Jardel (roxo), à semelhança de Terry, preocupa-se mais com a bola do que com o espaço ou em fechar a linha de passe. A bola acabaria por chegar a Jurado, livre de qualquer marcação.


Jurado segura a bola enquanto espera por um colega. Rafael Carioca, jogador que havia pressionado Matic, passa pelo seu opositor e pelo de Jurado e introduz a bola na baliza.

Conclusão

Este foi outro exemplo da necessidade de saber ler o jogo em função do posicionamento do jogador e da equipa. Embora o passe de Matic não tenha sido o ideal, convirá não esquecer as inúmeras más decisões dos seus companheiros, ao não oferecerem suficientes linhas de passe seguras - incluindo a subida de um dos seus colegas após ver o seu pivô em dificuldades. Se Matic tivesse sido devidamente apoiado, haveria algumas linhas de passe ao seu lado ou atrás de si, de modo a manter a posse da bola e a evitar um rápido contra-ataque se a equipa perdesse a bola, como viria a acontecer.

Saturday, August 18, 2012

Estamos de volta!

Equipas iniciais

O mais importante em primeiro lugar: que belo início do campeonato português. Um jogo interessante, duas equipas interessadas em vencer, incerteza no resultado, subtis nuances tácticas, uma grande penalidade e uma expulsão. Resta-nos esperar que o encontro de hoje seja apenas um aperitivo para o que aí vem.

Um dos aspectos mais relevantes reside na diferença de comportamento do Sporting de Braga. Há não muito tempo atrás, esperava-se que a maioria das equipas se apresentasse no Estádio da Luz de forma tímida, sem qualquer problema em ceder a iniciativa de jogo à equipa da casa. Como tal, foi extremamente positivo ver os homens de José Peseiro a recusarem essa abordagem e tentarem controlar a partida. Na verdade, esse poderá ser precisamente um dos motivos para a escolha de Beto em detrimento de Quim, dado o maior à-vontade do primeiro a jogar com os pés, o que permitiu ao Sporting de Braga jogar entre os defesas-centrais e o guarda-redes, tentando assim evitar qualquer potencial pressão que o Benfica pudesse tentar exercer mais à frente - por vezes, de forma algo exagerada.

Por outro lado, Jorge Jesus parece insistir em vincar as suas ideias e o seu onze soou quase a um testemunho da sua relutância em abdicar do seu poder de fogo. Em encontros tão equilibrados como este, a prudência aconselharia possivelmente uma equipa mais harmoniosa (como se pôde ver na época passada, por exemplo), mas Jesus optou por colocar Cardozo, Rodrigo, Bruno César e Salvio em zonas mais avançadas. Isto significava que o Benfica estava inclusivamente disposto a iniciar os seus ataques com o recuo de Javi García, transformando praticamente a equipa num 3x3x3x1.

Javi García recuava e ambos os centrais abriam,
com Maxi Pereira e Melgarejo a avançarem.

Por seu turno, o Sporting de Braga tinha bem definidas as suas zonas de pressão, permitindo geralmente que os três jogadores adversários mais recuados retivessem a posse de bola e apertando Witsel (ou qualquer outro jogador que pudesse recuar), frustrando com isso as tentativas do Benfica de sair a jogar a partir de trás. Peseiro parecia ter instruído os seus jogadores para explorarem o espaço nas costas de (e dos restantes quatro jogadores mais adiantados), o que funcionou algumas vezes até à meia-hora.

As qualidades

Uma das qualidades de Peseiro do conhecimento público reside na quantidade e qualidade de trabalho dedicado à posse de bola e movimentações. Não só a linha mais recuada do Sporting de Braga se mostrou extremamente cómoda com a bola, mas pudemos ver também a qualidade das movimentações dos jogadores com a bola e no espaço. Para além disso, com Viana, Mossoró e Lima, trata-se de uma equipa capaz de mudar rapidamente o centro de jogo (como poucas outras) e, com isso, cansar o seu oponente.

Mossoró deslocou-se com frequência para a direita, tentando criar situações de superioridade numérica para o estreante Melgarejo (um infeliz início com a camisola encarnada por parte da jovem esperança), o qual contava com pouco apoio por parte de Bruno César. Pior ainda, Lima afastava-se repetidas vezes dos seus (supostos) marcadores e criava confusão sobre quem deveria marcá-lo, impedindo Javi García de socorrer o mais recente lateral-esquerdo do Benfica.

Por outro lado, Jorge Jesus é conhecido pelo trabalho exaustivo ao nível das bolas paradas, as quais se têm revelado extremamente profícuas, especialmente neste tipo de encontros. O jogo de hoje ofereceu um exemplo perfeito de que até um livre indirecto tão simples quanto este pode proporcionar uma clara ocasião de golo, desde que todos saibam a sua função.

Bruno César (vermelho) faz um bloqueio, impedindo que qualquer arsenalista
se atravesse no caminho de Maxi Pereira (verde).
Com um movimento simples e coordenado,
Maxi corre sem oposição e quase oferece uma assistência.

Segunda parte

A segunda parte trouxe o que havia faltado na primeira - os golos. Tudo começou com o primeiro tento do Benfica, aos 49 minutos. Considerando que haviam estado por cima da partida até então, foi estranho ver os guerreiros do Minho algo alienados - ao mesmo tempo, foi possível constatar a importância da proximidade das linhas.

Rodrigo atrai dois adversários e Ismaily (azul) oferece a cobertura correcta.
Estranhamente, nenhum jogador bracarense pareceu preocupado com Salvio (amarelo).

Conforme seria de esperar, a segunda bola sobra para Salvio,
completamente sozinho, com Custódio recuando devagar.

O Benfica passava para a frente e os minhotos pareceram algo perdidos durante algum tempo. Apesar da exibição intermitente, talvez o golo fosse aquilo de que as águias necessitavam para elevarem a qualidade do seu jogo e assumirem de vez o encontro. Não obstante, o Benfica voltou a oferecer mais provas da enorme dificuldade em ditar o ritmo de jogo e subjugar o seu adversário, poucos minutos depois. Tal como aconteceu por diversas vezes na época passada, o centro do terreno permanece desprotegido e Javi García e Witsel são frequentemente atropelados. O primeiro tento do Braga foi disso um bom exemplo.

Paulo Vinicius faz um passe simples para Lima (azul), o qual recuara.
Com medo de perder Lima, Garay (vermelho) acompanha-o e abre espaço nas costas.
Maxi preocupa-se com Amorim (verde), o qual flecte para dentro,
abrindo caminho para Ismaily.

Ismaily tem caminho livre à sua frente.
Garay (vermelho) permanece desposicionado e abre um buraco no centro da defesa.

O encontro abrandou bastante pouco depois, excepção feita a Rodrigo e Mossoró. Os dois golos que se seguiriam tiveram origem em situações quase aleatórias, e não no seguimento de jogadas ou movimentações cuidadas. Ainda assim, convém notar que, apesar da boa resposta do Sporting de Braga à situação de inferioridade numérica, Custódio, Viana e Amorim pareceram exaustos à medida que o encontro se aproximava do fim, sem dúvida devido à sua presença no Euro.

Conclusão

Em resumo, foi um encontro extremamente interessante. Embora estejamos ainda no início da época, o Sporting de Braga deu mostras de estar bem orientado para os meses que se avizinham, com noções muito interessantes ao nível da posse de bola, as quais tenderão a melhorar à medida que a competição se for desenrolando. No que diz respeito ao Benfica, foi difícil não vislumbrar alguns dos erros da época passada, mas Jesus é um treinador inteligente que saberá com certeza retirar o melhor dos seus jogadores. Afinal de contas, este foi apenas o primeiro de muitos, muitos jogos.

Friday, April 6, 2012

Benfica - o que melhorar para a próxima época?


É sempre difícil, arriscado e talvez injusto analisar os pontos a melhorar numa equipa que alinhou sem nenhum dos seus defesas-centrais e que estava com dois golos de desvantagem (no conjunto das duas mãos da eliminatória) quando um dos seus melhores jogadores foi expulso. Ainda assim, embora os encarnados tenham saído de Stamford Bridge de cabeça erguida, é precisamente isso que vamos fazer - porque há pormenores que podem - e devem - ser corrigidos, apesar da atitude guerreira do onze benfiquista.

Chelsea e Benfica ofereceram um espectáculo palpitante na passada quarta-feira, num encontro que apuraria o próximo adversário do Barcelona nas meias-finais da Liga dos Campeões. À imagem do que tinha acontecido na partida contra o Sporting de Braga, as águias não se importaram de partir o jogo ao meio, de modo a tirar proveito da lentidão da defensiva contrária. Como tal, ninguém terá sido surpreendido ao assistir, tal como no jogo contra os bracarenses, a um encontro recheado de oportunidades de golo, grandes defesas dos guarda-redes e um público da casa com os nervos à flor da pele.

No presente texto, iremos debruçar-nos sobre 3 questões particulares: posicionamento defensivo, situações defensivas de bola parada e transições defensivas. É justo dizer que o Benfica não teve a sorte do seu lado nos dois jogos, mas não é menos verdade que as equipas mais fortes da Liga dos Campeões tendem a castigar adversários com menor potencial precisamente nesses "detalhes" de menor importância, à primeira vista. Se as águias têm como objectivo capitalizar a experiência adquirida ao longo desta época, deverão ser suficientemente humildes para reconhecer que existe uma diferença considerável entre o futebol português e a prova mais importante a nível europeu - quanto mais depressa o admitirem, mais rapidamente se tornarão um clube a ter em conta por mérito próprio.

1. Posicionamento defensivo. O Benfica é muitas vezes louvado pelo seu implacável futebol de ataque, uma abordagem que quase teve a sua recompensa na passada quarta-feira. No entanto, uma boa cobertura e posicionamento defensivos constituem uma base em que qualquer clube com aspirações de grandeza deve assentar. Independentemente dos danos que tanto Bruno César como Maxi Pereira possam infligir no campo do seu adversário, é igualmente importante que sejam capazes de dominar as suas tarefas defensivas - algo em que nem sempre têm sido bem sucedidos ao longo desta temporada.

Maxi Pereira sobe para marcar Kalou, acabando por ficar lado a lado com Bruno César.
Note-se o espaço nas costas dos dois jogadores, com uma cobertura reduzida por parte de Javi García.

Kalou desmarca-se com uma simples "tabela". Javi García já vai atrasado para fazer a cobertura.


2. Situações defensivas de bola parada. É do conhecimento público que o Benfica semeia o caos com os seus lances de bola parada na zona ofensiva, mas é menos consesual que os comandados de Jorge Jesus são extremamente vulneráveis quando no outro lado da barricada. Recentemente, os vice-campeões nacionais sofreram golos neste tipo de jogada contra o FC Porto e Sporting de Braga (referindo apenas os jogos de maior dimensão) e, no último encontro, foram felizes ao não verem o Chelsea a marcar a partir de cantos, em particular. Apesar das recentes alterações promovidas por Jesus ao nível da marcação zonal, subsistem ajustes a fazer no sentido de vencer equipas mais fortes.

O Benfica insistiu em concentrar um grande número de jogadores na zona do primeiro poste.
Como resultado, David Luiz acaba por ficar sozinho, sem qualquer marcação. Note-se o espaço no segundo poste.

Após um mau alívio, Luiz recebe a bola sem marcação e quase sem oposição.
Capdevila acabou por evitar males maiores, nesta ocasião.

3. Transições defensivas. Muito provavelmente, o aspectomais importante no futebol moderno. A maioria das equipas sabe que é necessário retirar a bola da zona de pressão a seguir à sua recuperação, uma vez que não é expectável que os adversários tenham o mesmo número de jogadores no lado fraco (longe da bola). Os jogadores estão cada vez mais cientes de que a bola tem de rodar de um lado para o outro - de preferência de forma rápida -, no sentido de encontrar uma brecha. A questão que tende a separar as equipas nos dias que correm é a reacção ao momento em que perdem a bola. É verdade que não se trata de algo que apareça nos resumos, mas veja com os seus próprios olhos e analise com mais atenção. O facto de as melhores equipas serem geralmente as mais eficazes nas transições defensivas não pode ser coincidência - ou acha mesmo que o mérito do Barcelona (por exemplo) se baseia apenas no ataque?

Bruno César e Maxi em zonas avançadas do terreno. Nenhum deles faz falta para parar o contra-ataque.
O Benfica está prestes a ter sete jogadores à frente da linha da bola.
 
Javi García (o pêndulo da equipa, de punho fechado) faz a intercepção segundos mais tarde
e diz aos seus colegas que deveriam ter "matado a jogada" quando tiveram a oportunidade.

Note-se a diferença em situação inversa. Artur acaba de entregar a bola para um rápido contra-ataque.
Apercebendo-se de quantos jogadores do Chelsea estão à frente da bola,
Lampard faz rapidamente falta para parar a jogada.

Conclusão. Tudo isto que aqui foi escrito pode ser encarado como algaraviada táctica, mas, muitas das vezes, estes momentos são decisivos para o resultado de um determinado jogo. Embora o Benfica seja capaz de contornar a sua desatenção defensiva na maioria dos jogos do campeonato português, a Liga dos Campeões é muito mais competitiva - e os "tubarões" não se importam de esperar pelas suas presas.

Sunday, April 1, 2012

Num jogo surpreendentemente aberto, Benfica vence ao cair do pano


Equipas e movimentações iniciais

No passado sábado, Benfica e Sporting de Braga defrontaram-se no primeiro dos três jogos que se disputarão em pouco mais de uma semana que poderão decidir de uma vez por todas o vencedor do campeonato português. Cientes da vitória do FC Porto conquistada poucos minutos antes do apito inicial, ambas as equipas sabiam que vencer esta partida era absolutamente fundamental. Como tal, não se assistiu a um jogo fechado, mas sim a um encontro inacreditavelmente aberto que qualquer uma das equipas poderia ter ganho.

O confronto da noite passada constituiu o derradeiro exemplo do melhor que ambos os clubes tinham a oferecer. Por um lado, o Benfica manteve o proverbial pé no acelerador (talvez tentando compensar a performance menos exuberante da passada terça-feira contra o Chelsea) e jogou insistentemente ao ataque desde o começo. Por outro lado, o Sporting de Braga mostrou-se igual a si mesmo, defendendo de forma organizada e provando a sua mestria no contra-ataque.

Como habitualmente, a abordagem defensiva do Braga passou por um quase exemplar 4x4x2

Os encarnados tentaram abafar o seu adversário desde os primeiros segundos, com Rodrigo no lugar do suspenso Aimar. Na verdade, o avançado espanhol foi um dos motivos pelos quais as águias desfrutaram de um excelente início de jogo. Com efeito, não só jogou por trás de Cardozo, como insistiu também em descair para a ala esquerda, criando situações de superioridade numérica com a colaboração de Gaitán e Capdevila (o qual, jogando no lugar habitualmente ocupado por Emerson, ofereceu maior fluidez no jogo ofensivo da sua equipa). Por seu turno, o Sporting de Braga tinha claramente a lição bem estudada e, como tal, sabia por onde lançar os seus contra-ataques, particularmente pelo seu lado esquerdo, explorando o espaço que tanto Maxi Pereira como Witsel (o qual actuou em zonas mais avançadas do que o habitual, numa posição semelhante àquela em que actuou no jogo contra o Zenit em casa) deixavam nas suas costas.

Witsel (círculo vermelho) jogou mais à frente do que o habitual

O Benfica mostrou-se muito forte na recuperação da bola em pressão alta, tendo conseguido fazê-lo com frequência, particularmente durante a primeira parte. Contudo, quando os bracarenses conseguiam furtar-se à primeira zona de pressão e fazer chegar a bola a Hugo Viana, criavam situações ameaçadoras, encontrando imenso espaço e poucos defensores à sua frente. Estranhamente, um confronto tão aberto não dispôs de muitas oportunidades de golo durante a primeira parte.

Após sair da primeira zona de pressão do Benfica, os minhotos tinham muito espaço para explorar.
Note-se a quantidade de espaço e o número de adversários à frente de Mossoró.

A segunda parte trouxe consigo mais do mesmo, mas de forma ainda mais acentuada. Nenhuma das equipas podia dar-se ao luxo de perder mais pontos (nomeadamente a equipa da casa) e, como tal, foi sem surpresa que houve mais situações de golo nos primeiros 10 minutos da segunda parte do que em toda a primeira metade. Os encarnados mostravam-se ainda mais afoitos no ataque, abrindo espaços nas suas costas. Com Alan menos preso a amarras defensivas (durante os primeiros 45 minutos, foi apenas e só um médio-direito, em vez de um extremo), era impossível adivinhar quem marcaria o primeiro golo.

Aos 60 minutos, os comandados de Jorge Jesus começaram a acusar o cansaço, incentivando os forasteiros a tentarem a sua sorte e levarem mais do que o empate para o Minho, transformando o jogo num festim de situações de perigo. Ironicamente, o primeiro golo surgiria da marca da grande penalidade, imprudentemente cometida por Elderson ao cabecear Bruno César em vez da bola. Quatro minutos depois, o mesmo Elderson viria a redimir-se ao marcar na recarga a uma defesa de Artur, no seguimento de um livre marcado por Hugo Viana. O último golo apareceria de forma dramática no 92º minuto, numa altura em que o Sporting de Braga estava já defensivamente desequilibrado com as substituições de cariz ofensivo realizadas poucos minutos antes, na procura do empate.

Em resumo, foi algo estranho ver duas equipas com tão bons resultados recentes na Europa (as águias nos quartos de final na actual edição da Liga dos Campeões e os minhotos como finalistas vencidos da Liga Europa da época passada) - geralmente, um bom indicador da capacidade de controlar um jogo - a proporcionarem um jogo tão aberto. Em termos tácticos, foi interessante constatar que a partida de ontem foi um espelho fiel do desempenho das duas equipas ao longo da temporada - tanto nos aspectos positivos como negativos. Na verdade, este encontro não se assemelhou a um típico jogo do título português, mas sim aos jogos loucos entre os 5 primeiros classificados desta temporada na Premier League.

Wednesday, March 28, 2012

A Liga dos Campeões em todo o seu esplendor

Equipas e movimentações iniciais


Benfica e Chelsea defrontaram-se ontem no Estádio da Luz para apurar quem seguiria para as meias-finais da Liga dos Campeões. O que se viu foi uma partida típica da prova rainha a nível europeu, com a equipa de menor dimensão a jogar melhor futebol e os favoritos a resistirem a ondas de ataques sucessivos (ficando perto de sofrer um golo), marcando nos últimos minutos num rápido contra-ataque.

Jorge Jesus, treinador dos encarnados, escalou o onze esperado, com Gaitán e Bruno César nas alas e Aimar por trás de Cardozo. Ao invés, o treinador interino do Chelsea, Roberto Di Matteo, promoveu seis alterações e deixou Bosingwa, Cahill, Essien, Lampard, Sturridge e Drogba de fora (com a chamada altamente improvável de Paulo Ferreira à titularidade), assumindo o objectivo para o encontro - e demonstrando que todos os jogadores do plantel do Chelsea terão a sua oportunidade.

O plano de jogo dos londrinos era de fácil compreensão: actuar em bloco baixo, ceder a iniciativa de jogo, tentar controlar a posse de bola (mesmo que tal não significasse progredir com a mesma) e um contra-ataque, se possível. O Benfica mostrava-se receoso de exercer a sua habitual pressão alta e, com isso, os defesas e médios blues puderam desfrutar de inúmeros momentos para abrandar o ritmo de jogo à sua conveniência, incomodando os adeptos encarnados. Di Matteo tinha feito o trabalho de casa e fez alinhar Kalou (mais diligente e consciente em termos tácticos) na ala esquerda, no sentido de tentar estancar a via preferencial do ataque das águias - o flanco direito. Para além disso, Torres tinha ordens para descair para o espaço que Maxi Pereira abria nas suas costas, de modo a tirar proveito do posicionamento mais atrevido do lateral-direito - e arrastando o seu marcador directo consigo.

Torres recebe uma bola longa nas costas de Maxi Pereira, arrastando Luisão consigo.
Kalou ocupa o espaço criado pelo seu companheiro.

Nesta imagem, Luisão tenta recuperar a posição e é o omnipresente Javi García que faz a compensação.

Esta simples movimentação liberta Meireles e oferece-lhe espaço para rematar
(Maxi, já atrasado, ocupa o lugar de Javi García)

Como habitualmente, o Benfica atacou primordialmente pela direita, com Gaitán, Witsel e Aimar a ocuparem alternadamente a ala, tentando desposicionar Meireles e Mikel - tendo sido bem sucedidos em determinados momentos, mas de forma menos frequente do que o esperado. O problema residia no já infame lado esquerdo. Embora Emerson venha a ser alvo de inúmeras críticas ao longo de toda a temporada, a culpa nem sempre é exclusivamente sua, como o encontro de ontem demonstrou. Ramires, jogando sobre a direita, mas em zonas mais centrais do que Kalou, ajudava a criar superioridade numérica no centro do terreno e tentou repetidamente ultrapassar Emerson, uma vez que Bruno César (e Gaitán, depois de se mudar definitivamente para a esquerda) raramente recuava, deixando demasiado espaço para o Queniano Azul explorar (veja-se a área amarela no gráfico no início da página). Como se constataria mais tarde, esse seria o erro fatal do Benfica.

Ramires (n.º 7), presumível médio-direito, ocupou zonas mais centrais
Embora pareça tratar-se de um contra-ataque, é apenas uma normal jogada corrida.
Ramires tem já imenso espaço à sua volta

Com ambas as equipas dispostas de forma semelhante, tudo se resumiria à velocidade e criatividade. O Chelsea, conforme analisado noutro artigo, é actualmente uma equipa mais calma, bem organizada e menos vulnerável a desmarcações e contra-ataques. Paulo Ferreira foi essencial para a recém-descoberta estabilidade no lado direito da equipa londrina, graças à sua maior fiabilidade defensiva e melhor compreensão das tarefas de um defesa-lateral. As águias teriam de ser mais expeditas na segunda parte.

Foi precisamente isso que se verificou. Tal como acontece recorrentemente nas fases mais adiantadas desta competição, os favoritos foram alvo de ataques cerrados durante os primeiros 15 minutos da segunda parte, um período em que o Benfica podia (e deveria) ter marcado. Cech fez grandes defesas, David Luiz salvou corajosamente um potente remate de Cardozo em cima da linha e parecia que a fortaleza do Chelsea estava prestes a ruir. Era evidente que a maior velocidade de Witsel (jogador que demonstrou novamente ser a peça que faltava ao Benfica para encontros desta magnitude), Aimar e Gaitán (o qual rendeu muito mais na esquerda) estava a causar dificuldades a Meireles e - particularmente - Mikel, especialmente porque Torres estava mais uma vez longe do seu melhor, incapaz de segurar uma bola. Com Mata perdido (parece óbvio que não tem características para iniciar os seus movimentos a partir do centro), Ramires oferecia a única saída para os blues.

Jesus queria desesperadamente vencer o jogo e substituiu Aimar e Bruno César por Rodrigo e Matic, o que significava que Witsel iria para a direita, Matic ocuparia o seu lugar ligeiramente à frente de Javi García e Rodrigo jogaria por trás de Cardozo - e foi então que tudo começou a esfumar-se. À imagem do que tem acontecido em algumas ocasiões, a tentativa do Benfica de vencer o jogo desequilibrou toda a equipa. A influência de Witsel diminuiu na direita e a equipa lisboeta começou a perder o controlo da partida. Embora o golo do Chelsea seja a súmula dos seus actuais pontos fortes (experiência, resiliência, meio-campo mais compacto e contra-ataques), é algo que se tem visto com inusitada frequência no Benfica: a sua vontade de vencer a todo o custo significa muitas das vezes que a equipa fica partida.

Início da jogada que culminaria no golo do Chelsea. Note-se quão adiantado Emerson está, sem cobertura ofensiva.

Após a impressionante corrida de Ramires, cabe a Torres prosseguir a jogada.
Matic prova que ainda não está à altura de jogos desta importância.
A seta verde indica o local em que deveria estar para oferecer cobertura defensiva.

Por fim, há algo que vale a pena referir. Os treinadores afirmar repetidamente que há sempre uma estratégia por trás das suas decisões, mas, por vezes, é difícil fazer sentido. Qual será a lógica de deslocar Witsel para a direita e devolvê-lo à posição original uma dezena de minutos depois? Como é evidente, Jesus está longe de ser o único treinador a fazê-lo; resta-nos apenas esperar que, um dia, um treinador nos dê uma resposta honesta a esta questão.

Monday, March 26, 2012

Benfica-Chelsea: antevisão



Benfica e Chelsea defrontam-se amanhã na primeira mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, num embate que poderá revelar-se extremamente interessante e imprevisível. São apresentados mais abaixo alguns motivos que poderão explicar por que motivo uma destas equipas passará à fase seguinte.


3 motivos para a vitória do Chelsea

1) Resiliência. Se a partida contra o Nápoles nos ensinou algo, foi que esta equipa não é tão fraca quanto a maioria de nós parece pensar e que ainda tem algo a mostrar. Os jogadores do núcleo duro do Chelsea são vencedores de outras batalhas, capazes de reunir as suas forças quando necessário – os encontros contra o Valência e o Nápoles deverão ser um aviso às hostes encarnadas.

2) Uma tendência para atacar pelo centro. Apesar da mais recente (e ligeira) mudança de ideias de Roberto Di Matteo, Sturridge ocupa habitualmente o lado direito, com tendência para flectir para dentro (ou na esquerda, onde é claramente menos eficaz). Mata, partindo tradicionalmente da asa esquerda, tem igualmente tendência para procurar zonas mais interiores e Drogba é um monstro competitivo que prospera com bolas longas – a alternativa escolhida pelo Chelsea nos últimos jogos. Dado que as águias tendem a deixar o centro do terreno para Javi García de forma quase exclusiva, esta poderá ser uma boa opção para o onze inglês.

3) Um meio-campo mais compacto. Se é verdade que o Chelsea ataca pelo centro, não é menos verdade que defendem melhor nessa zona. Embora ainda esteja distante do que já foi, Essien está cada vez mais próximo dos seus níveis físicos de outrora. Por seu turno, Lampard tem jogado mais recuado do que costumava fazer, mas ainda é capaz de distribuir longas bolas diagonais por cima da última linha contrária, algo a que o Benfica é por vezes vulnerável.


3 motivos para a vitória do Benfica

1) Movimento ofensivo. A abordagem do Benfica passa sempre por lançar vários homens da frente de ataque, mesmo quando essa opção não é necessariamente a mais aconselhável. Nesse aspecto, Gaitán, Bruno César, Nolito e Maxi Pereira são exímios a criar situações de superioridade numérica nas alas e realizar penetrações em "tabelas". Embora alguns membros do plantel do Chelsea ainda se lembrem de como defender devidamente, a fluidez do Benfica poderá ser uma tarefa demasiado hercúlea para os londrinos.

2) Marcação individual do Chelsea. A opção preferencial dos blues em situações defensivas de bolas paradas passa pela marcação individual, podendo revelar-se um ponto fulcral de ataque para as águias. A obsessão de Jesus com os esquemas tácticos poderá ser decisiva para desfazer o impasse.

3) Rápidas transições ofensivas. Um dos principais atributos do Benfica reside na sua velocidade vertical, ou seja, a rapidez com que consegue transformar uma situação defensiva numa clara oportunidade de golo para a sua equipa. Ao invés, as transições defensivas são um dos pontos mais fracos do Chelsea, dado que Mata e Sturridge desprezam com frequência as suas tarefas defensivas e apenas Ramires recua. Com Maxi, Witsel e Gaitán, entre outros, a intensidade do Benfica poderá ser o ponto de partida para a qualificação para as meias-finais.

Wednesday, March 21, 2012

De bestial a besta a bestial


Há apenas algumas semanas atrás, o Benfica tinha acabado de perder a liderança do campeonato para o FC Porto, o desfecho da eliminatória da Liga dos Campeões era incerto e parecia forçoso que Jorge Jesus abandonasse o clube. No contexto actual, as águias poderão muito bem conquistar o título nacional, vencer a Taça da Liga e vão lutar com o Chelsea por um lugar nas meias-finais da Liga dos Campeões. No futebol, tudo parece mudar numa questão de minutos, não é verdade?

O encontro de ontem que opôs Benfica a FC Porto a contar para a Taça da Liga foi interessante, longe do que ambos os treinadores tentaram dar a entender - uma eliminatória que nenhuma das equipas parecia querer vencer. A partida foi em tudo semelhante ao último encontro para o campeonato e, como tal, a análise incidirá sobre questões mais específicas.


Benfica


  • 1. Semear a lógica no meio do caos. Lembra-se do golo de Maxi Pereira contra o Zenit? Nesse caso, observe mais abaixo o posicionamento do Benfica para o primeiro golo da noite passada e veja se consegue assinalar as diferenças. Uma vez mais, Witsel (rosa), Bruno César (amarelo) e Maxi Pereira (verde) pressionam e criam superioridade numérica no lado esquerdo do adversário.

  • 2. Os encarnados permanecem defensivamente vulneráveis no centro. Se o objectivo das águias passa por chegarem mais longe contra clubes mais fortes, como o Chelsea, é imprescindível que sejam capazes de exercer maior e melhor controlo sobre o seu adversário. Ontem, verificaram-se inúmeros casos em que Javi García e Witsel (um pouco mais adiantado) deram por si sozinhos no centro, o que oferece uma enorme facilidade de contornar o meio-campo benfiquista..
  • 3. Benfica comprova a sua mestria em bolas paradas. Embora seja difícil compreender o motivo pelo qual as outras equipas parecem prestar pouca atenção a este aspecto da equipa da Luz, o Benfica permanece uma máquina de fazer golos a partir de livres e cantos. O jogo de ontem foi apenas mais um exemplo (há que recordar as três bolas nos ferros no seguimento de jogadas desse género), à imagem do que tinha acontecido no confronto entre estas duas equipas para o campeonato ou no jogo contra o Zenit.

Luisão (amarelo) no segundo poste, libertando Javi García (azul)
Luisão (amarelo) faz um bloqueio para libertar Javi García (azul). Déjà vu?
  • 4. Benfica mostra uma vez mais que é capaz de promover adaptações no próprio jogo. Após ver a sua defesa batida no golo de Mangala, Jorge Jesus alterou a distribuição da habitual marcação zonal do Benfica.

A habitual marcação zonal do Benfica, sem cobertura à frente da linha. Mangala acabaria por marcar.

O Benfica adaptou a sua marcação zonal para a segunda parte.
O FC Porto não voltaria a criar situações de perigo em lances de bola parada.
FC Porto

  • 1. A ala esquerda continua a ser uma avenida. Não obstante o valor da sua transferência, Alex Sandro demonstrou estar muito verde para estas andanças e não ser substituto à altura de Álvaro Pereira (pelo menos, por agora). Por sua vez, Álvaro Pereira provou mais uma vez que o seu contributo defensivo pode ser questionável, por vezes. Mesmo com João Moutinho a dar o seu contributo defensivo nessa ala, os encarnados insistiram sempre em invadir o lado esquerdo do FC Porto.
  • 2. FC Porto deita sal na ferida do seu rival. Cientes de que o Benfica apresentava brechas na abordagem defensiva dos lances de bola parada, os dragões não hesitaram. O golo de Mangala, no seguimento do livre de Moutinho, não foi por certo obra do acaso. A bola foi enviada precisamente para o mesmo sítio que James escolheu, no lance do golo do Maicon, na partida a contar para o campeonato.
O FC Porto voltou a marcar de livre, num lance estranhamente familiar.
Na imagem, o golo de Maicon na partida para o campeonato.
  • 3. Os azuis e brancos controlaram melhor o jogo. Com Defour, Moutinho e Lucho, o FC Porto foi capaz de ditar o ritmo do jogo e oferecer uma melhor cobertura defensiva à sua linha mais recuada. Ao contrário do Benfica, onde Javi García fica frequentemente abandonado à sua sorte, o FC Porto protege sempre o centro do terreno.
A equipa nortenha tentou sempre evitar situações de inferioridade numérica e criar diversas linhas de cobertura.
  • 4. O nosso adversário ataca pela direita? Nesse caso, atacamos por esse lado. Embora Hulk tivesse a oposição de Capdevila (uma opção estranha para esta partida, dadas as características dos dois jogadores), o FC Porto tentou explorar as subidas de Maxi Pereira e a menor protecção oferecida por Bruno César. Lucho, geralmente na meia-direita em tarefas defensivas, descaiu muitas vezes para a ala esquerda para criar superioridade numérica.
Maxi Pereira, Javi García e Witsel são atraídos para o lado direito. Note-se a fraca cobertura nas suas costas.

Com uma simples "tabela", os três jogadores portistas libertam-se mais uma vez das marcações

Conclusão

Em resumo, foi um jogo interessante e equilibrado. Embora se tratasse de uma competição menor, nenhuma equipa queria perder e, com isso, ceder a vantagem psicológica para os jogos que faltam disputar no campeonato (afinal de contas, o que estava efectivamente em disputa). O FC Porto foi melhor em jogo corrido (acusando o desgaste na segunda metade), mas o Benfica foi extremamente forte nas situações de bola parada.